sexta-feira, 8 de junho de 2018

segunda-feira, 4 de junho de 2018

Mimar(-nos) (VI)

Depois das últimas três semanas avassaladoras de sentimentos e sensações, queria encher-me de Peter Pan, ter tempo para cheirá-lo, vê-lo com olhos de calma e criar memórias para nós. Fomos à procura de uma piscina interior e de cerejas. Encontrámos um oásis tal como me tinham dito que era. Giro e confortável, com empregados do mais simpático e prestável que alguma vez vi, e totalmente vocacionado para crianças e famílias. Passámos a tarde a saltitar entre mergulhos na piscina, o jacuzzi, a sauna e o banho turco. Saímos para jantar, e ao entrarmos no restaurante que tinha escolhido pela net, vejo música ao vivo, um enorme buffet e casa cheia de gente. Penso que deve ser um batizado e dou meia volta, mas a dona vem agarrar-me no braço, e diz "Não se vá embora, o restaurante faz hoje 25 anos, isto é uma festa para todos, coma e beba à vontade!!" E assim jantámos numa imensa festa, com Peter Pan a enfardar todos os bolos e doces que lhe apeteceu, antes de cair redondo na cama, cansado, de barriga cheia e aninhado no meu colo (o que mais se pode pedir da vida?...).
No dia seguinte, acordou com a excitação de voltar para a piscina, e depois de nos deliciarmos com o pequeno-almoço (maravilhoso), passeámos um pouco lá fora, brincámos no parque infantil, nos escorregas e na piscina das bolas, voltámos para os mergulhos e o jacuzzi, e ainda tivémos tempo para ver desenhos animados, enroscados na cama. Despedimo-nos com uma promessa de voltar com o calor, para aproveitar as duas piscinas exteriores, e repetir o pequeno almoço (estou a criar um lorde...). Seguimos para Alcongosta pelas estradas ladeadas de cerejeiras, passeámos pelo centro de ruas empedradas, comprámos uma caixa de cerejas que deixou Peter Pan de boca aberta "mãe, isso é tudo para nós?!?!", e parámos num restaurante de beira de estrada para almoçar. Pedi cozido à portuguesa para mim, o puto torceu o nariz às carnes gordas e pedi uma febra pequena grelhada para ele. A senhora traz-lhe uma febra do tamanho de um prato e ainda uma travessa cheia de batatas fritas às rodelas, caseiras e estaladiças. Um festim. Quando pedi a conta, ainda me diz "o menino só paga a bebida... a febra era pequenina..." (bendita hospitalidade beirã).
Regresso a casa de coração cheio. E com a certeza que estes pequenos luxos são o melhor que levamos da vida.