quarta-feira, 24 de julho de 2013

Falta de hábito, é o que é...

Andamos há dois dias com dores de cabeça. Assim, mesmo, acordamos os dois com dores de cabeça e só melhoramos a toque de Ben-Uron. Ontem durante a sesta (do Peter Pan e minha) sonhei que tinha ido trabalhar, e que estava preocupada porque tinha de fazer todos os dias o trajecto do Algarve para lá e voltar à noite. Hoje durante a sesta, sonhei que andava a limpar as gavetas de uma cómoda.

(Passar tantos dias sem fazer nada está a fazer-me mal...)

terça-feira, 23 de julho de 2013

Com uma vénia (III)

Nunca consegui escrever uma linha sobre este amor louco que tenho pelo meu filho. Só me saem banalidades sem conteúdo nem sentido. Porque acredito piamente que não existe nenhuma combinação de letras do alfabeto que consiga transmitir ou significar o que sinto na pele e na alma perante este ser que é a luz que me guia o caminho.

E depois de ler isto, então, reduzo-me à minha insignificância e presto homenagem a quem sabe escrever com o coração e a alma na ponta dos dedos, com uma emoção tão grande e sentida que me deixou com o sorriso embevecido de quem recebeu um presente.

"Mudaste tudo, em mim. Mudaste-me a pele, os olhos, o cheiro.
Pegaste-me e mudaste-me toda.
Há dez anos que o meu mundo é teu. Há dez anos que te respiro.
Nem chega a ser orgulho. É falta de ar na alma, tamanho é o Amor, maior que tudo o que já conheci ou ouvi falar. 
Enches-me de ti e misturo-me contigo. Prolongas-me e acrescentamo-nos.
Há dez anos que tudo passou a ser por ti. As canções de amor, os sonhos, os travões, os impulsos.
És em mim o que não se diz, o que não se conhece.
És em mim o tudo".

(É isto... é mesmo isto...)

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Viver o hoje, só o hoje

Os dias são passados ao sabor das rotinas de Peter Pan. A nossa única preocupação são os horários de comer e de dormir dele. Acorda (e acorda-nos) à hora do costume, o que garante que encontramos a praia quase deserta. Nós e os velhotes madrugadores com quem ele se mete descaradamente, a sorrir de nariz franzido e a dizer adeus com a mão papuda. Saímos da praia quando toda a gente está a chegar, passeamos pelas ruas quase desertas durante o dia, e que estarão apinhadas logo à noite, sentamo-nos numa esplanada à sombra, Peter Pan observa quem passa, cusco, tão cusco que chega a inclinar-se para a frente e torcer a cabeça toda para poder ver melhor, atento a tudo, a absorver todas as cores, todos os cheiros, todas a gentes. Voltamos para casa para a sesta sagrada de meia hora antes o almoço, e enquanto ele come o L. vai "à caça" do nosso almoço. Depois dormimos a sesta grande, duas horas aninhados os dois (ou pai e filho aninhados e eu no sofá, o resultado é o mesmo... descanso absoluto...). Depois do lanche fazemos tempo até o sol perder força para  podermos voltar para a praia. Peter Pan começa a ficar impaciente até chegar ao calçadão e ouvir o som das ondas. E aí começam os gritinhos e o bater de pernas e os saltinhos no nosso colo. Porque já sabe o que se segue. É completamente louco pela areia e pelas ondas. É sentá-lo à beira-mar com a água a cobrir-lhe as pernas e ficar a apreciar o delírio de alegria, as mãos cheias de areia que tenta enfiar na boca, os pés a chapinhar em movimentos frenéticos, o sorriso escancarado com que procura o nosso olhar como quem diz "olha, olha para mim aqui!!". Deixamos o areal perto das 8 da noite, banhos tomados, Peter Pan jantado, e voltamos a sair para o nosso jantar, naquele indiano que adoro, naquela casa de hamburgueres na rua pedonal, no chinês ou numa pizzaria. Entre um gelado e um café, o nosso pequeno buda adormece no trajecto até casa. Ficamos com o resto da noite para nós. Para ler, para tentar ver um filme até ao fim, para adormecermos abraçados no sofá.

