domingo, 22 de dezembro de 2013

Sem palavras

(Não vi, mas o L. contou-me isto com ar de espanto e de " estamos feitos ao bife, é o que é...")

Peter Pan agarra no telemóvel do pai e começa a mexer no ecrã, o L. pede-lhe o telemóvel de volta "filho, dá ao pai", o pequeno buda vai ao cesto dos brinquedos, começa a tirar coisas para fora, atira várias para o chão até encontrar o que quer. Pega no telemóvel de brincar e estica o braço para o entregar ao pai, com o seu melhor sorriso na cara... sacana...

sábado, 21 de dezembro de 2013

Momento (CCXXXIX)

45 minutos na piscina com Peter Pan, só ensombrados pelo ataque de choro quando viu o pai a tirar fotos e quis sair da piscina para ir abraçá-lo (deve ter pensado "que raio, mas és tu que costumas estar aqui dentro comigo..."

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Da minha janela...


(valeu-me a foto da R. porque a maldita Sony está outra vez a arranjar...)

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

O melhor do meu dia... todos os dias

Peter Pan acorda às seis e meia da manhã (é raro, mas de vez em quando lá calha...), o L. vai buscá-lo para a nossa cama para tentar que durma mais um pouco, mas assim que se vê no meio de nós, o estafermo só quer palhaçada, já não se cala um minuto, enfia-nos os dedos dentro da boca ou dos olhos, belisca-me e puxa-me os cabelos, atira-se para cima de nós e dá-nos pézadas, ou calcula mal as distâncias e acaba com a cabeça na parede.
E no final do dia, quando conversamos sobre o estado de exaustão permanente em que nos sentimos, quando nos queixamos que estamos de rastos e perguntamos um ao outro "achavas que ía ser assim?", a nossa cara abre-se num sorriso que cura tudo e os olhos brilham quase tanto como as luzes brancas da árvores de natal, porque chegamos à conclusão que basta um sorriso do nosso filho, uma careta, um mimo pedido, para esquecermos tudo, ou para dizermos que tudo vale a pena, cada minuto (hora...) de sono perdido, cada bocado de comida apanhado do chão, cada brinquedo arrumado pela quinta vez seguida.

(Vir para aqui dizer todos os dias que o melhor do meu dia é o meu filho, todo ele, o seu cheiro, o seu riso, as suas "conversas", a cabeça dele encostada ao meu ombro a pedir festas, cada pequena conquista, cada nova gracinha.... é capaz de se tornar um bocado repetitivo...)

domingo, 15 de dezembro de 2013

Ouvir e sentir (CLXXXV)

Lindsey Stirling and Pentatonix
"Radioactive"
(Imagine Dragons Cover)


video



sábado, 14 de dezembro de 2013

Momento (CCXXXVIII)

O cozido à portuguesa que foi o almoço de casamento, o mais descontraído e simples a que alguma vez fui.

Trocar as voltas

Peter Pan lembra-se de dar uma cabeçada numa cadeira. A pálpebra começa a inchar e a ficar negra. Uma hora antes do casamento. Da madrinha dele. Onde foi o menino das alianças.
(As fotos ficaram um mimo...)

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Momento (CCXXXVII)

Passar a manhã a comprar prendas de Natal na companhia de Peter Pan, que aguentou estoicamente e bem-disposto todos os tempos de espera de embrulhar livros, muito livros, e garrafas de vinho e caixas de bolachas e de chocolates.

(Só me falta comprar os dois presentes para os homens da minha vida....)

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Peter Pan é o novo Hulk

Vamos a Leiria para o último exame da saga Infecção Urinária, uma cintilografia para verificar se não há nenhuma lesão ou cicatriz nos rins que tenha originado ou sido originada pela maldita infecção. A ideia de injectarem radiação gama nas veias do nosso filho deixou-nos de sobrolho franzido, mas a médica descansou-nos (ou pelo menos tentou) garantindo que a concentração é extremamente baixa, tanto que para obter uma única imagem são necessários cinco minutos, enquanto que num raio-x, por exemplo, a imagem é obtida em menos de um segundo. Depois da injecção e do choro sentido de Peter Pan, mais de raiva por lhe estarem a agarrar o braço do que de dor, tínhamoso duas horas e meia para queimar até ser possível fazer as imagens. Fomos passear para o centro da cidade, sentar numa esplanada a apanhar o sol maravilhoso que nos fez esquecer o frio cortante da manhã,




vaguear pelas ruas empedradas e ver montras decoradas com o melhor espírito natalício, replicado pelos altifalantes em músicas de Natal do século passado,






descobrir a Funmácia (tive de ir à net à procura de imagens)que conceito giro, que ideia tão porreira para presentes,



deixar Peter Pan agarrar quantas folhas secas conseguisse e molhar a mão no repuxo de água da fonte,




e almoçar um cozido à portuguesa num verdadeiro restaurante português, daqueles que não precisam de apregoar que são típicos, porque já ali estão há décadas, onde as cozinheiras vêm espreitar à sala para ver o bebé para quem foi pedida a sopa passada, e a mousse de chocolate tem o melhor aspecto do mundo.

