quarta-feira, 29 de junho de 2011

Ser feliz (II)

O meu puto grande faz 32 anos hoje. Como toda a gente que conheço (eu incluída) não gosta de festejar, não liga nenhuma, diz que é um dia como os outros. Não é. Não devia ser. Porque mais um ano de vida merece ser celebrado. Mais um ano de alegrias (e um ou outro momento de tristeza), mais um ano de experiências e vitórias (e uma ou outra derrota) devia ser recordado e levemente analisado, pois só assim podemos fazer melhor para o próximo ano, só assim podemos conhecer-nos e descobrir as forças que julgávamos não ter.
O meu irmão adorado faz anos hoje e eu disse-lhe isso mesmo, que o adorava, que era um pilar da minha existência e por isso hoje era um dia feliz para mim (é claro que a resposta dele foi “pilar és tu… tás-me a chamar nomes…”).
Sou feliz quando aqueles que amo estão felizes. E hoje, num jantar de celebração improvisado em casa mesmo sem a presença do aniversariante, enquanto ouvia a picardia entre ele (sempre a moer a cabeça à sogra) e a minha mãe (gostava de conseguir reproduzir aqui a conversa surreal que eles estavam a ter, a sério que gostava, só sei que começou por “pessoas que gostam de falar com as plantas” e acabou em “cadela parva a subir um escadote para lavar a loiça”, passando por “plantas que dão entrevistas e conferências”) e a via a rir até às lágrimas, soube (sei sempre, só que às vezes esqueço-me…) a sorte que tenho, a dádiva que é a minha vida, a minha família, e o amor que nos une e que rege os meus passos. E fui (sou) imensamente feliz.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Ouvir e sentir (CLI)

Porque seis meses de ternura merecem ser lembrados, mimados e embalados (mesmo que à distância, mesmo que as saudades deixem um leve travo a tristeza...).

Aselin Debison
"Someone is there waiting for my song"


Ironia

- Tenho de alertá-la que com esta vacina não pode engravidar nos próximos 3 meses.
- Não se preocupe, doutor. É um bocadinho difícil isso acontecer...

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Pronto, está melhor assim?

A Cláudia disse que não gostava das estrelas a preto e branco, que nem parecia meu, não tinha cor, não tinha piada nenhuma.
(Ela é capaz de ter razão... isto assim tem muito mais a ver comigo, pois claro...)

domingo, 26 de junho de 2011

Soube-me pela vida

O cheiro da praia. Da nossa praia. As redes dos pescadores. Os bandos de gaivotas. O sal na pele. A visão das ondas (mesmo com o medo inexplicável que me impediu de dar mais do que um mergulho). Passear de mão dada. As ameijoas na esplanada. E o pão torrado com manteiga. Sem noção das horas. Pura contemplação.





  

 

 



(Definitivamente, sou mais feliz perto do mar).

Sonhar baixinho

(Um dia tiro-te uma foto como a do anúncio...)

Sonhar alto

- Por momentos fiquei baralhado, a pensar "que raio, porque é que ela anda com uma foto minha no fundo do saco" (de praia)? Depois é que reparei que é um anúncio da revista... mas o gajo é parecido comigo, não é?



(Por acaso... se fizesses essa barba medonha...)

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ouvir e sentir (CL)

Só de pensar que tenho pela frente quatro dias de pura ronha...

Room Eleven
"Stronger" (live in Carré)


terça-feira, 21 de junho de 2011

Acolher o Verão

Pedir com jeitinho, chamá-lo aos gritos, seduzi-lo, suborná-lo, implorar que venha, qualquer coisa que traga a leveza dos dias sem horas e das noites sem fim, o sal na pele e o som das ondas do mar, o toque da relva nos pés descalços e o olhar perdido no pôr do sol tardio, o sabor das caipirinhas e dos mojitos e a parvoíce das conversas que não se repetem (como se tivessem sido proferidas em Las Vegas).

