sexta-feira, 30 de abril de 2010

É oficial (III)

Confirma-se. Vou ser tia. E madrinha. De um pónei júnior. Que vai ser grande e trapalhão como o pai. Mas também forte e determinado, como ambos. Vai aprender a desenrascar-se e a não depender de ninguém. Vai ser protegido pelo mano mais velho (mas também há-de levar alguns calduços...), e vai ser mimado até à exaustão pela avó (eu benzo-me só de imaginar a minha mãe com um neto nos braços...).
Da madrinha vai receber dois braços sempre abertos. Muito carinho e atenção. Olhos nos olhos quando falar. Para saber que é ouvido. Um ralhete se o merecer. E elogios também.
Só quero que seja saudável. E alegre. E risonho. Prometo fazer por isso. Prometo enchê-lo de sorrisos.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

Ouvir e Sentir (CIX)

Porque eu só quero que esta semana acabe. Depressa.

Bruce Springsteen
"The Ghost Of Tom Joad"


terça-feira, 27 de abril de 2010

Mixed feelings

Vindo da cabeça de quem veio, só podia dar nisto, uma história de amor simples, sem grandes gestos românticos ou manifestações de paixão desmesuradas. Sem grandes tiradas filosóficas ou diálogos indecifráveis. Ou seja, o retrato do início normal de uma relação, o quebrar do gelo, os momentos em que não se sabe o que dizer, a descoberta. E tudo o que vem depois.
A eterna questão sobre se o amor supera tudo. A distância. O tempo. As circunstâncias.
Com uma banda sonora fantástica que apela a todas as emoções, foi uma receita infalível para me deixar com um nó na garganta.

Set Fire to the Third Bar
"Snow Patrol"
(Dear John OST)




(mas continuo a preferir a versão ao vivo).
Estás feliz, não estás? Eu sei que sim. Já reparaste que dia é hoje? Uma vida terminou, outra começou na mesma altura. O ciclo continua. E soubemos hoje. Deves estar muito feliz. Vai ser a melhor prenda que a mãe podia receber, não achas?
Eu? Eu estou muito feliz por eles, é um bebé tão desejado e pensado, o N. queria tanto um filho (confessa lá, nunca te passou pela cabeça que ele pudesse querer tanto um filho, ou que fosse tão bom pai como se tem mostrado com o D., eu digo-te sinceramente, fico orgulhosa quando os vejo aos dois na palhaçada, a forma como ele está a ajudar a educá-lo, e como ganhou o respeito e a admiração dele enquanto modelo a seguir). E triste por tudo o resto que tu já sabes, já sabias antes, ainda bem que te contei, achei que merecias uma explicação, mesmo sem nunca a teres pedido. Já pensei em contar à mãe, ela tem-se mostrado muito mais forte do que nós pensávamos. Não é que adiante de nada, mas pelo menos ela tinha uma justificação. Também a merece. Às vezes apanho-a a olhar para mim cheia de vontade de perguntar, acho eu, mas há muito tempo que deixou de tocar no assunto. Tu contaste-lhe, não foi? Desconfio que sim, por isso é que ela nunca mais brincou com o assunto como fazia, nunca mais pediu um neto. Um dia vou saber se te desbroncaste.
Estou a ser egoísta, não estou? Devia estar aqui a bater palmas de alegria, vou ser tia (e madrinha, claro), mas a ferida abriu novamente e não consigo estancar esta patética pena de mim própria, não consigo dissipar esta onda espumosa e indefinida. Não é mágoa, não é revolta, não é inveja. É só tristeza.

Contrariedades

Hoje (ontem) queria ter jantado sushi. Em vez disso estive em reunião. Até agora. Uma forma de justificar o que ganho de isenção de horário. E ainda me lançaram um "você no trabalho não demonstra emoções". Pudera.

domingo, 25 de abril de 2010

Rodear-me de luz *

Jogar setas com o N. e a C., quem-perder-paga-uma-rodada, apesar de a minha derrota ter sido tão lastimável que o meu irmão não me deixou pagar a última, do género " não batam mais na ceguinha".
O convite inesperado para jantar que é sempre promessa cumprida de boa conversa e bons momentos (mesmo rodeados de adolescentes com as hormonas aos saltos e mulheres de risinhos histéricos a toque de alcoól, mesmo cheios de sono e com o raciocínio todo trocado).
Cheirar o perfume adocicado e muito girly, prenda de aniversário que ficou guardada para ser oferecida na altura certa, quando a alegria voltasse.