Depois foi só regressar à Unidade de Medicina Nuclear (só o nome assusta...), deitar Peter Pan numa máquina de TAC (ou algo parecido), distraí-lo e dar-lhe as mãos sem o apertar (sentir-se preso só ía irritá-lo mais, e aí é que ninguém o segurava) para que se mantivesse quieto durante 15 minutos. Nós fizémos festas e palhaçadas, a médica cantou para ele, a televisão mostrava episódios do Noddy de enfiada (a que ele não ligou nenhuma, benzódeus...), mas mesmo assim foi necessário recomeçar três vezes, até obter as três imagens que nos deram a paz de espírito final: Peter Pan não ficou com nenhuma mazela, nem tem nenhuma malformação de nascença nos rins, como se chegou a suspeitar.
(Isto sim, foi o melhor do meu dia. Este alívio e esta leveza no coração.)


(Agora é esperar que ele não fique verde durante a noite...)

domingo, 1 de dezembro de 2013

Momento (CCXXXVI)

Passar o final da tarde sentada no pufe da sala, a ler um livro, com Peter Pan a brincar a meus pés, a parar de vez em quando só para vir atirar-se para os meus braços à espera de cócegas e beijos no pescoço, antes de voltar para os seus legos (mimo, tanto mimo, sempre mimo...).

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Pronto, já começou...

Ontem reparei que Peter Pan pegava em pequenos objectos que ía apanhando a jeito (o meu marcador de livros, um saco de tecido...) e ía enfiá-los na sua mini-mochila, tão arrumadinho o meu rico filho....
Hoje recebo uma chamada da ama, pouco depois de o deixar lá "mãe, dentro da mochila vinham umas chaves, não sei  se são precisas..."
(E eu desmancho-me a rir a lembrar-me do L. logo de manhã a procurar as chaves de casa em toda a parte...).

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Momento (CCXXXV)

A sensação de superação depois de um dia alucinante (eu realmente tinha pedido mais, mas seis contentores no mesmo dia... what we're we thinking?!...)

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Momento (CCXXXIV)

Deixar Peter Pan enfiar o dedo dentro do pote da fruta só para vê-lo a lamber o dedo com um deleite de encher o coração.

(Ver o meu filho comer - desde bolachas de cereais a couves com feijões - é o sonho de qualquer avó babada...)

terça-feira, 19 de novembro de 2013

Momento (CCXXXIII)

Assistir à vitória de Portugal (os portugueses - eu incluída - já têm com que se entreter no próximo ano, pelo menos para não estarem sempre a pensar na crise...) enquanto nos mordíamos para não desatar aos gritos porque Peter Pan já dormia (mas o facto de o nosso vizinho de cima começar a gritar "golo", quando na nossa televisão o CR7 ainda corria feito doido no meio campo, tirou um bocado da piada do jogo...) e o jantar que se seguiu, com a nossa Paula a destilar aquele ar meloso tão característico dos apaixonados de fresco (e ao vê-la assim tão feliz lembrei-me de uma frase da Catarina que faz todo o sentido. Neste caso como em tantos outros: "a vida resolve-se sozinha"...) .

domingo, 17 de novembro de 2013

Momentos (CCXXXII)

O meu sogro vem fazer uma visita (ao neto, obviamente...) e traz sacos com cebolas, limões, chuchus, espinafres, javali e ainda um garrafão de azeite bom.
Peter Pan gosta de audiência e mostra-se mais palhacito do que o habitual, faz as gracinhas todas e larga num discurso enfático e sentido, mas que só ele percebe.
E perante o olhar maravilhado e babado da família, dá os primeiros passos sozinho.

Momento (CCXXXI)

Desde que voltei ao trabalho acordámos que, ao fim de semana, cada um passa uma manhã com Peter Pan, enquanto o outro faz o que quiser: dormir, ir às compras, beber um café com amigos, whatever... Hoje, depois de o L. se levantar às sete e meia da manhã para ir tratar de Sua Magestade, o Lorde Madrugador, eu aninhei-me nos lençóis quentes e voltei a adormecer... até às onze horas.
(No que toca a gostar de dormir, o meu filho tem bem a quem sair...) 

