domingo, 30 de março de 2008

Nunca mais...

... me enganam!! Que ía chover!!
No sábado de manhã tivémos de comprar chinelos, uns calções de banho para ele e uma camisola de alças para mim! Ele até tem a testa e o nariz encarnados do sol! Bem feito para não estar a agoirar!!
A partir de agora, não volto a viajar sem chinelos e biquini, nem que seja Dezembro!!
Ele ainda teve coragem de ir à água, isso eu não fui capaz. Mas aquelas horas passadas ao sol na areia, a ouvir o mar, souberam-me maravilhosamente bem.

Consegui abstrair-me de tudo: o trabalho, a espera que nunca mais acaba, as pequenas preocupações que vou acumulando e que vão fazendo mossa, quase sem eu notar. Durante dois dias a minha única preocupação foi a constipação dele, que foi piorando a olhos vistos, ao ponto de no sábado à noite andarmos à procura de uma farmácia, porque ele já estava com febre (o banho de mar não deve ter ajudado nada). Ainda fomos ao Casino e beber um copo a um bar, mas voltámos para o hotel logo de seguida. Passou a noite com febre, e só melhorou depois do pequeno-almoço e de mais dois comprimidos. Nestas alturas o meu instinto protector revela-se, estou sempre a perguntar se está bem e olho para ele vezes sem conta, para me assegurar que está a aguentar. Ele chama-me chata, diz-me para não me preocupar, mas é mais forte que eu.
Mas apesar de tudo, o sol brilhou muito este fim de semana.

Algarve de férias

Este fim de semana conheci um Algarve diferente. Com sítios para estacionar, com restaurantes onde não foi preciso esperar para sermos (bem) atendidos, com ruas arejadas e esplanadas sossegadas. Um Algarve tranquilo, onde abríamos a janela do quarto e nos deliciávamos com a vista privilegiada do areal quase deserto. Onde adormecíamos a ouvir o som das ondas, sem interferências de buzinas ou carros a passar.
O Algarve (ainda) está de férias.





Conversas no carro

Uma viagem de carro, seja de meia hora, seja de 5 horas (com paragem para jantar bochechas de porco no Alentejo) dá direito a mil e uma divagações:

- O teu horóscopo diz que deves prestar atenção àquilo que pode contribuir para o teu desenvolvimento pessoal.
- Ou seja, para a minha felicidade.
- Isso!
- Agora, para ser feliz, ía tirar um curso de Antropologia e ía para o Congo.
- Porquê o Congo?
- Porque no Congo há muitas tribos!
- E ías ser feliz a viver no meio de uma tribo?
- Sem me chatear com nada? Ías ver!!

- Vou dedicar-me à música!
- Então?
- Vou formar uma banda. A "Banda Gástrica"!

quinta-feira, 27 de março de 2008

Conversas ao jantar (IX)

- Estás desertinha para ir embora. Vai estar a chover o fim de semana todo, vais ver.
- Não me interessa. Pelo menos vou ver chover noutro sítio!

quarta-feira, 26 de março de 2008

Sonhar alto

Vou dar ouvidos à free speaker. Uma viagem (mesmo que pequena) vai fazer-nos bem. Ver outros lugares, provar iguarias diferentes, sentir outros cheiros. E encher-me de mar, ficar sentada a ouvir as ondas, ver a espuma branca a revolver a areia, encher as mãos de finos grãos e vê-los a escorrer por entre os dedos. O mar dà-me tranquilidade e paz.
Já estou a antecipar o fim de semana. Previsto desde Janeiro, mas só agora possível. Na passagem de ano, quando fomos contemplados com duas noites em Albufeira, num hotel da mesma cadeia, um amigo na mesa disse "Que vão dois e venham três!!" Só consegui responder "Deus te oiça".
Que Deus me oiça agora.

