sábado, 31 de janeiro de 2009

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Momento (XLVII)

Petit-fours do chef Gemelli...

... na Lisboa que eu adoro com olhos de turista (apesar de parecer um estaleiro de obras).

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Ouvir e sentir (XLI)

Obrigado por me embalares.

Anna Nalick
"Breathe"


Momento (XLVI)

Obrigado por me levares a ver o mar.

Hoje não doeu tanto

Ía cheia de medo. Depois da última experiência, um exame com o nome de cateterismo uterino não soa nada amigável, e ía à espera de algo doloroso.
Não tive de assinar nenhuma declaração, o que foi logo bom sinal. Repeti a rotina de tirar a roupa no vestiário e vestir aquela espécie de saia que mais parece um saco de batatas sem fundo, ponderei a hipótese de calçar as botas de cano alto, mas lembrei-me da P. e a imagem de uma mulher deitada na marquesa com botas altas foi de mais para mim.
Enquanto aguardava que me chamassem, ouvi a médica dizer "Então parabéns, e felicidades", e durante uns segundos fantasiei que ela me íria dizer o mesmo, "mas você está grávida, não vamos fazer mais nenhum exame. Parabéns e felicidades."
Depois ouço o meu nome, e entro no consultório preparada para o que der e vier. Desta vez não há médicos giros, só a minha médica e uma auxiliar amorosa que me prepara para a ecografia e me vai afagando o braço e dizendo para relaxar (como é que alguém pode relaxar perante a visão da médica a pôr um preservativo e gel numa coisa que parece um vibrador?).
O exame é incómodo mas não doloroso, pelo menos até à altura em que ela começa a escarafunchar porque diz que não encontra o meu ovário direito (mau, ele estava lá, ele não pode ter fugido!). Depois de encontrar o ovário perdido, seguiu-se o cateterismo, que é pouco mais que uma citologia, o contacto frio do metal, a desinfecção e de seguida uma picada que se prolonga por uns segundos (que não deixam de parecer uma eternidade).
Não houve náuseas nem espasmos de dor, e a sensação de dorido passou com umas horas de sono à tarde, embalada pelo silêncio da casa vazia e pela (fraca) luz que entrava pela janela.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

É a quinta vez...

... que o meu pai é internado de urgência no espaço de um mês e meio.
F&%$#%, mais valia andar a roubar cenouras.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Eu sou...

Eu sou... completamente lamechas
Eu sou... demasiado protectora com a minha família
Eu sou... movida a energia solar, e não vivo sem luz (mas não tenho medo do escuro)
Eu sou... ritualista e gosto de simbolismos
Eu sou... incapaz de tocar numa cobra ou numa aranha
Eu sou... uma leitora compulsiva
Eu sou... tímida por natureza (e todos os dias luto contra isso)
Eu sou... intolerante com os empatas no trânsito (e chamo-lhes todos os nomes que me lembro!)
Eu sou... insuportável quando acordo
Eu sou... viciada em cigarros
Eu sou... paranóica com a arrumação
Eu sou... preguiçosa ao ponto de não fazer nenhum desporto há mais de 10 anos
Eu sou... capaz de passar horas seguidas a procurar músicas no youtube
Eu sou... perita em comprar pechinchas
Eu sou... boa ouvinte, e numa conversa ouço muito mais do que falo
Eu sou... grata por todos os momentos de felicidade da minha vida
Eu sou... consciente daquilo que ainda não sei sobre mim própria.

Eu tenho...

Eu tenho... medo da dor física
Eu tenho... uma paixão assumida por sapatos e carteiras
Eu tenho... pena de não ter dinheiro para fazer todas as viagens que queria
Eu tenho... um amor tão puro e tão raro que me questiono todos os dias como é possível
Eu tenho... medo do ridículo e de que se riam de mim (e sería muito mais feliz se não tivesse)
Eu tenho... a mania que sei fotografar
Eu tenho... um chefe que detesto
Eu tenho... o sentido de orientação todo desorientado
Eu tenho... um fascínio por decoração de interiores
Eu tenho... dois porquinhos-da-india gordos como texugos
Eu tenho... 17 batons e não uso nenhum
Eu tenho... família que não gosto e Amigos que são mais que Família (copiado descaradamente, mas é mesmo isto)
Eu tenho... um irmão que é mais que irmão, é um Amigo
Eu tenho... tanta vontade de ser mãe.

