segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Preparar a chegada

Pronto, Nônô, podes nascer. Estamos todos em pulgas. Para te ver. Para te cheirar (nem sabes o que te espera, tens um tio que é louco pelo cheiro dos bebés, vai-te snifar como um agarrado, vais ver) e saber a cor dos teus olhos. Eu acho que vão ser azuis. E deves ter o cabelo tão loiro que mal se nota. Ou então és mesmo carequinha. Sinceramente, pouco importa. Só queremos que tenhas saúde. E já agora, facilita a vida à mãe, ok? A primeira experiência não foi muito boa, vê lá se te portas bem e não dás muito trabalho, senão não tens mais nenhum irmão na próxima década.
Podes vir, Nônô, que o país está avariado mas tu não vais dar conta, e está um frio que não se aguenta mas tu não vais sentir, porque és a alegria e a luz de uma família inteira, para quem tu foste (e és) a única coisa verdadeiramente boa que aconteceu este ano.
E a tua alcofa já chegou.

Arrancar sorrisos

David Fonseca
"Vitinho"


Visto aqui.

Gostava de ter sido eu a escrever...

Visto aqui.

domingo, 28 de novembro de 2010

Um domingo normal





Receber

(Regressado do supermercado...)

- Trouxe um pitéu para mim...








... e um para ti...


sábado, 27 de novembro de 2010

E foi por isto que eu fui abandonada...

 

Livros e Doces

Desta vez até fiquei com pena de não ir, 24 horas TT em Fronteira é capaz de ser engraçado, o pessoal faz fogueiras ao longo da pista, há tasquinhas, porco no espeto e até bancadas de venda de trapos e tarecos (vi nas fotos que ele tirou), e até nem refilava muito de ter de me levantar cedo, e levava o meu edredon com braços para não passar frio (muito frio, de acordo com a testemunha) e tudo. Mas pronto, não vale a pena arriscar, ainda por cima ele tinha um passe vip para fotografar as boxes pelo que ía andar sempre de um lado para o outro. Fiquei sossegada, dormi até me fartar (ultimamente é o prato do dia) e quando me preparava para sair liga a S. a perguntar se eu estava em casa. Ficámos no estacionamento a conversar mais de meia hora, à espera que a E. acordasse. Entretanto chegou o puto grande e a C. que diz que parece um balão, e assim juntei na mesa do café parte da minha família, com as duas afilhadas, uma que estamos ansiosos por conhecer, por ver a cara, a cor do cabelo e dos olhos; a outra que está cada vez mais bonita, mais expressiva, mais faladora, e tanto se ía meter com o D. como escondia a cara no colo da mãe com vergonha do "menino".
Seguimos para a Feira do Livro e do Arroz Doce, já sem a S. e a E., começámos pelos livros, e no meio de muita palha sem interesse (para mim, claro) comprei quatro, entre eles o Casanova, e a Caderneta de Cromos para ele. Depois passámos ao realmente importante: banquinhas cheias de bolos e bolinhos e taças de arroz doce e provas de licores (o mano ficou entusiasmado com o Licor de Poejo). No meio disto tudo, só comi uma miniatura de bolo (palmier recheado com cobertura de chocolate, delicioso) e comprei broas... de café, de chocolate e de avelã. Gosto de molhá-las no leite quente (pancadas...).
Regressámos a casa e enquanto copiava todos os meus filmes (109, fora as séries, contei-os antes de começar) para o disco externo deles, tivemos tempo de acender a lareira, encomendar pizzas, jogar Call of Duty (o mano é da mesma opinião, não entusiasma) e começar a ver o 13 Fantasmas, até a C. e o D. se começarem a arrepiar com o tipo cortado ao meio mas que continuava a mexer os olhos.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Ouvir e sentir (CLIX)

Porque passei o banho todo a cantarolar esta música (para dentro, claro, que os meus dotes vocais são tão bons que nem eu os aguento...).


Kate Voegele
"Angel" (ao vivo)


quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Prender a atenção

Pus a tocar e ele veio ver o que era. E gostou também.