Ouvir e sentir (IV)

Maria João, Mariza e Teresa Salgueiro
Hino Pirilampo Mágico 2003
"Faz a magia voar"

terça-feira, 25 de março de 2008

Conversas ao jantar (VIII)

- A vida é estranha...
Pousei o copo de Quinta de Cabriz Reserva, surpreendida com a frase.
- Porquê?
- Eu sinto o silêncio. Às vezes gosto, outras não. Agora, por exemplo, estou a gostar do silêncio.
- Mas, e a música?
- A música não conta, está lá sempre, faz parte.

Ainda não foi desta

- E o Patrol, está ali dentro?!

segunda-feira, 24 de março de 2008

Amanhã...

... ele faz anos.
Quando o conheci tinha 17. Cresceu, desde então. Ficou mais calmo, sem perder a irreverência. Mais ponderado, sem perder o inconformismo. Mais doce e carinhoso, sem perder a identidade. Mais adulto, sem deixar de sonhar.
Gosto de pensar que contribuí para o seu crescimento. Que ele é um ser humano melhor porque está comigo. Tenho a certeza que sou uma pessoa melhor porque estou com ele. Ganhei confiança e auto-estima. Ainda estou a aprender a capacidade de rir de mim própria.
Um dia disse-lhe que o meu amor por ele era tão grande, que preferia vê-lo feliz ao lado de outra pessoa do que infeliz ao meu lado. Mantenho o que disse. Porque o meu amor continua igual.

Queria tanto...

... um destes só para mim!



domingo, 23 de março de 2008

Conversas ao jantar (VII)

A P. passou o dia connosco. Não é uma visita, está em casa. Entra e descalça-se. "Toma uns chinelos, o chão tá frio" reclamo eu, arrepiada. Sente frio e vai buscar um roupão, e veste-o sem pedir a ninguém. Porque se sente à vontade para o fazer, porque se sente em casa. E eu sinto-me feliz por ela sentir assim.
Jantar de camarões tigre e ameijoas brancas, e (muito) Alvarinho. Muitos risos, muita (des)conversa. Falar de tudo e de nada, umas vezes mais a sério, outras nem por isso:
- A voz da Mariza arrepia-me - diz-me ela, muito séria.
- A mim o que me arrepia é quando chegam as contas da água e da luz... - responde ele, só para baralhar o momento.
Uma noite inteira nisto, ele em desvantagem quando a conversa descambava para as relações entre homens e mulheres, mas sem nunca se dar por vencido. Quando lhe faltavam os argumentos, desconversava. Fazía-nos rir. E resultava sempre , porque a conversa fluía ligeira, sem preocupações.

sábado, 22 de março de 2008

Manhã diferente

Levantámo-nos cedo num sábado (só por isso já é diferente).
Para ir ao mercado comprar pintos e galinhas poedeiras!! (parece anedota mas não é).

A avó dele pediu-nos para comprar pintos (porque está na altura, e sente falta de alguma coisa com que se entreter). Depois dos risos, concordámos, e lá fomos. Levámos a P. por arrasto, que riu o caminho todo.
Entrámos no mercado como completos estranhos, deslumbrados com a quantidade de pessoas. Todas elas se conhecem, se cumprimentam, desejam Boa Páscoa umas às outras.
Deslumbrados com os sons e vozes, mas principalmente com as cores, tantas, tão vivas, tão puras, como não há no supermercado. Não resistimos à banca dos morangos, tão vermelhos, cheiravam tão bem!!
À saída, trazíamos uma caixa de cartão com 12 pintos e 4 galinhas (e pensar que daqui a uns tempos vão ser um fantástico frango de caril), e dois sacos cheios de morangos, que devorámos no caminho até casa da avó, sem estarem lavados nem nada. E souberam-nos tão bem!!

sexta-feira, 21 de março de 2008

Conversas ao jantar (VI)