Trocar o casaquinho de malha fina pela túnica rendada de alças (ainda preta, eu sei que tu odeias preto e abominas o luto, só me lembro de te ter visto vestido de preto duas vezes na vida, quando os avós faleceram, mas ainda não consigo vestir cores, desculpa), sentir o sol quente na pele, e calor puro pela primeira vez este ano.
Mimar a princesa E., brincar com ela, segurar-lhe na mão para subir degraus, deliciar-me com as caretas que faz a cheirar as flores e a soprar a sopa quente, ou a forma como fica envergonhada quando o tio olha para ela, e logo a seguir se vai meter com ele para chamar a atenção.

Descobrir uma quinta abandonada e imaginar como sería a vida ali, as casas dos caseiros, os estábulos, o lagar, o escritório onde se apontava em papel, com uma letra desenhada ao pormenor, o produto das colheitas e as vendas de cereais e azeite, vinho e ovelhas.

Beber uma cerveja em frente ao rio, enquanto ouço a história do nascimento da minha afilhada amorosa.
Trocar os lençóis de flanela pelos de linho branco imaculado (é das sensações mais aconchegantes e leves, deitar numa cama fresca feita de lavado).

* Ou Treinos intensivos (este fim de semana só estive com pessoas que me fazem bem).

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Há dias assim

Em que o trabalho "rende". Em que parece que fazemos mil e uma tarefas ao mesmo tempo. E fazemos mesmo. Com vontade e energia. Em que o tempo não custa a passar. Pelo contrário, voa por entre os dedos que voam entre o teclado e o telefone, papéis arquivados que significam processos encerrados, a sensação redentora de dever cumprido. O meu irmão goza comigo, diz que eu não tenho um trabalho, que devo chegar a casa com dores nas pontas dos dedos de teclar, e nas orelhas de tanto tempo passado ao telefone. Nem sequer vale a pena tentar explicar-lhe os dias em que os argumentos se esgotam, em que os números dos mapas de rentabilidade não acertam, em que os neurónios se afogam em água, em que só o som do toque do telefone irrita, quanto mais as vozes cheias de exigências e reclamações dos clientes. Mas hoje não foi um dia desses.
Há dias assim. Em que chego a casa com ganas de limpar tudo. Só com uma pontinha de neura, para não perder o ânimo. Os meus treinos ainda agora começaram. Mas eu chego lá. Entretanto faço limpezas. Ajudam-me a desanuviar.
Faço o jantar à luz do dia e "despacho" o puto para a escola. Agarro na esfregona e no pano do pó e levo tudo à frente. Gosto do cheiro do chão lavado. Dos azulejos a brilhar. Dos tapetes com as pontas de trapilho todas levantadas depois de serem sacudidos. Gosto do banho quente que tomo depois. De me sentar no sofá cansada mas de cabeça vazia. E de ouvir os sons da casa. Em silêncio.

Treinar

Se ao menos conseguisse perder este medo das consequências que desconheço (e que são tão improváveis que nem sequer devia gastar 5 minutos do meu tempo a pensar nelas). Que raiva, porque é que as coisas não podem ser simples, preto no branco, sem esquemas nem filmes? Porque é que eu não consigo sossegar quando sinto que tudo à minha volta está a descarrilar do caminho traçado (por mim, claro)? Acho que foi isto que perdi com o passar dos anos: flexibilidade (e não estou a falar de posições acrobáticas, é mesmo ginástica mental), a capacidade de adaptação a todas as mudanças sem me chatear muito e com a certeza irresponsável que tudo se vai resolver por si.
Tenho de começar rapidamente a fazer este treino mental de flexibilidade, a fazer um esforço consciente de não querer controlar (tudo) o que está fora do meu alcance (e já agora, o que está na minha mão também). Porque, tal como o optimismo, tal como a auto-confiança ou a capacidade de ver o lado bom de cada situação, a flexibilidade mental também se treina... não sei muito bem como, mas hei-de lá chegar.
E acredito mesmo que a vida se resolve sozinha (só que se eu der uma ajuda demora menos tempo...).

