quinta-feira, 6 de junho de 2013

(Já) ter saudades

E o que eu chorei a ver isto...


(Visto ali)


Momento (CCIII)

Deitar Peter Pan na cama dele, e ouvi-lo suspirar profundamente de alívio.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

(Grande) Momento

Despedir-me de todas as enfermeiras e auxiliares do turno da noite, que fizeram questão de se juntarem para dizer adeus a Peter Pan, que enquanto esteve internado espalhou charme e olhinhos por aquele corredor fora, mas também muitos gritos de neura e muitos beicinhos de "quero a minha mãe". E voltar para casa, finalmente.

Ricardo Afonso
"I'm with you"  de Avril Lavigne

terça-feira, 4 de junho de 2013

(Pequeno) Momento

Voltar da sala de refeições onde dei o lanche a Peter Pan e ver o cuidado com que a auxiliar decorou a cama dele depois de a fazer de lavado, alinhou os bonecos e posicionou as almofadas como eu tinha deixado para ele não bater com a cabeça nas grades. Isto é mais do que cumprir funções. Isto é dar um bocadinho de bem-estar e conforto.


segunda-feira, 3 de junho de 2013

domingo, 2 de junho de 2013

Baptismo de voo

Peter Pan sentado na cama de grades com a bonecada toda que trouxemos de casa à volta. Pai à frente dele a brincar, enquanto me ouvia contar a última conversa com a médica. Vira a cabeça na minha direcção, e no espaço de dois segundos, Peter Pan atira-se para a frente para apanhar qualquer coisa, falha a trajectória, dá uma cambalhota no ar e vem parar ao chão, amparado na queda pela perna do pai. Não tivemos tempo de fazer mais nada, de o agarrar, de o impedir. Nada. Ver o meu bebé a cair assim roça o terror puro. Pensamos que só acontece aos outros, e quando ouvimos histórias assim tendemos a achar que são exageradas, mas a verdade é que acontece em segundos e não dá tempo de reagir. Peguei-o logo ao colo, chorava desalmadamente de susto, duas enfermeiras vieram logo examiná-lo, levaram-no para o corredor para distraí-lo, eu tentava recompor-me e controlar o corpo que tremia todo, Peter Pan não acalmava porque estava ao colo de estranhos, pedi para mo devolverem “a mãe está calma?”, tenho de estar, ele precisa de mim, e realmente acabou por sossegar, percorremos com os olhos e os dedos o corpo todo dele, não, não tem nada, só um galo na testa, foi só o susto, já está baptizado.


(Agora é esperar que me passe esta impressão de que sou a pior mãe do mundo…)

sábado, 1 de junho de 2013

Ensinar

Na sala de refeições, enquanto tentava que Peter Pan comesse devagar e aguentasse o almoço no estômago, ouço um pai a dizer para a filha, num tom ameaçador “se não comeres vou chamar a enfermeira”. Não disse nada mas pensei para mim que não é isto que quero ensinar ao meu filho. Não quero que ele tenha medo de hospitais, de médicos, de enfermeiras e já agora, de polícias. Pelo contrário.
É por isso que quando nos dizem “ele tem de ficar internado” encaro sem uma lágrima ou queixume. É por isso que vamos a casa buscar a bonecada toda dele e tudo o que o faça sentir mais confortável (há pouco comentava com o L. que acaba por ser uma sorte morarmos a 8 quilómetros do hospital, a qualquer hora posso ir a casa tomar um banho ou dormir umas horas sossegada – foi isso que fiz esta tarde quando fui rendida por ele, três horas de sono reparador com as pernas em cima de um monte de almofadas para tratar os pés inchados, coisa que não tinha desde que estive grávida. Ele só me respondeu que não quer pensar nisso como uma sorte, que não quer cá vir parar muitas mais vezes). É por isso que brincamos muito com ele e damos ainda mais colo do que é costume. Passeamos pelo corredor para ver o que se passa com aquele olhar cusco dele. Tratamos com simpatia e educação todos os que aqui trabalham. Dizemos-lhe que a doutora ou a senhora enfermeira são amigas e vão tratar dele e pô-lo bom. E mesmo quando vai levar uma injecção ou pôr um cateter, estamos lá com toda a calma e animação, dizemos que vai doer um pouco mas que passa logo a seguir, que está quase a terminar, que já acabou yupiiii!! Como ele ainda não percebe e tem memória de peixe, dizer ou não dizer vai dar ao mesmo, mas não deixo de o fazer, talvez não por ele mas por mim. Quando fôr mais velho logo se verá se funciona, mas acho que afirmar “não vai doer nada” não é boa política, porque ele vai sentir-se enganado e perder a confiança, e aí sim, ganha medo. E eu não quero que ele tenha medo de cuidar da sua saúde.