terça-feira, 31 de agosto de 2010

Ouvir e sentir (CXLII)

É que fiquei mesmo a sorrir...

Kyle Andrews
"You always make me smile"


Conversas ao jantar (XXV)

Sobre a minha nova ideia genial de comprar (ou mandar fazer) um móvel à medida de uma das paredes do hall de entrada, para arrumar os casacos (e os sapatos...), que se está a transformar numa negociação difícil:
- Os casacos é só uma desculpa, tu queres é mais espaço para sapatos!
(Jura?!)
- Mas tem de ser, a sério, já não cabe mais nada, ando a empurrá-los para fechar as portas, estou a estragá-los... Tenho de ver uma daquelas soluções do Ikea, á medida...
- Eu dou-te a solução à medida, chama-se gasolina e um fósforo.
- Tu sabes que mais cedo ou mais tarde vai acontecer, não sabes?
- Sei, a porra é essa...

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Atiçar

É segunda feira, está calor, a vontade de estar aqui não é pouca, é nenhuma mesmo... e ainda me enviam coisas destas para o mail... não se faz...


domingo, 29 de agosto de 2010

Equilibrar

Sábado preenchido e domingo indolente. Sábado dedicado aos amigos e domingo dedicado ao sofá. Equilíbrio perfeito.
Almoço em casa do B. e da A., no terraço que é um luxo às portas de Lisboa. A notícia inesperada de mais um bebé a caminho, numa tarde cheia de crianças pequenas (agora somos mesmo os únicos que ainda não têm filhos, num grupo onde muitos já vão na segunda rodada) e cães grandes. Revemos amigos e pomos a conversa em dia, prometemos não deixar passar tanto tempo sem nos reencontrarmos, mesmo sabendo que não vamos cumprir, mas não faz mal, porque num ou noutro aniversário ou passeio de TT estaremos juntos novamente.










Regressamos de mota pela estrada nacional que nesta altura do ano se enche de tomates esmagados, o D. leva-nos por um atalho que atravessa os arrozais pintalgados de garças aqui e ali, a paisagem faz esquecer as dores nos pulsos e nas pernas (já não estava habituada a isto) e lembrar a razão (talvez a única) porque ainda gosto de andar de mota - a perspectiva mais alta permite ver mais além, os pormenores que escapam pelo vidro de uma janela, os jardins que se adivinham por trás das sebes das vivendas e os becos das ruelas que não vão dar a lado nenhum.

Depois da agitação de vozes de adultos e choros de crianças, prendas iguais oferecidas por pessoas diferentes, guardanapos levados pelo vento e pratos pelo ar; a calma do jantar em casa do V. e da R., caipirinhas e mexilhões, cogumelos recheados de farinheira e bolo brigadeiro, o gato que fugiu do 3º andar e um passeio noturno. Um final de dia acolhedor e pacífico.

A visão do avô C. no seu poiso habitual debaixo da oliveira; depois de uma semana internado com pedra nos rins, está em casa e tem um frigorífico novo, tivémos de dizer que tinha sido dado por um amigo, senão a avó R. não aceitava, foi uma mentira piedosa para eles terem finalmente água fresca e outras pequenas regalias que acham que não fazem falta, mas que lhes vão saber muito bem.



Um pôr do sol que incendiou o céu e me deixou de boca aberta...

... e um jantar a dois no chinês ("porque é que não vínhamos aqui há tanto tempo?"), para ganhar ânimo e coragem para mais um salto, desta vez sem a confiança cega que me ofuscou anteriormente (a parede de betão é mais dura do que imaginava...) mas também sem a esperança e alegria com que queria viver estes dias. E com medo. Muito medo.

sábado, 28 de agosto de 2010

Ouvir e sentir (CXLI)

Por aqui não há descanso.

Wakey!Wakey!
"Light Outside"


sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Ouvir e sentir (CXL)

Hoje voltei a esta música.