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Manifesto *


O meu mal é que fico a pensar nestas merdas, até que ponto já deixei este dia chegar, quando é que o deixei chegar, que parte de mim ainda sonha e não se preocupa, que parte de mim já é crescidinha.
uma frase que nunca mais me saiu da cabeça e que repito sempre que algo me preocupa e me martela o cérebro sem descanso enquanto não descortino todos os cenários possíveis (e ultimamente têm sido demasiadas vezes): "A vida resolve-se sozinha".
É um pensamento reconfortante. Pode até nem ser verdade, e acredito que na maioria das vezes não é lá grande ideia deixar que que as situações se desenrolem sem controlo, ou que outras pessoas tomem as decisões por nós (esta última provoca-me urticária), mas não deixa de ser libertador pensar que a vida segue o seu rumo, e que por vezes basta deixá-la ir, e ela encontra o seu caminho. E agora que leio o que escrevi até me dá vontade de rir, olha quem, maníaca do controlo como sou, deixar as coisas acontecerem assim.... Mas em determinados momentos tenho a certeza que me fazia falta essa descontracção de quem sabe que a vida é para ser vivida e saboreada, senão não tem piada.

* Tirado daqui.

Sonho (V)

Estou de pé em frente ao balcão de um café normal, estou a ler uma revista, e ao meu lado, sentada num banco alto, está Sophie Marceau, indiferente aos olhares melosos que lhe lança o empregado de balcão, que é... George Clooney. Depois de me servir um café (mas não me lembro de ver a Nespresso), digo-lhe com um tom entre o piedoso e o descrente "vocês homens só se interessam por quem vos trata mal...pfff".

Os meus sonhos estão cada vez melhores...

terça-feira, 20 de abril de 2010

Momentos (CVIII)

Depois de telefonar para 3 cabeleireiros em desespero de causa por já não me conseguir ver ao espelho, descobrir que a minha cabeleireira com voz de menina veio trabalhar para o fundo da minha rua (e atendeu-me à hora que devia sair).
Voltar para casa com o cabelo macio e esticadinho e lindo com uma nova cor castanho-dourado (chama-se "Tabaco"... não foi de propósito). Agora que descobri o poder da cor, sigurem-me!!
Reparar que ele teve o cuidado de apanhar a roupa do estendal, porque estava a ameaçar chover.
Fumar um cigarro à janela enquanto ouço o chilrear dos pássaros, muitos pássaros, sem saber de onde vem o som, se das varandas do prédio em frente ou das copas cheias de folhas tenras das árvores da escola, que se erguem redondas contra o azul-cobalto do fim de tarde.
"Inventar" um jantar em meia-hora, cogumelos laminados salteados com Vinho do Porto, natas, queijo ralado e delícias do mar (a receita dizia camarões descascados, mas quem não tem cão...).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Inspiração (IX)

Para começar bem a semana.

Ouvir e sentir (CVIII)

Porque comecei o dia a vê-lo dormir.
Matei saudades de um prato de caracóis (na verdade, de três...).
E acabei o dia com um crepe de chocolate.

Donna Maria
"Há amores assim"

sábado, 17 de abril de 2010

Relaxar

Ontem, em conversa ao jantar, ele dizia-me que hoje íamos relaxar. É nestes pequenos pormenores que eu noto que somos tão diferentes. Porque o meu conceito de relaxar não tem nada a ver com passar o dia aos saltos e solavancos dentro do jipe, ou com os pés enfiados em lama. Diversão sim, relaxar nem por isso.
Ainda por cima quase metade do percurso estava debaixo de água. Caiu-nos em cima uma chuvada daquelas, com trovoada à mistura. O C. furou um pneu. O nosso jipe abichanado voltou a queixar-se que não gosta de água, luzes da bateria e do travão de mão ligadas tipo árvore de natal. E numa das descidas ele avisou que não tinha nenhum controlo sobre o carro. Parecia que estávamos a andar em cima de manteiga derretida. Era deixá-lo seguir nos trilhos... e rezar.
Valeu a companhia, como sempre. E o cozido à portuguesa . Aquele trecho de lama brutal, os jipes a dançar como bailarinas e eu sem conseguir parar de rir... e ele só perguntava "mas quem é que se lembrou disto?!". O "trial para todos", terreno às ondas que me fez lembrar TT em areia. As paisagens ribatejanas e os muitos cavalos que vimos pelo caminho.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Lembrar (III)

