quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Na Madeira (V)

Subimos de teleférico e vimos cá em baixo as quedas de água por entre as árvores que "parecem bróculos".


Passeámos no Jardim Botânico e gastei a bateria da máquina fotográfica nas plantas suculentas, no exemplar de casa típica da Madeira, nos jardins floridos e nos pavões e tartarugas.




terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Na Madeira (IV)

As casas típicas, em Santana, foram vistas à distância, de dentro do carro, porque a chuva não deu tréguas o dia todo.
As piscinas naturais, em Porto Moniz, são de uma beleza indescritível, e só posso ficar a imaginar como será no verão, um mergulho naquelas águas límpidas azul-turquesa.
O almoço de arroz de lapas e espada com banana frita foi excelente, aqui come-se muito bem, sem dúvida.

O Véu da Noiva devia ser muito giro quando se podia passar na estrada que atravessa por baixo da queda de água, mas agora, que a estrada está interdita por perigo de queda de pedras (como metade das estradas regionais deles), só é possível vê-la ao longe.


O Curral das Freiras (aka Curral das Cabras) foi a maior desilusão de todas. Quando dizia que ía à Madeira, a primeira indicação que me davam era esta. Mas porquê? Aquilo não tem casas típicas (agora até estão a construir uma porra de um pavilhão que destoa mais ainda do resto da paisagem), não tem nada de especial, a não ser a visão que se tem do miradouro (que nem é nada por aí além) de uma aldeia enfiada no vale profundo.

Na Madeira (III)...

... também chove.
Não são as melhores condições para conhecer um lugar, mas agora que já temos carro não vamos ficar "em casa" à espera que isto passe.



segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

As luzes do Funchal

Fui eu para Lisboa perder tempo à procura de iluminações de Natal de jeito, quando elas estão todas aqui. O Alberto João não brinca em serviço, e se é para alegrar o povo, que seja em grande.

E neste caso, o povo sou eu, maravilhada pelas ruas ricamente iluminadas, pelos presépios em cada esquina, pelo coro a actuar naquela rua e pelos acordes da banda na praça mais à frente, pelo trenó cheio de símbolos de prendas e doces que faz as delícias das crianças e as minhas também, pelos barcos que parecem árvores de natal psicadélicas, que enchem a marina de luzes coloridas e os meus olhos de sorrisos de WOW!!

Na Madeira (II)

Largámos as malas no quarto e fomos à procura de um sítio para almoçar, como ainda não tínhamos carro apanhámos boleia do resto do grupo, pessoal com uma média de idades de 60 anos, mas um espírito muito jovem e conversa interessante, e principalmente, com conhecimentos profundos sobre todos os bons restaurantes da zona.
Pelo caminho... encostas cobertas de bananeiras, bananeiras e mais bananeiras!

No Vila da Carne (também há o Vila do Peixe, que fica para uma próxima visita), experimentámos o famoso pão de caco e espetadas com milho frito. A carne deliciosa (este foi o único restaurante onde foi mesmo servida em pau de loureiro, e sim, faz a diferença), o pão de caco muito bom (provei simples e com azeite, alho e salsa picados, e adorei), o milho frito não me convenceu, e a poncha é sem dúvida o melhor tratamento para desobstruir as vias respiratórias e tratar problemas de garganta (aquilo mata os micróbios todos!).

Depois de irmos buscar o carro emprestado, não houve tempo para muito mais, passeámos pela "baixa" do Funchal e jantámos no "Barqueiro", uma marisqueira a abarrotar de gente, tão boa quanto cara.

À segunda já é burrice

O hotel tem piscina... e piscina interior aquecida...
Ainda fui lá fora pôr a mão na água, à espera que estivesse gelada... não estava, eu atirava-me lá para dentro na hora... se tivesse trazido biquini...
Eu disse que não me enganavam outra vez... Pois.
Mas será que eu não aprendo?

Facilidades

Anda uma gaja a procurar informações na net e a chatear amigos doentes, para chegar aqui e o B. fazer um telefonema para um amigo, que mora cá e que nos vai emprestar um carro (era o da mulher, antes de ele lhe ter oferecido um Audi TT), para podermos explorar a ilha, e ainda nos convidou para jantar em casa dele.

Na Madeira

A primeira coisa em que reparo quando saio do avião é no verde das encostas, aqui as cores são mais vivas, e para quem saiu de Lisboa debaixo de chuva intensa e nevoeiro denso e frio, o sol quente que espreita sobre as poucas nuvens claras faz-me arrepender imediatamente por ter vindo carregada de camisolas.

