quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Venha ele!!

A casa está limpa e arrumada e perfumada como eu gosto.
As velas estão acesas e os doces estão no frigorífico.
O meu puto mais velho está quase a chegar com a família, ele está a trabalhar mas (espero) vai conseguir safar-se mais cedo, e os amigos esperam-nos.
Tenho madeixas novas e o cabelo mais liso do que se tivesse sido passado a ferro, skinny jeans novas (a minha mãe é um amor) e unhas pintadas de vermelho vivo.
Sinto-me bonita e numa expectativa serena, mantenho a fé inabalável de que algo maior que eu olha por mim, e isso dá-me confiança de que o futuro continuará a sorri-me.
2010 pode chegar. Estou pronta.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Rever...

... o ano que está quase a acabar. A viagem à Madeira. A doença do meu pai e o medo de perdê-lo. A compra do jipe (e todo o pó e lama e areia que veio de oferta) e a matança de um porco. O nascimento da minha afilhada, no mesmo dia em que ele mudou de emprego. Uma viagem à Suiça e um fim-de-semana no Douro.
Um dia em Sintra e muitos dias em Castelo de Bode. Um fim-de-semana na Nazaré e uma semana de praia com a Paula. O casamento do meu irmão mais novo e a noite mais louca do ano (o Trízio vai ficar para a história). O curso de espanhol e o fim-de-semana no Algarve ao qual quero voltar. A morte dos nossos bichanos e a viagem à Alemanha.
Olhando assim, e sem contar com o susto que o pai nos fez passar e a perda dos porquinhos-da-índia, 2009 foi um bom ano, cheio de momentos felizes, novas experiências, os amigos de sempre, a família mais unida, viagens inesperadas e os novos amigos que enriquecem os meus dias (neste caso é mais noites). Tive dias de neura insuportável (muitos) e de alegria inexplicável (também), mas todos eles, os bons e os maus, serviram para me conhecer melhor, as minhas forças e pontos fracos, o que (e quem) quero (ou devo) evitar porque me faz mal e suga energia, e o que (e quem) quero aproximar de mim, porque me engrandece e me torna um ser humano melhor. E talvez o mais importante, a viga mestra que sustenta todos estes dias, o farol que me guia nesta travessia: a presença constante e forte do abraço que procuro todas as noites, do amor onde encontro alento e uma razão maior para viver plenamente cada dia, todos os dias.
O resto deve ser arquivado num canto esquecido da memória, até ao dia em que será usado unicamente para confirmar que tudo tinha um propósito e valeu a pena...
Por agora preparo-me para receber de coração aberto mais 365 dias cheios de possibilidades. Se não pudesse pedir mais nada, já me contentava com outro ano igual a este.

Charice Pempengco
"Note to God"

domingo, 27 de dezembro de 2009

Momento (XCI)

Ler o No teu Deserto todo de rajada, deitada no sofá em frente à lareira acesa, alheada da tarde fria, cinzenta e silenciosa que passa lá fora.

sábado, 26 de dezembro de 2009

O que eu tenho de ouvir (IX)

Atravessamos a praça onde duas miúdas andam de patins em linha:
- Era isto que te fazia falta...
- Porquê?
- Para ganhares equilíbrio.
- Estás a querer dizer que eu sou desequilibrada?!

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

A magia do Natal

Depois de carregar o jipe até à tampa com presentes, doces e tartes e percorrer os 20 minutos até casa do meu sogro, o Natal foi uma festa animada e calorosa de uma família alargada que também já é nossa (hoje ao almoço éramos 22 à mesa). Durante dois dias a única coisa que fiz foi comer até não poder mais e brincar com a minha afilhada, andar entre a sala onde a mesa esteve sempre cheia, e a cozinha onde a lareira esteve sempre acesa.