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Momento (CCXXX)

Sentados no tapete da sala, encostados um ao outro, naqueles minutos de descompressão no final de um dia de trabalho cheio de adrenalina (venham mais contentores, venham mais inspecções, venha toda a documentação que é preciso ver e rever vezes sem conta, porque quando vejo o último carro a sair do cais, sinto-me como os tipos do Ocean's Eleven a olhar para a fonte em Las Vegas - só que sem os 11 milhões de dólares...) a ver o nosso filho adorado descobrir que os carrinhos rolam no chão.

(E este deslumbramento não tem fim...)

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Momentos (CCXXIX)

Almoçar com o meu irmão e poder abraçá-lo.
Ir assitir à aula de natação de Peter Pan e vê-lo bracejar dentro de água cada vez mais à vontade (mesmo que ainda me falte o ar de cada vez que ele mergulha...)

Ouvir e sentir (CLXXXIV)

James Blunt 
"Bonfire Heart"

video



quarta-feira, 13 de novembro de 2013

Momento (CCXXVIII)

Luxo não é só morar a dez minutos do local de trabalho.
Luxo também é ter esta vista do pôr do sol, da janela encostada à minha secretária, todos os dias...




Queimar neurónios (II)

Ainda sobre sábado, outro desafio que foi lançado foi enumerarmos os nossos "Segredos da vida adulta", os seja, aquilo que aprendemos ao longo dos anos, e que ninguém nos explica quando somos crianças ou adolescentes (ou então explicam, nós é que ainda não temos maturidade suficiente para compreender e aceitar...). E aqui confesso que bloqueei um bocado, mais até do que nos 11 Mandamentos, afinal o que é que a vida me ensinou? Vale a pena dizer que me ensinou a não desistir dos meus sonhos? Ou que um dos maiores clichés de todos os tempos é mesmo verdade, e tudo acontece por uma razão? (esta é talvez a minha maior verdade, na qual acredito piamente). Que saber esperar é mesmo uma virtude (mas diferente de baixar os braços e desistir), e que as maiores conquistas, aquelas que dão significado à existência, não caem no colo de mão beijada, implicam esforço, persistência e esperança, pois só assim é possível dar-lhes o real valor? Não queria ir por aí, por isso fiquei-me por meia dúzia de constatações que são verdades para mim, e quando me lembrar de mais algumas vou acrescentando...

-  Nem toda a gente gosta de nós, e não faz mal que assim seja
- O amor é o que fica quando a paixão se vai
- Passamos a ser adultos quando começamos a preocupar-nos e a cuidar dos nossos avós
- É preferível ter menos roupa, mas de boa qualidade
- A felicidade não é um estado permanente, são momentos
- Aprender a coser baínhas poupa imenso dinheiro
- Cuidar dos dentes poupa imensas dores

(Assim de repente não me lembro de mais nenhum...)

terça-feira, 12 de novembro de 2013

Momento (CCXXVII)

Aquele período desde que chegamos a casa até ser altura do banho de Peter Pan. Durante essa hora o nosso tempo e atenção pertencem-lhe. De pé a segurar-lhe a mão enquanto ele corre desajeitadamente pela casa toda. Sentados no tapete da sala a brincar com os lego ou a desfolhar páginas de livros. Deitados no chão enquanto ele trepa pelos nossos braços acima e tenta fazer-nos cócegas no pescoço e na barriga (e nós rimos muito e fingimos que sim, e ele fica tão feliz...).

Queimar neurónios

No sábado a Magda lançou-nos o desafio de escrever os nossos 11 Mandamentos, aqueles que definem quem somos e que regem a nossa vida. Não é tão fácil como parece, aliás, é muito difícil, porque nos obriga a olhar para dentro e a encarar a pessoa em que nos tornámos. Comecei por me tentar lembrar das coisas que faço sempre, sem pensar, porque são naturais e me definem... e cheguei a estas belas conclusões:

- Todos os dias dar graças por todas as bençãos que tenho
- Mostrar o meu amor pelo meu marido e pelo meu filho, por palavras e acções
- Não falar de doenças, falta de dinheiro ou qualquer outro assunto que não quero atrair para a minha vida
- Não sair de casa sem aplicar corrector de olheiras e blush
- Tornar a nossa casa um ninho confortável e pacífico, para onde nos apeteça sempre voltar ao final do dia
- Acordar mais cedo todas as manhãs para tratar de mim, antes de levantar e preparar o meu filho para sairmos de casa
- Levar sempre uma lista de compras para o supermercado
- Não aceitar convites para eventos sociais ou "de amigos" se não me apetecer verdadeiramente ir (não fazer fretes)
- Falar menos e ouvir mais
- Beber pelo menos 1,5 litros de água por dia
- Tratar sempre os outros como quero que me tratem a mim

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Embalar(-me) (V)

Josè James & Emily King 
"Come to my door"

video

(visto aqui)

Momento (CCXXVI)

Vinte minutos de silêncio na casa vazia e sossegada, só na companhia do balão-panda que anda aqui a boiar no céu da sala, enquanto espero que os homens da minha vida cheguem da piscina.