- Tenho de fazer o IRS. - diz a ministra da finanças (eu). - Mas tem de ser no escritório, porque NÃO TEMOS IMPRESSORA EM CASA.
- Não tens porque não queres, aqui há dias estavam à venda no Carrefour por 15 euros.
- A sério? E porque é que não me disseste nada?
- Eu disse, mas não me ligaste nenhuma, estavas mais interessada em ver sapatos!
- Mas tu usas calças para quê? Não podes gastar 15 euros sem eu dizer?!
- Não me pareceu um bom negócio.
Desmancho-me a rir.
- Por acaso sabes o preço dos tinteiros para aquela impressora?
- Por acaso até sei.
- Quase que mais vale comprar uma impressora nova.
- E então?
- Isso é o que eles querem! E depois já viste a quantidade de resíduos tecnológicos que isso cria?
- Quer dizer que não temos impressora em casa por causa dos resíduos tecnológicos?
- É mais ou menos isso...

Confirma-se o velho ditado: Em casa de ferreiro, espeto de pau.

Não me sai da cabeça

- Lembraste disto? - diz-me ele, com o sorriso de uma criança que descobriu um tesouro.
- Claro que me lembro!! (E agora não me sai da cabeça!)

The Muppets Show
"Mahna Mahna"

Já é Primavera!!

Anunciou o meu nariz esta manhã. Totalmente fechado para balanço.
Acordei com a aflição de não conseguir respirar. Fui procurar o meu querido spray nasal, companheiro de desventuras sazonais.
Já sei o que me espera nas próximas semanas: a renite alérgica faz uma aliança estratégica com o nariz, e ambos tomam de assalto o meu sossego. Depois dos primeiros dias (de planeamento da ofensiva) sem conseguir respirar normalmente, a renite e o nariz já reuniram o exército que vai lutar dentro das minhas narinas, protegendo-me de qualquer polén indesejado (ou desejado, que eles não os distinguem, e pelo sim pelo não...). Só assim explico a comichão insuportável que se vai seguir, que se estende até aos olhos, e me faz andar a chorar de manhã à noite.
Em caso de ataque cerrado, recorrem aos espirros como forma de obrigar o inimigo à retirada. Espirros violentos, que me sacodem o corpo e me deixam cansada. Tudo isto acompanhado pela constante limpeza dos destroços do campo de batalha. O meu nariz goza os seus momentos de glória.
É nesta altura que eu chamo os meus reforços: anti-histamínicos e muitos maços de lenços de papel, rolos de papel de cozinha e rolos de papel higiénico (o que estiver mais à mão). E espero pelas tréguas.

quinta-feira, 20 de março de 2008

Amanhecer violento

8 da manhã. Eu a ultimar-me para sair, ele ainda a dormir.
Tocam à campainha. Insistentemente.
- Quem é?
- É a polícia. É para falar com o ...
Vou acordá-lo, tento falar baixinho, com calma.
- A polícia está à porta e quer falar contigo.
Ele levanta-se completamente alucinado.
-Sr. ...., é só para informá-lo que foi visitado por mãos alheias.
O meu coração acelera "Porra, assaltaram-nos o carro!"
- É o senhor que conduz aquela carrinha branca ....
Comecei a rir, aliviada.
Resumindo: ele deixou a pasta no chão do lugar do pendura, na carrinha da empresa. Alguém pensou que se tratava de um portátil, torceu a porta toda, sacou a pasta e não mexeu em mais nada. Quando viu que lá dentro só havia chaves de parafusos e papéis, abandonou-a ao pé do quiosque, no fim da rua, intacta com tudo lá dentro.
O mesmo não se pode dizer da porta da carrinha.

quarta-feira, 19 de março de 2008

Mudanças (IV)

Desde ontem que um pensamento me persegue: mudar.
Ainda não sei bem o quê, mas preciso de mudar alguma coisa na minha vida (de preferência que não implique cortar mais o cabelo, senão ele morre de ataque cardíaco).

Ninguém me mandou perguntar

- O que queres que te ofereça nos teus anos?
- Um Patrol.
(Ele é mesmo meiguinho a pedir!)

Momento (VI)

Morangos com chantily e chocolate quente.
É preciso tão pouco para me devolver o sorriso.

