sábado, 31 de agosto de 2013

Aleatoriedades (II)

Peter Pan ainda não gatinha mas já se arrasta fincando os pés e batendo com as palmas das mãos com muita força no chão. Ou então anda à volta sobre o eixo daquela pequena pança adorável. Ralha imenso de dedo estendido para a nossa cara, fala pelos cotovelos (gostava tanto de perceber o que quer dizer) e as feições dele estão a mudar outra vez.

Ando a curar uma rinofaringite em estado avançado. Duas semanas de tosse de cão daquelas assustadoras antes de me decidir a ir a uma urgência no hospital. Raio-x e anti-histamínico para a veia. Dois antibióticos e outros dois medicamentos para continuar a tomar em casa. Proteger-me de mudanças bruscas de temperatura e beber litros e litros de líquidos (sem alcool, de preferência...). A tosse está muito melhor. Agora ando ranhosa. E ele diz que eu pareço uma velha a tomar medicamentos a todas as refeições.

Há dois dias atrás, Peter Pan estava sentado á frente do pai a tentar meter o chinelo dele na boca. O pai não deixava, uma vez, duas vezes, e à terceira teve a ideia luminosa de se virar de costas para ele para morder o chinelo descansado, a pensar "se ele não vir o que eu estou a fazer, a coisa corre bem". Não correu, claro, mas valeu a intenção...

Hoje deu-me na real gana de pedir à cabeleireira para me cortar a franja. Fomos comprar o material necessário para o pequeno buda iniciar a natação na próxima semana,e trouxemos a reboque três embalagens de gelado que combinam tão bem com noites no sofá. O nosso almoço acabou em javardeira.


E ele acabou de entrar em casa com uma pizza com aspecto delicioso.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Como devería ser sempre

Assim do nada, a meio de uma conversa, pergunta-me "não notas nada de diferente em mim?". Não, realmente não notei, ela está na mesma, mas depois da pergunta repetida revi naqueles olhos a ânsia que tive um dia de mostrar ao mundo a minha felicidade em forma de uma barriga minúscula e que só eu pensava que já se notava que estava a crescer.
Um bebé desejado e planeado, que veio num ápice, na altura certa. (Devia ser sempre assim).

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Isto não é só sorrisos (IV)

Ele chama-me à casa de banho onde está a dar banho a Peter Pan. Quando entro, vejo-o com o puto seguro pelos braços, bem afastado do corpo dele, e dois bocados de cocó enormes a boiar na água da banheira (só nos faltava esta...).

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Upgrade

Peter Pan dormiu o seu primeiro ano de vida num berço de madeira lindo e cheio de significado, porque pertenceu ao pai e foi restaurado com todo o carinho pelo avô.
Agora, que aquelas protecções ameaçam já não conseguir impedi-lo de se baldar para o chão a qualquer momento, vai passar a dormir numa cama de grades igualmente bonita e cheia de história, porque pertenceu à madrinha e tem mais de vinte anos.


sábado, 10 de agosto de 2013

Momentos (CCXII)

Um dia inteiro de praia como antigamente, só para mim. Com a Paula, claro, férias já não são férias sem uns dias passados juntas. Apesar da ponta de remorsos que me fez andar a enviar sms quase de hora a hora para saber como estava Peter Pan entregue aos cuidados do pai (até ele deixar de responder porque já se estava a passar comigo... com razão, pronto...) soube-me pela vida poder estender-me ao sol sem pensar em nada, dormitar e só me voltar quando a pele avisava que o sol estava a ficar muito quente, ouvir o som do mar (o mais relaxante, o que me devolve a energia vital), ler uma revista toda de seguida, ir para a sombra e adormecer de novo, beber uma caipirinha de maracujá e almoçar fora de horas. E repetir tudo à tarde.
Receber os meus dois amores como se já não os visse há dias, num final de tarde perfeito, ouvir como correu o dia (Peter Pan rabujento por causa de mais um dente a romper, e fez cocó no tapete...) e brincar com o pequeno buda que só queria andar (agarrado pelas nossas mãos, que ainda não se aguenta em pé sozinho), feliz à beira-mar a levar com as ondas nas pernas e na barriga, sem um esgar pela água gelada, enquanto eu me arrepiava de o ver assim ("se amanhã não estiveres doente, és mesmo rijo...").

(Vivesse eu ao pé do mar, e os meus finais de tarde seríam sempre assim...)

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Estado de choque

Pela primeira vez Peter Pan empurra as minhas mãos para que não o agarre, porque quer ir para o chão.

(A seguir vai afastar-me quando quiser enchê-lo de beijos ou estrafegá-lo com mimo... 
Acho que vou entrar em depressão...)

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Lenha para me queimar *

Começar a fazer caminhadas de uma hora a passo militar com a Paula, viciada em corrida e ginásio. Eu meto-me com a tropa e depois dá nisto. Bruta como as portas, a empurrar o carrinho de Peter Pan até fazer vento. E eu a arrastar-me desajeitadamente para tentar acompanhar a pedalada dela. O pequeno buda agradece, uma hora de passeio a tagarelar ou muito calado a ouvir-nos falar. O espelho também há-de agradecer, quando conseguir perder os quatro kilos que ganhei de-pois de deixar de amamentar (erro meu, para a próxima já não vai acontecer...). A este ritmo (e para quem não se mexia há quase dois anos) não vai demorar muito...

* Ou Momento-número-não-sei-quantos, porque uma hora de conversa com a minha melhor amiga e na companhia do meu amor pequenino, pelo parque relvado junto à água, é das melhores formas de passar um final de tarde de verão.