segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Para rematar

Estou aqui sossegada no canto do sofá, acabadinha de fazer uma encomenda na Wook (Comprometida, Um amor em segunda mão e outro que não posso dizer porque é uma das prendas de aniversário dele - ainda falta quase um mês, mas eu sou prevenida), e ouço a chave a rodar na porta e a abrir (demasiado) devagar. Do outro lado espreita uma cabecita que não sabe se há-de entrar ou fugir.
- Estás bêbado.
- Não estou nada...
(ai essa voz...)
- Só estou um pouco rouco, estive a cantar...
- Estiveste o quê?!
- Havia lá karaoke e... pronto...
(estás tãoooo bêbado...)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Ouvir e sentir (CLXII)

Passei a tarde com a Canon ao ombro e não tirei uma única fotografia. Passei a tarde com a mãe e evitei-lhe todas as lágrimas. Fomos fazer terapia de compras. Corremos as lojas de decoração todas da zona. Teoricamente para a casa dela. A minha cozinha ganhou cortinados novos. E almofadas para as cadeiras a condizer (duas verde-alface, duas azul-eléctrico, duas às riscas azuis, verdes e brancas). Tive pena de não trazer os outros, em tons de castanho, laranja e vermelho. Mas tinham algumas flores desenhadas, e achei que ele não ía gostar. Os varões para os cortinados já ficaram escolhidos (mas não cabiam no DJ), cinco dos candeeiros de tecto também (para a sala, para os três halls e para o quarto dela). Convenci-a que um espelho antigo com moldura de madeira entalhada fica tão bem (ou melhor) numa casa de banho do que os normaizinhos que vimos (ligou-me há pouco para dizer que aproveitou dois antigos, já os pendurou e tudo). Também já decidiu que vai ser um pincél tão grande voltar a montar o móvel de sala gigante que trouxe de Lisboa, que mais vale dá-lo e comprar um mais baixo, tipo aparador, para condizer com uma casa mais leve que está a criar, a pouco e pouco, um dia de cada vez.
(Falou de ti. Muito. Fala sempre. Até as azeitonas trazem lembranças tuas. Não estou a brincar, falou-me que eras tu que trazias azeitonas do mercado ao sábado de manhã. E do que querias fazer na casa da Serra e não tiveste tempo. Na sexta feira tinha o albúm de fotos do vosso casamento em cima do sofá. Estás sempre presente. Serás sempre lembrado).

Les Petits Minous
"A la claire fontaine"
(The Painted Veil OST)


Receber carinho em forma de caracteres

"Um beijo muito especial no dia de hoje. Lá de cima, sentado a beber um chá com deus, o teu pai está sempre a sorrir pra ti e muito orgulhoso da mulher maravilhosa que és."
(Só um anjo na terra sería capaz de me transmitir tamanha luz.)

Um ano de saudade

Serei sempre a tua menina.


sábado, 26 de fevereiro de 2011

Temos (tanta) pena

- F#%$&" amanhã o meu pequeno almoço vai ser cerveja e bifanas...
(Oh que sacrifício...)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Até cair para o lado

Não sei onde é que li isto mas sei que tinha a ver com "O Diabo veste Prada" , qualquer coisa como "na redacção de uma revista de moda, quando estiveres a um passo do divórcio, é sinal que vais ser promovida". Lembrei-me da frase quando fui escorraçada do escritório às 9 da noite, porque os boss's queriam fechar tudo, já estávamos nós (não sou a única, a A. está comigo neste barco chamado exploração) a um passo de pedir uma pizza. E ainda vim o caminho todo a pensar no que ficou por fazer, para além da folha de tarefas que me espera na segunda feira, rabiscada na TimeSystem, que mais parece uma lista de supermercado para o mês inteiro.
Os meus patrões adoram gente sem vida própria. Como eles.

Estes dias não estão fáceis...