E depois ele pôs esta música, e eu disse com um sorriso triste "foi o meu pai que me apresentou Cesária Évora". Sorriso triste só porque hoje foi um dia extenuante, escrituras, Finanças, pedido de avaliação de imóveis, fazer cálculos mentais ao valor que vamos pagar de IMI e Imposto de Selo (desconfio que Santorini já ardeu, talvez para o ano...), fora o que já pagámos (e ainda vamos pagar) pelo nosso descanso.
Quando respondi a um sms preocupado de Amesterdão é que reflecti sobre esta herança que nos foi deixada, que até agora só nos trouxe dores de estômago e ataques de nervos. Acho que cada família tem a sua "ovelha negra", ou pelo menos alguém que faz mais merda do que é normal. Eu também tenho, mas até agora a sua irresponsabilidade não me tinha afectado directamente, nem punha em risco aquilo que os meus pais levaram anos a construir. E eu quero que continue a ser assim. Vamos pagar para isso, pois vamos, mas a nossa paz de espírito não tem preço.
E depois ele pôs esta música e eu revi as cassetes que ouvíamos nas viagens intermináveis de Lisboa para a Serra, quando ainda não havia auto-estradas e demorávamos 5 horas por estradas estreitas e cheias de curvas. Parávamos sempre num restaurante de beira de estrada que SÓ servia canja de galinha e frango assado (nem sei se ainda existe). E vocês combinavam com o empregado de mesa para ele nos avisar que só podíamos comer frango se acabássemos a canja até ao fim (e também tínhamos de gramar com Roberta Miranda, mas para essa não havia paciência). Lembras-te?

Cesária Évora
Sodade


Um clássico

- Há quanto tempo não ouvias isto?
(Há muito...)

Gary Moore
Still got the blues (Live)

Momentos (CVII)

Tirar o resto do dia de férias.
Tomar um banho quente e demorado.
Ver um filme bem-disposto e a abarrotar de comida.
Sentir a boa disposição a voltar devagarinho.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Momentos (CVI)

Andar de comboio, com a neblina de chuva constante a desfocar a paisagem do lado de lá do vidro.
Ler páginas e páginas seguidas de um livro, e dormitar no embalo entre as estações onde tantas pessoas se cruzam, cada uma com a sua história, como a da jovem mãe indignada e furiosa, que contava a alguém pelo telemóvel que os avós do puto, que sempre jantaram às 9 da noite, hoje tinham começado a jantar às 7 só porque sabiam que era a essa hora que ela ía ver o filho e desejar-lhe os parabéns (nem sequer tentei compreender).
3 horas de conversa com o meu irmão, sobre a vida, sobre o futuro, sobre se um primo nosso é ou não gay "agora que falas nisso, realmente nunca o vi com nenhuma rapariga...".

Espantar a chuva...

... e ganhar alento para o que tem de ser feito amanhã...

Rosana
"Sin Miedo"

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Adormecer

Chego a casa e escuto o silêncio. Este semestre o horário permite-lhe vir jantar a casa quase todos os dias, mesmo que seja entre aulas. Mas hoje não vem. Deito-me no sofá, muito quieta para adormecer as dores, sabendo que tenho o tempo todo para mim. Revejo mentalmente as duas reuniões de hoje. Angola ao almoço, França à tarde. Ambos a dizerem-me que tenho de ir visitá-los. No caso de França, era para ter ido, mas... (e já não dói, pai, a sério. Os músculos da cara ainda se contraem, os olhos fecham durante um segundo e perdem brilho, eu não vejo mas aposto que perdem brilho, o corpo fica um pouco mais tenso, mas já não dói). Pelas janelas ainda entra a claridade da tarde chuvosa, mas a luz esbatida já não realça as cores das capas dos livros nas estantes. Fecho os olhos e ouço os carros a passar lá fora. Gosto do som dos pneus na estrada molhada. E adormeço.