sábado, 20 de julho de 2013

As primeiras férias

Foi preciso Peter Pan nascer para o L. aceitar vir passar férias ao Algarve. As primeiras férias do nosso pequenino, as nossas primeiras férias a três, as primeiras férias tão a sul (por cá, não estou a contar com a odisseia de duas semanas a correr Espanha desde Vilar Formoso até Puerto de Santa Maria, com um salto a Marrocos). Os argumentos dele eram sempre os mesmos e até eram aceitáveis - é uma grande confusão, só estrangeirada, filas de carros por todo o lado, tudo com preços inflacionados.... e durante anos concordei com ele. Mas depois a Paula mostrou-me o Algarve dela e eu rendi-me. Nunca o tinha conseguido convencer. Mas bastou dizer-lhe que a praia faz bem aos bebés para ele considerar a hipótese. É claro que não precisávamos de fazer 350 km para estar na praia, com preços mais acessíveis e com a mesma (ou mais) qualidade, mas digam o que disserem, cá em baixo a água é mais quente. Ponto. ("Ah e tal, água fria com iodo é boa para enrijar os ossos..." Dasse...)
Para a coisa correr bem tinha de seguir alguns requisitos básicos: alugar um apartamento porque hotel limitava a questão das refeições do pequeno buda, e a localização tinha de permitir encostar o carro no dia de chegada e só voltar a pegar nele para ir embora. Nada de ter de conduzir todos os dias e enfrentar pára-arranca para chegar à praia. Comecei a pesquisar na net e acabei por achar um T1 disponível na semana que queria, num antigo aparthotel, com piscina partilhada, elevador (convém, é um sexto andar), ar condicionado e... a 350 metros da praia. Enviei email a confirmar o preço que era apresentado, porque era realmente mais baixo do que todos os que tinha visto, e achei que me íam responder que afinal o preço era outro. Não, estava correcto, era mesmo aquilo. Reservei, paguei o sinal, e hoje enquanto fazíamos a viagem, vinha com um bocado de medo de apanhar uma banhada do tamanho de um comboio. Mesmo sendo uma agência imobiliária e não um particular a tratar de tudo, pensava que a piscina devia ser do tamanho de uma banheira, as camas deviam ranger e ter molas a saltar, o ar condicionado devia estar avariado (quando a fartura é muita...). Quando entrei em "casa" suspirei de alívio: tudo funciona, o espaço é maior do que parecia nas fotos do site, a piscina (são duas, uma para crianças) tem óptimo aspecto, e a praia é mesmo mesmo perto. 
Arrumámos as malas num instante (a nossa mala de roupa, mais as 5 malas do lorde - a sério, nós fomos uma semana inteira para Amesterdão só com uma mochila às costas, e agora andamos carregados com uma mala cheia de roupa em miniatura, uma mala de brinquedos, uma mala para a comida e leite e biberãos, mais a cama de viagem e o colchão e mais sei lá o quê...) e fomos fazer uma volta de reconhecimento: aqui está uma pastelaria, e mais outra e mais outra, ali um minimercado e a seguir uma casa de pasto com take-away, passamos a igreja e estamos com os pés na areia (e umas gelatarias pelo caminho). Não precisamos de mais nada. Comprar fraldas (era o que faltava vir carregada de casa com um saco de fraldas...) fruta, vinho verde e cenas para o pequeno almoço, trazer o jantar do tal restaurante (um exagero de comida, uma dose chegou para ele e dá para o nosso almoço amanhã), tratar de Peter Pan e pô-lo a dormir (o L. estava com medo que ele estranhasse a cama, mas adormeceu como habitualmente, um doce...) e jantar na varanda ao som das gaivotas. 
Não é o meu conceito de férias ideal, não vou aprender nada de novo, não vou conhecer um novo país, uma nova cultura, uma nova realidade. Não vou abrir horizontes nem mostrar o mundo a Peter Pan (ainda...). Vou só descansar. O corpo e o espírito.
(Para já, melhor que isto, só um tudo-incluído em Cabo Verde).

Momento (perdi-me na numeração...)

O "chefe" veio do Reino Unido e trouxe uma lembrança para as meninas.






quinta-feira, 18 de julho de 2013

A nossa celebração

Queríamos guardar Peter Pan só para nós neste dia. Ainda não decidimos se vamos fazer uma festa de aniversário ou não. Ele não percebe bem o que se passa, e não é muito adepto de confusão à volta. Mas também não queremos deixar passar em branco uma data tão importante nas nossas vidas, e sabemos que a família e amigos chegados também gostavam de festejar connosco.