Eddie Vedder
"Guaranteed"


Lembrar (sempre, para sempre)

Só me apercebi hoje de manhã, quando abri o Outlook e vi a data. Já passaram 6 meses. Não voltei a sonhar contigo. Gostava muito. Porque nos meus sonhos estás sempre bem. E é a única forma de voltar a ouvir a tua voz. Tenho medo de me esquecer do som da tua voz. Tenho de fazer um esforço para recordar a tua cara saudável e sorridente. Porque não é essa a imagem que me surge primeiro. Invoco a tua voz para afastar as más recordações desses últimos dias. Uma vida inteira não se resume assim.
Pronto, já passou o nó na garganta, não te preocupes, foi só porque os dias correm tão rápido, e a maioria deles parecem iguais, mas já houve tantas mudanças entretanto, e outras tantas que não aconteceram, é o fluir natural do tempo, não é? não nos damos conta e um dia olhamos para um ecrã de computador e já passaram 6 meses e nós temos medo de nos esquecermos.
A mãe diz que a tens ajudado muito. Eu sorrio porque também acredito. Que velas por nós. E que quando eu menos esperar vou ouvir-te outra vez em sonhos, ver-te nos olhos da tua neta que será o presente de Natal mais aguardado e acarinhado, ou sentir-te ao meu lado nesse outro momento em que sentirei ainda mais a tua falta.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Conversas ao jantar (XXIV)

- A última vez que chorei num filme foi há pouco tempo... a ver o Dirty Dancing...
(Olhares incrédulos...)
- O que é que querem? O D. fartou-se de chorar a dizer que não queria ir com o pai para o Algarve, queria ficar comigo e com a mana, eu comecei a chorar também e ele ainda me perguntou "mãe, a mana não está a chorar, pois não?". A seguir fui ver o filme e claro...
(Sorrisos comovidos...)

Momento (CXXVI)

Um minuto, não mais do que isso. Aquele minuto que demorámos desde o estacionamento da fábrica, onde ele foi de propósito para endireitar a porta do DJ (arrombado durante a noite - por amadores, os outros pelo menos conseguiram abri-lo e pô-lo a trabalhar sem estragar nada... desgraçado do carro não tem paz nenhuma...) até à porta onde nos despedimos com o sorriso que me lembra a cada dia porque é que estamos juntos há séculos.
Naqueles metros que percorremos primeiro de mão dada e depois com o braço dele por cima dos meus ombros, a rir enquanto pensávamos em escrever um cartaz para pôr no vidro "Não vale a pena arrombar, já és o 6º, não há aqui nada para roubar!", voltámos a ser um casal de putos enamorados.

domingo, 22 de agosto de 2010

Matar saudades (II)

Caipirinhas até nos darmos conta que somos as únicas no bar, já passa das 3 da manhã e o senhor quer fechar a porta.

Ler muito. Fotografar pouco.
Acordar mais cedo do que para ir trabalhar. E de boa vontade.
Jantar no indiano.



E perder-me nas ruelas estreitas. Já é tradição.


Regatear vestidos brancos no areal. E ser devorada por mosquitos arraçados de vampiros. Também faz parte.


Hamburguers e olhos-de-sogra. E fruta na praia.
Despedir-me com a certeza do regresso.

sábado, 21 de agosto de 2010

Há escolhas difíceis...

A esta hora podia estar em cima de uma mota, a destilar dentro do casaco de pele, luvas e capacete.
Em vez disso alterno entre a toalha e o mar a intervalos regulares de 10 minutos (uma canseira, portanto...).

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Eu não vou contar...

... quantas vezes (nem onde) nos perdemos, porque é uma vergonha de todo o tamanho (para mim não, que nunca escondi que sentido de orientação é coisinha que não conheço, mas a Paula é algarvia... eu tinha de dizer isto.)