E gostava de saber por alma de quem é que alguém me lê na Califórnia...

terça-feira, 13 de abril de 2010

Sonhar acordada *

Acabei de pôr esta imagem (recebida por email) como fundo do meu ambiente de trabalho.
Ando desde ontem a sonhar com Santorini. Com o emaranhado de casas brancas nas encostas. Com passeios de mão dada por ruas estreitas e becos sem fim. Com o pôr do sol visto de uma esplanada debruçada sobre o mar, com um copo de vinho na mão. E com a mais bela piscina do mundo (ok, esta parte já é sonhar a mais...).


* ou Eu estou mesmo a precisar de férias...

domingo, 11 de abril de 2010

Tocante

"It's all those good things you have in you. The love, the wisdom, the generosity, the selflessness, the patience. The patience! At 3 A.M. when everyone's awake because Ibrahim is sick and he can't find the bathroom and he's just puked all over Katki's bed. (...) And you have to be willing to make the family out of whatever you have."

"People like us, we wait till our thirties and then we're surprised when the babies aren't so easy to make anymore and then every day another million fourteen year olds get pregnant without trying. It's a terrible feeling, this helpless, man. "

"Burt: Do you promise to let our daughter be fat or skinny or any weight at all? Because we want her to be happy, no matter what. Being obsessed with weight is just too cliché for our daughter.
Verona: Yes, I do. Do you promise, when she talks, you'll listen? Like, really listen, especially when she's scared? And that her fights will be your fights?
Burt: I do. "



Alexi Murdoch
"All My Days"

Away We Go OST





(Mexeu comigo mais do que estava à espera).

Momentos (CV)

O sol quente a bater-me na cara e o vento a revolver-me os cabelos pela janela aberta do carro, enquanto passamos por tractores rodeados de nuvens de pássaros brancos à procura de alimento.
Um folhado misto com cogumelos e um sumo fresco, num estabelecimento com o nome pomposo de "Le Bistrôt", mas com as paredes decoradas com cachecóis de clubes de futebol, a televisão em altos berros, e os velhotes todos ao balcão com a sua roupa de domingo.
Ver o jipe ficar (praticamente) entalado numa rua de Reguengo do Alviela. Não admira que aquela terra fique sempre isolada quando o nível das águas sobe! Naquelas ruas nem cabe um carro!!
Uma omolete de espargos com muita cebola frita (feita por ele), acompanhada de pão de azeitonas e tinto Terras do Suão.
Um filme comovente, que retrata as pessoas estranhas que nos surgem no caminho (acho que toda a gente tem o seu rol de pessoas assim). Fala de relações humanas, das dúvidas em relação ao futuro, o eterno desconhecido, e da possibilidade de traçarmos o nosso destino. Escolhermos a vida (e a família) que queremos ter. Abriu feridas mal saradas, mas deixou-me com um sorriso de quem ainda julga ser possível pegar nas rédeas deste caminho tão sólido mas que parece demasiado recto (e um filme que começa com um minete é sempre uma boa promessa).

Partir à descoberta

- Vamos sair de casa?
-Claro que sim!!
- Vamos até à Azinhaga.
- O que é que há na Azinhaga?
- Não sei, vamos descobrir...

Para duas pessoas que andam há mais de um mês com uma crise contínua de renite alérgica, não foi a ideia mais inteligente do dia. Mas voltei para casa com os olhos inundados de verde dos campos e azul do céu.

sábado, 10 de abril de 2010

Forever feels like home

Stone Sour
"Through Glass"

" Neste momento, onde quer que esteja, o vosso pai está muito orgulhoso de vocês. Tenho a certeza."
Também eu, mãe.

Nem que eu me pinte de amarelo...

... as minhas plantas nunca serão tão bonitas como as da minha mãe. (Ela fala com elas...)

Momentos (CIV)

- Ora bem, a vossa conta são 14 Moscatéis, 7 Licores Beirão, 14 minis (a partir daqui deixei de o ouvir...).
Subir a ruazinha que nos leva à fábrica de bolos enquanto ouvia pormenores da vida sexual dos meus irmãos que tería dispensado, mas como estávamos numa de desbocadas, tive de admitir que era de família.
Ter a mãe à nossa espera em casa, sem conseguir adormecer enquanto não soubesse o final desta história. Abrir o saco dos pastéis de nata, e ficar a conversar com ela até às 3 da manhã. O tom de voz dela mudou. Os olhos ganharam um novo brilho.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Resolver

"(...) fiz o que qualquer parisiense que se preza faría, depois de escapar por um triz das garras de um embusteiro, mentiroso e traiçoeiro. Encolhi os ombros e nada disse. C'est la vie."

