quinta-feira, 16 de junho de 2011

Momento (CLXVI)

Trazer para casa mimos da horta da avó, depois de uma ida à urgência veterinária com a cadela tresloucada que já nos estamos a mentalizar que vamos perder, porque ela não é eterna e já passou o prazo de validade (não consigo imaginar o drama que foi a mãe chegar a casa e ver a bicha com sangue a escorrer da boca e a encharcar-lhe o pêlo todo). Afinal a peste peluda não deixou de comer há dias porque está a morrer de velhice (ainda) mas sim porque tem um tumor na boca (a veterinária julga que é benigno) que criou infecção. Hoje a bicha trincou aquilo e pregou um susto de morte à dona. Já está medicada e a comer daquelas latinhas especiais de convalescença para animais, para ver se recupera o peso perdido (ai recupera mesmo, que a minha mãe enfia-lhe a comida pela boca com uma seringa, se fôr preciso...).




E um mangerico (que toda a gente sabe qual vai ser o triste fim dele, igual ao de todas as plantas que tiveram o azar de vir parar cá a casa, toda a gente sabe isso menos a minha avó, senão não mo tinha dado, de certeza. E daí talvez não, pode ser que se safe, que a mãe rega-me as plantas de cada vez que vem cá, eu já lhe disse que são plantas do deserto, que aguentam longos períodos de seca, mas ela fixou-me com um olhar que só dizia "mas tu és mesmo minha filha?!" - não esquecer que ela fala com as plantas, e põe música para elas ouvirem - e não me ligou nenhuma).

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