Ao ler isto lembrei-me do dia em que saíram os resultados de acesso ao Ensino Superior. Foste tu que me acompanhaste à Cidade Universitária, e ficaste no passeio enquanto eu furava a multidão barulhenta para chegar à parede e procurar o meu nome. Foi a ti que disse em surdina, para não chamar a atenção do pessoal prontinho a praxar os caloiros "Entrei. Vamos embora", com uma lágrima a querer saltar dos olhos. Mas tu voltaste atrás, quiseste ver com os teus próprios olhos o nome da tua menina naquela lista infindável de esperanças e sonhos. E o sorriso de orgulho que te encheu a cara só foi comparável a outro que te vi, passados 4 anos, na cerimónia da Benção das Fitas.
(Não voltei a sonhar contigo, mas gosto de te imaginar a sorrir.
A olhar para nós - por nós - e a sorrir.
Estás bem, não estás?)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

A idade das grandes lendas

Ontem a Joana dizia-me que eu ía ficar com a idade de Jesus (ou, como ele diz, "a idade do Senhor") e eu lembrei-lhe que foi a idade com que morreram James Dean e Marilyn Monroe (depois fui googlar, James Dean morreu com 24 anos e Marilyn Monroe morreu com 36, não sei donde é que fui tirar esta ideia que já me lixou o título todo...).
Sobre isto não sei mais o que diga. A fase em que cada aniversário era aguardado com impaciência e nervoso miudinho já passou há muito. A fase de planear uma grande festa para ser o centro das atenções também. Agora é um dia vivido com um bocadinho de nostalgia. Pelo tanto que ainda não realizei. Pelo outro tanto que ainda não vivi.
(Há um ano atrás já estavas ligado à máquina. Já não me deste os parabéns. O L. ainda estava casado - mas já passavam a vida a discutir - a C. ainda não estava grávida, fomos jantar ao brasileiro às 10 da noite só para fingir que tínhamos algo para celebrar, só para não ser um dia como todos os outros (mais triste do que os outros). Desculpa, não queria pensar nisso hoje, mas é mais forte que eu...).
Hoje não é um dia triste. Tenho saúde, tenho um trabalho que me permite um rendimento estável que me proporciona uma vida boa com direito a alguns pequenos luxos. Tenho o amor de uma vida inteira na minha cama todas as noites (e quando não tenho, é porque não durmo em casa). Tenho uma família unida e preocupada uns com os outros. Tenho amigos divertidos com quem dá gosto ter uma conversa, e que me fazem sentir especial e acarinhada. Tenho mais livros do que aqueles que vou conseguir ler nos próximos anos (fora a lista dos que quero comprar). Tenho a mãe debaixo da minha asa (e feliz) e uma sobrinha que me enche o coração de ternura. Hoje não é um dia triste. É um dia de balanço, de olhar para trás para poder seguir em frente.
Um dia de gratidão.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Porque isto não pode ser só trabalho...





(Do Fado - A História de um Povo. Imagens tiradas da net, que os senhores disseram que não se podia tirar fotos, e eu fiquei sossegada, e completamente inebriada, hipnotizada por um espectáculo apaixonante, mesmo não sendo uma especial apreciadora de fado).

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Está decidido...

Para o ano vou pedir outro hotel (este aborrece-me...).



 


Rotina anual


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Matar saudades (III)

Passei a tarde com a sobrinha mais fofa, mais bonita, mais perfeita, mais doce que o meu irmão podería ter feito. Cheirei-a, beijei-a, mimei-a, vi-a esfregar a cara vezes seguidas na minha camisola, como que  a fazer um ninho onde finalmente pousou a bochecha no meu ombro e adormeceu, e assim ficámos, o meu nariz a roçar-lhe o cabelo ralo, a sua mão pequenina de dedos compridos a segurar com força os folhos da minha camisa.
Vi-a pela primeira vez a tomar banho, a fazer caretas, a erguer um sobrolho com ar de desconfiada (onde é que eu já vi isto?...), a fincar os pés no fundo da banheira para se sentir segura, a mudar subitamente de expressão assim que a mãe a virou de barriga para baixo, relaxada com a massagem nas costas e nas pernas cheias de preguinhas, versão mini do boneco da Michelin.
(Também a vi a chorar como gente grande, acabou-se os miados de gato, quando a fome aperta não há nada que a cale - mas sem deitar uma lágrima...).

O último cigarro do dia


sábado, 19 de fevereiro de 2011

Contradições

Ver o Tropa de Elite 2 e o Tangled no mesmo dia é como ter uma crise bipolar.

Mandy Moore and Zachary Levi
"I see the light" 


Ignorar o cansaço

Gautier Reyz
"I Wish"


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Esquecer que passei a semana inteira a chegar a casa a horas imorais

Depois do Natal reparei que fiz pregadeiras para toda a gente menos para mim. Peguei num pendente que a mãe me deu, e resolvi a questão.



Uma máquina fotográfica antiga que ele trouxe de casa do pai. Ando cheia de vontade de lhe meter um rolo e experimentar (mas ele não deixa... "ah e tal, quero limpá-la antes"...)



