sexta-feira, 31 de maio de 2013

Aguentar


Desta vez tivemos direito a um quarto, mas a noite foi agitada com picos de febre, um cadeirão que faz uma chiadeira infernal de cada vez que mexo um dedo que seja, uma manta minúscula que me deixou a rapar um frio do outro mundo e a entrada de um bebé queixoso para a cama ao lado às 4 da manhã. Peter Pan dormiu pouco, eu menos ainda.
De manhã recusou o leite, simplesmente cerrava os dentes e empurrava o biberão para longe com os braços, coisa nunca vista. Consegui dar-lhe um iogurte mas vomitou logo a seguir. Com a sopa do almoço fez o mesmo. Tiveram de o pôr a soro. Até nisso o meu pequeno é um valente, chorou mais de irritação por lhe estarem a agarrar os braços do que de dor por lhe porem o cateter. Assim que o largaram calou-se logo ( e depois foi a comédia de tentar impedi-lo de morder o cateter e o fio do soro).
À tarde voltámos a tentar dar iogurte (estranhei a escolha da enfermeira, pensei que papa fosse melhor nestes casos, mas correu bem) e já se aguentou. A febre também vai ficando mais espaçada, apesar de continuar a chegar aos 40º.
Recebemos um presente do Dia da Criança entregue pelas educadoras do hospital, vestidas a preceito para arrancar sorrisos, uma galinha, um porco, outros animais, todos para alegrar um pouco estes meninos que vão passar o Dia da Criança aqui: um chapéu panamá que lhe cai pelos olhos abaixo, um camião em miniatura, um balde de praia com as pás e formas para moldar areia, do Noddy (então que o pai adora o Noddy “esse p#%$”&%#”) e um balão que foi o que acabou por lhe chamar mais a atenção, quando descobriu que se tentasse mordê-lo aquilo fazia uma chiadeira louca.

quinta-feira, 30 de maio de 2013

Outra vez a teoria do equilibrio

Comecei a manhã com uma boa notícia e com esta música no rádio do carro.
Acabei a tarde nas urgências do hospital com Peter Pan. A febre começou há dois dias, os vómitos ontem. Fui busca-lo quando a ama me disse que tinha deitado fora o lanche todo e estava a ficar febril outra vez. Quando chegámos à triagem já ía com 40.3º. Nem voltámos para a sala de espera, todo despido, só com fralda, a beber água com se estivesse perdido no deserto. O médico confirmou a suspeita da enfermeira da triagem: infecção urinária (quando a consulta terminou, voltei atrás para lhe agradecer, e respondeu-me “sabe, já são muitos anos de experiência. E a mãe estava com problemas por tê-lo trazido antes de passarem os três dias de febre, mas fez bem, porque ninguém conhece melhor o seu filho”). Também me repete o que a mesma enfermeira (que fiquei a adorar) tinha avisado logo, para me ir preparando “como ele ainda não tem um ano, faz parte do protocolo o antibiótico ser dado por via intravenosa… por isso ele vai ter de ficar…”

Momento (CCII)

Ouvir esta música no carro com a janela aberta para deixar entrar o sol...

Djavan
"Oceano"


E isto também...

Há situações que roçam o inexplicável, e não precisam de ser extraordinárias ou grandiosas.
Há umas três semanas atrás fui almoçar com o meu irmão, e antes de entrar no restaurante fui a uma caixa multibanco levantar vinte euros. Sempre a despachar, como é meu costume, meti o cartão multibanco dentro da carteira, a carteira dentro da mala e entrei no restaurante. De repente fez-se um plim no meu cérebro cada vez mais despassarado: eu não guardei o dinheiro!!! Abri o porta-moedas, abri a carteira, abri os bolsos todos da mala e nada. Voltei a correr à caixa multibanco, sem esperança nenhuma de ver a nota ainda lá plantada, mas nunca se sabe e pelo menos ficava de consciência tranquila por ter tentado. É claro que não estava lá nada. Comentei com o meu irmão, que me disse que se o dinheiro não fôr retirado da ranhura num x espaço de tempo, a máquina recolhe de novo. Eu realmente não tinha ninguém atrás de mim para usar a máquina, mas isso era sorte a mais, até para mim... (também comentei com o meu excelentíssimo  sócio de gestão imobiliária e parental, que a única coisa que fez foi abanar a cabeça em sinal de "coitadinha, estás toda queimadita"...)
Hoje, ao verificar o extracto bancário, lá estava: a anulação do levantamento, e a reposição dos vinte euros na minha conta.
E nestes momentos lembro-me sempre da minha mãe a dizer-me "tu nasceste com sorte". E do meu pai. Porque isto não pode ser só sorte.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Isto é digno de registo

Eu, euzinha, sozinha e sem ajuda, descosi o cós (as palavras que uma pessoa aprende...) de uns calções de Peter Pan, tirei o elástico que lhe apertava a barriga de pequeno Buda, e voltei a coser aquilo tudo à máquina (entortei duas agulhas no processo, e as costuras parecem as curvas do Tra.magal, mas com uma t-shirt por cima nem se nota, e sempre é melhor do que guardá-los numa caixa depois de terem sido usados só uma vez).

Evolução da espécie

Chegar ao pé do carro, logo de manhã, ainda sem café nem tabaco para funcionar, carregada de sacos num braço e ovo com Peter Pan no outro (e pesa pouco o meu pequeno Buda...) e ter cagadelas de pássaro nos manípulos das portas da frente. Não num deles... nos dois mesmo, aqueles em que eu tenho de meter os dedos para entrar no carro e ir-me embora...
Os pássaros aqui da zona devem estar a ficar mais inteligentes. Pelo menos estão a ganhar pontaria.

domingo, 26 de maio de 2013

Momento (CCI)

Um hamburguer com queijo, presunto e ovo estrelado e batatas fritas em azeite, tudo feito por ele para o nosso jantar.