Eu nunca...

Eu nunca... fui a Paris, nem a Veneza, nem a Nova Iorque, nem à Jamaica (com muita pena)
Eu nunca... cantei num karaoke (e não me apanham a fazê-lo)
Eu nunca... fiz ioga (mas tenho curiosidade)
Eu nunca... ponho açucar no café
Eu nunca... fui a Fátima a pé
Eu nunca... desejei morrer
Eu nunca... fui à pesca (deve ser uma seca!)
Eu nunca... estive internada num hospital
Eu nunca... parti nenhum ossinho (é melhor não falar muito)
Eu nunca... vi um filme do Manuel de Oliveira
Eu nunca... assisti a um jogo de futebol num estádio
Eu nunca... andei à porrada
Eu nunca... experimentei um vestido de noiva
Eu nunca... andei a cavalo
Eu nunca... chumbei de ano
Eu nunca... desisti.

Eu já...

Eu já... escolhi os nomes dos filhos que quero ter
Eu já... fiz praia em Dezembro
Eu já... fui a Cabo Verde
Eu já... voei de helicóptero (3 vezes)
Eu já... beijei uma mulher
Eu já... dormi à porta de uma igreja
Eu já... deixei morrer um bonsai (e duas orquídeas)
Eu já... ri para não chorar
Eu já... fui impedida de entrar na escola
Eu já... fui multada por excesso de velocidade
Eu já... estive tentada a fazer uma tatuagem
Eu já... pedi em casamento
Eu já... tive uma fase gótica (quem te viu e quem te vê)
Eu já... pensei seriamente em adoptar
Eu já... fui a um bar de streap
Eu já... patinei no gelo (aquilo não foi bem bem patinar, mas pronto)
Eu já... chorei deitada no chão da casa de banho
Eu já... tentei deixar de fumar

sábado, 24 de janeiro de 2009

Momento (XLV)

Hoje a minha cozinha faz-me lembrar a casa da avó.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Momento (XLIV)

Se algum dia (ou se há um ano atrás) me dissessem que eu ía ver o meu puto grande sentado na mesa da cozinha rodeado de cadernos e folhas soltas a estudar em silêncio e com empenho, eu íria rir como se não houvesse amanhã.
Agora sorrio de orgulho.

Ouvir e sentir (XL)

Porque o mundo é um momento...

Pedro Abrunhosa
"Momento"


quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Acumular

Devia gritar, dizer umas car%#%#$%$& quando me sinto a explodir, mas não, acumulo tudo, e agora ando a sentir os efeitos disso, dores de estômago misturadas com as outras dores que eu nem me lembrava que existiam quando tomava a pílula (agora quase me rio a pensar que andei 10 anos a tomar a pílula, 10 anos da puta da minha vida, para quê?).
O meu corpo dá sinal quando tenho de abrandar, esta semana tem sido de loucos, no trabalho, nas tarefas miudinhas que me ocupam duas horas antes de voltar para casa à tarde, parece que não fiz nada, fui só buscar os óculos (e pagar), pôr duas calças a arranjar bainhas, comprar um presente para o G., então porque é que demorei tanto tempo?, e tem sido assim a semana toda, coisas pequeninas que se acumulam no meu estômago.
E hoje a pergunta já tantas vezes ouvida "e tu, quando é que pensas em ter um filho?". Eu já estou habituada, já sei mecanicamente o que responder, evasiva e subtil como sei ser quando quero, mas hoje o meu corpo reagiu antes do meu cérebro, as lágrimas saltaram dos olhos num segundo, e o esforço de pestanejar para as impedir de rolarem pela cara abaixo foi maior do que é normal. A resposta saiu, não tão segura como habitual, mas o suficiente para evitar mais perguntas, o suficiente para mostrar que não é um assunto a ser tocado de novo. E para me mostrar que não me esqueço, que por mais preocupações que tenha (e o meu pai tem sido a maior de todas nos últimos tempos) isto ainda não está resolvido, e continua a ser um espinho cravado na pele, que incomoda apesar de ser suportável, mas que magoa profundamente quando lhe tocam.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

O que faz a PDI...

