sexta-feira, 30 de setembro de 2011

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Ouvir e sentir (CLXVII)

Voltaram as noites silenciosas. A casa vazia. Do quarto do lado não ouço o som de mortos-vivos a serem aniquilados com tiros de shotgun. Os jogos foram substituídos por aulas de matemática. E álgebra.
Volto às rotinas solitárias. Ler blogs desde o início dos tempos e procurar músicas no Youtube (vidinha santa, é o que é...). Acabar de ler o Beber, Jogar, F*der (tenho-me rido pouco, tenho...) e esperar que o Wook me entregue em mão o Transa Atlântica e o Ladrão de Sombras (se a minha querida Joanissima diz que é bom, eu acredito de olhos fechados). Olhar de esguelha para os novelos branco, cor-de-rosa e amarelo espalhados em cima da mesa do canto, à espera que eu lhes pegue e os transforme numa manta de quadrados mimosa (está calor, ainda não me apetece...). Acender velas, vaguear pela casa de pés descalços ou engendrar a melhor forma de arranjar mais espaço para sapatos (hoje vi umas botas de cano alto tão lindas...).
E sonhar acordada. De olhos abertos e coração cheio.


Paul Buchanan
"She saw the world"
(Acoustic)


(Só custa os primeiros dias).

Dia 3 *

Clouds



* Ou Falta de imaginação, coitadinha...

Dar mais um passo


(Isto não é por nada. Gosto mesmo da imagem. Da voz. Da mensagem. De tudo, vá...)

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Embaraçá-lo

Mandar entregar um ramo de 18 rosas no local de trabalho dele. Sem cartão sem nada. 



(Sim, ele esqueceu-se da data. Não, não me chateei com isso. 
18 anos de vida não se constroem sem algumas cedências. 
Aceitar - sem amuar - que ele não liga a nada disto é uma delas...).

Ouvir e sentir (CLXVI)

(Inspira... expira... deixa-te ir...)

Sinead O'Connor
"Raglan Road"



Visto aqui.
(Foto dele).

Dia 2 *

 What I wore today



  
* Ou Isto não é tão fácil como parece

Um amor maior

O nosso amor está crescido. Atingiu a maioridade. Já pode tirar a carta de condução e apanhar bebedeiras. Foi um bebé doce e uma criança reguila mas ternurenta. Foi um adolescente calmo e responsável. Nunca deu dores de cabeça. Nem sustos grandes. Fez algumas birras. Mas não exigiu muito trabalho ou preocupação. Talvez porque foi sempre acarinhado e apreciado. Talvez porque sempre lhe mostrámos (mais por gestos que por palavras) o quanto era importante para nós. O quanto é importante para nós.

O nosso amor mudou ao longo dos anos. É natural que assim seja. E saudável. É feito de rotinas e carinhos irreflectidos. De silêncios simples e olhares cúmplices. De respeito mútuo e compreensão intuitiva. E de muitos sorrisos.
O nosso amor cresceu forte e sereno. Seguro de si. Soube ultrapassar as adversidades. Aprender com os erros. Fazer-se sentir nos melhores e piores momentos. Impregnado na nossa pele. Como uma tatuagem.
O nosso amor sabe que mudou a nossa vida. Que não a imaginamos sem ele. Podíamos até ter sido muito felizes, claro que sim. Teríamos feito escolhas diferentes, de certeza. 
Mas não acredito que tivéssemos encontrado uma comunhão tão perfeita de dois seres tão diferentes. 

(Mesmo que o futuro nos trocasse as voltas amanhã. Serás sempre o amor da minha vida).


Xutos e Pontapés

"Para sempre"


terça-feira, 27 de setembro de 2011

Dia 1 *

Self-portrait



 * Ou Sair do armário

Ouvir e sentir (CLXV)

Porque desde ontem à noite que os meus níveis de adrenalina andam elevados. Não é bem nervoso miudinho, não é excitação, não é efeitos retardados dos fumos de Amesterdão, nem ansiedade má. É outra coisa. É expectativa confiante. É abrir o coração e deixar voar o sonho. Porque se ele tiver de ser meu, vai voltar. E pousar na palma das minhas mãos abertas.