In: A year in the Merde

Não foi tanto assim. A conversa foi séria mas esclarecedora. Vi sinceridade no olhar, arrependimento pelos erros cometidos, vontade de emendar a vida.
Mas respirei de alívio. Tiraram-me um peso dos ombros. Chegámos a um consenso e tomámos a melhor decisão possível. Para todos.

Equacionar

"O acaso, essa magia que une e desune subtilmente os destinos, abria as suas asas invisíveis e povoava a sua cabeça de infinitas equações."

In: A ilha de Campiro

Cheguei a um entroncamento (estou cheia de piada e virada para os trocadilhos, hoje...) e tenho de tomar uma decisão do rumo a seguir. Há três formas de resolver a coisa, três equações que implicam muitos "ses", grandes "ses", mas uma delas agrada-me mais do que as outras, porque significa pôr um ponto final definitivo, não ter de me preocupar mais para o resto da minha vida, é como tratar de um jardim, e saber que aquela erva daninha não volta a crescer e a ameaçar a beleza das flores que foram tão cuidadosamente plantadas e tratadas para desabrocharem e darem frutos. E eu só quero isso. Paz e sossego.
Esta noite vou rezar para que o acaso esteja do meu lado.

Embalar(-me)

Dulce Pontes e Ennio Morricone
"Brisa do Coração"

quinta-feira, 8 de abril de 2010

quarta-feira, 7 de abril de 2010

O meu nome do meio devia ser Lamechas

Porque era mesmo disto que eu estava a precisar: um filme ao melhor estilo de Love Actually, o amor de todas as formas e para todas as idades. Com um elenco brilhante cheio de pessoas bonitas. Um filme com um final feliz, com muitos finais felizes, cheio de pieguice, encontros e desencontros, lágrimas e gargalhadas.
Porque hei-de acreditar sempre neste tipo de amor que é uma dádiva feita de gestos de carinho e actos apaixonados.

Black Gold
"Shine"

Valentine's Day OST

Espairecer

Ando desde ontem com um nervoso miudinho que não passa, uma quase azia que significa o acumular de chatices. Ando aérea e desconcentrada. Ao jantar desabafei as minhas preocupações e soltei um "eu não preciso desta merda de heranças, eu estava tão bem sossegada no meu canto!". Recebi como resposta "pois, mas o teu pai morreu." A verdade nua e crua.
Esta manhã apercebi-me que deixei o rádio do carro ligado. A noite toda. Em altos berros. Foi um milagre ainda ter bateria.
Tenho de espairecer. Fazer qualquer coisa que me relaxe, ponha bem disposta, e me faça ver que não tenho razões para me preocupar e que a vida se resolve sozinha.
Cinema. Sessão das 6 e meia. Banho quente e demorado. Vela de morango a iluminar o hall de entrada. Cabelo esticado e unhas pintadas. E respirar fundo. Muitas vezes.
É isso.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Triste revelação

Enquanto espero que os minutos passem e que os ponteiros do relógio avancem uma hora e meia e me deixem ir ver o sol e percorrer de novo a estrada ladeada de tapetes de flores até casa da avó (desta vez sem tubos de escape partidos a obrigar a uma retirada urgente), vejo estas imagens e só consigo dizer "magnífico, queria uma coisa assim".
Depois tento lembrar-me quando foi a última vez que tirámos uma foto a dois... foi praí no casamento do meu irmão...
Estamos (mesmo) a precisar de férias.

Doces pormenores (XII)

domingo, 4 de abril de 2010

O que eu tenho de ouvir (X)

As "pérolas" do fim de semana (que me lembre assim de repente)...

"Vou ao estica-o-braço! Está lá a velharia toda!!"
(mas ainda há quem abra uma dancetaria???)

"Eu não tenho cócegas. Só quando me rio..."

"- Que nome dão a quem nasce sem uma mão?
- Maneta.
- E a quem nasce sem uma perna?
- Perneta.
- E que nome dão a quem nasce sem pilinha?
- Punheta?
- Não, é uma menina."