Aurea
"Busy for me"


terça-feira, 23 de novembro de 2010

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Momentos (CXXXVII)

Passear com a mãe pelas ruas da "minha" cidade, a pé, devagar, indicando as direcções, explicando os caminhos, ouvindo-a e convencendo-a que esta também pode ser a cidade "dela", numa nova fase da vida, em que o espaço não deixa apagar as más recordações e exacerba as saudades até doerem. Já não entra no quarto que partilhou com o meu pai durante mais de trinta anos, e os sons da rua trazem a lembrança constante da solidão. Está na altura de mudar (estás aqui, estás cá, é o que é).
Visitar a avó e ver as quatro gerações de mulheres da minha família juntas, avó, mãe, filha e neta (dentro da barriga da minha cunhada, mas estava lá), e as duas cadelas a mordiscarem-se com ciúmes, cada uma mais tresloucada que a outra.
Fazer dois bolos (o primeiro ficou tão apetecível que foi directamente para o lixo, com a forma e tudo) e acabar a noite a ver um filme bom enquanto a mãe ressonava no sofá (e nós ríamos até ela acordar por breves minutos).

E ao sétimo dia...

...saí de casa.












domingo, 21 de novembro de 2010

E agora, faço o quê?





Fazer sentido

David Fonseca
"U Know Who I Am"

video

Visto aqui

E as férias passam num instante...

Não ponho um pé fora de casa desde segunda feira à tarde. A bem dizer, não ponho os pés fora do sofá ou da cama desde segunda feira à tarde. Repouso absoluto. Se não resultar assim, sinceramente não sei que mais faça. Pensei que ao segundo dia já ía andar a bater com a cabeça nas paredes, mas não, não me custou nada esta reclusão auto imposta, nem sequer tive momentos de tédio ou de solidão. Lido bem com a solidão. Só ainda não descobri o que é que a balança tem para me dizer, mas tenho uma ligeira desconfiança que tudo o que eu comi nestes dias me vai pesar na consciência (e não só). A manta azul está quase pronta, aprendi a fazer flocos de neve, vi Tudor's de enfiada e só fiquei desiludida com os filmes: dos dez que marcharam nestes dias, só dois tiveram o mérito de passar para a pasta dos "Vistos mas a repetir", e mesmo assim o Madagáscar 2 não tem metade da piada do primeiro. O outro foi o Babies, um documentário que acompanha o primeiro ano de vida de quatro bebés em pontos tão distantes do planeta como Tóquio, Estados Unidos (tinha de ser), Mongólia e Namíbia. E as diferenças são assustadoras de tão abismais. Ficou-me gravada na memória a cena em que a bebé japonesa chora e esperneia porque está aborrecida num quarto cheio de brinquedos, enquanto o pequeno namibiano se entretém a brincar com um osso (sabe-se lá vindo de onde, ou de quê). Mas a essência da vida está lá toda, e é igual em qualquer lugar e em qualquer raça.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Abastecer



Mais umas caixas no frigorífico cheias de almôndegas, esparregado, maruca e sopa.
Mais uma manta azul para acabar e um cesto cheio de lãs à espera que eu aprenda o que fazer com elas.
Mais 31 filmes e 38 episódios d' Os Tudor.
E todas as seasons d'O Sexo e a Cidade, se me apetecer rever alguma coisinha.
Pronto, acho que já posso entrar de férias...

domingo, 14 de novembro de 2010

Está quase

Nônô, tu não nasças esta semana, por favor, aguenta só mais um bocadinho, quero ir com os teus pais para a maternidade, ficar com o teu irmão na sala à tua espera, e poder pegar-te ao colo, cheirar a tua pele e dar-te as boas vindas como tu mereces, sem nenhuma preocupação, com uma imensa alegria por ver finalmente a tua cara, os teus olhos, o teu cabelo.
Aguenta mais um pouco, aí dentro está quentinho e é sossegado, nem sabes o que te espera cá fora, é tudo doido, mas não te preocupes que só vais descobrir isso mais tarde, muito mais tarde, até lá vais viver os teus dias um a um, mimada de colo em colo e rodeada de cores.