Phoenix
"Lisztomania"


(esta menina dá-me música... literalmente).

Alfinetadas

Isto é quase uma provocação.

Desmentido oficial

Dizem que é outono e coiso. É mentira.
A minha saia branca esvoaçante e as minhas sandálias confirmam.
E os 33º que estão lá fora também.

(Oh pra mim a bater palmas tipo foca amestrada!!)

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Ouvir e sentir (CLXIV)

(Italiano... sempre o italiano...)

Carmen Consoli
"L'eccezione


Visto aqui.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Entrar no ritmo

Tenho-me esquecido de mencionar as pequenas coisas. As que são realmente importantes e merecem ser mencionadas. Registadas. Que me fazem sorrir. Por um momento ou sempre que olho para elas.
Como os raminhos de flores secas e tecido, que a madrinha me enviou da Serra,




ou as almofadas lindas que pedi à mãe para fazer de um pano angolano (não em canso de idolatrar o meu sofá...),




a manta nova que comprei para as noites solitárias de Outono que se avizinham (já ando a encher o disco externo de filmes - última contagem: 44 - para ter com que me entreter quando as aulas dele recomeçarem),



e a galhofa pegada que torna o "solário" mais leve, e torna o trabalho tão mais fácil (colmatamos a falta de luz natural com a luminosidade dos risos).
Dizem que trabalhar só com mulheres é uma desgraça, elas passam a vida a ver se se enterram umas às outras. Confirmo. Já trabalhei num escritório com 25 cabras do piorio, que chegavam a apagar ficheiros dos computadores umas das outras, entre outros esquemas intrincados para alcançar um poder ou ambição que nunca percebi. Mas há excepções. Eu encontrei (e faço parte de) uma delas. É claro que há cusquices, mas ninguém lixa o trabalho de ninguém. Ninguém por aqui ataca outra gratuitamente. Ou maldosamente.
Um ambiente de trabalho assim não nasce de um dia para o outro. Vai-se construindo. Com apoio. Com compreensão. Pelas pessoas que são mais do que colegas. Com respeito pelo espaço de todas. E os silêncios de cada uma. Com amizade. Que se vai cimentando.
(Por mais que me queixe, desconfio que nunca vou conseguir encontrar outro ambiente de trabalho tão afável como este, onde me sinta tão bem e segura. E isso não tem preço).

A minha mãe é capaz de ter razão...

Volto à nova loja de decoração aqui da zona, onde vi há dois dias uma manta com um aspecto quentinho e macio, porque na altura fiquei indecisa sobre a cor: preto ou creme.
Já sei que quero a creme, que (por acaso, obviamente) é a única cor que já não está à vista. Peço ajuda a uma menina de sorriso simpático, que me informa que esgotaram, que vendeu a última ontem a uma rapariga que ía para a universidade. Mas que estavam à espera de mais e eu podia reservar. Deixei o meu nome e contacto, e já estava dentro do carro a meter a chave na ingnição quando o telemóvel toca:
- A senhora esteve agora mesmo aqui na loja... quando fui verificar o código do artigo, encontrei uma manta creme escondida no fundo da prateleira. Se quiser pode vir buscá-la.

(A minha mãe sempre disse que eu nasci com o cú virado para a lua...).

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Ouvir e sentir (CLXIII)

Porque já só se fala de outono, mas eu ainda estou em verão-mood.

Maria Gadu
"Shimbalaiê"


terça-feira, 20 de setembro de 2011

E parares quieta, não?!



(Não consigo...)

Alicerçar

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor."

Carta de Abraham Lincoln ao professor do seu filho, 1830


(Mesmo que  os dados históricos não sejam verdadeiros, a mensagem é tocante... estes são os valores que fazem um ser humano pleno). 

sábado, 17 de setembro de 2011

Ouvir e sentir (CLXII)*

Florence & The Machine
"Drumming Song (Live)


* Ou Uma grande caminhada começa com o primeiro passo

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Ouvir e sentir (CLXI)

O último dia de férias foi passado entre a cabeleireira, a esteticista e a casa da mãe.
A mimar-me. E a mimá-la a ela.


