- Algum dia ainda me vou sentir atraído por uma velhota destas - diz ele, a apontar para uma foto de duas senhoras de cabelo branco, com cerca de 70 anos, num artigo sobre voluntariado sénior.
- Tás à espera que eu morra antes, certo?!
- Não. Acho que há uma idade para tudo. Agora, por exemplo, já não me sinto atraído por pitas (dito em versão "olhar não faz mal"). Por isso um dia é natural que olhe para uma mulher destas e fique a pensar "Chupava-te os óculos todos!!"
- Ou seja, vais ser um velho rebarbado!!!
(Não há pachorra!!)
"Passou tudo tão depressa / nunca te falei de mim / o que digo não importa / o que sinto talvez sim."
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Politicamente correcto
Porque é que eu fico a sentir-me mal quando sou a primeira a sair do trabalho, mesmo que já tenha passado da hora?
Porque é que toda a gente faz questão de ficar a fazer tempo, para sair uns politicamente correctos 20 minutos depois do estabelecido? Porque parece bem?
Tenho um trabalho de escritório, com um horário pré-definido que chega perfeitamente para cumprir as minhas funções, fico até mais tarde quando tenho de acabar alguma proposta ou outra treta qualquer que o boss se lembra de pedir à última da hora.
Se tenho de chegar a horas (e pico o ponto para confirmá-lo) e se não me pagam horas extraordinárias (mesmo quando fico numa reunião até às 8 da noite), não me sinto na obrigação de ficar para parecer bem.
Tenho plena consciência que toda a gente evita ser a primeira a abandonar o posto, como se isso fosse imagem de desleixo, não querer saber do trabalho, sei lá.
A eterna dúvida sobre escolher a vida ou a carreira, para mim tem uma resposta fácil: trabalho não só porque preciso do dinheiro, mas porque gosto de estar ocupada, e se ficasse em casa dava em louca. E gosto do trabalho que faço, que me permite o contacto com muitas pessoas, da Polónia a Macau, do Canadá a França. Mas trabalho 8 horas por dia, ponto. Não tenho uma carreira, e também não a quero se isso implicar roubar tempo a tudo o que gosto de fazer fora daquelas quatro paredes.
Mas continuo a sentir-me mal quando sou a primeira a sair.
Porque é que toda a gente faz questão de ficar a fazer tempo, para sair uns politicamente correctos 20 minutos depois do estabelecido? Porque parece bem?
Tenho um trabalho de escritório, com um horário pré-definido que chega perfeitamente para cumprir as minhas funções, fico até mais tarde quando tenho de acabar alguma proposta ou outra treta qualquer que o boss se lembra de pedir à última da hora.
Se tenho de chegar a horas (e pico o ponto para confirmá-lo) e se não me pagam horas extraordinárias (mesmo quando fico numa reunião até às 8 da noite), não me sinto na obrigação de ficar para parecer bem.
Tenho plena consciência que toda a gente evita ser a primeira a abandonar o posto, como se isso fosse imagem de desleixo, não querer saber do trabalho, sei lá.
A eterna dúvida sobre escolher a vida ou a carreira, para mim tem uma resposta fácil: trabalho não só porque preciso do dinheiro, mas porque gosto de estar ocupada, e se ficasse em casa dava em louca. E gosto do trabalho que faço, que me permite o contacto com muitas pessoas, da Polónia a Macau, do Canadá a França. Mas trabalho 8 horas por dia, ponto. Não tenho uma carreira, e também não a quero se isso implicar roubar tempo a tudo o que gosto de fazer fora daquelas quatro paredes.
Mas continuo a sentir-me mal quando sou a primeira a sair.
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
A terra da avó
Ao ler este post recordei-me da terra da minha avó, onde passei os melhores momentos da minha infância. Desde que me conheço como gente, que as férias grandes eram passadas ali, entre galinhas e pavões, tomateiros e laranjeiras.
Lembro-me da matança do porco na eira (agora nem isso se pode fazer, a ASAE não deixa), e de como ficava aterrorizada com os grunhidos de dor do animal.