Dia do Pai

Gostava de poder fazer outro telefonema, desejar um "feliz Dia do Pai" a outra pessoa.
Oferecer-lhe uma rosa azul, só pelo gesto, só pela certeza.
Gostava de poder dizer "Vais ser pai".
Mas isto eu não posso dizer. Ainda não.

Pai

Já liguei ao meu pai. Desejei-lhe um dia feliz.
Um desejo sincero, porque quero mesmo muito que ele seja feliz.
A vida nem sempre lhe tem sorrido, em algumas alturas tem sido madrasta. Noutras, mãe ausente. Também houve alturas em que foi ele que traçou o caminho, e acabou por sofrer as consequências. Mas aprendeu a lição. Aprendemos sempre com os nossos erros.
Eu continuo a ser a sua menina. Ele continua a ter ciúmes pelo facto de eu ligar mais para a mãe do que para ele. "Ligo para a mãe porque ela me faz o relatório completo. Tu dizes sempre que está tudo bem". Ele não responde, vencido mas não convencido.
Não lhe disse o quanto gosto dele. É um pai à moda antiga, o amor pelos filhos não é verbalizado. E o nosso amor por ele acaba também por ser mostrado sem ser dito.
Mas devia ter dito.
Pai, adoro-te e preocupo-me contigo. Desejo de todo o coração que encontres a paz necessária para seres feliz. Fazes-me falta, por isso vê se cuidas de ti, para poderes viver muitos anos, e levares os teus netos pela mão ao café, e comprar-lhes gelados, como fazias connosco quando éramos pequenos.
Mas isto eu não posso dizer. Ainda não.

terça-feira, 18 de março de 2008

De uma grande amiga (III)

enfim... vamos recomeçar tudo de novo!!!

até porque estamos mesmo no período certo...

a Páscoa existe para nos lembrar da ressurreição!!!
ressurreição do sorriso, da alegria de viver, do amor,
da amizade, da vontade de ser feliz!!!
ressurreição de sonhos de lembranças...

temos k acreditar!!!

Brincar com o que não tem graça

Vou dar nomes às minhas folhas de excel, para acalmar os meus instintos assassinos (em versão delete all).
Esta aqui vai chamar-se Floribela.
A próxima vai ser Elsa.

segunda-feira, 17 de março de 2008

domingo, 16 de março de 2008

Se eu fosse...

Este desafio foi-me lançado pela free speaker do À vista de todos (obrigado por te teres lembrado de mim :))...

Se eu fosse um mês seria... Setembro
Se eu fosse um dia da semana seria... Sábado
Se eu fosse um número seria... o2
Se eu fosse uma flor seria... uma rosa
Se eu fosse uma direcção seria... sul
Se eu fosse um móvel seria... a minha cama
Se eu fosse um liquido seria... água
Se eu fosse um pecado seria... a preguiça
Se eu fosse uma pedra seria... uma safira
Se eu fosse um metal seria... prata
Se eu fosse uma árvore seria... uma cerejeira
Se eu fosse uma fruta seria... uma cereja
Se eu fosse um clima seria.... tropical
Se eu fosse um instrumento musical seria... um piano
Se eu fosse um elemento seria... água
Se eu fosse uma cor seria... branco
Se eu fosse um animal seria... um golfinho
Se eu fosse um som seria... das ondas do mar
Se eu fosse uma canção seria... May it be
Se eu fosse um perfume seria... D&G Light Blue
Se eu fosse um sentimento seria... amor
Se eu fosse um livro seria... Confesso que vivi
Se eu fosse uma comida seria... cozido à portuguesa
Se eu fosse um cheiro seria... a mar
Se eu fosse uma palavra seria... carinho
Se eu fosse um verbo seria... amar
Se eu fosse um objecto seria... um livro
Se eu fosse uma peça de roupa seria... sapatos
Se eu fosse uma parte do corpo seria... os olhos
Se eu fosse uma expressão seria... "Isto passa"
Se eu fosse um desenho animado seria... Tweety
Se eu fosse um filme seria... Antes do amanhecer
Se eu fosse uma forma seria... redonda
Se eu fosse uma estação seria... o Verão
Se eu fosse uma frase seria... Carpe Diem (sease the day)

Ouvir e sentir (III)

Descobri esta música por acaso.
Pelo som do piano e pela voz maravilhosa.