Nuvens

Ontem à noite, ao voltar a casa depois de um jantar ao som de Nina Simone, vinha a fazer um balanço do ano que está a acabar... e hoje, enquanto vejo as nuvens pela minúscula janela do avião, só consigo pensar que a minha vida foi assim: um céu de nuvens.

Nuvens escuras carregadas de chuva fria e sons de trovoada, nuvens de espera e desespero, espera por um sonho que tarda, um filho que não tenho nos braços; desespero por dias de hospital, demasiados dias, primeiro por ele, depois pelo meu pai.

Nuvens cinzentas de mudança, que receamos enquanto não sabemos se se vão dissipar e dar lugar a uma tarde soalheira, ou se se vão acumular e descarregar toda a fúria do céu, mudança de emprego dele, mudança de funções minha, ele voltar a estudar.

Nuvens brancas e fofas como algodão, algumas já conhecidas, que aparecem no céu sempre à mesma hora, o braço a que me agarro todas as noites para dormir, como uma criança que agarra um peluche à procura dos sonhos; e a casa que é nossa, que tem o nosso cheiro e os nossos sons e a nossa paz; e os mimos das princesas, uma ternura que as palavras não conseguem descrever.

E nuvens coloridas pelo arco-íris dos afectos, os amigos, os que são o porto de abrigo nunca esquecido, e os que só agora descobri no conforto das palavras escritas e na empatia que não se explica. E os meus putos, que estão lá sempre com uma força que tudo suporta e não me deixa desistir, por eles, por mim.

Começa bem...

Depois de 4 horas (mal) dormidas e sem café, era só o que me faltava: um taxista falador.

Excitação

Sei que tenho de me levantar às 5 da manhã, mas não consigo dormir.
A expectativa de um fim de ano inesperado, longe de casa, na companhia de amigos e desconhecidos, num destino que prometi à minha mãe e ainda não cumpri (mas ainda não é tarde, não está esquecido), deixa-me com um misto de nervoso miudinho e alívio por uns dias que quero acreditar que merecemos, ou pelo menos que precisamos para repor energias e romantismo e tempo, tempo para nós.

sábado, 27 de dezembro de 2008

Ouvir e sentir (XXXVIII)

David Fonseca e Rita Redshoes
"Hold Still"

Conversas ao jantar (XVI)

- Acho que me estou a esquecer de alguma coisa.
- Se te esqueceres, compras lá. Aquilo não é a Etiópia!

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

O meu outro Natal...

... foi hoje.
De pijama em frente à lareira acesa, a saborear um copo de um dos vinhos que a P. lhe deu, a rever o Casino Royale enquanto ele me afagava o cabelo.
Não houve risos nem conversas imensas, não houve uma mesa farta nem prendas nem cânticos. Só nós os dois, no aconchego caloroso da nossa casa e com a tranquilidade cintilante das luzes brancas da árvore.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Momento (XXXVIII)

De carro, com os dois manos e o V., à procura de um sítio para beber café e a ouvir Rouxinol Faduncho (único sítio aberto: bombas de gasolina, serve).

Acreditar

Porque quero continuar a acreditar no espírito de Natal, apesar da tristeza.
Porque preciso de continuar a acreditar no calor e na luz e no sorriso genuíno da compaixão, apesar de tudo.
Porque sim.

Josh Groban
"Believe"

No hospital...

... parecemos três crianças irrequietas, a mexer em tudo, a contar anedotas, a brincar com os comandos das camas articuladas, a galar as enfermeiras (eles, não eu). Se houvesse mais alguém naquele quarto (para além do velhote ao canto, que mal se mexeu enquanto lá estivémos) acho que tínhamos sido expulsos. Uma alegria forçada e nervosa, para tentar dar um pouco de ânimo (se é que isso é possível) a quem sabe que dali a algumas horas vai ficar sozinho.
Sei que é para o bem dele, mas isso não me dá alento nem aquieta, e todas as palavras que uso para dar força à minha mãe e ao puto mais novo (que surpreendentemente ou talvez não, mostrou-se hoje inconsolável e revoltado) soam-me a pouco e a inevitável.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Tristeza