Depois do jantar saímos para beber café na SAT, onde o pessoal se juntou à volta da enorme fogueira que ficou a arder toda a noite, e ouvimos o D. a contar histórias de Angola, daquele jeito único que só ele tem, uma mistura entre o inocente despreocupado e o completo alucinado, mas com um toque de seriedade que não lhe era habitual. Depois de nos despedirmos, comentamos que ele está a ficar crescidinho... e se até ele está a ficar um gajo responsável, o mundo está perdido...
Muitos presentes mas nenhum bateu os do puto mais velho e da C.: duas tampas de sanita decoradas, aquelas que eu andava a dizer há 8 anos que tinha de comprar para casa! E o peluche barulhento que a S. lhe ofereceu, igual ao da princesa, que ele não largava sempre que apanhava a jeito. O perfume que eu lhe pedi (não foi nenhuma surpresa, mas também não falha) e a toalha de mesa que eu dispensava, mas também muitos mimos cheirosos e coloridos que nunca são demais.

Adormecemos ao som das ondas do mar (aquela geringonça tem piada) e acordamos ao som de conversas e risos altos.
E a história repete-se.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Ouvir e sentir (XC)

Porque este é também um momento de oração, de agradecimento, de contemplação...

Delta Goodrem
"O come all ye faithful"

Ouvir e sentir (LXXXIX)

Porque passei a manhã toda a cantarolar isto, enquanto fazia mousse de chocolate, pudim de ovos (fica sempre bem) e cupcakes de chocolate com cobertura de creme de manteiga (então mas eu não hei-de ser capaz de fazer isto?!)

Band Aid
"Do They Know It's Christmas"

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Ouvir e sentir (LXXXVIII)

Num momento de introspecção enquanto junto óleo com cheiro a morango às velas que estou a fazer com todo o cuidado, dou-me conta que aos poucos vou fazendo as pazes... com o destino, com os altos e baixos que me definem e moldam, comigo própria...

U2
"Moment Of Surrender"
(Live at the Rose Bowl)

domingo, 20 de dezembro de 2009

Isto é pecado...

... e devia ser proibido pelo Vaticano...

Pois claro!!

Então ando eu toda contente a encher a casa de espírito natalício, a encher o chão da sala de prendas (às vezes pergunto-me se conheço assim tanta gente...) e a decorar a árvore de Natal com penas de galinha (como diz o meu irmão), e não faço nada aqui?!


sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Acelerar

Ando desde manhã em excesso de velocidade, tento deixar o trabalho o mais adiantado possível, porque sei que a próxima semana vai ser praticamente inútil (se tenho de esvaziar a minha sala na 4ª feira até à hora do almoço para mudarem o chão, o que é que eu faço depois?!). Aproveito a hora de almoço para comprar as prendas dele (eu tinha dito que eram duas... já vão em quatro... mas não resisti, são mesmo a cara dele) e o meu boss ainda me cravou para lhe comprar a prenda do "amigo secreto" para o jantar da empresa hoje à noite. Para isso deu-me... dois euros!!! (a minha vontade foi perguntar-lhe se aquilo era para comprar papel higiénico!).
Devoro uma baguete e guardo a salada de fruta para comer ao lanche (em frente ao computador), continuo a contra-relógio pela tarde toda, só paro uns minutos para descobrir um site tão bonito e delicioso que é impróprio para cardíacos (e diabéticos e pessoas que estão a deixar de fumar...).
Ainda falta embrulhar duas prendas, e a I. faz hoje anos, 5 anos, rais parta o tempo que não pára, como é que a miúda já está com 5 anos se eu a vi ontem na maternidade com meia dúzia de horas??
E no carro esta música passa em repeat, para manter o ritmo.

Edward Maya e Vika Jigulina
"Stereo Love"

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Espírito de Natal (II)