Amy Lee (Evanescence) a solo
"You"


Excesso

... de bolachas de chocolate
... de cigarros
... de cajus com sal
... de pensamentos

sexta-feira, 14 de março de 2008

Luta interior

- Há coisas que eu preferia não saber, sinceramente. Rais parta as mulheres e tudo o que elas sabem. - diz-me ele, num misto de pena, preocupação e revolta. Uma cliente contou-lhe uma situação grave, por que está a passar uma pessoa que ambos conhecemos. Não é amiga, só conhecida, mas saber que ela está a passar por uma fase complicada deixou-nos incrédulos. Fez-me pensar que, por comparação, não tenho nada de que me queixar.
Todos nós temos problemas. Qualquer pessoa que vemos na rua ou que cumprimentamos no café, está a passar por um dilema, tem algum tipo de preocupação ou dificuldade por ultrapassar.
Li algures a frase:
"Trata todas as pessoas que conheceres com gentileza, porque todas elas estão a viver algum tipo de luta interior".

quinta-feira, 13 de março de 2008

Mais um mês...

... de esperanças vãs, de esperas, de sonhos que não passam disso mesmo.
Num cantinho obscuro do coração ainda tinha a esperança ingénua que o problema ficaría resolvido automaticamente com a cirurgia. E a fé ainda mais ingénua de que podería ficar grávida à primeira, depois disso. Sei que não devia, sei que o corpo precisa de tempo para normalizar, pode demorar meses ou até anos. Mas a espera angustia-me, cada vez mais.
Tento esquecer o tempo perdido, não contar os dias, não olhar para as cadeirinhas de bebé no banco de trás dos outros carros. Evito ir passar um fim de semana a casa dos meus pais, com medo que a minha mãe deixe de pedir um neto, na brincadeira; e queira saber, a sério, se há algum problema. Refugio-me no trabalho, substituindo divagações por números e fórmulas.
Consigo atenuar o sabor amargo da desilusão, mas não consigo fazê-lo desaparecer.

Cansaço

12 horas a trabalhar folhas de excel.
Quando os números começavam a dançar descontroladamente no ecrã, ía até as janelas do Aquário, para descansar os olhos na paisagem.
Quando voltava, os números já tinham acalmado.





terça-feira, 11 de março de 2008

Em paz

Deito-me sem acender a luz, para não o acordar.
Encosto-me de mansinho, tendo o cuidado de o proteger das minhas mãos geladas.
Ouço a respiração compassada do sono profundo.
Fecho os olhos e vejo-o a dormir.
Gosto de o ver a dormir, as feições suavizam-se, volta a ser criança.
Ele sente-me e aproxima-se, abraça-me.
Um abraço que me aquece a pele e o coração.
Adormeço em paz.

Momento (V)

Hoje ofereceram-me uma flor e um ovo de chocolate grande.

Dor de estômago

Começo agora a aperceber-me do trabalho que vou fazer, mapas e mapas de excel à espera de ser preenchidos, toda a informação de Janeiro e Fevereiro em atraso, números sem fim a dançar à minha frente, aguardam que eu os ponha na ordem. Sinto um nó no estômago, antecipando um mês de stress e pressão.
Sei que assim que puser tudo em dia, vai ser fácil, e até sou capaz de gostar. Mas este pensamento não chega para acalmar a ansiedade, o medo de fracassar nas novas funções. Não gosto de trabalhar sob pressão, no "deadline", apesar de cumprir sempre. O estado nervoso nunca foi suficiente para bloquear a acção, e o trabalho aparece feito. Mas os nervos estão lá, constantes, e dão-me cabo do estômago. Literalmente.
E já começou a doer.

segunda-feira, 10 de março de 2008

À procura de um anjo (II)

O estado de espírito continua o mesmo...