- Porra, eu não ligo nenhuma ao Natal, mas passar esta época no hospital deve ser muita triste.
- O meu pai também não liga, mas é claro que para ele não vai ser nada fácil.
E para nós também não.
Voltaram a inquietação e as dores de estômago, não me apetece ir passar o Natal a Lisboa, vai ser triste, o meu pai não está em casa, a preocupação é maior que a alegria da reunião familiar, mas não ficaría de consciência tranquila se não o fizesse, se não passasse esta noite difícil com a minha família.
Tomo a decisão final, vou pegar na avó e levo-a comigo, ele fica em casa dos pais dele. Desta vez não vou ser egoísta, não vou obrigá-lo a passar por um dia infeliz só para estar comigo, lembro-me do pior aniversário da vida dele, quando a minha mãe foi internada, e quero protegê-lo de outro dia assim, porque ele não o merece.
Teremos muitos Natais para passar juntos, para nos sentirmos uma verdadeira família. Neste momento vou apoiar quem mais precisa de mim.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

domingo, 21 de dezembro de 2008

Máscaras

Jantar de Natal da empresa dele (da minha nem me quero lembrar), pessoal divertido, mais amigos do que conhecidos, poucos mas bons (tirando uma excepção, há sempre uma excepção que confirma a regra, pensei que passados seis anos desde que a vi pela última vez, estivesse melhor, mas não, está exactamente na mesma, e eu só dizia antes de entrarmos para o restaurante "pelo amor da santa, não a deixes sentar ao meu lado!").
Estava tudo a correr bem até surgir a conversa inevitável, mais uma grávida, 7 semanas "deixei de tomar a pílula e engravidei logo", "a minha irmã também está grávida" (pormenor: a irmã tem 18 anos e uma pancada enorme), "ai, eu engravidei por descuido, eu nem queria, sempre disse que não queria ter filhos" (dito com um esgar de desdém, realmente não mudou nada), e eu coloquei a minha máscara de surpresa e o meu melhor sorriso, e ataquei a garrafa de Casal Garcia.
E assim continuei o resto da noite no bar de karaoke para onde fomos, ri muito e ri alto, brinquei e cantei (longe do microfone, claro), depois de 5 moscatéis e um maço de tabaco a anestesia estava completa, não pensava, não sentia, não deixava ninguém ver para lá da máscara.

sábado, 20 de dezembro de 2008

O melhor Natal

- Toma, é para ti.
E eu, já fora do carro, com a mala na estrada e uma fila atrás de nós à espera, vejo-o abrir o porta-luvas e sacar de um pequeno embrulho.
- Não comprei presentes para mais ninguém, só para ti.
- Porquê?
- Sei lá, porque és a única que está fora de casa.
Mas eu sei que não é por isso.

Quando chega esta época, lembro-me sempre de um dos melhores Natais que já vivi, foi no "ano do porco", os meus pais tinham ído para a Serra, mas o N. estava a trabalhar e eu também. A preocupação da mãe era que o filho não passasse o Natal sozinho, claro, e assim convenci-o a vir ter connosco, com a promessa que não havia bacalhau cozido com couves. Comprei camarões-tigre, tratei dos patés e da sapateira, decorei a mesa com toda a pompa e fiz um bacalhau verde no forno que estava maravilhoso, mas que só comemos no dia seguinte, porque passámos directamente das entradas para as sobremesas.
À meia-noite já estávamos os três tocados e doía-me a barriga de rir. Foi então que lhe ofereci o Tobias, era minúsculo e como não fazia barulho consegui escondê-lo até à altura certa, pedi-lhe para fechar os olhos e estender as mãos, e pus aquela bola de pêlo pequena nas mãos abertas. Acho que nunca mais consegui surpreendê-lo daquela maneira, o brilho nos olhos dele e a presença alegre do meu irmão foram o meu melhor presente, numa noite em que pudémos dizer e fazer tudo o que nos apeteceu, sem estarmos a pensar se "os adultos" íam ficar chateados, numa noite em que pudémos ser verdadeiramente nós próprios.
(Depois houve outro Natal em que fomos deixar a avó a casa, de madrugada, e no regresso ele insistiu em ir na mala do carro, e só o deixámos sair quando parámos para fumar um cigarro... em frente ao cemitério).

Momento (XXXVII)

De carro com o meu irmão, a ouvir Prodigy em décibeis proibitivos e a rir-me das palhaçadas dele.
- Como é que consegues estar sempre bem disposto?
- É a p#%$ da droga!
- Admiro esse espírito.
E ele faz outra careta e põe-me a rir mais uma vez.

