terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Mais do que olhar (IV)

(Fascina-me a forma como as londrinas usam o eyeliner. Adoro o hábito que eles têm de andar sempre com um copo de café ou chá na mão, nas ruas, no metro, em todo o lado... E Londres cheira sempre a comida. )




















Momento (CCXIX)

Ouvir o meu amor pequenino a cantar-me os parabéns ao telefone, e a dizer que quando eu voltar vamos comer um "bolo de menina".

Fazer anos *

"Não é fácil. É confuso. Até as ideias para escrever sobre isto vêm confusas, aos bocados. A ver se vocês me entendem.
Não sou nova, mas também não sou velha. Estou bem a meio da minha provável linha de vida, desta é que é - 74 anos?
Os 30 são os novos 20, ma non troppo. Gostamos de pensar que ainda somos umas adolescentes por dentro, umas adultas a medo, mas as contas da casa já se pagam há anos. Já equilibramos há muito tempo trabalho, casa, marido, filhos, um prato e pauzinho que se junta ao malabarismo a cada par de anos que passa, como se fossemos umas equilibristas do Circo Chen.
Ainda somos giraças e piropáveis, mas a nossa pele já é de repente tão fininha! E os dois últimos quilos da segunda gravidez entram e saem, a moer-nos a cabeça e a encher o saco. O nosso corpo já não é o que era, por muitas maratonas que corramos atrás da juventude perdida. Ficou algures entre as noitadas de cólicas e a reunião das 17 horas. Oh, well.
Quantas vezes não esbarramos algures entre os trinta com muros no nosso trabalho, aquele que tanto nos ocupava e orgulhava aos vinte e muitos. Ou muros no nosso amor, aquele que jurámos eterno. Muros que erguemos ou que se ergueram. Ou vai ou racha, às vezes ficamos, às vezes damos o salto, pela nossa família, pelos nossos projectos, porque alguma coisa nos atirou para onde não queríamos estar e nós nadamos, porque energia falta-nos mas estamina é o que mais temos. Somos corredoras de fundo. Aos trinta corremos para todo o lado e por todas as causas, as dos outros e às vezes as nossas. Vemos que a vida não é uma estrada de alcatrão, é antes um trail lindo e sinuoso, com paisagens arrebatadoras e rios sem ponte para atravessar. E atravessamos.
As brancas atormentam-nos, essas filhas da mãe que não lhes bastava serem brancas ainda são mutantes, grossas e todas retorcidas. É assim envelhecer? Mudamos, engrossamos e retorcemos? Seremos mais sábias ou mais lúcidas? Somos mais seguras de quem queremos ser, com todas as nossas contradições. Aceitamo-las e elas fazem-nos pensar, agustiar, por vezes mudar, mas não nos fazem parar.
Aos trinta e muitos a nossa vida é nossa, mesmo que às vezes pareça que a estamos a viver pelos outros. Não estamos, os outros somos nós. E isso preenche-nos porque aos trinta sabemos que o mais importante é o nosso coração, são as nossas paixões, os nossos amores. Sabemos quem queremos e quem não queremos na nossa vida e lutamos por isso. Pelos afectos. O importante são os afectos.
Já passei os 30, os 35, estou a meio caminho para os 40. É um crescendo que mete medo, mas ao mesmo tempo traz muita força. Sinto-me profundamente feliz e grata por quem tenho ao meu lado, pela minha rede de afectos. Por querer envelhecer ao lado do meu amor e ver crescer os meus amores. Eu, mãe. Eu, mulher.


* Porque me revejo em cada palavra....

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Borboletas na barriga*



One Republic
"Ordinary Human"
(The Giver OST)

* E Londres à minha espera

domingo, 21 de fevereiro de 2016

sábado, 20 de fevereiro de 2016

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Fazer pensar


E se não houvesse cores? E se não houvesse emoções? Nem música? Ou poesia? Se ninguém soubesse o que é um livro? Nem tivesse de tomar nenhuma decisão sobre o rumo da sua vida? E se ninguém sentisse tristeza, nem dor emocional, nem ódio? Mas também não sentisse alegria, comoção, amor?

(Acabei a manta que estava fechada num cesto desde que a mãe faleceu. Porque cada quadrado de lã, feito por ela com toda a dedicação, tinha ainda a imagem das suas mãos e a memória do que perdi. Acabei a manta e senti-me vazia. Já não tinha nada para ocupar os dedos e serenar a mente nas noites solitárias. Senti saudades de ver filmes. De viver outras vidas, ver outros lugares, ouvir bandas sonoras e citações que insistem em não me largar por dias a fio. Comecei pelo The Giver - O Dador de Mémórias. Foi sem querer. Mas foi tão apropriado.)