Ouvir e sentir (CLVIII)

Porque combina com a chuva e o vento que ouço pela janela.


Ane Brun
"To Let Myself Go"


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Hoje devo estar (particularmente) gira

Primeiro foi o farmacêutico de olhos azuis numa terrinha com nome de fim de mundo, depois foi “o” David Fonseca na área de serviço, e por fim o tipo da Mégane azul foleiro que veio a picar-se comigo desde a Figueira da Foz, ora passas tu, ora passo eu.

Trauma

O episódio com o DJ deixou mazelas traumáticas e isto agora só lá vai com terapia. Passo uma hora inteira a olhar para o ponteiro da temperatura de 5 em 5 minutos, e assim que o carro passa dos 130 alivio automaticamente o pedal do acelerador, não vá o bólide do meu irmão fazer-me a mesma coisa. Farto-me de poupar gasóleo. Mas a viagem não tem piada nenhuma.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Nove anos...

... de vida partilhada, de tudo o que de bom e menos bom constrói uma vivência diária, o que conhecemos de cor e o que continuamos a descobrir, porque o que interessa é a viagem. Foram comemorados com macarrão no sofá da sala. Porque não precisamos de mais para este estado de perfeita sintonia que se vai cimentando, ano após ano. Ainda não nos fartámos um do outro, continuamos a adormecer abraçados e a sorrir quando o nosso olhar se cruza. E isso faz de nós seres abençoados.
Eu acho que sim.

Chantal Kreviazuk
"Feels Like Home"
(The Notebook OST)


Soltar os demónios

Já que comecei, acabo de despejar (quase) tudo o que estava guardado nos rascunhos.
Já passou. Já não custa tanto.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

"É preciso chover para se ver o arco-íris"

Li esta frase pela primeira vez talvez há uns quatro anos, numa altura em que precisava de respostas, de informação, e então procurei e devorei tudo o que tinha a ver com infertilidade, tratamentos, testemunhos, tudo, tudo o que me pudesse ajudar a compreender e a preparar-me para o que aí vinha. Não ajudou grande coisa, nem a preparar-me para aquilo que cada pessoa, cada casal, experiencia de uma forma única e intransmissível, apesar de haver pontos em comum (a revolta é universal, a procura de uma justificação também), e muito menos a compreender o que não tem explicação possível, já deixei de questionar o porquê mil vezes, e voltei a fazê-lo mil e uma, para chegar sempre à mesma conclusão, que é nenhuma, que não vale a pena tentar perceber a razão de haver crianças de 10 anos a engravidar (o meu irmão contou-me isto num dia destes, e só depois de a C. lhe lançar um olhar assassino é que ele pensou que não o devia ter dito, não a mim, mas não me importei, a sério que não, é algo com que aprendi a conviver pacificamente, o que me f&%$, o que me f&$% mesmo muito ainda é tentar perceber porque é que há mulheres que são violadas e engravidam, mesmo com todos os traumas e sofrimento atroz que não posso nem quero imaginar, e engravidam quando era a última coisa que queriam que acontecesse, e eu passo duas semanas a injecções com todos os efeitos secundários que elas têm, faço uma inseminação toda bonitinha e desconfortável, venho para casa e passo o resto do dia a dormir, passo as duas semanas seguintes em pezinhos de lã, a evitar escadas e conduzir e fazer esforços, a beber muita água e a alimentar-me como deve de ser, a ter a vidinha mais calma e relaxada à face da terra, e nem assim...).
Mas não era isto que eu queria dizer, não vale a pena falar assim tanto sobre os fracassos, é como eu vejo cada tratamento falhado, um fracasso, mas também já li que devia ver isto como um período de tratamento, em que o acumulado das tentativas e o ajuste da medicação é que geram uma taxa de sucesso mais alta, é conversa bonita, sim senhor, mas quando se abre o envelope da análise e se lê o resultado que nem é Positivo ou Negativo mas sim <10.0 ou >10.0, essa m$#$& não interessa nada.
No meio disto tudo, a frase ficou-me, e hoje, no regresso de mais uma consulta (que não será a última) vi não um, mas dois arco-íris a sair de uma nuvem negra e feia (e ainda bem que - ainda - não há portagens na A23, senão eu tinha pago mais um bocado porque saí no primeiro lanço só para tirar uma foto - ranhosa, mas foi o que se arranjou).