Momento (XXXVI)

Sentar-me num banco de jardim, ao sol, a conversar com o meu pai enquanto a cadela saltita aos nossos pés e ladra inquieta para toda a gente que passa.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Idade adulta

O meu pai já está em casa mas não me sinto mais aliviada por isso. Não consigo deixar de pensar quando vai ser a próxima crise, quando é que vou receber outro telefonema a dizerem-me que ele está no hospital, outra vez.
É assim que sabemos que já somos adultos: quando deixam de ser eles a cuidar de nós, e passamos a ser nós a cuidar deles. E eu só queria ser criança outra vez.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Acarinhar

No dia em que todas as atenções se centravam na mana mais velha, a pequena princesa fazia beicinho e birra de sono, num choro que não passava de ternurento, braços esticados a pedir que lhe pegassem, mãos que agarravam a ponta do cobertor e puxavam a chupeta para longe, olhos que faziam força para não se fecharem, e que se abriam risonhos quando ele se aproximava, a antecipar brincadeira e mimos.
- Ela estava quase a adormecer, agora estragaste tudo!
- Não estava nada, ela está a rir-se para mim!

Ver crescer

O anjo de caracóis louros e pilhas alcalinas faz 4 anos, já não tem caracóis desde que a mãe lhe cortou o cabelo (com muita pena minha) mas em vez de pilhas alcalinas agora está continuamente ligada à ficha, não pára, e nem a varicela a consegue quebrar. Assim que me vê mostra-me a barriga pintalgada de borbulhas, para logo de seguida me ir mostrar a trotinete da Hello Kitty que recebeu.
Está crescida, com a personalidade cada vez mais vincada, linda e mimada e saltitante, uma lufada de ar (é mais uma rajada de vento) que leva tudo à frente, sempre com um pender de cabeça para o lado e um sorriso inocente.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Alívio

Agora já passou, já posso falar.
Ontem o meu pai ía-se apagando, a minha mãe ligou-me num pranto, aflita, os enfermeiros reservados, quase a dizer-lhe para se preparar, e eu sem saber o que fazer, vou, não vou, já sei que a situação nunca é tão má como ela a pinta, mas...
Esta manhã chorava a pensar que ele não podia morrer sem eu me despedir dele, e cheia de medo que o telemóvel tocasse, que alguém me dissesse "vem para cá rápido".
Liguei para o serviço assim que achei que eram horas decentes, "o seu pai está benzinho, já saiu dos Cuidados Intensivos" (benzinho? porra, o que é benzinho?!), mas só descansei quando ouvi a voz dele, quando o L. lhe passou o telemóvel (ter um irmão bombeiro dá muito jeito), já estava a dizer graçolas, e mais tarde confirmei com o L. que não parecia o mesmo, depois de corrigirem a medicação o seu estado melhorou num piscar de olhos, as maravilhas da ciência e da medicina ao serviço dele.
Agora acredito que o meu pai vai passar o Natal a casa.

Medo

Tenho medo que o meu pai morra sem eu me despedir dele.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Agora sim...

... a minha árvore de Natal está completa!

sábado, 13 de dezembro de 2008

Espírito de Natal

Já não entrava numa igreja desde o verão, quando fui com a F. à da Praia da Vieira, toda em madeira, para ela cumprir o ritual anual de uma pequena oração no fim das férias.
Gosto de igrejas vazias, do silêncio que nos conforta, de estar ali sozinha mas sentir que não estou sozinha.
Hoje foi diferente, a Igreja Matriz estava cheia para o tradicional Concerto de Natal, e eu sentei-me sozinha num canto do último banco, junto de um aquecedor, para ouvir "Magnificat" de Bach e "Coronation Anthems" de Haendel, pelo Coro Regina Coeli e a Orquestra Filarmónica das Beiras. Hoje não ouve silêncio, mas sim o crescendo das vozes que ecoavam pela nave e entravam na pele, e provocavam arrepios quando entoaram o "Gloria Patri" ou "Exceeding glad".

Cá fora, numa forma de associação à iniciativa 10 milhões de Estrelas - Um Gesto pela Paz, a palavra estava escrita com velas, nas escadas, como um pedido de Natal, ou uma lembrança de que esta paz deve começar em cada um de nós.


J. S. Bach
Magnificat
"Gloria Patri"

Conversas ao jantar (XV)

- Tenho de levar este vinho ao banco.
- ????
- Diz aqui que pode criar depósito.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Momento (XXXVI)

Voltar para casa (e saber que vou adormecer no abraço de sempre).

"Here we go...