De tomarmos banho no tanque, que na altura nos parecia uma piscina olímpica, e de aproveitarmos para lavar os cães também (um dia o meu primo mais novo lembrou-se de fazer o mesmo aos gatinhos recém-nascidos). De fugir dos patos-bravos, aos saltos depois de serem degolados pela minha avó.
Lembro-me de andarmos (eu e o meu irmão, na altura com 6 e 5 anos) a ajudar(?) a semear o milho, e a minha avó a meter as mãos à cabeça e a rogar-nos pragas pelos punhados que despejávamos em cada buraco (mais tarde chegou a dizer-nos que nunca teve milheirais tão bons como aqueles). Das tigeladas que ela fazia (divinamente) no forno a lenha. De almoçarmos na eira, debaixo do chorão grande.
Lembro-me de ter sido muito feliz na terra da minha avó.
Lembro-me da matança do porco na eira (agora nem isso se pode fazer, a ASAE não deixa), e de como ficava aterrorizada com os grunhidos de dor do animal.
De tomarmos banho no tanque, que na altura nos parecia uma piscina olímpica, e de aproveitarmos para lavar os cães também (um dia o meu primo mais novo lembrou-se de fazer o mesmo aos gatinhos recém-nascidos). De fugir dos patos-bravos, aos saltos depois de serem degolados pela minha avó.
Lembro-me de andarmos (eu e o meu irmão, na altura com 6 e 5 anos) a ajudar(?) a semear o milho, e a minha avó a meter as mãos à cabeça e a rogar-nos pragas pelos punhados que despejávamos em cada buraco (mais tarde chegou a dizer-nos que nunca teve milheirais tão bons como aqueles). Das tigeladas que ela fazia (divinamente) no forno a lenha. De almoçarmos na eira, debaixo do chorão grande.
Lembro-me de ter sido muito feliz na terra da minha avó.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Livros
"A partir do momento em que aprendi a ler, nunca mais me senti sozinha."
A frase não é minha (foi dita pela primeira dama Maria Cavaco Silva, em entrevista a Alice Vieira para a última edição da Activa) mas podia muito bem ser.
Leio de tudo, de sonetos de Florbela Espanca a Gabriel Garcia Marquez, de Eça de Queirós (adorei "Os Maias", anos depois de ter sido obrigada a lê-lo na escola) a Paulo Coelho, de José Eduardo Agualusa a Gao Xingjian (se bem que ainda não acabei "A Montanha da Alma", não ando com espírito).
Gosto de livros que me levem para outras realidades, que me mostrem um mundo que não é o meu, mesmo que não seja o mundo de ninguém. Também gosto de livros com sentimento, histórias de amor (não confundir com romances de cordel, para esses não há pachorra), não necessariamente de romance e com final feliz.
O livros fazem-me companhia, não só o que ando a ler, mas todos os outros que estão adormecidos nas estantes, alguns já lidos, outros à espera da sua vez de serem tocados, abertos e explorados. Depois há os preferidos, guardados religiosamente num armário com portas de vidro, para estarem mais protegidos, porque a qualquer momento são resgatados, vezes sem conta, não para voltar a lê-los do início, mas para lembrar as passagens que ficaram marcadas, porque me marcaram.
É uma sensação fantástica, pegar num livro novo, passar os dedos pela capa, abri-lo, sentir o cheiro do papel, ler o primeiro parágrafo. Logo aí percebo se vou gostar dele ou não. Se ele me conseguiu cativar imediatamente ou se vai ter de se esforçar um pouco para me manter interessada. E depois não pára quieto: do quarto para a sala, da sala para a casa de banho, do quarto para dentro da minha mala.
Quantas vezes saímos para beber café ou lanchar numa esplanada ao pé do rio, e cada um leva o seu livro. Não que não nos interesse a companhia do outro, ou que não tenhamos assunto para falar. É uma paixão que partilhamos, que vamos compartilhando à medida que avança a história. Frases trocadas que ficam na memória, que fazem pensar, que arrancam um sorriso dos lábios.