Ir fazer as contas ao valor de todas as prendas que comprei para oferecer este Natal é masoquismo (e ainda faltam as duas dele...). Sim, ía-me dando uma coisinha má, mas gosto de todo este ritual, de não fazer a mínima ideia do que devo comprar, de andar à procura daquele pequeno mimo que vai deixar cada um com um sorriso nos lábios, algo que tenha a ver com quem recebe, talvez algo que não comprasse para si próprio(a), mas que vai descobrir e apreciar. Não acredito naquelas pessoas que dizem que não gostam de receber prendas, não me venham com tretas, toda a gente gosta de sentir que é lembrado.
Há dias esteve cá em casa um conhecido dele, e depois de sair fiquei a saber que tinha vindo buscar uns jogos emprestados... para passar a noite de Natal. Eu sei que sou uma ave rara que ainda acredita no espírito de calor humano e partilha desta época, mas continuo a achar que esta é a festa da família (dos laços de sangue, e porque não dos laços de amizade que não raras vezes são até mais fortes), e continuo a viver estes dias com uma alegria infantil (mais serena do que quando tinha 4 ou 5 anos, mas ainda infantil).
Só me lembro de dois Natais tristes na minha vida: o primeiro quando tinha 7 ou 8 anos, o falecimento de uma tia no dia 21 de Dezembro, num estúpido acidente de carro, deixou um silêncio esmagador à mesa da Consoada. Se ela tivesse posto o cinto de segurança, tinha saído sem um osso partido sequer.
O segundo foi o ano passado. Mas por incrível que pareça foi mais animado que em casa do meu sogro, pelo que ele me contou. Se calhar devia tê-lo levado comigo. Para andar de madrugada à procura de cafeína ao som de Rouxinol Faduncho. E a beber shots de Vinho do Porto numa mesa improvisada no passeio em frente a casa. Animámo-nos como pudémos, fomos buscar força uns aos outros, e isso para mim... é o espírito de Natal.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

O horror...

O carro não tem solfagem. Quer dizer, ter até tem, mas só sai ar frio (obrigadinho, hã...).
Está bem que o tempo que demoro a chegar a casa nem dá para aquecer, mas por este andar amanhã preciso de um escropo para separar as mãos do volante.

A tragédia...

No "solário" os cânticos de Natal combinam na perfeição com o gelo que se sente na sala, porque o ar condicionado está avariado.

O drama...

Já voltei ao trabalho.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Retiro o que disse

O Coco Chanel esteve à altura das minhas expectativas (as cenas na praia são idílicas e o guarda-roupa é qualquer coisa de sonho para cima).

Ouvir e sentir (LXXXVI)

Snow Patrol e Cheryl Cole
"Set The Fire To The Third Bar"

sábado, 12 de dezembro de 2009

"Apodrecer"

A tarde passada a assofar na quase penumbra da sala enquanto na televisão passava um filme daqueles que não é preciso pensar foi-lhe benéfica, mesmo que ele ache que não, que só serviu para se sentir "apodrecer". Mas estes momentos fazem-lhe (imensa) falta, chega a casa depois do trabalho e das aulas e liga o computador para ver emails, e não costuma ter estes tempos em que o cérebro desliga e os sentidos ficam em estado de torpor enquanto o corpo regenera energias. Sem o saber, foi isso que lhe aconteceu, carregou baterias.
Mas eu, que já tenho as minhas energias em constante renovação há quase duas semanas, estava a entrar em stress. Não fosse o jantar com o C. e a C. (há séculos que não comia um bitoque!!), a conversa sempre boa (vai sempre parar a filmes, não temos remédio), o passeio pelas ruas estreitas e iluminadas de uma das cidades mais bonitas do país e um filme visto à lareira, e quem tinha "apodrecido" era eu.

Aproveitar...

... o meu último dia oficial de férias (por agora, daqui a duas semanas há mais), para passar o dia no sofá a ver filmes. Sei que esteve sol porque tive de me vestir para ir buscar um carro à oficina, e ainda considerei pegar na máquina fotográfica e ir para o parque da Barquinha, mas não tem muita piada andar a passear sozinha numa tarde bonita, por isso voltei para casa e vi de enfiada The Love Guru, Brick Lane, Inkheart e Journey to the Center of the Earth (e agora estou indecisa entre Great Expectations ou Coco Chanel...).

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Ouvir e sentir (LXXXV)

Porque era isto que eu lhe queria hoje...