Uma conversa telefónica (de 1 hora e 2 minutos!!) com a Paula, que me conseguiu fazer chorar a rir com as desgraças dela (dormir com uma swiffer ao lado para poder dar com o cabo na colega que ressona, e estar rodeada por 400 pessoas feias é só uma amostra).
 
(O resto não precisa de legenda...).


terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Dia de cão

Isto de ter dois trabalhos está a dar cabo de mim.
Não sei se aguento 5 meses a este ritmo.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Dia dos fófinhos

O meu começou ontem. Manhã passada na cama, a ouvir a chuva a cair lá fora. A manter acesa uma chama antiga e nunca esquecida.
Continuou esta manhã, a rir alto no carro com a música do Vasco Palmeirim (está cada vez mais inspirado).


A comprar duas rosas vermelhas. Uma para pôr na mesa de cabeceira dele. Outra para oferecer à mãe (fi-lo por ti. Nunca te esquecias. Em 34 anos de casamento. Neste dia lá vinhas tu com uma rosa na mão. Mesmo que ela refilasse que não devias ter gasto dinheiro. Fi-lo por ti. Não me esqueci.). E uma caixa de donuts coloridos (melhor aspecto do que sabor, não chegam aos calcanhares dos da pastelaria do Pingo Doce)... 


A tarde o solitário estava na minha mesa de cabeceira. Com duas rosas.


O dia acabou no sofá, depois de um jantar caseiro, aninhados no calor um do outro e na calma da nossa casa.
(Pensando bem, não foi muito diferente de todos os outros dias...)

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Um fascínio qualquer

Não consigo dizer o que é ao certo, os adereços, o ambiente ou talvez a atitude...

Christina Aguilera
"Show Me How You Burlesque"
(Burlesque OST)


sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Isto está tudo interligado*

(como diría um "conhecido" meu...)

Ontem perguntaram-me se eu era romântica.
Hoje a Joana lembrou-me Caetano (raios, este é mesmo como o vinho do Porto, há 10 anos atrás não tinha metade da piada, agora esbanja charme por todos os poros...).


Caetano Veloso
"Sozinho" (Ao Vivo)



* Ou A resposta é sim... muito...

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Porque eu mereço

Franja (!!!!) e unhas cor de café com leite.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Saí eu da cama às 6 e meia da manhã para isto...

Estou para aqui farta de ouvir falar de proactividade, "temos de ser ambiciosos", "temos de...", mas a única coisa que eu vejo é um Grande Auditório cheio de pessoas (incluindo eu) que não estão a fazer ponta de corno, não estão a produzir absolutamente nada, não estão a contribuir para o PIB, estão sentadas (algumas a ler o jornal, outras a ver emails nos portáteis) a ouvir uns senhores que dizem "temos de...", mas não dizem como nem quando, que apresentam gráficos que mostram que são o máximo (nisso o nosso Primeiro é um mestre, quem o ouvisse sem conhecer Portugal era capaz de acreditar que somos um país em franco desenvolvimento, cheio de quadros altamente especializados e na vanguarda da investigação tecnológica) e que estão disponíveis com todas as facilidades para nos ajudar a expandir além fronteiras.
Ouço os discursos e lembro-me daquele quadro com as frases que não têm conteúdo. Juro que algumas das que já ouvi hoje foram tiradas de lá. Vazias e inúteis. Dá vontade de mandar esta gente toda (incluindo eu) ir trabalhar.

Ninguém merece

- Socorro! Estou a ouvir o Sóc.rates a discursar!
- Foge!!

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Sessão dupla

"- Eu não preciso de ti.
- Toda a gente precisa de alguém."

Love and other drugs é tudo o que se espera de uma comédia romântica para um domingo à tarde (eu sei que está sol lá fora, já parece Primavera, mas o meu sofá anda carente...). Dois excelentes actores (com dois corpos melhores ainda), uma história com conteúdo que aborda um tema sério e pouco divulgado, e um final que não mete uma ida ao aeroporto para o derradeiro reencontro.

Blue Valentine é um murro no estômago, daqueles que deixam mazelas, quando é que o amor acaba? porque é que aquilo que era adorável numa pessoa passa a ser motivo de repulsa? como é que se chega ao limite, ao ponto de não retorno? A história de tantas histórias, assustadora por ser cada vez mais comum, ainda mais assustadora por mostrar a fragilidade do amor, o tal sentimento que devia ser o mais forte, capaz de resistir a tudo.