Exactamente isto...

Sobre o workshop, não consigo dizê-lo melhor que o que já foi escrito. É que senti exatamente o mesmo.

(...)

(...)
Falámos muito no workshop sobre a nossa cultura judaico-cristã, que está tão enraizada em nós e é responsável por muitos dos nossos comportamentos que se focam no negativo. Eu nunca tinha pensado nisto, mas é mesmo verdade! Quando nos perguntam como estamos, parece mal responder "Estou óptima! A minha vida corre super bem, os meus filhos são fantásticos e somos muito felizes!". Invariavelmente, damos respostas mais negativas, mesmo que não correspondam à verdade: "Vai-se andando... Está tudo na mesma... É a vida...". A Magda até contou exemplos que se passaram com ela e serviu, de facto, para abrir os nossos olhos - às vezes falamos de forma tão negativa e sem motivos para tal! É cultural, é certo, mas se andarmos mais atentos (mais presentes no momento, como nos ensinam as filosofias orientais) conseguimos alterar esses padrões de negatividade que estão cá tão enraizados - e deixamos de ter medo ou vergonha de dizer que sim, somos felizes!




(..)

domingo, 10 de novembro de 2013

Momentos (CCXXV)

A alegria quase infantil da minha mãe a ver o neto brincar.
A sesta de três horas que Peter Pan me permitiu fazer esta tarde, depois de uma noite difícil (são raras, mas quando acontecem...).

sábado, 9 de novembro de 2013

Momentos (CCXXIV)

"Voar" até Lisboa para o workshop "A Arte e a Ciência de educar crianças felizes", adorar cada minuto, perceber que estou no caminho certo, recolher muitas dicas práticas que me vão dar imenso jeito num futuro próximo, ouvir histórias de outros pais e ter um almoço simpático e animado com uma sósia da Julianne Moore.
(A frase mais importante que retive foi "Coloque a sua máscara de oxigénio primeiro". Pais felizes criam filhos mais felizes, seguros e auto-confiantes. Esta é a base. Cuidar de mim para poder cuidar melhor dele).


sexta-feira, 8 de novembro de 2013

Incentivo

Só agora me apercebi que passei a semana toda sem ligar sequer o portátil em casa. Vejo os emails pessoais durante o dia, o FB fica esquecido no fundo do armário, o Reader acumula pó(sts) a olhos vistos. Sinceramente não me tem feito falta nenhuma. Voltei a ler. Livros de papel, grandes e gordos e cheios de letras, páginas e páginas seguidas de enfiada, ficar acordada até depois da meia noite, mesmo sabendo que tenho de ir trabalhar no dia seguinte, só porque quero chegar ao fim do capítulo (já estou a revirar os olhos a imaginar a Paula, vai ler isto e ligar-me a dizer "eu bem te disse!!!!").

Mas sinto falta de escrever aqui. De contar o que aconteceu no meu dia, o que quero recordar mais tarde e voltar a ler nos dias cinzentos, para me lembrar que a vida é mesmo boa, que há beleza em todos os dias, basta olhar com atenção. De registar os momentos que fazem de cada dia algo de especial, uma benção que merece ser vivida. Sem repetir até a exaustão esta adoração tatuada na pele e na alma pelo anjo de caracóis louros e olhos azul-céu que completa a minha existência e enche os meus dias do mais puro amor.

Assim vou abraçar o desafio da Catarina, e juro que vou tentar não falhar: escolher todos os dias o melhor do meu dia, exercício de reflexão e gratidão a que vou continuar a chamar momentos.




Embalar(-me) (IV) *

John Legend & Lindsey Stirling 
"All of Me"


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* Ou como disse o Pedro Ribeiro na rádio "um tratado de 3 minutos sobre o amor"

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O que me tenho esquecido de registar

Peter Pan começou a gatinhar com quase um ano e três meses, para minha alegria imensa, que o via a esfregar a barriga pelo mosaico enquanto rastejava pela casa ao melhor estilo ranger, e morria de pena de não o ver a gatinhar, a bater com as mãos papudas no chão e a abanar a fralda como uma lagartixa gorducha.