Regina Spektor
"The Call"
The Chornicles of Narnia: Prince Caspian OST

Descansar

É o que tenho feito nestes dias de férias. Deito-me às 4 e 5 da manhã, deslizo devagarinho pelos lençóis para não incomodar quem vai trabalhar cedo, e procuro o sono no aconchego do corpo quente e na oração de graças por tudo de bom que acontece na minha vida, em cada dia. Acordo ao meio dia ou uma da tarde e devoro comédias românticas e forúns de clothing recons. Faço embrulhos de prendas de Natal e listas do que tenho de fazer (para a semana, só para a semana). Sempre em pijama.
Hoje só atravessei a rua para ir comprar tabaco.
A Paula foi embora há pouco. Se algum dia tivesse uma "roommate" tería de ser como ela. Os nossos ritmos e hábitos são praticamente iguais, somos capazes de passar horas em silêncio na companhia uma da outra, quase tantas como as horas que passam antes de nos lembrarmos que temos de comer qualquer coisa. Exaspera-me o facto de ela fazer depender a sua felicidade de terceiros, tanto ou mais do que a fixação de combinar as cores. Alegra-me a forma como ela me anima sem frases feitas, e como percebe e respeita o meu espaço (tão crú e frio na sexta-feira...). Foi muito reconfortante tê-la por perto nestes dias.
E vai ser muito complicado voltar ao horário normal na próxima semana...

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Sonho (IV)

- Esta noite sonhei que estávamos a ter sexo contra as portas do roupeiro.
- Olha, como dizia o velhote no filme de ontem...



- E acordaste porquê?
- Porque a minha mãe entrou no quarto...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Ternura (VII)

Depois de estar dedicada aos trabalhos manuais até às 4 e meia da manhã (quadrados de lã, camisolas de gola alta que deixaram de o ser e calças de ganga que serão umas belas skinny depois de terem um encontro escaldante com a máquina de costura da mãe), acordo tarde mas preparada para duas horas de babysitting com as princesas (as de carne e osso e as dos filmes da Barbie). Mas a I. está eléctrica e não deixa a irmã dormir, por isso a Paula leva-a e fico com a S. sonolenta e amorosa.
Choraminga quando as vê sair. Entretém-se com as lãs que estão no cesto, tira-as todas para o chão; dá-me os novelos, um a um, e no fim pede-mos todos outra vez, um a um. Deito-a no sofá e ela esconde a cara na almofada felpuda e agarra o corvo de peluche que é quase do tamanho dela. De vez em quando afasta o bico do corvo só para ver se eu ainda aqui estou. No momento em que acho que ela está mesmo a ferrar, levanta-se, escorrega cuidadosamente pelo sofá abaixo e vai em passos hesitantes até à entrada, aponta para o casaco dela que está pendurado no bengaleiro, e assim que lhe pego estende um braço para que lho vista, porque sabe que é assim que se vai embora. Segue-me até à casa de banho, puxa uma das toalhas e enrola-a à volta do pescoço, como um babete. Segue-me até à cozinha e esconde-se de lado no frigorífico, depois espreita e diz "cucu". E sorri. De vez em quando as pernas fraquejam e cai de cu, olha para mim meio espantada mas não chora nem pede colo. Levanta-se sozinha e continua. Já diz "olá" e "não queio", não gosta de beijos nem de se sentir apertada. Tem uma popa indomável de caracóis castanhos claros e semicerra os olhos a fazer pose para a máquina fotográfica. Tem um olhar doce e meigo e um sorriso tímido e que tem de ser conquistado.
E é tão engraçado ver este ser que me dá pelos joelhos, a dar os primeiros passos como se fosse um boneco a pilhas, a esfregar os olhos enquanto luta contra o sono, e a afastar as minhas mãos quando só me apetece aconchegá-la e enchê-la de mimo.

O melhor do fim de semana (VII)

Ter a nossa Paula cá por casa, com os seus chinelos, as suas pantufas, as suas crises existenciais e o seu portátil com mais crises do que ela.
Um sábado de compras, malhas macias, lingerie com um toque boudoir e velas para mim; tapetes, candeeiros e um telemóvel para a Paula (assim o que me lembro de repente, que ela andou para comprar o shopping inteiro), uma bicicleta para a I. e um carro a abarrotar de sacos do supermercado. E miminhos para ele: mojito, gelado de chocolate com picante, bolas enfervescentes para um banho a dois e o catálogo da Intimissimi (é quase Natal, e tal... só estou a ser amiga, e poupar-lhe o trabalho de ter de pensar em prendaS para me oferecer...).
Jantar no sítio do costume, com a Paula, a P., o N. e as princesas. E ver a S. andar, com passos ainda hesitantes e as pernas muito abertas (parecia que tinha bebido dois copos de whisky) e uma alegria pura e inocente.
Um domingo cinzento de chuva fria, de pijama e trailers de filmes. De quadrados de lã (por este andar, a miúda recebe a manta quando entrar para a primária...) e fatias de pizza em frente à lareira acesa.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Coincidência (II)

Hoje recebi este video por email.