A frase não é minha (foi dita pela primeira dama Maria Cavaco Silva, em entrevista a Alice Vieira para a última edição da Activa) mas podia muito bem ser.
Leio de tudo, de sonetos de Florbela Espanca a Gabriel Garcia Marquez, de Eça de Queirós (adorei "Os Maias", anos depois de ter sido obrigada a lê-lo na escola) a Paulo Coelho, de José Eduardo Agualusa a Gao Xingjian (se bem que ainda não acabei "A Montanha da Alma", não ando com espírito).
Gosto de livros que me levem para outras realidades, que me mostrem um mundo que não é o meu, mesmo que não seja o mundo de ninguém. Também gosto de livros com sentimento, histórias de amor (não confundir com romances de cordel, para esses não há pachorra), não necessariamente de romance e com final feliz.
O livros fazem-me companhia, não só o que ando a ler, mas todos os outros que estão adormecidos nas estantes, alguns já lidos, outros à espera da sua vez de serem tocados, abertos e explorados. Depois há os preferidos, guardados religiosamente num armário com portas de vidro, para estarem mais protegidos, porque a qualquer momento são resgatados, vezes sem conta, não para voltar a lê-los do início, mas para lembrar as passagens que ficaram marcadas, porque me marcaram.
É uma sensação fantástica, pegar num livro novo, passar os dedos pela capa, abri-lo, sentir o cheiro do papel, ler o primeiro parágrafo. Logo aí percebo se vou gostar dele ou não. Se ele me conseguiu cativar imediatamente ou se vai ter de se esforçar um pouco para me manter interessada. E depois não pára quieto: do quarto para a sala, da sala para a casa de banho, do quarto para dentro da minha mala.
Quantas vezes saímos para beber café ou lanchar numa esplanada ao pé do rio, e cada um leva o seu livro. Não que não nos interesse a companhia do outro, ou que não tenhamos assunto para falar. É uma paixão que partilhamos, que vamos compartilhando à medida que avança a história. Frases trocadas que ficam na memória, que fazem pensar, que arrancam um sorriso dos lábios.
domingo, 24 de fevereiro de 2008
No dia em que fiz 30 anos...
... vi o mar.
... bebi caipirinhas.
... jantei às 11 da noite no Malagueta.
... ouvi a pergunta "E se agora saísses à rua, e estivesse a chover pétalas de rosas, vermelho tinto?"
... bebi caipirinhas.
... jantei às 11 da noite no Malagueta.
... ouvi a pergunta "E se agora saísses à rua, e estivesse a chover pétalas de rosas, vermelho tinto?"
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Inquietação
Começou a meio da manhã, uma sensação de desconforto quase imperceptível; um grão no estômago, que não se sente, mas pressente-se. Foi aumentando, devagar, até se fazer notada, mas discreta. E por cá continua, uma inquietação que não consigo definir ou explicar. Ou não quero.
Porque não quero voltar a bater nas mesmas teclas, a dizer as mesmas palavras. Hoje não.
Porque não quero voltar a bater nas mesmas teclas, a dizer as mesmas palavras. Hoje não.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Conversas ao jantar (III)
- Então, tás nervosa com a chegada dos 30?
- Não, já te tinha dito, não é a idade que me incomoda, é o que eu ainda não fiz, os planos não concretizados.
- Mas nesse caso, é só um.
- Não é, não. Quero ter um cão e ainda não tenho; quero ter um carro melhor, que dê para olhar para ele e gostar do que vejo; quero ter uma casa com um alpendre grande...
-$%&#$%&, isso já é muita merda junta!! - diz-me ele com um sorriso na cara.
- Não, já te tinha dito, não é a idade que me incomoda, é o que eu ainda não fiz, os planos não concretizados.
- Mas nesse caso, é só um.
- Não é, não. Quero ter um cão e ainda não tenho; quero ter um carro melhor, que dê para olhar para ele e gostar do que vejo; quero ter uma casa com um alpendre grande...
-$%&#$%&, isso já é muita merda junta!! - diz-me ele com um sorriso na cara.
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