sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Afinal...

... os bruxos também chucham no dedo.

Vingança

Hoje tirei a tarde de folga e vim para casa. Dormir. Dormir mesmo: tirar a roupa, deitar-me na cama e embrulhar-me muito quieta, a ouvir os sons da rua abafados pelas janelas, agitação e movimento em contraste com duas horas de silêncio e calma entre lençóis brancos.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Momentos (XXVII)

Depois de uma reunião de 6 horas, o bálsamo reparador chegou sob a forma de um convite "hoje não vou às aulas, vamos jantar à feira da gastronomia com o meu boss". Quando chegámos a Santarém eu tentei lembrar-me quando tinha sido a última vez que ali tinha estado, sei que foi há anos, sei que me diverti imenso, a petiscar aqui e ali e a beber vinho dos Açores em malgas de barro. Mas não me lembrava dos engravatados e das tiazinhas com os copos. Hordas deles por todo o lado.
Desta vez não corremos os tascos todos, com crianças ligadas ao turbo é mais complicado, escolhemos um restaurante do Norte e regalámo-nos com alheiras e posta e dobrada (perante o olhar atónito do S., a perguntar "como é que consegues comer isso?").
Depois foi passear devagar pelos stands de artesanato, abraçados ("tinha saudades de ti assim"), ver brinquedos de madeira, rendas e peças de couro que fazem lembrar os baús das avós e o regresso à terra; e deliciar os olhos com os doces e bolos e garrafas de licores que nos chamavam descaradamente, a ponto de nos fazer pensar que devíamos ter começado por ali, e não o contrário.
Depois de uma ginginha em copo de chocolate e de um Moscatel do Douro, voltámos para casa a dever horas à cama, mas felizes por uma quebra na rotina que nos estava a fazer muita falta.

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Luz

"O nosso maior receio não é que sejamos inadequados.
O nosso maior receio é que sejamos inestimavelmente poderosos.
É a nossa luz, não a nossa escuridão, o que mais nos assusta.
Os actos insignificantes não servem ao mundo.
Não há nada esclarecido no encolher,
para que os outros à nossa volta não se sintam inseguros.
Todos nascemos para brilhar, como fazem as crianças.
Não é só nalgumas pessoas, é em toda a gente.
E, enquanto deixamos a nossa luz brilhar,
inconscientemente, autorizamos os outros a fazer o mesmo.
Como estamos libertos do nosso próprio receio,
a nossa presença liberta automaticamente os outros."


Marianne Williamson

In: Coach Carter

terça-feira, 28 de outubro de 2008

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Dedicação

Ele é que anda a estudar, mas eu é que estou a fazer um trabalho de pesquisa (mínimo 5000 palavras) sobre as consequências sociais e económicas dos vírus informáticos.

domingo, 26 de outubro de 2008

Nunca tinha visto

- Então, estás melhor?
- Sim, mas ainda estou bêbado! E tu, estás chateada ou preocupada comigo?
- As duas coisas!
- Ah, mas não precisas de estar preocupada. Fica só chateada.

Nunca o tinha visto assim tão ... f$%&#$ é a única palavra que me ocorre. O que começou por ser um jantar normal no sítio do costume, onde levámos a P. pela primeira vez, acabou numa sessão de shots de ginginha e licores em casa do Sr. J., a ponto de já nem irmos à inauguração do bar (que eu continuo a achar que é um bar de strip, pelos antecedentes do dono).
Eu já estava escalada para conduzir, por isso as duas garrafas de vinho branco que vieram para a mesa foram para eles, e quando o restaurante ficou vazio nós continuámos na conversa, para variar, e depois seguimos para casa dos donos, para uma sala maravilhosa destinada às patuscadas, cheia de antiguidades e relíquias recuperadas com carinho e exibidas com orgulho, como símbolo de uma vida que está a perder-se, a vida do campo: utensílios, saquinhos de chá, cestos de verga cheios de figos secos, passas de uva e alfarrobas, um relógio de parede de 1800 e tal e arcas de madeira antigas.
E eu só via o Sr. J. a ir buscar garrafas sem rótulos, para ele provar vinhos do Porto velhos e bagaceiras, e o D. a encher copinhos de shot uns atrás dos outros, para ele e para a P. Rimos muito, ouvimos as peripácias do Sr. J. (é capaz de passar uma noite inteira assim, e nunca repete uma história), e despedimo-nos com vontade de voltar, a um sítio e pessoas tão acolhedoras.