Fiz um gorro para o meu pequeno buda, que já não está tão pequeno assim porque o gorro ficou apertado. A primeira reação foi cortá-lo às tiras só por vingança e despeito (o gorro, claro...). Guardeio-o no fundo do cesto das lãs, ainda a decidir se vale a pena desmanchá-lo e fazer tudo de novo.

A semana passada houve uma noite em que Peter Pan não sossegava por nada. Choramingava, íamos por-lhe a chucha e ainda era pior porque depois de nos sentir por perto não queria ficar sozinho. E largava num berreiro assim que saíamos do quarto. Perto da uma da manhã tomámos a decisão crítica: pela primeira vez, trouxémos o nosso bebé para dormir connosco uma noite inteira. Ele acalmou, claro, e dormiu como um anjo, um anjo irrequieto com um dedo sempre enfiado na nossa boca, a escarafunchar-nos as gengivas e os dentes como é o hábito dele para adormecer. Nós não descansámos nada de jeito, e pensámos que tínhamos aberto a caixa de Pandora, e que na noite seguinte íamos ter sinfonia de meia noite para voltar a conseguir deitá-lo no quarto dele, sozinho (nada, nicles, rien de rien.... foi como se não tivesse acontecido, adormeceu na cama dele sem um ai... mesmo os anjos têm noites más em que não querem estar sozinhos...).

Esta manhã o L. chamou-me "vê lá como ele está a dormir..." para eu apreciar deliciada o nosso texugo de bruços, joelhos encostados à barriga e cu espetado no ar, tal e qual como eu dormia com a idade dele.

Quando o pai ralha com ele ou lhe franze o sobrolho porque está prestes a fazer asneira, Peter Pan estende as mãos e com os dedos faz o gesto típico de fazer cócegas, enquanto o brinda com o seu melhor sorriso rasgado e olhos semicerrados, capaz de desarmar uma pedra da calçada. O pai desmancha-se a rir, porque realmente não se aguenta aquele ar maroto de quem sabe que se está a safar em grande estilo.

(Podia vir aqui escrever todos os dias que o melhor do meu dia é o meu filho. O seu sorriso. Os olhos inchados de sono a piscar enquanto aponta para o avião de madeira pendurado no tecto do quarto, assim que acorda de manhã. O cheiro dele quando aninha a cabeça no meu colo e pede a chucha. Os gemidos de satisfação que faz enquanto come. Mas acho que era capaz de se tornar repetitivo...)

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Momento (CCXXIII)

A meio de uma tarde agitada, de imensa pressão, de despachar serviço como se o mundo fosse acabar... uma colega manda-me isto para o email...


(que coisa mais amorosa...)

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Ouvir e sentir (CLXXXIII)

Porque hoje preciso de música que me dê ganas de agarrar este dia cinzento e fazer dele um raio de sol...

Imagine Dragons
"Demons"


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sábado, 19 de outubro de 2013

Arrancado a ferros

Este foi o projecto mais penoso e mais odioso e mais frustrante que algum dia tive a triste ideia de fazer. Há dois ou três anos atrás recebi um presente de uns empresários moçambicanos, um pano típico (acho que se chama capelana), e desde então que estava esquecido no fundo de um armário, porque não sabia o que fazer com ele: demasiado grosso para roupa, demasiado áspero para almofadas, mas com umas cores vibrantes que eu queria mostrar mas não sabia como.
Quando comprei a máquina de costura, meti na cabeça que havia de fazer daquilo uma manta para o sofá da sala, as cores combinavam com as almofadas, só tinha de comprar o dracalon e mais tecido para o avesso e para fazer uma barra. Pesquisei na net como se fazia um quilt, só para ter uma ideia, não encontrei nada a ensinar como fazer uma barra com dois lados de tecidos diferentes, e inventei. Tudo a olho, sem tirar medidas, sem alinhavar. E correu tudo bem. Até à parte em que tive de meter o tecido na máquina para coser aquilo tudo. Aí voltou o meu inferno. Definitivamente, eu e as máquinas... não funciona. Passei noites inteiras a tentar costurar, estive para desistir não sei quantas vezes, e acho que só consegui acabar por teimosia e orgulho de não ser vencida por aquela p#"$ demoníaca.




(Acabei sim, mas jurei a pés juntos que não me meto noutra...)

Momento (CCXXII)

Queques de meloa...



... e uma manta nova.