Aerosmith
"Dream On"


quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pelos olhos dele









Em Amesterdão (V)

É o dia de regresso, já não dá para visitar nada de especial, mas o P. sugeriu um passeio de bicicleta pelo bosque atrás da casa. Por isso levantamo-nos cedo para nos despedirmos dele e dos pequenos, tomamos o pequeno-almoço com a C. , como temos feito nestes dias, e tiramos as duas bicicletas da família para a rua, mais uma pedida emprestada à vizinha holandesa.
E é nessa altura que eu começo a ver a minha vida a andar para trás. É que não faço isto há anos, e olhar para a bicicleta de montanha que me puseram nas mãos deu-me suores frios. Eu só imaginava que ía estragar a viagem toda, porque de certeza que me ía espatifar contra um carro ou cair e partir uma perna, no mínimo.
Felizmente, o pior que aconteceu foi tentar começar a andar com o guiador ao contrário (realmente reparei que não era normal os meus joelhos baterem nas manetes, mas...) e ser insultada por uma holandesa porque não conseguia manter a bicicleta a direito. Fora isso, e o facto de ter feito o percurso todo a xingá-lo "não venhas ao meu lado, sai daqui, estás a desconcentrar-me!!", o passeio correu lindamente.
O parque é belíssimo, sossegado e muito cuidado, e nesta altura do ano é de um verde luxuriante, e a C. ainda nos levou a uma mini-quinta onde as crianças (e os adultos) podem interagir com os animais (quando digo interagir, é entrar nos currais e andar no meio das galinhas, fazer festas aos leitões, ou dar biberãos de leite às cabras).
A meio da manhã despedimo-nos da C. à entrada do aeroporto, com um agradecimento sentido que acho que nunca será suficiente pela paciência e disponibilidade que tiveram connosco nestes dias. Estas férias não teríam tido a mesma piada e significado sem a simpatia e os conselhos que nos deram.

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Em Amesterdão (IV)

Vamos finalmente de comboio por paisagens de sonho,









até Enkhuizen, uma pequena vila a uma hora de distância de Amesterdão, que para além do porto atulhado de veleiros,








tem um Museum Park, uma aldeia reconstruída que contém uma colecção de casas, objectos e ofícios recuperados da região, e que retrata a forma de vida dos habitantes desde 1850 até ao início dos anos 30, com as habitações, as lojas, a igreja e a escola, todas elas com a decoração original e com artesãos que trabalham ali, usando as técnicas e materiais originais.











É um regresso ao passado e uma aula viva de história, onde se pode fazer cordas, comer arenque fumado e queijos, comprar ópio na farmácia, aprender a fazer nós de marinheiro, levar as crianças a assistir a uma aula "à moda antiga" e com sorte ser convidado para almoçar uma refeição totalmente confeccionada com produtos da horta e água do poço (não fizémos nenhuma destas coisas, mas a C. diz que é o habitual quando lá vai com os miúdos...excepto a parte de comprar ópio, claro).












Nós passeámos o dia todo, a entrar e a sair de casas alheias e a imaginar as vidas que as habitaram,











 
e só regressámos ao final da tarde para um jantar tipicamente holandês preparado pela C. (mas antes, uma breve paragem no centro para uma caixa de noodles): Erwtensoep, (sopa de ervilhas com carne) e almôndegas gigantes acompanhadas de stamppot (uma espécie de puré de batatas com verdura), puré de maçã e couve roxa em conserva. Ainda chego a tempo de ajudar a S. a moldar as almôndegas, entre risota e teorias sobre os pensamentos dos bebés, e a noite é passada entre uma ida rápida ao supermercado (ele ficou fascinado com o sistemas de pistolas de leitura e conversa calma (já anotei mais um sítio bom para uma escapadinha de fim de semana).
E a frase do dia foi do G., que disse (com toda a convicção) "Se não ouvires o teu coração, a tua vida deixa de fazer sentido" (não me consigo lembrar das palavras exactas, mas o espírito foi este, e ouvir um puto de 10 anos dizer isto foi lindo e mostra o coração de ouro que eles têm).