O pior foi depois, quando ele me pediu para parar o carro (duas vezes) porque queria ir a pé, e a hora e meia que passou a vomitar, já em casa. Mais uma vez, a P. foi incansável e amorosa, e apesar de também não estar a 100%, ficou comigo até ele adormecer, ela que está mais habituada a lidar com gajos com os copos (é o que dá ter um bar no local de trabalho).

O que eu tenho de ouvir

A pequena princesa acorda com a nossa algazarra, e fica a fitar-nos admirada, com os olhos escuros, redondos e grandes, muitos sérios e curiosos.
- Sabias que os Mongóis acreditam que as mulheres com olhos grandes estão possuídas por espíritos malignos?
- E não estão todas?

sábado, 25 de outubro de 2008

Quando fôr grande...(II)

... quero ter um amigo gay assim.

Nat King Cole
"L.O.V.E."
Love and Other Disasters
OST

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Hoje doeu

Teoricamente, esta foi a última ida a Coimbra, este ano. O último exame da época: raio-x ao útero.
Cheguei lá descansada da vida, sei o que é um raio-x, não dói nada, não demora nada. Mas quando me pedem para assinar um termo de responsabilidade que fala em "reacção alérgica potencialmente mortal em 1 em cada 100.000 casos", garantindo que têm no local pessoal especializado para actuar imediatamente se alguma coisa der para o torto, a coisa muda de figura. Começo a ficar nervosa, a ir à casa de banho de 10 em 10 minutos. "Já sabes, se vires alguém a correr para dentro da sala com uma máquina de reanimação, fui eu que me passei!" Ela ri nervosamente "Porra, nem brinques com isso!"
A enfermeira chama-nos pelo nome, somos quatro, e diz-nos que temos de segui-la até ao edifício central e "os acompanhantes também podem vir". Nessa altura dou-me conta que sou a única que não tem o marido ao pé. Que sería a única que não tinha ninguém a acompanhá-la, se a P., na sua semana de folga, não se tivesse dado ao trabalho de levantar às 6 e meia da manhã para vir comigo. Mais uma vez, tudo acontece por uma razão, e só depois do exame percebo a importância que ela teve para mim hoje, tería sido (ainda) mais difícil de aguentar se não tivesse ninguém cá fora, para me fazer companhia nas horas de espera. É por (mais) esta razão que eu adoro aquela maluca de coração gigante, não arredou pé, não mostrou em nenhum momento a seca que estávamos a apanhar, galou os médicos e enfermeiros todos que passavam por nós, e só se enervou (disse-me ela depois) quando viu a mulher que entrou para a sala de exames ao mesmo tempo que eu, sair a chorar e a vomitar, e passados momentos uma auxiliar que passou a correr para dentro da sala (para quem tinha estado a gozar com a situação, deve ter sido um bocado assustador).
Eu também ouvi a mulher a chorar, estava no vestiário ao lado, e só pensava "f#$%-%$, onde é que me vim meter?". Depois chamam-me, deito-me na mesa e ouço a explicação do que vão fazer: injectar um líquido no útero que permita ver os orgãos em contraste. "Não lhe vou mentir, vai doer um pouco, tipo as dores que tem durante o período" (esqueceu-se foi de dizer que devia multiplicar por 10). Tento descontrair, manter uma respiração profunda e constante, controlar a náusea quando sinto a picada e o líquido a expandir, quero que acabe o mais rápido possível, "já temos imagem, já não vou injectar mais, está quase a acabar". Depois o alívio quando me tiram aquilo tudo dá lugar a uma tontura, e forço-me a manter a respiração para não desmaiar. "Não me estou a sentir bem". Sentam-me numa cadeira, e aproveito para saber como correu o exame "está tudo bem consigo, as trompas são permeáveis, não há problema nenhum". Entregam-me um penso do tamanho de uma fralda de recém-nascido, levanto-me com cuidado sob os olhares atenciosos dos médicos "veja lá, pode ficar o tempo que precisar", mas eu só quero sair dali.
Volto para o corredor onde a P. está de pé no limite da cortina, com uma cara de "entro aí e parto tudo", e sai-me um sorriso amarelo que a deixa mais descansada. Enquanto esperamos que eu seja chamada outra vez (para um raio-x "normal") conta-me a cena da auxiliar a correr (que eu não vi, devia ir para outra sala), e a conversa com um dos maridos que também estava à espera. Vinham dos Açores, porque lá não há esta especialidade, têm de marcar passagens e alojamento de cada vez que é preciso vir fazer um exame (vi-o a chorar, ali sentado, e pensei nas vezes que me queixei porque tinha de fazer uma hora de viagem para ir tirar sangue).
O segundo raio-x foi mesmo normal, demorou 30 segundos, e viémos embora rapidamente, ainda pensei em pedir à P. para levar o carro, mas sentia-me com forças para isso, e foi uma forma de me concentrar na condução, porque de cada vez que revivia a dor sentida, as náuseas voltavam. Vim o percurso todo a ponderar se ainda ía ao escritório ou não, mas o corpo venceu, e depois de uma sopa, a P. deixou-me entregue e em segurança, e enrolei-me muito quieta na cama, e dormi a tarde toda, e foi a melhor coisa que eu fiz hoje.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Ódiozinho de estimação