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Captar a alma

Recebemos hoje as fotos da sessão fotográfica que o L. nos ofereceuSem filtros, sem adereços, sem grandes produções. Simples como nós. A nossa essência enquanto pessoas. Enquanto família.




quarta-feira, 16 de outubro de 2013

terça-feira, 15 de outubro de 2013

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

O melhor do Grey (I)

Léo Delibes
"The Flower Duet" 
(Lakmé)

video

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Que ideia tão gira

Vi isto num folheto e lembrei-me logo de Peter Pan. De uma parede do quarto dele forrada, onde pudesse gatafunhar à vontade (problema, se o habituarmos a pintar uma parede, ele depois não se vai contentar, e acabamos a viver numa galeria de arte abstracta impressionista). De etiquetas para as caixas da despensa. Ou da porta do frigorífico forrada onde pudessemos escrever recados um ao outro.



(Peter Pan achou graça mas estranhou estar a riscar o lado preto. Para ele folhas de papel são brancas, por isso toca de virar aquela ao contrário, e começar a riscar o verso. Isto antes de tentar comer o giz, claro...)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Momento (CCXXI)

Receber um saco gigante, prático e com pinta, onde cabe tudo bem arrumado ou posso esconder a desarrumação do carro.


domingo, 6 de outubro de 2013

Momento (CCXX)

Abdicámos dos frutos secos mas trouxémos para casa uma caixa cheia de broas. De mel, de erva-doce, de café, de mel com canela e de chocolate com café. Tão doces que se pegam aos dedos. Tão frescas que se desfazem na boca. 

(A única vantagem do Outono é voltar a comer broas e a beber chá quente).

Momento (CCXIX)

Perdemos o teatro de marionetas mas brincamos ao sol no parque infantil. Peter Pan enfia as mãos na boca quando está muito satisfeito. Faz isto desde sempre, entre gargalhadas deliciosas quando lhe fazemos cócegas, enquanto encosta a cabeça no nosso ombro quando o estrafegamos com mimo, quando empurramos o baloiço e ele fecha os olhos para sentir a aragem na cara. 
Hoje, a fazer força com as pernas para descer o escorrega, e a franzir os olhos ao sentir o corpo a cair, todo ele era mãos enfiadas na boca, louco de alegria.

(Muitas vezes fico a olhar para ele atentamente, à procura de um olhar, um gesto, um sinal de que é feliz. 
E hoje, como tantas outras vezes, suspiro de alívio e sorrio comovida... porque acredito que sim...)

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Momentos (CCXVIII)

Aproveitar a hora de almoço para ir dar força a uma amiga que está agora a aventurar-se num negócio, e que aproveitou a Semana Veget.ariana para oferecer degustações de petiscos, hoje mini tartes de cebola com caril (maravilhosas), amanhã favas com choriço (que não é de carne), ouvir um senhor a dizer "pois, isto é bom mas é assim para gente jovem e administrativa, não é para nós que somos do campo e gostamos é de favas aporcalhadas...", rir com ela e conversar apressadamente, tanto para contar, tão pouco tempo (eu queixo-me da falta de tempo, e só tenho um filho... ela tem três...), insistir para que comece a aceitar encomendas de comida já pronta, para eu me tornar cliente habitual, despedir-me a correr e prometer voltar, como voltamos sempre a quem nos faz sentir em casa.
Encontrar finalmente, numa loja de chineses,  a mochila pequena que andava à procura para Peter Pan.
Sonhar que hoje é que é, que me vou deitar cedo para repôr as horas de sono em falta dos últimos dias (deve ser verdade, deve...)

(Acho que aos poucos o meu cérebro está a voltar ao normal... já consigo escrever um post assim de rajada, em poucos minutos... pode ser que ainda haja esperança...).

quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Estou em extâse

Acabei de receber o primeiro album de fotografias de Peter Pan.
Andei quase dois meses de volta do programa da Hofmann, comecei com 58 páginas e mais de 200 fotos, acabei com 42 páginas, e uma selecção dos momentos mais marcantes do primeiro ano de vida do nosso filho. Escolhi, mexi e remexi, aumentei e diminuí tamanhos, experimentei molduras e bonecadas e fundos coloridos e tudo o que o programa deixava inventar. Queria que fosse perfeito, um album de recordações de que ele se vá orgulhar daqui a vinte ou trinta anos, que lhe arranque sorrisos quando olhar para o tamanho minúsculo que tinha, o primeiro banho, o ar de anjo imaculado enquanto dormia, a primeira ida à praia, as caretas, a língua de fora, o ar de sacana que já se notava nos primeiros meses, o colo, tanto colo que tinha de toda a família. 
Encomendei o album no domingo à noite (já muito noite) e contava só recebê-lo na próxima semana (cinco dias úteis de produção mais o tempo de expedição, mais coisa menos coisa). O telefone toca e dizem-me "tens aqui uma encomenda na recepção", desconfio, desço as escadas a correr e lá estava a caixa de cartão, que abri numa ânsia de ver se correspondia às expectativas que tinha. 
Estou deliciada. Já mostrei o album a todas as almas aqui do escritório. Já enviei um sms ao L. a fazer pirraça. 
É lindo. Simplesmente lindo. As páginas estão exactamente como as tinha gravado, os acabamentos são perfeitos, as cores são vivas e a definição é fantástica, mesmo nalgumas fotos de baixa resolução (a nossa primeira noite juntos, ainda no hospital, na imagem que enviei por mms para o pai, não podia faltar...).