domingo, 7 de novembro de 2010

Eu até nem tinha nada com que me ralar

Isto parece um bocado fatalista, mas eu andava tão bem disposta, mesmo com carros avariados e contas de oficina de centenas de euros e histórias de família escabrosas (o sangue não é tudo e não obriga a nada, está visto e comprovado, e eu só quero que seja feliz, muito feliz, mas longe de mim, à distância que é para não me chatear), que devia ter desconfiado, como se não devesse sentir-me assim, como se não merecesse a felicidade sem razão. E hoje a descontração foi-se esbatendo pelos cantos da sala de espera do hospital onde passei quase três horas, e a alegria encolheu-se toda quando ouvi o diagnóstico que não me tinha passado pela cabeça, não é nada de dramático, mas os sinais estavam lá todos e eu não os vi, e não consigo deixar de me sentir um pouco culpada por não ter insistido, por não ter cuidado dele como devia, por achar que podia ter evitado se tivesse batido o pé e obrigado a ir a um médico mais cedo.
Agora é pensar positivo, que foi um episódio isolado que o tratamento e a vacina vão curar, mesmo curar para não voltar a acontecer. Outra coisa que não vai voltar a acontecer é este deixar andar durante meses, o "amanhã passa", não vai não, que eu não vou deixar. Nunca mais.

sábado, 6 de novembro de 2010

Cumprir a tradição (V)

Novembro é mês de castanhas, abafados e broas. E da Feira do Cavalo. E este ano não é excepção, inaugurámos a Feira com um jantar com o C. e a C., o V. e a R., pão quente, bife à Central e Monte das Servas, mousse de chocolate e Aliança Velha (agora habituaram-se, não querem outra coisa).



O resto não muda, meia hora para conseguir estacionar (nós não, conseguimos lugar no parque da Câmara, mesmo ao pé da festa, um achado, e sempre que isto acontece eu lembro-me do demónio do estacionamento, é engraçado como o cérebro funciona e vai buscar imagens dispersas, há outra, também da (T)Ralha, que me surge do nada quando "nada de extraordinário acontece", a frase que ela escreve(ia) antes de contar um episódio que para qualquer outra pessoa sería banal e indigno de registo, mas onde ela vê(ia) demónios e fadas e sinais divinos), cavalos por todo o lado, cheiro a bosta de cavalos por todo o lado (o pessoal diz-me que era impressão minha, mas acho que este ano o cheiro está pior...), as tias de Cascais vestidas a rigor, com botas de cavaleiro, chapéu à matador e mala Luis 21 a tira-colo, vendedores ambulantes de tudo e mais um par de botas (de couro, pois claro), muitos animais montados em cima de cavalos e crianças montadas em póneis de olhos tristes,









e umas "preciosidades" que vamos descobrindo pelas ruas (não sei se prefiro isto ou os cães de loiça...), enquanto procuramos o tipo dos mojitos (não tivémos sorte, ele deve ter mudado de poiso este ano) e a C. compra um cachecol de lã, feito em crochet largo e com flores (pus-me logo a bisbilhotar se sería muito difícil de fazer...), e comentamos que há uns anos atrás não usaríamos aquilo nem que nos pagassem, mas que agora vamos dando mais valor ao que é manual e tradicional. Isto chamasse maturidade (ou p%$# da idade).


Acabamos a noite com chá de jasmim e bolachas de chocolate (que nem por sombras ficaram com o bom aspecto da receita original, mas quero acreditar que ficaram igualmente saborosas).

E a frase do dia foi "A barba representa o estado de espírito" (dita por ele ao jantar, para justificar a preguiça de a (des)fazer, mas entoada com a mesma convicção com que o Sócrates discursa na Assembleia da República).