O meu sogro deu em ir roubar cenouras ao campo do vizinho (e à pala disso tenho 3 gavetas da arca cheias de cenouras já cortadinhas e tudo).

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Saldos

O meu oculista não faz saldos, mas foi uma simpatia e fez-me um desconto nos óculos novos. Mesmo assim, 4ª feira vou lá largar 260€ (até dói!). Mas também ninguém me manda ser esquisita com as armações. Aliás, ninguém me manda estar farta das armações de massa preta que tenho há uns anos, eu queria era uma desculpa para trocá-las, se não fosse por isso nem tinha ido verificar a graduação, para mim estava bem. Não estava. Para grande surpresa (minha e do oculista), a minha visão está melhor do que há 4 anos (então se os usasse sempre que leio e estou em frente ao computador, já estava curada).

domingo, 18 de janeiro de 2009

Fazer mato

- Vês, se tivéssemos um jipe, agora subíamos por ali, descansados da vida.
(Esforça-te só mais um bocadinho, estou quase convencida).

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ouvir e sentir (ao vivo III)

Susana Félix
"Flutuo"

Deleite...

... dos sentidos e dos sentimentos, do reencontro (sempre fugaz, sempre tão breve) e da descoberta, dos sorrisos sinceros e dos risos espontâneos, fáceis, tão fáceis que provocaram admiração, como é possível?, como esta sinceridade nas palavras, sem máscaras?, somos o que somos, quem não gostar tem bom remédio, e eu gostei, eu amei os olhos a transbordar de bondade que só um anjo de caracóis negros podería ter, gostei da alegria de uns olhos verdes que levam a vida numa onda tão legalize, sem dramas, sem (demasiados) romanitos a encher a cabeça, uma cumplicidade que só se consegue com o tempo, e tão merecida e tão sentida.
... de ouvir com atenção, absorver tudo, perder-me nas conversas onde tudo faz sentido (mesmo quando não parece), é isto mesmo, o que eu imaginava, e fico à espera de ouvir o nome do livro, o que eu diría, claro, e mais uma vez a empatia não se explica, e aquele sorriso também não.
... de olhar para as expressões faciais, de (tentar) captar a alma num flash, de ver que estão mesmo bem (apesar de não termos falado como deve ser, o tempo é sempre tão pouco, queria mais tempo, havia tanto para dizer).
... de tocar o calor humano em abraços ternos e promessas sentidas de repetição, numa noite de neblina branca em que não senti frio (e não, não foi dos Grilos).

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Estupefacção

- Hoje fiz uma coisa muito parva!
(Credo, o que é que aí vem?)
- Lembrei-me de experimentar o travão de mão em andamento, para ver se o sistema anti-bloqueio funcionava... a 130. A roda traseira do lado direito bloqueou e a carrinha começou a dar de lado. Pelos vistos não funciona.
(Nem consegui articular palavra para lhe chamar todos os nomes que me passaram pela cabeça).
- Ah, e tinha acabado de ultrapassar uma carrinha da GNR!
(Ahhh, pronto, assim fico mais descansada!!! %#$#%"!"#%/"#)
- E depois ainda tentei outra vez... mas mais devagarinho.
(A minha estupefacção é tanta que não faço mais do que olhar para ele com os olhos arregalados).
- Mas olha, eu não tenho tendências suicidas. Eu sou só parvo. Fazer o quê?