Caetano Veloso
"Samba de Verão" (Ao Vivo)


segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fazer filmes

Aproximo-me do balcão de atendimento e espero pacientemente que a funcionária pública (chefe de sessão, pela forma como fala com as restantes pessoas que respiram naquele espaço) acabe de berrar com o colega porque ele está “demasiado acelerado”, e a pressão está a deixá-la nervosa (compreende-se, é segunda feira, são dez da manhã, ainda é muito cedo…). A senhora dá-se conta da minha existência e pergunta (com um sorriso, sejamos justos…) o que desejo. Peço o registo criminal para concessão de visto no passaporte. A senhora senta-se na sua secretária decorada com pastas arquivadoras de padrão colorido com flores desenhadas (um pouco de cor para alegrar o espírito), digita o numero do meu BI (sou uma ave rara, ainda não tenho aquilo a que chamam CU);

[vejo-a fixar o ecrã, primeiro despreocupadamente, depois com mais atenção, os olhos presos às letras que vão surgindo em catadupa, as pupilas a dilatar, a face a empalidecer à medida que lê sem querer acreditar: rapto, burla agravada, assalto à mão armada (mas com estilo, do género Thelma & Louise), tentativa de duplo homicídio, procurada em 3 continentes…
Fita-me de relance com um misto de pavor e incredulidade, sem saber o que fazer, pega no telefone mas não sabe de cor o nº da polícia, pousa novamente o auscultador, abre a boca para chamar uma colega, alguém que a acuda, mas a voz não sai, um grito mudo abafado pelo medo paralisador e pelo espanto, acima de tudo pelo espanto, como é possível que aquela mulher de aspecto angelical, túnica de alças verde seco com um discreto folho, calças de linho brancas e sandálias de salto alto, o cabelo loiro impecavelmente esticado e o gloss rosa brilhante (imagem a imortalizar em fotografias tipo passe), fosse capaz de tamanhas atrocidades?, “não, não pode ser, não quero acreditar”… enquanto lhe pergunto com um leve sorriso irónico “Está tudo bem?”]

e regressa em dois minutos com uma simples folha de papel carimbada com um selo branco, que anuncia oficialmente: NADA CONSTA ACERCA DA PESSOA ACIMA IDENTIFICADA.

(Pronto, fiquei mais descansada)

sábado, 18 de junho de 2011

Ouvir e sentir (CXLIX)

Porque me sabem a noites quentes de verão.

Ivete Sangalo
Medley  "Eva", "Alô Paixão" e  "Beleza Rara"


quinta-feira, 16 de junho de 2011

Momento (CLXVI)

Trazer para casa mimos da horta da avó, depois de uma ida à urgência veterinária com a cadela tresloucada que já nos estamos a mentalizar que vamos perder, porque ela não é eterna e já passou o prazo de validade (não consigo imaginar o drama que foi a mãe chegar a casa e ver a bicha com sangue a escorrer da boca e a encharcar-lhe o pêlo todo). Afinal a peste peluda não deixou de comer há dias porque está a morrer de velhice (ainda) mas sim porque tem um tumor na boca (a veterinária julga que é benigno) que criou infecção. Hoje a bicha trincou aquilo e pregou um susto de morte à dona. Já está medicada e a comer daquelas latinhas especiais de convalescença para animais, para ver se recupera o peso perdido (ai recupera mesmo, que a minha mãe enfia-lhe a comida pela boca com uma seringa, se fôr preciso...).




E um mangerico (que toda a gente sabe qual vai ser o triste fim dele, igual ao de todas as plantas que tiveram o azar de vir parar cá a casa, toda a gente sabe isso menos a minha avó, senão não mo tinha dado, de certeza. E daí talvez não, pode ser que se safe, que a mãe rega-me as plantas de cada vez que vem cá, eu já lhe disse que são plantas do deserto, que aguentam longos períodos de seca, mas ela fixou-me com um olhar que só dizia "mas tu és mesmo minha filha?!" - não esquecer que ela fala com as plantas, e põe música para elas ouvirem - e não me ligou nenhuma).

terça-feira, 14 de junho de 2011

Se continuar assim, qualquer dia não ando, rebolo...

