segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Sentir-me plena

Os dois homens da minha vida dormem serenos, um no berço dele, o outro aqui ao meu lado no sofá. Eu retomo os velhos hábitos. Entre videos do youtube descubro esta música. Estou a ouvi-la em repeat há não sei quanto tempo. Com os phones postos. Para não acordar os meus amores.

Ingrid Michaelson
"Turn to stone" 


sábado, 26 de janeiro de 2013

A primeira "palavra"...

... de Peter Pan não foi mama nem papa. Foi pozé.
Agora, de cada vez que falamos com ele ("Quem é o amor grande da mãe? És tu!!!!") a resposta é pozé (e eu derreto-me de tanto amor...).

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

... e velhos hábitos

Procurar videos de dança no youtube.

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(Todos do So You Think You Can Dance)

Novas rotinas...

Sair do trabalho a voar numa ânsia cega para ir buscar Peter Pan e abraçá-lo. Chegar a casa, tirar-lhe o casaco e dar-lhe de mamar. Percorrer a casa com ele ao colo, fechando as persianas pelo caminho, enquanto espero que arrote. Sentarmo-nos no sofá com um livro à frente, e ir lendo enquanto tento impedi-lo de meter as folhas na boca. Perceber os sinais de sono nas mãos gorduchas que esfregam os olhos, ou no beicinho e na cara esfregada no meu ombro. Pôr-lhe a chucha, encostá-lo a mim, embalá-lo até adormecer. Deitar-me no sofá com ele envolto nos meus braços. Ficar a ouvir-lhe o som amoroso do chuchar. Encostar o nariz aos cabelos louros e ficar a cheirá-lo até me sentir também a apagar. Saborear a sesta de meia hora no calor do corpo do meu filho encostado a mim.

domingo, 20 de janeiro de 2013

Tao depressa não me meto noutra...

A minha cunhada está a finalizar o quarto da L. e disse que não encontrava um candeeiro de tecto giro para ela. Aqui a madrinha babada começou logo a imaginar coisas, e vai de comprar um abajour simples e enchê-lo de flores e missangas e uma barra em crochet. Em vez de ver filmes. Ou melhor ainda, em vez de dormir. Eu já tinha dito que depois do quadro dos balões ía ficar quieta, mas fico tão feliz ao imaginar a cara de alegria da minha princesa rechonchuda quando vir isto cheio de mariquices como ela gosta.




sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Seis meses de tanto amor





Tinha este ideal imaginado de posts maravilhosos carregados de frases arrebatadoras sobre este amor. Já tentei colocar em caracteres este sentimento que vai crescendo e moldando o meu ser todos os dias. Não consigo. Não há palavras que consigam descrever o que sinto quando olho para o meu filho. Quando o vejo sorrir para mim. Quando lhe cheiro a pele quente e lhe beijo as mãos macias. Quando me deslumbro com cada som, cada gesto, cada nova gracinha. Guardo para mim esta comoção constante por tê-lo, por ser meu. O meu filho adorado. O meu sonho concretizado. A minha benção.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Ouvir e sentir (CLXXIX)

Há muito tempo que uma música não me deixava assim feliz...

 Avalanche City
"Sunset"





terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Para guardar

Um dos presentes mais especiais que Peter Pan recebeu quando nasceu foi dos colegas de trabalho do pai: a colecção de moedas emitidas no ano de nascimento. Eu nem sabia que existia tal coisa, e achei a ideia genial por ser tão fora do comum. É claro que Peter Pan só vai dar valor a isto quando tiver mais de vinte anos, assim como aos jornais que sairam no dia em que nasceu, mas nessa altura ele vai gostar de saber como "eram as coisas antigamente".