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Vocação

Enquanto vou vendo pela janela do comboio os campos cultivados, lembro-me da conversa com a MCG, em que ela dizia que se calhar éramos mais felizes se tivéssemos um trabalho que não exigisse que pensássemos. Um trabalho de braços, de força, mas que não nos obrigasse a resolver problemas, a apagar fogos a toda a hora, a desdobrarmo-nos em 5 tarefas ao mesmo tempo, a atender 3 telefonemas no espaço de meia-hora desde que saí do escritório (eu não emigrei, vou só a uma mísera reunião e à tarde já aí estou!).
Eu sei que isto está mau, eu sei que é um luxo ter um emprego fixo e o ordenado a cair na conta no dia certo, mas... não é isto que eu gosto de fazer, não é isto que eu quero fazer para o resto da vida, isto não me estimula nem me faz feliz.
Problema: eu não sei o que me faría feliz, não sei que trabalho me deixaría apaixonada e com vontade de me levantar cedo e com um sorriso, todos os dias.
Há um tempo atrás vi um programa em que a apresentadora tinha a extenuante tarefa de visitar Spa's espalhados pelo mundo, verbalizar as sensações sentidas durante os tratamentos e massagens, e tecer comentários sobre as ementas dos chefs. E eu acabei de ver o programa com a certeza inabalável que aquilo era o emprego certo para mim.
Enquanto não sou contratada por nenhuma estação de televisão, continuo com uma grave crise de vocação. E pergunto aos meus botões se tería jeito para plantar couves e cenouras.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Ouvir e sentir (XXXIX)

Porque é preciso chuva para (se) florir...

James Morrison
"Please Don't Stop the Rain"

Há 1 ano...

... encostei-me aqui a um canto, de mansinho, para passar despercebida. Uma forma de desabafar, de guardar momentos, e músicas que significam momentos (e tantas vezes significam mais do que isso), e imagens tiradas pelo coração, para que nunca sejam esquecidas, para que possa sempre rever esta vida e aperceber-me de todos os passos na areia, de todos os dias bons que me fizeram feliz, e também dos dias maus que me ensinaram (ensinam sempre) alguma coisa, sobre os outros mas principalmente sobre mim própria, sobre a força que eu não sabia que tinha, sobre as lágrimas que eu julgava que já tinham acabado, e sobre o calor das palavras feitas braços que eu não sabia que podiam existir.
Aos poucos fui ocupando todo o espaço, pondo um pouco de mim em cada canto, escrevendo aquilo que não digo, por timidez, por medo de não ser compreendida, por pudor nem eu sei bem de quê. Esta é a almofada onde eu enfio a cara para gritar sem ninguém me ouvir, a mesma onde eu encosto a cara de mansinho para ficar muito quieta, a sonhar acordada.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Para a borboleta...

... que diz que não gosta de ópera.

Puccini
"Madame Butterfly"

domingo, 11 de janeiro de 2009

Momento (XLIII)

Jantar de despedida de férias da Paula, antes de ela voltar para a guerra.
Pão de passas com paté de caranguejo, mini-espetadas de carne e tinto Herdade do Esporão, pão de sementes com queijo de Nisa, salada de massa com atum e tinto Garrafeira de Borba.
As conversas e o riso e o calor de sempre. Sentados no chão, em frente da lareira acesa, o primeiro de muitos de 2009.

sábado, 10 de janeiro de 2009

Momento (XLII)

Levar a minha mãe ao japonês pela primeira vez, e vê-lo a ensiná-la a comer com pauzinhos.

Um pouco mais de alívio

O meu pai pede-me o jornal e Frank Sinatra.
E eu volto a acreditar que é possível ele voltar para casa.

Rai's parta o frio

Na noite mais fria do ano (até ver) dormi sozinha, com os pés gelados.
Esta manhã fui comprar dois sacos de água quente (um para mim e um para a Paula, que o Lipinho Rudolfo Lima também não deve aquecer grande coisa).