Impulso (III)

Fiz a chamada enquanto descia as escadas do escritório, uma ideia peregrina que surgiu do nada:
- Já saíste?
- Não, ainda estou a enfiar o sofá no carro.
- E se eu fosse contigo? Tu vais para o casamento, eu vou para a praia...

Corri para casa, enfiei dentro de um saco um vestido, um biquini, uma toalha, dois livros e o necessaire que está sempre de prontidão no canto do armário.
E arrancamos, as duas mais o sofá, para o Algarve.

Paloma Faith
"Stone Cold Sober"


Isto não está a ajudar

É sexta-feira. Está calor. São cinco e meia da tarde. Não tenho vontade de fazer a ponta de um corno. O computador não ajuda. Já reiniciou sozinho três vezes. Perguntei ao nosso técnico se devia preocupar-me. Ele respondeu que não, deve ser sobreaquecimento (tenho a impressão que o “meu” técnico vai abanar a cabeça e suspirar fundo, quando lhe contar isto...). Respondi-lhe que esta sala é o fundo dos infernos, mas que até está fresquinha. Prometeu que segunda feira vem cá “soprar o bicho” (ahhh, já estou mais descansada...).
Não consigo ter mais do que duas aplicações abertas ao mesmo tempo. Não sei trabalhar assim. A minha barra de tarefas tem de ter pelo menos quatro janelas abertas de cada vez. E todas a responder ao segundo. Senão não brinco. Senão deixo-me ficar a debitar caracteres ao som de Joss Stone, de acordo com o estado de espírito de hoje, demasiadas letras para dizer algo tão simples como “Não me apetece nada estar aqui, queria estar noutro lugar, com areia e ondas de mar salgado”. Bastava esta frase. Poupava tempo, trabalho e espaço. O Verão está quase a acabar. Não dei um único mergulho no mar este ano. Não pode ser. Podia meter-me no carro daqui a bocado, numa hora estava lá, era só reservar um quarto, e tinha amanhã e depois. Dois dias inteiros. Ao meu ritmo. Estou tentada. Mas tenho um jantar de família esta noite. Não posso. E tenho uma ida a Góis combinada para amanhã. Não devo.

Abrir o coração

pierrot le fou, 1965

- why do you look so sad?
- because, you speak to me in words

and i look at you with feelings

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Momento (CXXV)

A minha peça de mobília (também conhecida por Paula) já não dorme cá em casa mas vem chamar-me às 10 da noite para fumar cigarros na escada do prédio. Enquanto as duas cadelas de olhos pedinchões nos lambem a cara, as mãos e as costas. Traz saquinhos de chá verde dos Açores e desculpa-me os silêncios da dor de pescoço que mói sem dar tréguas há dois dias. Pedi quase em pranto para me arrancarem o emplastro assassino passado uma hora de o terem aplicado (12 horas com aquilo a queimar-me a pele e a inflamar-me o sistema nervoso central sem piedade?! Prefiro as dores!), massajo a zona com gel o dobro das vezes que a farmacêutica indicou, e nada. Ela começa a falar-me em ruptura muscular e em fisioterapia. Eu penso que está cada vez mais louca. Ouço-lhe os medos sobre o futuro, e asseguro-lhe que vai correr tudo bem (corre sempre, ela é que ainda não sabe). Recordamos o último verão e fazemos planos para o próximo. Temos saudades da praia.

Gozar à grande

Enfiar a roda do DJ dentro de um buraco é mau.
Ver metade dos colegas de trabalho a gozar o prato enquanto ele era tirado de lá com a ajuda de um empilhador e de uma palete é pior ainda.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Hoje vi um post...

... que me deixou feliz.
E agradeci o milagre da vida.

Prioridades

- Temos de ir às compras. Não tarda nada ficamos sem leite.
E sem papel higiénico, que é capaz de ser pior...
- Tens razão, temos mesmo de ir... Já não há cerveja.