Lamb
"Gabriel"

domingo, 9 de março de 2008

Momento (IV)

- Já reparaste que este fim de semana não tivémos tempo para nós?
(Fiquei a sorrir por dentro, por saber que ele sentiu o mesmo que eu).

Pijamar

Levantar-copo de leite-banho-banana-cigarro-net-laranja-cigarro -net-bolacha-filme-laranja- cigarro-outro filme. Foi assim o meu dia.
Quando acordei (meio dia e meia) ele não estava em casa. Estranhei, fui à janela: o carro estava estacionado, a chave da mota estava no sítio. Deixou-me um sms no telemóvel "Estou aqui" seguido de um link sobre uma prova de TT em Minjoelho (eu não fazia ideia que havia uma terra chamada Minjoelho). Só então me lembrei, ele tinha-me dito que ía com o B.
Andei por aqui, em pijama, a casa silenciosa. Mas hoje não me senti à vontade com o silêncio, senti-me sozinha, senti a falta dele. Este fim de semana não estivemos juntos mais de meia hora, não tivémos tempo para nós. E fez-me falta.

Dia da Mulher

Jantar numa mesa com 20 mulheres e outras tantas garrafas de vinho é uma experiência aterradora. Nem sei como me deixei convencer, só conhecia duas pessoas daquele grupo, e fui por elas. Quando o alcoól começou a fazer efeito e os risos se tornaram mais estridentes, a minha vontade era fugir (os dois copos de vinho que bebi não chegaram para entrar no espírito).
Pior do que isso só ver uma discoteca cheia de mulheres de meia idade. Notava-se perfeitamente que não estavam à vontade, num ambiente estranho em que olhavam escandalizadas para as miúdas de minisaia. O ponto alto da noite foi a avalanche a correr para a pista e varanda, quando anunciaram o streaptease masculino. Eu acomodei-me melhor no sofá onde estava sentada, e continuei a conversa com a S. Ela contava-me de Maiorca, eu contava-lhe de Cabo Verde. Ás 4 horas já estava em casa.

sexta-feira, 7 de março de 2008

Ouvir e sentir (II)

Celtic Woman
"You raise me up"
Live at Dublin

Sonho

Estou no consultório do ginecologista (nem sei porque foi um homem, sempre tive uma médica), e digo-lhe que hoje não podemos fazer o exame, porque estou com o período.
- Tem a certeza? Mas olhe que você está grávida.
Começo a chorar e a rir ao mesmo tempo, saio a correr para a sala de espera, para lhe contar. Ele vê-me em alvoroço e fica na expectativa, mas a emoção é demasiada, não tenho ar para respirar, para lhe dizer finalmente as duas palavras tão sonhadas.
A noite passada sonhei que estava grávida.
Já não me bastava sonhar acordada, agora a ideia que tenho tentado a todo o custo afastar do pensamento, para não sofrer todos os dias, invade-me os sonhos.
Pareceu tão real. Senti a emoção mais pura, a esperança e o alívio, as lágrimas a cair pela cara e o som do meu riso. E disse as palavras, as duas palavras que ainda são uma miragem: estou grávida.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Acabar o sofrimento