"Eu não cheiro mal dos pés. É só as meias..."

O melhor do fim de semana (IX)

... foi tudo.
As confidências de mulheres com a S. na 5ª feira, depois de encher a E. de beijos e prendas. Não sei de onde veio a ideia de que o nosso (do género feminino) tema de conversa quando nos juntamos é o tamanho do material deles ou quantas aguentam antes de se virarem para o lado e adormecerem. Nós falámos do passado e do futuro, dos medos de quem perdeu um irmão e das frustrações de quem não consegue ter um filho. E da princesa que nos uniu ainda mais, claro, e de como o mundo é pequeno, de como a S. conhecia o meu irmão dos tempos de loucura de adolescência, sem imaginar que eu sería a madrinha da filha dela (e nessa altura aposto que se lhe falassem em filhos ela tinha um ataque de riso ou de pânico).


A festa de aniversário da E. na 6ª feira, e a inauguração da casa nova, que precisa de obras mas onde eles já podem dizer de peito aberto "aqui vou ser feliz", é uma casa para a vida, com espaço para criar uma família, com jardim para os pequenos brincarem e horta para os avós se entreterem a cultivar batatas e cenouras.


O almoço com a minha família em casa da mãe no sábado, e cupcakes para a sobremesa. A surpresa quando toda a gente disse"os teus são muito melhores, estes têm pouco sabor". Comecei logo a imaginar nomes para o quiosque de gulodice que não vou criar porque tenho mais garganta do que coragem (mas que era tão melhor que as coisas azedas, para variar...).



O regresso da nossa Paula, que entra em casa como um furacão, larga malas, casaco, cachecol, tudo no chão do hall para vir a correr abraçar-nos.
A festa de aniversário do C., nada preocupado com os 30 anos "é só mais um" (ainda não assusta, ainda não dá que pensar o que já devia ter sido concretizado, o que falta fazer e viver), e três horas de conversa sobre vivências tão diferentes da minha que ouvi com atenção as histórias de trabalho que influenciam efectivamente a vida de outras pessoas, que podem mudar o rumo de uma vida para melhor (e as queixas rebuscadas da Paula para não estudar).
O almoço de Páscoa de domingo, com a família dele, tão maior que a minha e mais animada (é natural, têm motivos para celebrar, uma bebé que é a alegria de uma mesa de 20 pessoas, outro bebé que que vem a caminho), arroz de lampreia, javali, borrego, batatas assadas no forno, salada de alfaces da horta do meu sogro, doces e bolos até enjoar.


Os campos cobertos com um tapete de minúsculas flores silvestres, brancas, vermelhas e de todos os tons de amarelo que a Natureza conseguiu inventar, no caminho para a terra da avó, debaixo de um sol quente e uma luminosidade perfeita que nos faz acreditar que agora sim, a Primavera chegou.


(É claro que não foi tudo maravilhoso, a avó da S. faleceu, o tubo de escape do jipe partiu, lembrei-me de estar a chorar à porta da morgue, a mão que segurava o cigarro a tremer, o N. a querer abraçar-me e eu não deixar, se ele fizesse isso eu quebrava; houve amuo e silêncio desconfortável. Mas não deixei que nada disso estragasse um fim de semana cheio: de família, de amigos, de mimos e guloseimas).

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Da madrinha, com amor




(Acabei de receber por email. Não há coincidências).

Festejar

Há um ano atrás nasceu a minha afilhada, boneca doce, meiga e temperamental, a delícia da família.
Há um ano atrás ele mudou de emprego, numa distinção mais que merecida do trabalho e dedicação de quem faz o que gosta, e é bom no que faz.
Hoje é dia de festejar. As mudanças e grandes saltos da vida. Os planeados e os inesperados. Os que são sonhados anos a fio e os que assustam pela incerteza. Aqueles em que nos atiramos de cabeça, mesmo sem fazer ideia de como nos vamos sentir depois. Porque se não tentarmos, nunca saberemos.

Emiliana Torrini
"Big Jumps"



(Isto tem tudo a ver com a conversa de ontem. Não me estou a lembrar de nenhuma mudança de que nos tenhamos arrependido. Isso deve significar qualquer coisa. Digo eu...).