Chanfana de carne de Bravo do Ribatejo, grelos salteados, feijão com bacon, carne com pêras cozidas em vinho tinto e canela, arroz de ervas aromáticas, açorda alentejana, almôndegas com cogumelos selvagens, migas de pão de milho e couve. Tudo maravilhosamente bem confeccionado por uma senhora simpática de aspecto bonacheirão, no jantar surpresa de aniversário do meu sogro.







(E fiquei a saber que aos sábados à noite tem espectáculo de sevilhanas...).

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Eu, maníaca, me confesso...

Eu passo a ferro as cortinas de banho antes de as pendurar.

É que não pensava vez nenhuma...


(esta não precisa de legenda...)

Visto aqui.

É que não pensava duas vezes...


(Hoi An, Vietname)

Visto aqui.

Não é justo

Estou enfiada numa sala sem luz natural (mais conhecida como "solário"), a receber mms's com fotos da minha sobrinha adorada a brincar na praia.
Dizem-me que já comeu areia e gostou, que adora a água fria do mar e que até chapinha, felicíssima.
"A miuda é maluca por água" (tem bem a quem sair...).
E eu só queria estar lá também.

domingo, 12 de junho de 2011

Um pouco de (quase) tudo para ser feliz

Eu tenho amigas doidas que me convidam para uma aula de fitness ao ar livre num domingo DE MANHÃ!! E eu sou pior do que elas porque me deixo convencer. A P. vem-me buscar à hora marcada, e traz as minhas para sempre sobrinhas emprestadas, tão crescidas, tão faladoras, tão irrequietas. Passei quase tanto tempo aos saltos e a fazer exercícios de localizada como atrás delas pelo relvado imenso e repleto de famílias felizes, crianças a andar de bicicleta ou a jogar à bola, casais jovens a passear os seus carrinhos de bebé, casais de idosos a passear os seus cães, todos a aproveitar o sol quente que (finalmente) faz lembrar uma verdadeira manhã de verão. Para quem não fazia uma aula de aeróbica há mais de 10 anos, aguentei-me muito bem (mas ainda não me convencem a voltar ao ginásio...).
Depois de um almoço arrancado a ferros e de uma (merecida) sesta no sofá, fomos os dois à terra do Saramago comer uma bifana e uma fartura ("um churro com chocolate para mim, se faz favor"), e percorrer as ruas enfeitadas de cores garridas para as festas.
 










 (As 3 primeiras fotos são minhas, as restantes são dele, ficou fascinado com a rua cheia de ninhos nos beirais, eram centenas de andorinhas a sobrevoar por cima das nossas cabeças, um espectáculo impossível de captar numa fotografia).


(E esta é a Casa da Ponte (Séc. XVIII). Um dia quero ter um alpendre assim...).

Termino o dia com o Happythankyoumoreplease, um filme daqueles que me deixam embevecida, sobre amor, sobre vários tipos de amor, sobre o direito a sermos amados, sobre gratidão. Sobre o que é realmente importante. Ainda por cima com uma banda sonora sublime (com a voz adorável de Jaymay).



(E aquela declaração de amor do Sam2 é algo que qualquer mulher, qualquer uma neste planeta, gostaría de ouvir um dia).

sábado, 11 de junho de 2011

Momentos (CLXV)

Comer cerejas. Dormir a sesta. Com direito a manta. A casa em silêncio. Comer cerejas e rever o Orquídea Selvagem (volto aos clássicos quando os filmes recentes não deixam memórias, o último digno de registo foi o Limitless, uma ideia fresca e uma realização alucinante; por isso vasculho os arquivos, e fico sempre surpreendida com tudo o que não tinha captado da primeira vez). Receber um disco externo novo (onde cabem ainda mais filmes). Jantar cerejas.

Seja feita a sua vontade...

- Eh pá....Eh pá...isto é material do bom...isto merecia ir para a net...



(pronto, já podes gozar à vontade...)

Agora sim, a cozinha está "completa"


Comentário da mãe quando as comprei esta manhã no mercado:
- 3€ o kilo?! Chiça, só para quem estiver de esperanças...
(Eu trouxe quase 2 kilos...)