... again"
A inquietação que sentia desde ontem tinha um motivo, já suspeitava que assim que ele fosse fazer exames o mandavam directamente para o hospital. Assim foi, ficou internado e entubado e a soro no S.O., com uma hemorragia interna para além de tudo o resto que lhe anda a maltratar o corpo e a tirar anos de vida.

Ainda Lisboa

No último dia de curso, cheguei cedo para aproveitar mais um pouco da Lisboa que eu gosto, beber café e comer um pastel de nata quentinho,

vaguear pelas ruelas e ver as velhotas a espreitar pelos vidros das janelas, e rir-me com o sentido de humor de um construtor,

parar em frente ao Politeama e prometer a mim mesma que para a próxima compro o bilhete.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

(Mais um) susto

Conheço aquele olhar, aquela desorientação, uma ideia fixa repetida até à exaustão. Conheço os sintomas, já os vi nos três piores dias da minha vida, e arrepio-me só com a hipótese de um deja-vu. "Não, tu não, vá lá, não me faças isso, pai."
Não fez, foi dormir um pouco e depois aceitou ir às urgências, para nosso espanto (ou não, só mostra como estava fraco e nem teve forças para resistir ou refilar como é costume). O diagnóstico deixou-nos mais descansados, não é o sistema nervoso a desmoronar como eu receei, mas sim os diabetes (mais uma vez) elevados e líquido no fígado (algo que era previsível acontecer mais cedo ou mais tarde).
Voltou para casa e eu respirei de alívio, e sorri-lhe quando me fez uma festa na cara antes de se ir deitar, mas uma sombra de preocupação não me deixou dormir grande parte da noite, atenta a qualquer som que ele pudesse fazer, num estado de alerta inquieto, como se estivesse à espera que algo acontecesse.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Lisboa

Não tinha a certeza onde ficava o edifício nem quanto tempo demorava a chegar lá, por isso às 8 horas meti-me num táxi. Passados 20 minutos estava em frente ao Coliseu. Saí para a rua quase deserta, deslumbrada como fico sempre que tenho oportunidade de ver esta Lisboa lindíssima com olhos de turista: a Lisboa das sacadas antigas decoradas com vasos de Estrelas de Natal,

de pequenos restaurantes acolhedores em cada porta e de ruas estreitas onde os carros não são bem vindos.


Tinha tempo, fui até à Pastelaria Suíça e apesar do frio sentei-me na esplanada, a ver o mundo a passar à minha frente, todas as cores e todas as raças em passos apressados e caras ensonadas ou já stressadas, num ritmo que não invejo e agradeço por não ser o meu.


Conversas por sms

- A cama está fria :(
- Eu estou a ouvir o meu pai a ressonar!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Egoísmo

A ideia era engraçada: ir a Lisboa ver as iluminações de Natal, jantar num japonês, eu ficava por lá para três dias de curso e mimos de mãe, ele voltava para casa.
Chegámos cedo, parámos no Parque das Nações, andámos no passadiço debaixo da ponte, devagar, de mãos dadas, a olhar o rio silencioso, o rio que dá o encanto e a beleza que a cidade tem.

Mas as iluminações das ruas foram uma desilusão, e não valeram uma hora de pára-arranca no trânsito (é feriado, o que é que esta gente anda aqui toda a fazer?!)



Sms para o mano "onde é que ficam as Twin Towers?".
Resposta pronta "Eram em Nova York mas o bin laden arrebentou kakela merda toda"
"Em Lisboa, estúpido LOL"

Sentámo-nos no balcão baixo do japonês e fomos provando sushi e sake enquanto víamos o final do MI III no ecrã, e abordávamos ao de leve o que podia ser feito para melhorar a nossa vida (as minhas dúvidas existenciais não têm fim).
Sei que ele preferia ter ficado em casa de pijama o dia todo, e não o condeno por isso, mas a minha vontade de fazermos um programa a dois falou mais alto (e a minha teimosia também).
Passámos o fim de semana entre amigos com quem já não estávamos há algum tempo (o B. e a A., que eu fiquei a conhecer um pouco melhor, o suficiente para achar que o silêncio inicial era uma forma de defesa; com o N. e P. e as princesas de quem eu tinha imensas saudades) mas nós...
Queria tê-lo só para mim, dar-lhe a mão e abraçá-lo, e no meu egoísmo não pensei no que ele queria.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Momento (XXXV)