  


(Não me canso de olhar... para o album... para ele...)

domingo, 29 de setembro de 2013

Votar

"Porque o meu pai e a minha mãe viveram num tempo em que participar nas decisões não era uma opção. E eu aprendi que é isso que distingue uma democracia de outros regimes que não desejamos: poder votar. Poder escolher".

É por isto, exactamente por isto, que saí de casa já passava das seis da tarde, debaixo de chuva intensa, para poder exercer o meu direito de escolher, neste caso não o candidato que queria, mas sim o candidato que não queria de maneira nenhuma. 

O meu mísero voto vai fazer a diferença? Quero acreditar que sim. Pelo menos fiz a minha escolha. Já posso criticar à vontade.

(E agora que as eleições acabaram, vamos rir-nos do quê?)

Deve ser sina...

Não há fim de semana nenhum (a bem dizer, não há dia nenhum...) em que Peter Pan não acorde antes das 8 da manhã. Nem uma abébia de meia hora, nada.
Hoje, com a Paula... dormiu até às 9 sem um pio...

(vais recambiado para casa da tia, ai vais vais...)

Mimar(-nos) (III)

Pequeno-almoço de hotel e piscina do SPA. Experimentar o jacuzzi, o duche tropical, o blue mist e o duche escocês. Deitar-me na espreguiçadeira aquecida e fechar os olhos enquanto ele se perde na sauna. "Quando nos sair o euromilhões mandamos construir uma piscina assim na nossa casa nova". Sorrir com a ideia. Sentir a cabeça leve e vazia. E respirar fundo.

sábado, 28 de setembro de 2013

Mimar(-nos) II

Saímos do quarto e na recepção perguntamos onde podemos encontrar comida que faz mal, mesmo mal. Aconselham-nos a Taberna Bocatin. Meio bar, meio restaurante, aberto até às duas da manhã e onde se pode fumar. Tapas e petiscos. Imperiais e muita conversa. Sem horários, sem preocupações (com a certeza de que Peter Pan estava a dormir como um anjo, ao cuidado atento da tia Paula). Só os dois.


Há tanto tempo que não fazíamos isto...

(e depois sou eu...)

Entramos no quarto (fantástico, exactamente como está publicitado) e enquanto eu dou uma volta pelo espaço, ele verifica se a rede wireless é mesmo "free". Vejo-o calado durante uns minutos e pergunto:
- Então, não há net?
- Não estou na net, estou a ver fotos do Pedro...

(Quem diría...)

Mimar(-nos)

Porque "nós" merecemos...




Ainda e sempre

Faz sentido continuarmos a celebrar o aniversário de namoro? A data em que nos beijámos pela primeira vez naquele banco corrido ao fundo do café que já não existe? Para mim faz. Ainda por cima são 20 anos. Vinte. Anos. Tudo o que vivemos. Tudo o que crescemos. Juntos. Sempre juntos. Devemos ser umas aves raras nesta época em que as relações não aguentam a primeira contrariedade, em que as pessoas não estão para se chatear e ter trabalho. O trabalho que dá manter a chama acesa, mesmo que muitas vezes abane com ventos gélidos que varrem de várias direcções, que quase a fazem desaparecer num rasto de fumo em espiral. O trabalho que dá proteger e mimar os sorrisos e as borboletas na barriga, mesmo quando estamos de mau humor ou as horas não chegam para mostrar o carinho que o outro nos faz sentir.
Sim, faz sentido festejar este dia, recordar como tudo começou, reflectir sobre o que já passou, e pensar em tudo o que nos falta viver ainda. Porque o amor, todo o tipo de amor, deve ser celebrado e acarinhado e levado nas palminhas para não definhar, para não morrer.
Neste último ano o "nós" foi ficando para segundo plano, é natural, deu origem a um amor novo que nos preencheu os dias de uma forma total e avassaladora. Neste último ano deixámos de ser um casal para passarmos a ser ele, o nosso amor pequenino, o nosso sopro de vida. Devagar, pouco a pouco, vamos retomando os gestos e momentos só nossos, o abraço em que adormecemos e que me traz os sonhos, os filmes vistos a dois pela noite dentro, os risos e as piadas a que só nós achamos graça.
O nosso mundo já só faz sentido a três, mas para nos sentirmos plenos teremos de ser antes de tudo nós, que para além de pais são homem e mulher, sócios de gestão imobiliária e gestores de finanças familiares, coordenadores de actividades e bobos da corte para entreter o pequeno lorde, mas também amigos e amantes, companheiros desta viagem que já dura há vinte anos.
Porque o que interessa não é chegar, é fazer a viagem.

