domingo, 28 de fevereiro de 2010

"Quando um coração se despedaça não faz barulho. Não se verificam quaisquer sinais exteriores, não há feridas nem nódoas negras. Sente-se apenas uma estranha calma que se apodera de tudo quando não existem mais lágrimas para derramar e quando não há mais voz para bradar o nosso desgosto no silêncio; e depois vem uma resignação que entorpece os nossos sentidos como uma droga, pois se assim não fosse, de que outra maneira seríamos capazes de continuar a viver? As pessoas sobrevivem, apesar de si mesmas."

In: The Forget-Me-Not Sonata

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Um dia...

... voltaremos a encontrar-nos, pai.

Melissa Venema e Andre Rieu
Il Silenzio

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Estranhar

"O mar está bravo". Foi a forma mais soft que o meu irmão encontrou de dizer que o meu pai não se safa desta. E eu recebo os telefonemas da C., cada um pior que o anterior "o teu pai vai ser entubado", "o teu pai está em coma induzido" e não sinto nada, nem dor, nem mágoa, nem revolta, estou num torpor que assusta toda a gente à minha volta, parece que estou anestesiada, e não me reconheço nesta calma gélida e insensível, talvez tenha desistido de tentar controlar o incontrolável, o que não está nas minhas mãos, as minhas lágrimas não resolvem nada, as dores de estômago também não, possivelmente vou pagar isto tudo daqui a umas semanas, quando me começarem a cair tufos de cabelos uns atrás dos outros, mas para já vivo esta estranha forma de espera, sem drama e com a profunda crença que Alguém lá em cima vai tomar a decisão certa, escolher o que fôr melhor não para mim, mas para o meu pai.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

No dia em que fiz 32 anos...

... troquei o jantar no Casino do Estor.il pela visão do meu pai ligado a máquinas e oxigénio.
... troquei o serão de fados e guitarras portuguesas por um rodízio brasileiro e sangria à 10 da noite. Com a minha família. Aqueles que me amam incondicionalmente. Os que não perguntam se eu quero que eles venham, porque vêm logo, largam tudo e vêm.

Soltar o fel...

... devagarinho para não magoar muito...
Hoje gostava que me tivessem feito uma surpresa. E não precisava de ser nada disto (se bem que não dizia que não...).

Também já não falo em algo assim, porque era bom demais, alguém dar-se ao trabalho de me fazer uma festa-surpresa...

Tenho a lucidez suficiente para perceber que as pessoas da minha vida não são dadas a devaneios criativos, isso dá trabalho e chatice, e para isso já basta o emprego. Os gestos espontâneos e apaixonados perderam-se algures entre o secundário e a faculdade, gostava de reencontrá-los, um dia, ficava feliz com um dia de suspiros e borboletas na barriga e lágrimas de alegria (já não me lembro quando foi a última vez que chorei de alegria).
Bastava aparecer com uma flor na mão e um sorriso sincero. Para eu continuar a acreditar que ainda tenho a capacidade de me surpreender (ou que o(s) outro(s) ainda têm a capacidade de me surpreender).
Nem a presença da R. preenche este vazio de me sentir sozinha no meio de 2000 pessoas que percorrem estes stands (a R. é uma querida mas não considero uma amiga, não me conhece, não sabe o que eu sinto e penso - porque eu não deixo, também é verdade - só sabe como eu trabalho, a R. que está a tentar engravidar - eu ía dizer "como eu", mas não é verdade, nem vale a pena falar nisso hoje, para não estragar mais).

Acreditar (II)

Visto aqui.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Esperar

Depois de passar o dia no hospital (nós parecemos uma família de ciganos, onde só podia estar um acompanhante com o doente, nós éramos seis de volta da maca do meu pai; o facto de o puto mais novo e as minhas duas cunhadas serem bombeiros tem destas vantagens), a minha vontade era cair em cima da cama e apagar, mas senti-me na obrigação de participar no jantar organizado no Campo Pequ.eno, uma Lounge Party para descontrair (uau...).
Muitas luzes psicadélicas, muitos flashs, meninas a dançar em cima das mesas, vinhos maus, comida intragável.
Mais valia ter ficado a dormir.