Maria Bethânia canta Fernando Pessoa

Estou deslumbrada...









(do programa So You Think You Can Dance)

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Seguir em frente

Estou em fase de negação. Recuso-me a acreditar nesta tremenda injustiça. Nós não merecemos. Ele, acima de tudo, não merece esta merda. Hoje damos por encerrado um penoso ciclo, que continua a pesar como chumbo na minha alma. E eu ainda não me conformei, ainda não quero falar nas outras opções.
Ele disse-me que o que mais lhe custa é a minha tristeza, que invade o ambiente. É chegar a casa e sentir a casa triste. Isto para mim foi uma chamada de atenção. Ele tem razão. Passei os últimos anos a carregar este fardo de esperança e frustração e desalento, pesado e nocivo, sem me dar conta de como isso afecta quem está à minha volta.
Se calhar preciso de iniciar o meu próprio processo de cura. Se calhar é isso que quer dizer o horóscopo. Não esquecer, mas aceitar. E voltar a viver sem essa sombra. Admitir que fiz tudo o que estava ao meu alcance, e que agora é tempo de seguir em frente.

"True forgiveness is releasing the hope that things could have been different."
Oprah
Winfrey

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

E começar...

... finalmente uma manta de quadrados de lã. Pequenina e em tons de rosa, para oferecer à minha afilhada.

Cumprir (III)...

... a tradição...

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

O que eu tenho de ouvir (VIII)

- Olha, o que é aquele frasco roll-on amarelo?
- É anticelulítico.
- Humm...
- (Ai o que é que vai sair daí?) Porquê?
- Porque eu pus esta manhã a pensar que era desodorizante... realmente admirei-me porque aquilo ardeu um bocado...
(tenho mesmo de perder a mania de arrancar os rótulos das embalagens...)

Momento (XC)

Chegar a casa e ter a lareira acesa. E velas espalhadas em pontos estratégicos. E uma paz sentida no silêncio. Pedir desculpa, por todo o tempo que tenho roubado a ele, a nós. Dar-me conta que também preciso disto, deste silêncio apaziguador em que dizemos tanta coisa sem palavras, destes momentos em que o tempo não tem significado e a simples presença física é reconfortante.

Momentos (LXXXIX)

Os últimos dias foram cheios de animação, maratonas a ver casas atrás de casas, explicações sobre dinossauros, subir escadas e descer escadas. Pasta de azeitonas ao pequeno-almoço e Licor Beirão depois dos profiteroles e do gelado de chocolate com picante. Um filme que ninguém viu porque toda a gente adormeceu no sofá. O cão de peluche oferecido pelo D. (a palavra mais correcta sería "cravado") e que é agora o meu novo porta-chaves. O pai mais gordinho e bem-disposto (a minha gratidão é imensa por vê-lo assim), a mãe a chamar "Meninos, todos para a mesa!!" enquanto olhamos uns para os outros e rimos "há coisas que nunca mudam...". As picardias com o N. por causa do meu cabelo e finalmente a casa escolhida, aquela que trará o meu irmão para perto de mim.

Querer acreditar

"O último mês deste ano traz-lhe inesperadamente a mudança profunda e radical com que tantas vezes sonhou. Aquele sentimento de vítima ou salvadora, que tantos Peixes sentem, chegou ao limite. É tempo de cortar amarras, ir em frente e arriscar mais um passo para transmutar o sofrimento da noite escura da alma e torná-lo num estado de graça, fonte de paz e sabedoria."

In: Vogue Dezembro 2009