Não gosto de vendedores. Não gosto de vendedores com pinta de vendedor. Não gosto dos tipos aprumados no seu fatinho, todos bem-falantes, com o cabelo cheio de gel (quando têm cabelo), a bater o couro às recepcionistas e a lamber as botas aos clientes, a tratá-los por Senhor Doutor ou Senhor Engenheiro, a desfazerem-se em elogios e almoços, e a gabarem-se dos "connects" que têm.
Muitas vezes sou confundida com eles, e esperam que eu faça o mesmo que eles. Não sou. Não faço. Não imploro por uma encomendazinha, não gosto de jogos de bastidores, de negociações desnecessárias, de conversa da treta.
Não dou graxa, resolvo problemas.

Conversas ao deitar

- Põe aí a música do Max Payne para eu ouvir.
- Nem sonhes! (ainda não fomos ver o filme e eu já estou farta da banda sonora, tantas as vezes que ele já viu o trailer).
- Vá lá, é tipo o Vitinho, para eu dormir.

Inesperado

Ouço o toque de mensagem recebida no telemóvel. Não ligo e viro-me na cama. São 2.30... da tarde (deitei-me às 4 e tal, estava a precisar e pôr o sono em dia, não tenho nada de me sentir culpada). Passado meia hora ouço a campainha, é a P. autora do sms há meia hora atrás. Vamos ter à pastelaria, elas para beber café depois do almoço, nós para tomar o pequeno-almoço.
Vou com as manas e as princesas ao Jardim da Aranha, enquanto ele vai para casa fazer fluxogramas.

Gosto deste jardim, mesmo no meio da cidade, sempre me transmitiu uma sensação de calma e paz, é um lugar que nos convida a sentar com um livro como companhia, ficar a olhar para as crianças que brincam despreocupadas, como a I. a correr todos os baloiços e andar no escorrega, enquanto a S. bebe o leite do biberão dado pela tia babada, bocadinhos de tempo de puro deleite.

Volto para casa mais leve e de sorriso rasgado, ajudo-o (ou atrapalho mais ainda) a fazer os exercícios, e quando nos preparamos para um jantar de patés e bolo de chocolate, o convite inesperado do novo patrão (em ambos os sentidos), para jantar.
Aceitámos, e não nos arrependemos, não houve constrangimentos nem conversas formais, não se falou de trabalho, éramos só 3 casais de amigos à mesa. Gostei da P. (mais uma), tem uma personalidade parecida com a minha, precisa que "puxem" por ela para se mostrar verdadeiramente, e fiquei com muita vontade de a conhecer melhor.
É claro que agora não tenho sono, e sei que amanhã vai doer.

domingo, 19 de outubro de 2008

O amor maior

Depois das despedidas e de um "voltem sempre" do coração, lavar a loiça toda, fazer tetris para caber tudo no frigorífico (patés e ameijoas e bolo de chocolate e serradura, já sei o que vai ser o almoço amanhã), e arrumar a cozinha, caio no sofá onde ele já dorme há uma hora, e em vez de lhe fazer companhia no sono, fico a ver, mais uma vez, a maior história de amor de sempre, os mesmos textos numa versão vibrante, cheia de cor e movimento, com boas interpretações (Leo diCaprio muito bom, eu tinha escolhido outra Julieta, mas enfim...) e uma banda sonora que adoro.

