sábado, 12 de junho de 2010

A vivência

Começamos o dia com a visita a um cemitério, que não varia muito dos nossos, excepto por ter um vendedor de bijuterias à entrada, e um café com esplanada a funcionar no interior do espaço murado.


Voltamos ao Grande Bazar, paragem obrigatória para um grupo maioritariamente feminino, apesar de ter sido com um timing definido (e sempre curto, mas tinha de ser, ali perdemo-nos - em todos os sentidos) . São lojas e lojinhas que vendem de tudo, do mais kitch que um turista pode querer ao mais foleiro que as turcas têm coragem de usar (isto existe mesmo, e não são fatos de carnaval...),

Comprovamos uma vez mais que sim, o espaço é labiríntico, é impossível não nos perdermos lá dentro, e cada canto, cada esquina, tem algo para fotografar e mostrar.



Também devia haver lentes para a Canon, mas não tive tempo nem coragem de ir procurar e regatear.Acabamos por perguntar o significado daqueles fatos de mini-sultão que enchem algumas montras e que nos intrigaram porque já tínhamos visto alguns putos assim vestidos na rua (mais uma vez, não é carnaval...): é o fato da cerimónia de circuncisão, e existe em todos os tamanhos desde os 3 meses aos 11 anos de idade.



E foi ali, numa das saídas, enquanto ouvia os cânticos cruzados dos Muezzin e apreciava quase hipnotizada o movimento constante das ruas, que me lembrei do meu pai, e rezei para que ele soubesse como eu estava feliz.


Entramos no Bazar das Especiarias, onde os aromas e cheiros nos chegam às golfadas e as cores desafiam a imaginação, um festim para os sentidos, beleza pura que merece ser vivida.



Seguimos para a Nova Mesquita, junto à margem do Bósforo, onde um festival de pombos esvoaçantes fazem as delícias de miúdos que lhes atiram migalhas de pão (é claro que me passou pela cabeça a típica frase "se te cair alguma coisa em cima, dá graças a deus por as vacas não voarem...).



Fazemos a viagem de vapur pelo Bósforo até Kadiköi, o lado asiático de Istambul.


Só pela graça de pôr os pés na Ásia, porque o tempo não estica e o sol não espera por nós. Em ambas as margens nota-se que os turcos vivem o estreito de uma forma muito intensa, sentam-se em qualquer degrau em frente à margem, a comer, a namorar, a conviver.


Regressamos de barco e o pessoal dispersa-se entre banhos turcos, compras ou o regresso ao hotel para descansar um pouco. Prefiro aproveitar a luz deslumbrante do entardecer e continuo a fotografar, enquanto ouço um pouco mais de uma história errante mas completa, cheia de experiências de vida, algumas que poucas pessoas querem algum dia conhecer, outras que fazem a inveja de quem julga que há tanto mundo para descobrir. Diz-me que tem sorte, e eu respondo com a frase de um amigo "a sorte apanha-me sempre a fazer os trabalhos de casa".


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