Regina Spektor
"Fidelity"
(Love and Other Drugs OST)


Não ter medo

Eu não quero, eu evito, eu sorrio, eu procuro distracções, faço zapping pela net e dou de caras com isto, vamos lá rir um bocado, começa logo pelo Barney, o gene pré-histórico, a perpetuar a ideia de que "os homens são todos iguais", mas afinal até não, alguns continuam a confundir amor com sexo, mas a maioria sabe a distinção, já a sentiu, alguns bons conselhos, "não ter medo" repetido aqui e ali, "não ter medo do amor" até chegar a este senhor. E fui eu que fiquei com medo.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Ouvir e sentir (CLXI)

Hoje foi dia de mãe. De conversar muito. De lhe mostrar a cidade que agora é (também) dela. De vê-la feliz.


Tegan And Sara
"Call It Off"


sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Verdade universal

A única coisa boa que tirei do jantar organizado para juntar os ex-colegas de trabalho dele foi a oportunidade de ver as duas princesas que de pequenas têm cada vez menos, e andar de cócoras debaixo das mesas do restaurante a jogar às escondidas com a S., tão risonha, tão simpática, tão "mau-feitio" como a mãe quando começam a agarrá-la e abraçá-la.
E a conversa com a P. no motoclube, apesar de não ter gostado muito do que ouvi. Toda a gente tem problemas. É uma verdade universal. Esta noite ouvi um pouco de tudo, desde o marido que vive para o trabalho e nunca chega a horas do jantar (a queixa é a mesma desde que os conheci há 8 anos), à C. que queria perder "só" 15 kilos mas não tem cuidado com a alimentação nem faz nenhum exercício físico, até problemas de dinheiro e auto-estima, uns crónicos e outros recentes. Mas a P. é diferente, tem duas filhas, mata-se a trabalhar, está a meio do curso de enfermagem, é uma lutadora e falou em desistir. Não gostei de ouvir. Ela não merece.

Sofrer um desgosto

- Filha, vou ver o concerto do padre Borga!!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Não ter nada para dizer

Esta semana tenho feito jantar todas as noites (menos ontem, foi dia de passar a ferro, por isso comemos os restos que havia pelo frigorífico). Estou rendida à panela mágica, meto tudo lá para dentro, programo a hora a que quero jantar, e pronto. Sem sujar o fogão, sem esfregar panelas, sem ter de estar a espreitar de 5 em 5 minutos. É um descanso.
E isto vem a propósito de ele estar em casa. Todas as noites. Melhor, ele já está em casa quando eu chego do trabalho. Ou de casa da mãe, onde tenho ido todos os dias, só para ver se está tudo bem. Ela está delirante. Desempacota, limpa, arruma. Deita fora metade das coisas (pena não se ter lembrado disso ANTES da mudança, antes de termos carregado com aquilo tudo pelos três lanços de escadas, todos os tarecos que ela agora traz para baixo para o lixo!! Mas mais vale tarde do que nunca.) e vai organizando o espaço à sua maneira. Ontem levei-lhe dois candeeiros, um para substituir o que se partiu na mudança, o outro para a mesa de apoio ao sofá, ambos em cor creme, a condizer com a nova decoração, mais despojada, sem bibelots inúteis, só com grandes quadros a colorir as paredes brancas. Acho que ela está a renascer. Acredito que vai ser feliz aqui.
E ele está em casa porque acabaram as frequências. E ainda não começaram as aulas.  O que até dá jeito porque também não tem carta de condução para ir para as aulas. Durante 30 dias. Anda de autocarro e até nem refila muito. É uma novidade.
Já tinha saudades de tê-lo em casa. De vermos um filme juntos depois do jantar, enroscados no sofá. Um dia-a-dia normal. Simples e caloroso.
(A bebé da R. nasceu ontem. É linda, morena de olhos escuros e pele muito clara e lisa, como só os bebés que nascem de cesariana têm no primeiro dia de vida. Não consigo evitar a torrente de contradições que volta a brotar de um canto sombrio do coração, para onde foram empurradas a murro e pontapé em Dezembro, e onde têm de ficar durante mais algum tempo, amordaçadas, silenciadas. A vida continua. Eu continuo a vê-la passar).

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Afugentar o frio (II)

(Já chegava, não?)

Adele
"Rolling In The Deep"


Afugentar o frio

(Estou a ficar ligeiramente farta...)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Guilty pleasure

(Não sou capaz de ouvir isto quieta...)

Shakira e Dizzee Rascal
"Loca"