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Um pouco de alívio

Chegamos à porta do quarto 1, que está fechada. Perguntamos a uma auxiliar que está a passar, se podemos entrar.
- Mas nesse quarto não está ninguém.
O meu coração pára por um segundo, até o meu olhar bater na figura da minha mãe, a sair do quarto ao lado, para onde levaram o pai para não ficar sozinho.
Está sorridente, é bom sinal. Diz-me que ele está melhor, mas vê-lo sentado num cadeirão ligado a oxigénio e a soro não é a minha ideia de melhoras.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Aguentar

Nem sei como me estou a aguentar. Sinceramente não sei. Agarro-me ao trabalho com uma concentração doentia, nunca tinha feito as putas das listagens mensais tão depressa, números e mais números para não pensar, não sentir. As lágrimas vêm-me aos olhos mas não as deixo cair, perante o olhar das colegas que não sabem o que me hão-de dizer "vai tudo correr bem, vais ver", mas eu não sei se vai tudo correr bem, eu só sei o que a médica me disse ontem "não lhe vou mentir, o seu pai está em risco de vida, e mesmo que se safe desta vai ficar com lesões permanentes".
Em casa é a mesma coisa, mantenho-me o mais ocupada que consigo, quando não tenho nada para fazer invento, na terça comecei um puzzle de 1000 peças que o puto mais velho tinha a um canto "se quiseres, leva, eu não o vou fazer de certeza!", hoje fiz limpeza, fiz a mala para o fim de semana em Lisboa, fiz arroz de cenoura e espetadas de peixe e esparregado e puré de batata e esparguete com almôndegas e beringela.
Se quebrar estou a desistir, a admitir a derrota, e eu ainda não estou preparada para isso.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Medo

- Eu acho que o meu pai não volta para casa.
- Tens consciência do que estás a dizer?
- Tenho, tenho consciência do que estou a dizer, mas ainda não interiorizei.
E assim, no abraço dele, admiti aquilo para que a minha mãe e o N. me têm tentado preparar, com suavidade, para o choque não ser tão doloroso. Como se isso fosse possível.
A sensação de injustiça é enorme, a sensação de impotência maior ainda, impotência pelo que não posso fazer agora, mas principalmente pelo que não foi feito antes. Se ele tivesse aceitado o transplante há 2 anos, se calhar estava bem, vivia mais uns anos, podia chegar a velho, o meu pai tem 55 anos, porra! Mas viu colegas de quarto morrer depois de serem operados, e teve medo que lhe acontecesse o mesmo. Não aceitou porque teve medo de morrer. Não sei se ele agora ainda tem medo de morrer. Mas eu tenho medo que ele morra.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Por favor

Aguenta-te. Por favor.
Tu disseste-me que a tua missão na vida estava cumprida, que já tinhas os filhos criados. Estás enganado, os teus filhos ainda precisam de ti, a tua mulher ainda precisa de ti. Eu ainda preciso de ti. De ouvir a tua voz a contar piadas, saber que tens ciúmes quando eu ligo para a mãe e não para ti. Eu ainda não te dei um neto. Espera por um neto, pelo menos.
Foste tu que me ensinaste que não se vira as costas numa discussão. Se fôr preciso eu discuto contigo.
Não me vires as costas.

Por favor, não desistas

Josh Groban
"Don't give up, you are loved"


Momento (XLI)

Ele sai de casa, para as aulas, e passados 10 minutos a P. toca à campainha.
- Foi ele que te disse para vires, para eu não ficar sozinha, não foi?
- Não, claro que não!
Mentirosa.
Obrigado.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Devia ser proibido...

... juntar Gerald Butler e Jeffrey Dean Morgan numa comédia romântica de fazer chorar as pedras da calçada (a minha cara, portanto).

The Pogues
"Love you till the end"
P.S. I Love You OST

Momento (XL)

Entro em casa e pela luz da televisão vejo-o a dormir no sofá, todo torto. Beijo-lhe a testa, os olhos, o nariz "meu amor, vai para a cama, dormes melhor do que aqui".
Ele levanta-se com olhos de menino estremunhado, e sorri quando lhe dou um beijo de boa noite.

Momento (XXXIX)

Noite de cocktails e conversa com a P., no melhor bar da zona.


sábado, 3 de janeiro de 2009

Porquê?

