Chegamos à porta do quarto 1, que está fechada. Perguntamos a uma auxiliar que está a passar, se podemos entrar.
- Mas nesse quarto não está ninguém.
O meu coração pára por um segundo, até o meu olhar bater na figura da minha mãe, a sair do quarto ao lado, para onde levaram o pai para não ficar sozinho.
Está sorridente, é bom sinal. Diz-me que ele está melhor, mas vê-lo sentado num cadeirão ligado a oxigénio e a soro não é a minha ideia de melhoras.
"Passou tudo tão depressa / nunca te falei de mim / o que digo não importa / o que sinto talvez sim."
sexta-feira, 9 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
Aguentar
Nem sei como me estou a aguentar. Sinceramente não sei. Agarro-me ao trabalho com uma concentração doentia, nunca tinha feito as putas das listagens mensais tão depressa, números e mais números para não pensar, não sentir. As lágrimas vêm-me aos olhos mas não as deixo cair, perante o olhar das colegas que não sabem o que me hão-de dizer "vai tudo correr bem, vais ver", mas eu não sei se vai tudo correr bem, eu só sei o que a médica me disse ontem "não lhe vou mentir, o seu pai está em risco de vida, e mesmo que se safe desta vai ficar com lesões permanentes".
Em casa é a mesma coisa, mantenho-me o mais ocupada que consigo, quando não tenho nada para fazer invento, na terça comecei um puzzle de 1000 peças que o puto mais velho tinha a um canto "se quiseres, leva, eu não o vou fazer de certeza!", hoje fiz limpeza, fiz a mala para o fim de semana em Lisboa, fiz arroz de cenoura e espetadas de peixe e esparregado e puré de batata e esparguete com almôndegas e beringela.
Se quebrar estou a desistir, a admitir a derrota, e eu ainda não estou preparada para isso.
Em casa é a mesma coisa, mantenho-me o mais ocupada que consigo, quando não tenho nada para fazer invento, na terça comecei um puzzle de 1000 peças que o puto mais velho tinha a um canto "se quiseres, leva, eu não o vou fazer de certeza!", hoje fiz limpeza, fiz a mala para o fim de semana em Lisboa, fiz arroz de cenoura e espetadas de peixe e esparregado e puré de batata e esparguete com almôndegas e beringela.
Se quebrar estou a desistir, a admitir a derrota, e eu ainda não estou preparada para isso.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
Medo
- Eu acho que o meu pai não volta para casa.
- Tens consciência do que estás a dizer?
- Tenho, tenho consciência do que estou a dizer, mas ainda não interiorizei.
E assim, no abraço dele, admiti aquilo para que a minha mãe e o N. me têm tentado preparar, com suavidade, para o choque não ser tão doloroso. Como se isso fosse possível.
A sensação de injustiça é enorme, a sensação de impotência maior ainda, impotência pelo que não posso fazer agora, mas principalmente pelo que não foi feito antes. Se ele tivesse aceitado o transplante há 2 anos, se calhar estava bem, vivia mais uns anos, podia chegar a velho, o meu pai tem 55 anos, porra! Mas viu colegas de quarto morrer depois de serem operados, e teve medo que lhe acontecesse o mesmo. Não aceitou porque teve medo de morrer. Não sei se ele agora ainda tem medo de morrer. Mas eu tenho medo que ele morra.
- Tens consciência do que estás a dizer?
- Tenho, tenho consciência do que estou a dizer, mas ainda não interiorizei.
E assim, no abraço dele, admiti aquilo para que a minha mãe e o N. me têm tentado preparar, com suavidade, para o choque não ser tão doloroso. Como se isso fosse possível.
A sensação de injustiça é enorme, a sensação de impotência maior ainda, impotência pelo que não posso fazer agora, mas principalmente pelo que não foi feito antes. Se ele tivesse aceitado o transplante há 2 anos, se calhar estava bem, vivia mais uns anos, podia chegar a velho, o meu pai tem 55 anos, porra! Mas viu colegas de quarto morrer depois de serem operados, e teve medo que lhe acontecesse o mesmo. Não aceitou porque teve medo de morrer. Não sei se ele agora ainda tem medo de morrer. Mas eu tenho medo que ele morra.
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Por favor
Aguenta-te. Por favor.
Tu disseste-me que a tua missão na vida estava cumprida, que já tinhas os filhos criados. Estás enganado, os teus filhos ainda precisam de ti, a tua mulher ainda precisa de ti. Eu ainda preciso de ti. De ouvir a tua voz a contar piadas, saber que tens ciúmes quando eu ligo para a mãe e não para ti. Eu ainda não te dei um neto. Espera por um neto, pelo menos.
Foste tu que me ensinaste que não se vira as costas numa discussão. Se fôr preciso eu discuto contigo.
Não me vires as costas.
Tu disseste-me que a tua missão na vida estava cumprida, que já tinhas os filhos criados. Estás enganado, os teus filhos ainda precisam de ti, a tua mulher ainda precisa de ti. Eu ainda preciso de ti. De ouvir a tua voz a contar piadas, saber que tens ciúmes quando eu ligo para a mãe e não para ti. Eu ainda não te dei um neto. Espera por um neto, pelo menos.
Foste tu que me ensinaste que não se vira as costas numa discussão. Se fôr preciso eu discuto contigo.
Não me vires as costas.
Momento (XLI)
Ele sai de casa, para as aulas, e passados 10 minutos a P. toca à campainha.
- Foi ele que te disse para vires, para eu não ficar sozinha, não foi?
- Não, claro que não!
Mentirosa.
Obrigado.
- Foi ele que te disse para vires, para eu não ficar sozinha, não foi?
- Não, claro que não!
Mentirosa.
Obrigado.
domingo, 4 de janeiro de 2009
Devia ser proibido...
... juntar Gerald Butler e Jeffrey Dean Morgan numa comédia romântica de fazer chorar as pedras da calçada (a minha cara, portanto).
The Pogues
"Love you till the end"
P.S. I Love You OST
The Pogues
"Love you till the end"
P.S. I Love You OST
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