Des'ree
"Kissing You"
Romeo and Juliet OST

Momentos (XXVI)

Vieram hoje, pela primeira vez, a nossa casa. Os amigos inesperados, aqueles que nunca julguei vir a ter, porque não me passava pela cabeça que pudesse fazer amizades aqui, que pudesse confiar em alguém que conheci pelo nick e que nunca tinha visto. Algo como que a dizer-me: "vês, as coisas nem sempre acontecem como tu pensas, às vezes és surpreendida, a vida dá-te um doce, só tens de saboreá-lo".
E foi isso que fiz, saboreei o momento, os sorrisos, as conversas descontraídas à volta da mesa, a alegria de revê-los, aquela alegria que só é possível quando o tempo e a distância geram saudade.
Mas senti que o tempo foi pouco. Para tudo aquilo que queria dizer. Para perguntar "como estás?" e para ouvir a resposta sincera e completa. Para apreciar não só as palavras, mas também os silêncios.

sábado, 18 de outubro de 2008

Obrigação

"E quando se pressente a mais remota hipótese de felicidade (...) devemos agarrá-la pelos tornozelos e não a largar (...) - isto não é egoísmo, mas obrigação. Se nos foi dado o dom da vida, é nosso dever (e também nosso direito como seres humanos) encontrar algo de belo nessa vida, por mais insignificante que seja."

In: Comer, Orar, Amar

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Ouvir e sentir (XXXI)

Marisa Monte
"Pelo Tempo que Durar"

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Momentos (XXVII)

Estar uma hora numa oficina, na conversa com o mecânico, enquanto ele me arranjava o carro, a falar alegremente sobre música francesa e viagens. E descobrir que o filho dele já viajou mais do que eu.
Porque a cultura não tem a ver com as mãos sujas de óleo.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

domingo, 12 de outubro de 2008

Harrrghhh!!

- Tá uma lagartixa no lava-loiças!!!
- Como é que ela veio aqui parar?
- Vinha no saco das uvas que o teu pai nos deu. E a p#$& não morre com água!
- Tu tentaste afogá-la?!
- Claro!!
E o defensor dos pequeninos e oprimidos lá pega naquela coisa nojenta e leva-a para o jardim da entrada do prédio.
- Anda lá bicho, antes que ela te mate.

Momentos (XXVI)

Houve um episódio de "Bones" em que eles íam a um restaurante onde o dono olhava para a cara dos clientes e adivinhava o que lhes estava a apetecer comer. Desde esse dia ele dizia-me que queria encontrar um sítio assim.
Entramos, cumprimentamos o Sr. J. e sentamo-nos a um canto escondido, ficamos na conversa e só passados dez minutos reparamos que o senhor desapareceu e ninguém nos vem mostrar a lista. Mais cinco minutos e temos o jantar na mesa, com uma garrafa de vinho branco frutado a combinar na perfeição.
Como na canção do "Cheers":
"Sometimes you want to go / where everybody knows your name".

sábado, 11 de outubro de 2008

Crise existencial

Ou troco de casa ou paro de comprar sapatos.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ohhhh!!!!

Precisava de algo que me fizesse esquecer um dia miserável no trabalho, precisava de sorrir, de me lembrar que ainda acredito em histórias de amor com um final feliz, de exclamar ohhhh!! vezes sem conta, e de me maravilhar como é possível fazer um desenho animado transmitir tanta ternura.