Mas hoje o dia é nosso, e levámos o nosso pequeno Buda… ao Buddha Eden, pois claro. A ideia era comprar um bolo, encontrar um parque relvado com muita sombra e fazer a festa. Já tinha ouvido falar deste parque com budas gigantes, por isso fomos conhecer. Sinceramente fiquei um bocado desiludida, tinha a imagem de uma espécie de jardim japonês acolhedor, e afinal é um espaço imenso e com poucas sombras, torna-se muito frio e impessoal, e acabámos por não ver nem metade das estátuas de mármore e terracota, porque preferimos aproveitar todos os minutos para mimar o nosso boneco de carne e osso.




Estendemos uma manta à sombra, andámos descalços na relva, deitámo-nos a ver os raios de sol filtrados pelos ramos altos das árvores, cantámos os parabéns ao nosso menino e deixámo-lo fazer o que quisesse com o bolo. Ele enfiou as mãos pelo recheio e massa, lambeu os dedos, voltou a esfregar as mãos no creme e a seguir nos olhos, no cabelo, nos pés, e espalhou bolo a toda a volta num raio de meio metro. Feliz, tão feliz que nem me importei de ter de lhe trocar a roupa toda a seguir, ou de ter ficado com os braços todos peganhentos de creme de bolo. Porque o sorriso dele será sempre mais importante que qualquer nódoa.


Um ano de toda a Vida

Há um ano atrás, a esta hora, começava uma nova vida. Não só a de Peter Pan que viria a nascer dez horas e meia depois, mas também a nossa, enquanto pais, enquanto adultos (finalmente) responsáveis por outro ser humano. Uma responsabilidade para a qual julgo que ninguém está completamente preparado à partida. Podemos ler todos os livros e artigos de pedopsicólogos do mundo, mas nada nos ensina como vamos criar e educar o nosso filho, aquele bebé que será criança com uma identidade própria e única e diferente de qualquer outra.
Há um ano atrás, a esta hora, um novo ciclo cheio de promessas e esperança dava lugar ao antigo, e encerrava para sempre um dos capítulos (ou o capítulo) mais difíceis da nossa história, que pôs à prova toda a nossa fé, coragem, persistência, resistência à dor (não só a física, mas acima de tudo psicológica) e até o nosso amor um pelo outro.
Há um ano atrás, a esta hora, sabia que a vida que tinha vivido até ali ía mudar para sempre, nunca mais sería a mesma. Mas essa certeza não me trazia nenhum medo, nenhuma angústia. Sabia que não ía ser idílico, que tería dúvidas e alturas de quase-desespero, mas acreditava (e ainda acredito) que o mais importante que podia dar ao meu filho era o meu amor incondicional, a minha atenção, carinho e a segurança do meu colo.

Ter um filho, ter este filho, foi mais do que um sonho concretizado ou a confirmação das expectativas que fui idealizando ao longo dos últimos anos. Porque nenhum sonho ou expectativa se compara à comoção de ouvir o meu filho chamar por mim, ao deslumbramento de vê-lo a descobrir o mundo que o rodeia ou a dar os primeiros passos desajeitados, à ternura de sentir o seu abraço ou a bochecha-gorda-de-sono encostada ao meu ombro. A gratidão que sinto é imensa, só comparável ao amor que foi crescendo por estes 11 kilos de gente, bebé gorducho e lindo-tão-lindo-que-até-chateia (as palavras não são minhas, são de quem se mete com ele na rua, e quem sou eu para desmentir?), mesmo quando grita desalmadamente para lhe darem os brinquedos que atirou para o chão, ou quando demora uma hora e meia para adormecer à tarde (esta é nova...). Porque depois sorri, um sorriso maroto e mimocas como ele, bebé que nos puxa o braço para pedir colo e se derrete com abraços e beijos no pescoço, bebé que gosta realmente de mimo. E eu dou, muito, sem medo de o estragar e de estar a criar um selvagenzinho, terá regras concerteza, mas continuará a ter da nossa parte todas as demonstrações do amor que lhe temos (até ao dia em que ele peça para pararmos porque estamos a envergonhá-lo à frente dos amigos...).
Ter um filho, ter este filho, foi a benção mais sentida que tive, um bebé saudável e rijo, alegre e comunicativo, o meu coração, desde há um ano a bater fora do meu peito, desde há um ano a encher os meus dias de sorrisos, de choros, de birras, de fraldas e de ternura, desde há um ano a fazer-me querer ser uma pessoa melhor, uma mãe sempre presente e paciente, um exemplo a seguir no futuro.

(Não posso querer mais nada. Eu tenho tudo o que pedi).