Não era isto que eu queria para o meu início de ano, não era isto que eu imaginei.
O meu pai está novamente internado, desde a madrugada de 1 de Janeiro, e está pior.
A pergunta não me sai da cabeça, é claro que eu sei o porquê, mas assim? Tão rápido? Tão novo? Há por aí tantos gajos que não fazem cá falta nenhuma, porque é que ele tem de estar a lutar pela vida? Ele ainda faz cá falta, ele acha que não, mas ainda nos faz falta, ainda me faz falta, ainda não se reformou, ainda não viu netos, não os levou ao café pela mão nem lhes comprou gelados como fazia connosco.
Ainda não, por favor, ainda não.

Um dia...

Vamos voltar à Madeira, claro, mas da próxima vez será no Verão, ficou tanta coisa para ver, o Aquário de Porto Moniz, o Jardim Tropical com mais atenção (tem de ser um dia inteiro, levar um piquenique e ver tudo ao pormenor), os museus, as grutas de S. Vicente, as casas de Santana.
E tanta coisa por fazer, não andámos nos carros de cesto (no 1º de Janeiro os senhores não trabalham), não bebemos chá no Reid's Palace, não percorremos a "Promenade" nem fomos ao barco-bar dos Beatles (que é mentira, nunca foi deles), nem fomos jantar ao Tokos (só por causa da decoração).

Até lá, vou revendo as 1280 fotografias tiradas, para matar saudades da beleza, das cores e do calor que senti.



sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

O regresso

Voltar a acordar às 5.30 da manhã para ir embora é um massacre.
Mas valeu a pena, por ter a oportunidade de ver nascer o sol, minutos antes de embarcar, e agradecer por esta benção, estes dias de serenidade e carinho, em que namorámos muito e senti-o muito próximo de mim, e em paz com ele mesmo; estes dias em que esqueci o mundo do outro lado do oceano, e o meu mundo simplesmente estava ao meu lado e me dava a mão.

Desta vez tive um lugar à janela e pude ver a ilha, cada vez mais pequena à medida que o avião se perdia entre o manto de nuvens fofas de algodão, com a certeza que um dia voltarei.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Na Madeira (VI)

A vista a partir do Cabo Girão é estonteante, e a imensidão do mar azul intenso deixa-nos num estado de contemplação silencioso, a olhar para os campos cultivados lá no fundo, e para o Funchal, ao lado, pintalgado de minúsculos pontos brancos.



Voltámos a subir de teleférico, desta vez até ao Jardim Tropical Monte Palace. Numa frase: de uma beleza indescritível.


E no meio deste imenso jardim, com uma vista fabulosa sobre a baía, está (uma das) casa(s) do Sr. Berardo.


No centro da cidade comprámos algumas lembranças (a loja do Museu Madeira Story Centre é excelente, com artigos diferentes do habitual e muito bonitos), e o B. (que passou estes dias todos a ver-me rabiscar um caderno desengonçado) ofereceu-me um Moleskine.

Para acabar em beleza, jantámos na Casa Abrigo do Poiso, a caminho do Pico do Areeiro, uma açorda com oregãos, uma perna de cabrito com estragão e um lombo assado com compota de maçã, tudo saborosamente confeccionado, deixando-nos com saudades ainda antes de partirmos.

Um novo ano...

... começa agora, da melhor forma que eu podia imaginar.
Há uma semana atrás, nem sequer sabia onde ía ser a minha passagem de ano.
Agora, depois de um jantar de gala no hotel, depois de ver o fogo de artifício, do 11º andar com vista para a baía; depois de ter ponderado seriamente a hipótese de me atirar para a piscina vestida e tudo; depois de muitos copos de bom vinho tinto e de uma garrafa de champanhe e uma taça de morangos que o B. conseguiu que deixassem no quarto dele, só quero acreditar que este ano vai ser melhor que o anterior, só rezo para ter saúde e paz e luz na minha vida e na daqueles que amo.