Por isso digo e repito porque continuo a senti-lo como verdade absoluta. 
Mesmo que o futuro nos trocasse as voltas amanhã. 
Serás sempre o amor da minha vida

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

O estado geral a que esta casa chegou....

Ele adormeceu no sofá nos vinte minutos que demorei a fazer o jantar. Cá em casa não se incomoda quem dorme a não ser em caso de catástrofe iminente. Perto da meia-noite abriu os olhos, estremunhado.
- Acho que vou para a cama...
- Sabes que não jantaste, certo?
Olhou-me de esguelha, não percebi se estava a tentar focar a minha cara ou a lembrar-se se realmente tinha comido.
- Não?! Mas também não tenho fome...
(O cansaço é mais forte...)

Só novidades

Pronunciar pela primeira vez as palavras cócó e chucha.
E o primeiro galo na testa.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Guilty pleasure (III)

Só porque gosto do ritmo...

Ellie Goulding
"Burn"


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domingo, 22 de setembro de 2013

Guilty pleasure (II)

Miley Cyrus
"Wrecking Ball"

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(Pronto, já disse...)

sábado, 21 de setembro de 2013

(Afinal há esperança...)

Voltar a ver filmes "como antigamente..."

Lana Del Rey
"Young and Beautiful"
(The Great Gatsby OST)

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(Não gosto muito desta mania de fazer filmes de época com uma banda sonora actual mas... e a nível visual é impressionante...).

Eu já tive uma sala arrumada...

... parece que foi numa vida passada...


Acordar bem disposta

Às 11 da manhã... um luxo...

Anna Kendrick 
"When I'm Gone"


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sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Momento (CCXVII)

O "chefe" veio de Israel e trouxe uma lembrança para as meninas.


(Visitar Jerusalém deve ser avassalador...)

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Uma coisa à séria

Fomos finalmente fazer a sessão fotográfica mãe-filho que o L. me tinha oferecido como prenda do meu primeiro Dia da Mãe (e adiada à pressa na véspera, pela pior das razões). 45 minutos que vão resultar em 50 fotos, do Peter Pan sozinho a fazer caretas, a bater palmas, a virar um livro do avesso e a tentar apanhar bolas de sabão do ar (quando me disseram para trazer os brinquedos favoritos dele, lembrei-em logo das bolas de sabão, dão fotos tão giras), de nós os dois com ele a puxar-me os cabelos (deve ter ficado uma coisa esperta...) e de nós os três numa fase em que ele já estava a ficar saturado e a coisa começou a descambar. Mas no meio de tudo isto o fotógrafo disse-nos admirado que não era normal uma sessão com um bebé correr tão bem, e que ele devia estar habituado a ser fotografado (mal sabe ele das quase 3.000 fotos que tenho em casa...).

terça-feira, 17 de setembro de 2013

Encantar(-me)

Os primeiros lençóis de flanela de Peter Pan. Herdados da prima. Tão fofos, tão amorosos que até a mim me apetece deitar neles...


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Momento (CCXVI)

Ver o pequeno buda a delirar nas aulas de natação, a atirar-se para dentro de água à maluca, sem medos.



Suspiro (tão) profundo...


(Foto daqui)

sábado, 14 de setembro de 2013

Momento (CCXV)

Fazer questão de ir à apresentação do livro da Catarina, em Leiria. Só porque sim. Porque as pesssoas por trás das palavras foram a maior e melhor surpresa que isto me trouxe. Na companhia da Paula e de um Peter Pan muito bem disposto, que aguentou acordado até às onze da noite.
Ouvir uma mensagem que sei de cor, mas que tantas vezes fica esquecida nas desculpas esfarrapadas do tempo que nunca chega: "faz questão de dizer àqueles que amas o quanto eles são importantes para ti. Não deixes para amanhã as palavras amo-te, gosto muito de ti, estás tão bonita".

Momento (CCXIV)

Um encontro quase a correr para ver as estátuas vivas, pôr a conversa em dia e ficar a saber como está o pequeno pixel que já se sabe que é um rapaz, mais um amigo para Peter Pan (é tão bom vermos os nossos amigos felizes).