Ver a pequena princesa a dormir. Não me canso. De ouvir a respiração compassada. De apreciar os dedos pequeninos que já agarram a ponta do cobertor. De passar o nariz pelo cabelo que ainda não perdeu o cheiro a bebé. De vê-la estremecer a meio do sono, e levantar as pernas e tapar os olhos com as mãos. Tenho de fazer um esforço para controlar a vontade imensa que tenho de a levantar e aninhar no meu peito.
Se sou assim com uma criança que não é minha, quando tiver um filho nem quero imaginar.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Momento (XXXIV)

Não gosto de chuva. Quando alguém me vem com a conversa "mas é precisa..." respondo invariavelmente "mas eu não tenho nenhuma horta nas costas". Não gosto de chuva, é triste, fria, desconfortável e tinge tudo (até a alma) com tons de cinzento.
Mas hoje, sozinha debaixo de um alpendre que já viu tantos copos, tanta desconversa, almoços que se prolongavam até às tantas da manhã, carnes grelhadas a qualquer hora e pizzas no forno a lenha que foi empurrado por uma R1 para passar na porta da garagem, namoradas que vieram e foram, amigos que permaneceram apesar de tudo, risos e discussões por duas razões: por tudo e por nada; hoje a chuva apaziguou-me, fiquei ali, quieta, a ouvir o tamborilar nas telhas, a ver o brilho das gotas nas folhas das laranjeiras, onde os frutos já estão a amadurecer (e são tão boas aquelas laranjas).
Podia ter ficado a pensar que não vou voltar a viver noites de verão assim, a vida mudou, para todos nós, mais trabalho, mais responsabilidade, distâncias incontornáveis a que não é possível fugir, a amizade permanece, mas o convívio não. Mas não.
Fiquei só a ouvir o som da chuva a cair.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Momento (XXXIII)

Embrulhar os presentes ao som de Mozart e Bethoven, uma nuvem de papéis coloridos e fitas brilhantes à minha volta, bonecos de neve e casinhas com chaminés fumegantes e Pais Natais e anjos saudosos sob um fundo vermelho lustroso, cartõezinhos com os nomes pendurados com fitas de ráfia e laços extravagantes.

Nova paixão (II)

Ferrero Rondnoir.
E ela tem razão, isto é coisinha para provocar orgasmos.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

No que eu me meto

Bora lá então. A ideia é pôr aqui uma foto minha (uma parte de mim vai ter de servir).


Depois escolhe-se uma banda ou um cantor e responde-se às perguntas com títulos das canções.
Escolhi a intemporalidade e o romantismo de Frank Sinatra:

1) És homem ou mulher? - Luck be a Lady
2) Descreve-te: - The Fable of the Rose
3) O que as pessoas acham de ti? - How Little We Know
4) Como descreves o teu último relacionamento: - Everybody Has the Right to Be Wrong
5) Descreve o estado actual da tua relação: - I've got you under my skin
6) Onde querias estar agora? - New York, New York (óbvio!)
7) O que pensas a respeito do amor? - Too marvelous for words
8) Como é a tua vida? - Day by Day
9) O que pedirias se pudesses ter só um desejo? - All This and Heaven Too
10) Escreve uma frase sábia: - Try a little tenderness

Por último passa-se a batata quente a mais uns poucos: com um beijo, um abraço, uma festinha no cabelo, e um sorriso.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Momento (XXXII)

Descobrir uma nota de 50 perdida no meio dos papéis de uma gaveta.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Momento (XXXI)

Saiu para ir comprar tabaco e voltou com uma fatia gigante de bolo de chocolate (com recheio e cobertura).
- Obrigado.
- Eu não te trago bolo para me agradeceres.
Obrigado.

Tradição

Desde que viémos morar juntos que se tornou uma tradição, 1 de Dezembro é dia de fazer a árvore de Natal. À meia-noite, depois de uma maratona de pestanas queimadas para entregar um trabalho a tempo, iniciei o que já se tornou um ritual que me dá uma satisfação imensa de criança que sente magia: colocar na porta de entrada o saquinho branco preso com uma fita de cetim vermelho e com a bota vermelha e as palavras "Feliz Natal" bordadas a ponto cruz, que a madrinha me ofereceu, montar o pinheiro e decorá-lo com todo o cuidado e deleite, ir dando passos atrás para ver como ía ficando, distribuir as bolas e as fitas da forma mais harmoniosa e rezar para que as luzes brancas ainda funcionassem (valeram todo o dinheiro que dei por elas há 5 anos), perante o sorriso de satisfação dele.
- Está bonita?
- Está. Muito.