Relativizar

O que é que a je faz depois de saber que engordou 1.5 Kg (!!!) desde a última consulta?
Ataca um hamburguer com bacon, um prato de batatas fritas mergulhadas em maionese e ketchup, e um pão de alho com queijo. Pois claro.

Desta vez não vou escrever.

Ouvir e sentir (CXXXVIII)

Porque "desistir" não consta do meu dicionário (até um dia).

Estrella Morente
"Volver"


segunda-feira, 16 de agosto de 2010

domingo, 15 de agosto de 2010

Dia cheio (de tudo)

Dia em casa do sogro mete sempre comida. Boa. Muita. Arroz de lampreia e javali para o almoço. Gelados, pão-de-ló e tigeladas.
Ameijoas e lampreias fritas (daquelas que dá pena comer de tão pequenas - e proibidas por lei) para o lanche. E mais gelados.
Dia em casa do sogro é cheio de afilhada amorosa, de brincadeiras na piscina insuflável, de abracinhos, de bochechas macias e sorrisos traquinas.

Dia em casa do sogro também é pretexto para cometer crimes sem ser visto (afogaram a Maria).


sábado, 14 de agosto de 2010

Dia longo

Isto de acordar de madrugada tem as suas vantagens (poucas, mas tem). Vi o mais impressionante nascer do sol enquanto atravessava a ponte, o céu a incendiar-se de rosas, roxos e laranjas e as sombras da outra ponte a espalharem-se pela água (e eu a lembrar-me da célebre frase "a fotografia memorável é sempre aquela que não tirámos"...).
Abracei a MJ e rezei para que aguente mais este embate num ano que para ela será sempre recordado como maldito. Não disse nada. Nem que "foi melhor assim, já estava a sofrer muito", "nem força, agora tens de pensar nos teus filhos" nem "se precisares de alguma coisa, eu estou aqui para ti". Tudo verdade. Tudo inútil numa altura destas, aprendi da pior forma. Abracei-a, afaguei-lhe as mãos, olhei-a nos olhos, ouvi-a. Ela compreendeu.
Regressei a casa a puxar pelo DJ mais do que ele está habituado, banho rápido e almoço a correr porque o pessoal tinha combinado uma ida à Feira Medieval de Aljubarrota. Desta vez fomos todos, C. e C., V. e C., V. e R., e assim que a coisa começou - com um carro a deslizar suavemente para o meio da estrada (chama-se "poupar o travão de mão") - eu soube que ía ser do melhor.
E foi. Com cerveja fresca e muita conversa. Música ambiente e trajes coloridos. Cheiros de porco no espeto ou de cristais com óleos para a casa. Ruas engalanadas e pessoas bem-dispostas e prestáveis.






Eles agarraram-se como lapas à barraquinha do faqueiro (não sei se é assim que se chama, mas se faz facas, deve ser faqueiro...), e passados dez minutos já andavam lá dentro, de avental vestido, a controlar o fogo na forja e a bater ferro (eu sei que não é ferro, é aço...). Passaram a tarde toda nisto, entre rodadas de canecas de barro (coitado do faqueiro, ao final do dia os olhinhos dele não enganavam ninguém...) e ganas de fazer algo que se parecesse minimamente com uma faca.

Nós? Passeámos sem pressa. Espreitámos as barraquinhas todas. Sentámo-nos em toros de madeira com fardos de palha a servir de mesa de apoio, a falar sobre tudo o que nenhum gajo quer ouvir (e nem foi preciso falar mal deles), fizémos tatuagens de henna só pela piada, dissertámos sobre os filhos que nenhuma de nós tem, numa conversa que devia ter ficado gravada para nos ser atirada à cara daqui a uns anos (podemos não cometer os mesmos erros, mas vamos cometer outros tantos, de certeza).



sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pergunta para queijinho *

E quem é que se vai levantar à 5 da manhã para ir a um funeral no Alentejo profundo (Badajoz à vista)?
Pois...


* O título não é meu