Wall-E
"It only takes a moment"

Um dia

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Alívio

- Diz lá se não tinhas saudades de ter a mãe a refilar contigo o dia todo?
- Tinha sim, filha! - a voz dele tão diferente, tão alegre, a jantar com a mulher e os putos.
E eu acendi uma vela, e vieram-me lágrimas aos olhos, as primeiras (e últimas, se tudo correr bem) desde que isto começou.
O meu pai já está em casa.

Rodrigo Leão
"Ave Mundi Luminar"

terça-feira, 7 de outubro de 2008

É que é já

Vou-me enfiar na cama, enrolada no cobertor fofo, a ler até adormecer (15 minutos, no máximo).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Equilíbrio

"Para encontrares o equilíbrio que pretendes (...) Deves manter os pés agarrados à terra como se tivesses quatro pernas em vez de duas. Dessa forma, podes ficar no mundo, mas tens de parar de olhar para ele através da tua cabeça. Em vez disso, deves olhá-lo através do teu coração."

In: Comer, Orar, Amar

(A Catarina de Aragão está em stand by)

domingo, 5 de outubro de 2008

Matar saudades

Não me apetece pensar na imagem do meu pai, magro, muito magro, apesar de bem disposto e com a perna a sarar e a doer (dizem que neste caso doer é bom sinal). Não gostei de o ver, naquela cama articulada com controlo por botões, naquele hospital pintado de fresco, paredes azul-bébé, que já não cheira a éter mas não deixa de ser um hospital.
Este fim de semana matei saudades, de andar de carro com o meu irmão a ouvir System of a Down e Korn (lembro-me sempre dele quando ouço o "Chop Suey"); das palhaçadas à hora do jantar que deixam a minha mãe perplexa e a pensar que os filhos ainda têm 5 anos.
Do meu afilhado, que fez 6 anos e que eu não via desde o Natal (bela madrinha eu saí!) e que está tão grande e tão louro e fala pelos cotovelos e tem um irmão de 2 meses que é igual a ele, literalmente.
De passear num jardim, com calma, devagar, sentir a relva debaixo dos sapatos, ficar sentada num banco enquanto a I. corria atrás dos patos e enfiava as mãos na água e na terra e depois as usava para afastar os cabelos da cara.

E de beber um café com as amigas de sempre, num dos meus sítios preferidos, pela decoração e pela música.

São estes os momentos que eu quero guardar, e estar grata por acontecerem, porque a minha felicidade é isto.

Justiça divina

- Sabes o que é justiça divina? - pergunta-me ele na 6ª feira à tarde, último dia de trabalho naquela empresa a desmoronar-se - É acabar de fazer o último cliente, e quando vou a estacionar, a carrinha deixa de trabalhar e começa a sair fumo do capot, o circuito eléctrico berrou! E depois entrar no escritório e o boss (que andou até à última a arranjar esquemas e falsas esperanças para não o deixar sair) entregar-me um cheque com o valor em falta.
E sim, eu continuo a acreditar que tudo acontece por uma razão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Ossos do ofício (II)

Chegar ao escritório ao meio-dia e meia, sair às 3 para uma degustação de produtos gastronómicos da Andaluzia no palácio dos Condes d'Óbidos, com demonstração de receitas pelo chef Chakall (aquele homem tem uns olhos tão azuis que até dói!). Andar com a R. de mesa em mesa a provar presuntos, queijos, vinhos secos, glacés de vinagre com Moscatel e raspas de sal com baunilha. Sair quando aquilo começou a ficar uma seca, sentar num banco de jardim virado para o rio, antes de mergulhar no trânsito infernal de Lisboa às 6 da tarde, única saída para voltar para casa. Para terminar em beleza, parar no shopping o tempo estritamente necessário para comprar uma mala que se estava a rir para mim. "Há grandes vidas!" diz ele.


Falta a parte do acordar em sobressalto às 7 da manhã (devia ter posto o despertador para as 6, até agora não sei o que correu mal), vestir a correr e arrancar para Coimbra para mais uma recolha de sangue, e esperar até às 11 (em jejum, numa cave sem janelas, onde estavam mais de 100 pessoas todas a respirar o mesmo ar, metade delas com aquelas máscaras a tapar o nariz e a boca - deprimente!) para me tirarem 8 tubos de sangue (!).