domingo, 13 de janeiro de 2013

Respirar de alívio

A minha sobrinha foi internada (e entubada) com 20 dias de vida. O meu sobrinho foi internado (e entubado) com um mês de vida. De todos os primos, Peter Pan até se estava a aguentar muito bem. Nem uma ida às urgências, nem uma ponta de febre, algo que eu agradecia a Deus todas as noites antes de adormecer. Mas bastou uma semana na ama, em contacto com outros meninos, para acontecer o que já era de prever. Peter Pan adoeceu. Começou a ficar rouco, depois com tosse, depois com espectoração que ele não conseguia soltar. Sexta feira fui pô-lo à ama já com o nariz muito entupido, e a meio da tarde ligou-me porque achava melhor levá-lo ao hospital. Foi o tempo de passar em casa a apanhar o saco das fraldas, e corri com ele para as urgências. Que estavam cheias de crianças. O meu amor pequenino, com uma respiração ofegante, já com febre e o oxigénio no sangue a 92%, recebeu uma senha amarela na triagem. Mesmo assim, não nos livrámos de duas horas de espera. Intermináveis. A passeá-lo pelo corredor evitando ao máximo o contacto com os outros putos, para não sair de lá pior ainda. Peter Pan muito murcho. Eu a tentar brincar com ele e mostrar-me bem disposta, para que não sentisse o meu medo. A primeira dose de aerossois foi um pesadelo, esperneou e berrou como se estivessem a espancá-lo. O oxigénio não subiu. Segunda dose de aerossois e a fita já não foi tanta. O resultado foi igual. Terceira dose de aerossois e a frase mais temida "ele vai ter de cá ficar". Pensei que quem ía precisar de oxigénio era eu. Mas passados os primeiros minutos de desânimo fiz um esforço por reagir e encarar aquilo como era realmente. O nosso filho precisava de cuidados que não lhe podíamos dar em casa. Estava no sítio certo para os receber. Pois ficamos e de cara alegre, que não o quero assustado e com medo. Subimos para a ala de Pediatria, o pai foi a casa buscar algumas roupas e as coisas básicas para eu passar a noite sentada ao lado dele no cadeirão reclinável, e deixaram-no ficar connosco algum tempo, apesar de já ser quase meia noite. Peter Pan passou a noite a receber oxigénio por um funil perto da carinha dele (felizmente não teve de ser entubado, e nem pensar em colocar-lhe a máscara, era um pesadelo, mas deve ser mal geral, porque naquela ala sabia-se sempre quando era a hora dos aerossois: era quando todos os putos começavam a gritar ao mesmo tempo...). Ontem estava a reagir bem à medicação, mas o oxigénio não subia dos 96%. Ainda não era o suficiente para ter alta. Ao almoço deram-lhe uma sopa deslavada, e um prato com arroz, cenoura cozida e coelho cozido. Ora bem, Peter Pan ainda não come sólidos, mas gosta da sopa grossa para "mastigar" (é uma delícia vê-lo comer, ele saboreia mesmo com prazer), por isso esmaguei a cenoura para dentro da sopa, e juntei-lhe o arroz (pela primeira vez), para ele não pensar que estavam a dar-lhe água por uma colher. Salvou-se a papa do lanche, que a auxiliar me deixou fazer à minha maneira, e que ficou grossa como ele gosta. Felizmente o meu gorducho não perdeu a fome, e assim que desapareceu a febre e se sentiu a respirar melhor, voltou a boa disposição, tanto que nessa tarde, depois de deixá-lo com o pai e vir a casa tomar um banho, fui encontrá-lo em estado de loucura, num palrar incessante, a espernear e a esbracejar agarrado a todos os bonecos que o pai tinha trazido. E assim continuou, eu a querer adormecê-lo à hora dos costume (8 da noite), ele a mandar-me dormir a mim, só queria conversa e esticava-se todo para trás no meu colo, a olhar para todo o lado e a cuscar todos os objectos, a tal ponto que me cansei e o deitei no berço, à espera que começasse a chorar. Qual quê, agarrou uma das mini almofadas do berço e começou uma luta sem fim, ora a mordia, ora a agarrava com os pés, ora tapava a cabeça com ela, ora a agitava furiosamente com as mãos. E sempre numa conversa imensa e com gritinhos de satisfação pelo meio. Esteve nisto mais de vinte minutos, perante o meu olhar maravilhado e o olhar divertido da mãe da cama ao lado, e da enfermeira que entrou entretanto no quarto e comentou "isso hoje está difícil, mas é natural, com a  medicação eles ficam um pouco mais excitados". Um pouco?! O meu filho está eléctrico, já são 10 da noite e ele não pára!! Lá acabou por acalmar, e assim que começou a choramingar, foi só pegar-lhe ao colo, meter-lhe a chucha na boca e vê-lo fechar os olhos, deitá-lo no berço e aconchegá-lo. Nesta noite já não precisou de oxigénio, e esta manhã o nível estava nos 100%. O pediatra vem auscultá-lo, Peter Pan torce-se todo para ver quem está atrás dele a apontar-lhe uma coisa fria às costas, "tu és esperto" mas não chora, aliás, tirando a máscara de aerosssois, as lavagens nasais e o tubo que lhe meteram no nariz para colher uma amostra de ranho (foi a única vez em que me vieram lágrimas aos olhos enquanto lá estivemos), Peter Pan foi um valente e nada o fez chorar, nem quando fez o raio-x, nem quando era auscultado ou observado ou mexido. Tivémos alta às 11 da manhã, trouxémos o nosso pequenino para casa, com indicação para ficar resguardado durante uma semana, longe da ama e dos outros meninos, e protegido de mudanças de temperatura, para ficar bem curado. Eu já sabia que mais cedo ou mais tarde isto ía acontecer, Peter Pan vai adoecer e precisar de cuidados, vai ter febre, ou vómitos, ou diarreia, ou tudo ao mesmo tempo. Faz parte. Temos de estar preparados para isto. E apesar de tudo não foi uma má experiência, fomos muito bem tratados, todo o pessoal é extremamente atencioso e afável. Mas dispenso muitos fins de semana como este...


