segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Com uma vénia (XXI)

"gosto de viver apaixonado. é tramado, às vezes complica, mas é a única forma de fazer valer a pena cada hora do dia. sou apaixonado pelas pequenas coisas da vida: aquele nascer do sol na janela, o cheiro do café da manhã, as gotas da chuva no vidro do carro, a imagem da ponte com o mar ao fundo, a música alto e eu a assobiar, a música baixo e eu a olhar-te. gosto de treinar os sentidos para estarem todos alerta, todos a apanhar os pequenos momentos que fazem um dia sempre diferente, sempre qualquer coisa mais bonita, mais doce, mais salgada. mais intensa. é isso que é viver apaixonado: é ser intenso. é ser sempre mais..

complica? muito. dá trabalho? porra, se dá. mas é tão bom. e é simples - é uma questão de gestão. é saber equilibrar uma vida entre a responsabilidade, os compromissos, a brincadeira, a parvoíce, o amor estável e forte, e a paixão, louca e bipolar. viver apaixonado não é andar sempre nas nuvens. pelo contrário, é andar bem assente na terra, mas todos os dias, no mais pequeno detalhe, sentir aquela emoção, e viajar, nem que seja por segundos, ao mais longe dos destinos. irritam-me as pessoas que baseiam a vida apenas no racional. ficam previsíveis, monótonas, sisudas, mesmo no maior sorriso - porque é lógico. e eu gosto mais dos risos puros, sem lógica, sem motivo aparente, só porque sim, só porque do meio do nada veio aquele aperto no peito, aquela vontade de rir, seja do nervoso do momento, da emoção, ou apenas do toque de um olhar que se cruza em nós. 

porque bom mesmo é viver apaixonado por alguém. primeiro pela pessoa que somos. às vezes erramos, às vezes distraímo-nos, mas saber sempre que gostamos do que somos. e do que fazemos acontecer nos outros. depois, ser apaixonados pelos filhos. são tão mais bonitas as pessoas que vivem apaixonadas pelos seus. emocionam-me. como tu. e acredita, bom mesmo é viver apaixonado por ti. chega a ser irritante dizer-te sempre que te vejo: 'estás linda!'. mas porque estás verdadeiramente. pelo menos aos meus olhos. sabes, a voz embargada quando te digo que te amo, depois de acordar contigo, é pelo espanto, cada dia sempre novo, de como é bom sentir-te. como se o peito tivesse sempre um pouco mais cheio, um pouco mais feliz. sempre um bocado mais. é isso que somos: sempre mais. é isso que me embarga o amo't. e é tão bom.."

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Enamorar(-me) sempre

Ver o meu filho a comer é das imagens mais bonitas que tenho. Perco-me a observar-lhe os gestos, os olhares, as expressões faciais tão pronunciadas de cada estado de espírito (mesmo daqueles que me levam ao limite da paciência humana).
Sentir o calor dele quando se vem enroscar em mim depois da sesta, e ficamos assim, deitados frente a frente, as mãos macias a segurar-me a cara e os olhos atentos fixos nos meus.
Saborear-lhe as bochechas fofas em mil beijos que ele (ainda) aceita deliciado enquanto me aperta o pescoço num abraço de mimo.
Cheirar-lhe a pele doce de menino anjo enquanto dorme sereno, e pedir a deus para que o seu sono seja sempre assim.
Ouvir-lhe as gargalhadas puras e inocentes enquanto dançamos (aos saltos...) no tapete da sala, e sentir o coração a insuflar no peito; escutar as canções que passa o dia a cantarolar e que me deixam sempre a sorrir, tanto como a voz grossa com que dá ordens como se fosse um general na frente de um pelotão.
Dar-lhe colo, sempre. Dizer que é o meu amor pequenino, todos os dias.
Querer que ele saiba que foi a maior benção que a vida me deu, que me tornou completa e serena, que me deu paz.  Estar presente e ser feliz, para lhe dar o exemplo vivido que o guiará, para que se sinta protegido e amado em todos os momentos, e para que tenha como verdade inabalável a certeza do meu apoio incondicional e do meu amor mais puro.

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Picking up the pieces *

Esteve esquecida dentro de um cesto durante mais de um ano. O tempo que demorou a fazer as pazes com quem tricotou todos aqueles quadrados de lã, com a mesma dedicação que punha em tudo o que fazia para mim. O tempo que demorou a aceitar. A juntar todos os quadrados como quem junta de novo todos os bocadinhos de um coração dorido. Para criar finalmente a manta de retalhos mais imperfeita e sinuosa, mas ao mesmo tempo a mais quente e forte, de todas as que já fiz.

* (Acho que é a isto que chamam "reerguer-se"...)




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Embalar(-me) (XLII)



Selah Sue feat. Ronny Mosuse
"Ain't No Sunshine "

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Agridoce (II)




Voltar à tua Serra será sempre um equilíbrio frágil entre o deslumbre da paisagem que me faz sentir pequena e as saudades do teu sorriso que me fazem sentir minúscula. Não preciso de me ajoelhar aos pés da campa, como fiz hoje, para sentir a falta que me fazem. Falo convosco quando quero e preciso (tantas vezes, ironicamente, quando estou a fumar um cigarro à janela, sabendo o quanto este meu vício vos deve moer...)
Senti a tua presença em cada rajada de vento gélido que me empurrava, e o teu respeito pela Serra em cada gota de chuva grossa que me batia na cara. A natureza no seu estado mais bruto e selvagem, a recordar-me que não é possível controlar tudo. E que a vida (tal como a natureza) se encarrega sempre de seguir o seu rumo.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Treinar (IX)*






* E sentir um imenso orgulho pelo sucesso de quem me é querido.

domingo, 7 de fevereiro de 2016