Não me apetece dizer uma palavra, porque a primeira que sair será uma asneira, e a segunda também. E a terceira... para rematar. Porque estou furiosa por ter estado 2 HORAS à espera de um reboque, porque odeio esperar, porque preferia ter continuado a conduzir até o carro começar a largar peças pela estrada. Só não o fiz com medo pela minha integridade física, ou de provocar algum acidente. Mas gostava de garantir que ele morria de vez.
O carro da empresa deixou-me ficar mal, novamente. Mas a culpa não é dele, coitado, já tem mais de 370 mil kms, já está velhote. A culpa é de quem não quer arranjar um carro em condições para eu trabalhar. A culpa é de quem acha que para ir a Lisboa 4 ou 5 vezes por mês, este chega muito bem.
Depois há a outra versão: "Você é que é uma destruidora de carros!" Bem sei que é dito em tom de brincadeira, mas a brincar vou ficando com o rótulo de "acelera que parte os carros todos", o que é mentira, porque o Corsa que eu tive antes nunca me deu problemas (nem eu a ele). Mas quando acabou o contrato de ALD, havia menos vendedores, e não valia a pena manter a frota. Eu fiquei com o "vermelho", que chegou às minhas mãos já velho "mas nunca tinha dado chatices". Claro que não, foi acumulando e descarregou tudo em mim!
Já é a quinta vez que este carro me deixa pendurada. Na primeira vez o cabo do acelerador prendeu no fundo (daí vem a minha fama de acelera), na segunda, a água do radiador aqueceu demasiado e saltou fora, provocando uma nuvem de vapor a sair do capô, que me deixou em pânico porque julguei ser fumo. As outras duas foram problemas de bateria. Quando um carro começa a passar mais tempo na oficina do que na estrada, alguma coisa está mal!!
E agora, luz vermelha da temperatura acesa e fumo branco a sair do cano de escape. Diagnóstico: queimou a junta da cabeça do motor.
Pode ser que morra de vez. Assim acaba-se o sofrimento. O dele e o meu.

quarta-feira, 5 de março de 2008

Lamechas...

... é como eu estou...

Delta Goodrem e Brian McFadden
"Almost Here"


Conversas ao jantar (V)

- Temos uma estagiária nova.
- Mau!!
- Heih, tem 18 anos, meio metro de gente (dito com ar de profundo desinteresse). Mas é fixe ter lá uma mulher.
- Porquê?
- Porque assim não dizemos tantas asneiras, não arrotamos e não nos peidamos a torto e a direito.

A idade do espírito

A minha mãe está a ficar velha. Não de idade, mas de espírito. Tornou-se rígida, perdeu a capacidade de aprender coisas novas, de agir de formas diferentes. A mais pequena mudança faz-lhe uma confusão tremenda e deixa-a sem reacção. Quase impõe uma ditadura dentro de casa, porque as coisas têm de ser feitas à maneira dela, e não permite que os outros (o meu pai e os meus irmãos, coitados) tenham uma opinião diferente.
Recusa ir passar dias à serra, quando o meu pai está de férias, para não deixar "os putos" (de quase 30 anos) sozinhos em casa "porque podem deixar a luz acesa ou a torneira aberta".
Tento abrir-lhe um pouco os horizontes, quando estou com ela, dizer-lhe que tem de ser mais flexível, que não pode ser tudo como ela quer. Mas não estou com ela tantas vezes quantas seríam necessárias para levar a mudanças.
Ela sente falta de companhia. Era a minha "função", enquanto vivia em casa dos pais, algo que eu fazia com alegria, porque a adoro, e porque podia falar com ela sobre tudo.
Tinha um espírito muito aberto. Nunca me esquecerei do dia em que saí de casa para ir morar sozinha, foi no dia de anos dela. Jantámos, cantámos os parabéns e ela disse-me "Que rica prenda de anos que me dás, vais embora de casa". Mas disse-o sem mágoa ou ressentimento, porque estava feliz por mim, por ver-me levantar voo. Já dentro do carro, vi-os à janela, e quem estava à chorar era o meu pai, enquanto ela tinha um sorriso de coragem nos lábios.
Durante mais de 20 anos nunca nos deixou ter um cão. Uma semana depois de eu sair de casa, adoptou uma cachorrinha com pêlo cor de mel, com quem fala como se fosse uma pessoa (e para quem o meu pai compra miniaturas de pastel de nata!!).
Quando me apanha no telemóvel, fala, fala, fala, porque sente falta de alguém que a ouça, tem três homens em casa, mas que não têm paciência para ouvir as histórias do voluntariado ou do chá com as amigas. Eu tenho. Mesmo quando não tenho. Porque a adoro.