(E mesmo a propósito, acabei de me rever neste post, excepto na questão do regime de rotatividade, por causa do leite materno. De resto a minha postura no hospital foi exactamente aquela, e sei que foi a melhor forma de ajudar o meu filho a não sentir medo ou tristeza). 

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Descobertas

A primeira semana na ama tem sido fácil e tranquila, e acredito que Peter Pan se vai dar muito bem...

Segunda feira:
(Peter Pan comeu papa ao lanche pela primeira vez, liguei para saber como tinha corrido.)
- Comeu tudo, quase que nem respirava, assim que engolia abria logo a boca para comer mais.

Ainda na segunda feira:
- O seu filho canta!!
- Canta como ?
- Hoje foi aula de música, eu pus-me a cantar com os meninos, e ele começou a imitar-me, lá com o palrar dele, mas a cantar...

Terça feira:
- Ele gosta de livros...
- Sim, eu costumo sentá-lo no meu colo, e leio-lhe e deixo-o mexer nos livros.
- Ah, então é por isso, hoje foi aula de leitura, sentei-o ao meu colo para ler a história aos meninos, e ele não descansou enquanto não lhe dei o livro para a mão...

Quarta feira:
(Pela primeira vez Peter Pan faz beicinho quando o entrego à ama de manhã)
- Eu acho que ele é muito inteligente...
- Pois, eu acho o mesmo, mas sou suspeita...
- A sério, pela minha experiência, os bebés só começam a fazer estes beicinhos e esta chantagem emocional com os pais a partir dos 7 ou 8 meses de idade.
(Estou lixada...)

Ainda na quarta feira:
- Hoje foi aula de ginástica, e ele adorou, excepto quando tentei mexer-lhe na cabeça, começou a chorar. E os outros meninos disseram logo que, se ele não fazia os exercicios de cabeça, eles também não queriam.
(Peter Pan, o líder de opinião...)

Hoje:
- Ele já descobriu que se atirar os brinquedos ao chão, os outros meninos (todos mais velhos) os apanham e vão dar-lhe...
(Peter Pan, o lorde...)

domingo, 6 de janeiro de 2013

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Dar(-lhe) asas (I)

Eu pensava que comigo não ía acontecer. Passei os últimos dias (relativamente) bem, algum nervoso miudinho por saber que se aproximava a separação, mas sabendo que era inevitável este dia chegar, que mais valia preparar-me para isso consciente que ele ía ficar bem entregue, e que me ía custar mais a mim do que a ele. Mas não pensei que custasse tanto. Não imaginava que assim que entregasse à ama o ovo com um Peter Pan muito quieto lá dentro, a fitar-me com uns olhos muito sérios, uma parte de mim se sentisse abandonada. Dei à ama as últimas indicações e quando lhe comecei a explicar que ele agora gosta de adormecer a fazer-nos festinhas na cara e a receber beijinhos na palma da mão gorducha, quente e macia, não consegui terminar a frase. Faltou-me a voz. As lágrimas começaram a escorrer pela cara. A garganta doía do esforço de contenção. Ter de dizer a uma pessoa estranha como tomar conta do meu filho, como fazer o que até agora era uma tarefa minha e só minha, foi duro e fez-me perceber o que vou começar a perder daqui para a frente. Sei que o contacto com outras crianças lhe vai ser muito benéfico, vai estimulá-lo imenso, vai tornar-se um bebé mais independente e activo. Tenho plena confiança na pessoa que escolhemos para cuidar dele, é muito querida e vai dar-lhe muito mimo e atenção. Eu sei isso tudo. Então porque é que dói tanto deixá-lo?

(A fita foi tanta ou tão pouca que a ama me ligou passado pouco tempo, "porque partiu-me o coração vê-la assim", para me descansar que o Peter Pan estava todo contente, com os outros meninos - todos eles já andam - de volta dele a conversarem e a mostrarem-lhe os brinquedos todos).

Sinto-me vazia

Acabei de deixar o meu filho na ama...