terça-feira, 4 de março de 2008

Mudanças (III)

Vou mudar de funções. Vou deixar de contactar clientes e passar a coordenar quem os contacta. Vou passar a analisar o desempenho dos outros, as estatísticas, as margens, os investimentos, a evolução de negócios. Os resultados do meu trabalho vão ser a base de tomada de decisões, não de uma, mas de três empresas. E isso mete medo.
Foi uma proposta imposta, sem margem para um não. Um voto de confiança mas também um acréscimo de pressão e responsabilidade. O trabalho de campo de três pessoas (fora os comerciais) vai estar dependente do meu cumprimento de prazos, da minha rápida resposta a qualquer solicitação. A minha presença vai ser exigida em todas as reuniões da direcção comercial.
Não tenho medo do trabalho, tenho medo de falhar. Tenho medo de não corresponder às expectativas. Não preciso de ser a melhor, mas preciso da sensação de dever cumprido, fechar a porta do escritório à tarde, sabendo que ficou tudo feito, bem feito. E tenho medo de perder essa sensação que me dá segurança.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Silêncio

Invariavelmente chego a casa antes dele, os horários são diferentes.
E ainda bem, assim não sou obrigada a falar com ninguém de manhã, antes de sair de casa (sou insuportável quando acordo), e no regresso encontro esta calma que me faz falta para descomprimir de um dia de trabalho.
Sento-me no sofá, iluminado somente pela luz de fim de tarde que ainda entra pelas janelas, e fico alguns minutos quieta, a saborear o silêncio da casa sossegada.
Se já tivesse filhos não sería assim: havería sempre risos ou choros, brinquedos espalhados pelo chão, atenções redobradas...
Se já tivesse filhos não havia silêncio, mas esta casa tería outra alma.

domingo, 2 de março de 2008

Na serra... (V)

... passei um fim de semana que me soube muito bem.
A P. fica feliz da vida quando vamos ter com ela a Oliveira (do Hospital), e desta vez a ideia era irmos conhecer Piodão.
Se algum de nós (três casais, incluindo uma grávida de 5 meses) enjoasse nas curvas, tinha morrido antes de lá chegar, mas ninguém era fraco de estômago, e foi um passeio excelente.
Voltámos abastecidos com os famosos licores de Piodão (mais uma aguardente de favos de mel manhosa, sem rótulo, que ele diz que é muito boa), e com os olhos cheios de uma aldeia de brincar, onde apetece descobrir cada viela e olhar para cada janela com atenção.
Foi um fim de semana de descontracção, em que o riso saiu fácil porque nos sabíamos entre amigos, em que o facto de não termos dormido bem (mal habituados da nossa cama de quase 2 mts) foi largamente suplantado pela simpatia das pessoas que nos recebem de braços abertos.
Sentados na varanda da Associação Progressiva da terra, a beber minis e a contemplar o crepúsculo a descer nos telhados, enquanto das chaminés começavam a sair cheiros de comida caseira, não pensávamos em nada, porque ali não havia nada para pensar, só para sentir.

Na serra... (IV)

... prestamos atenção aos pormenores, sejam eles uma joaninha que por pouco não pisámos, um ramo de hera que teima em trilhar um muro, ou uma sala de chá onde nos apetece ficar a ler um livro...





Na serra... (III)

... as casas de xisto com portas e janelas azuis deixam-nos extasiados.
Percorremos as ruas estreitas, devagar, a espreitar em cada beco, a beber água em cada fonte...



Na serra... (II)

... as horas têm mais minutos e menos silêncios, porque os sons são constantes: os nossos passos nos caminhos de terra, as exclamações de deslumbramento que não conseguimos conter, o silvo do vento tão perto...



Na serra...

...acordamos com a neblina a dissipar-se por cima dos telhados.
O som de água a cair é constante, o rio está aos nossos pés.
As cores são mais vivas, porque aqui a Primavera já anunciou a sua chegada.