domingo, 12 de maio de 2013

sábado, 11 de maio de 2013

Momentos (CXCV)

Depois daquela conversa de não ter tido lata para ir falar com a Catarina, tentei a sorte de participar no workshop da Milupa sobre nutrição infantil, no Jardim Zoológico e... fui escolhida. Lá fomos nós pela fresquinha, Peter Pan bem disposto e deslumbrado com os ramos das árvores a balançar ao vento, a fazer festinhas no urso da Aptamil mas sem lhe ligar grande coisa, muito sossegado enquanto ouvíamos a explicação da pediatra sobre as necessidades e cuidados a ter na alimentação dos pequenos (e tive de engolir a minha teoria de que o estômago deles não está preparado para digerir chocolate antes dos dois anos, ele fez questão de ir perguntar à pediatra, e logo ao almoço Peter Pan teve direito a uma colherada de mousse de chocolate, dada pelo pai todo inchado de orgulho e satisfação "eu bem dizia..."), e muito bem comportado durante o almoço que se seguiu. Conversa boa e descontraída com a Catarina e a Sara, sobre filhos mas não só, enquanto os maridos se entretinham com futebol e política (confesso que estava com medo que ele apanhasse uma seca descomunal no meio de mulheres, mas correu muito melhor do que estava à espera).
Mas o momento do dia, aquele que fica guardado na memória, foi o espectáculo dos golfinhos. Para mim que me deixo contagiar como uma criança e só me apetece ir fazer-lhes festinhas e nadar com eles (apesar de ficar sempre a pensar no que sentirão aqueles animais, com todo aquele barulho, as palmas, os gritos, o terem de fazer acrobacias para entreter o publico, será que são felizes?) e para Peter Pan, não pelo espectáculo em si que ele não viu, mas pela animação com que olhava para todo o lado, tantas palmas, tanta música, e ele louco a olhar à volta, tanta gente! Aguentou acordado até às 4 da tarde, adormeceu ao meu colo antes de darmos um passeio pelas principais zonas do Zoo, não viu os macacos, os elefantes, ou as girafas, mas sinceramente também não ía perceber grande coisa. Mesmo assim foi muito estímulo para um dia só. Aproveitámos nós para passear nas calmas e gozar o sol morno filtrado pelas sombras das árvores. E prometemos voltar, quando ele fôr mais velho e já conseguir usufruir e ficar feliz com tanta bicharada.







domingo, 5 de maio de 2013

O meu primeiro

Como disse a minha Joana na sexta feira. O meu primeiro dia da Mãe.
E também foi ela que me disse quando o Peter Pan nasceu "nunca mais vais estar sozinha". E essa é a maior verdade sobre esta coisa de ser mãe. Pelo menos para mim. Nunca mais estive sozinha. Nunca mais me senti sozinha. Mesmo quando ele não está ao pé de mim, a sua presença é uma constante, todas as horas de todos os dias. Saber que ele existe enche-me o coração e dou por mim muitas vezes de sorriso parvo na cara, sem razão aparente. Só porque o meu pensamento fugiu para aquelas bochechas, aquelas mãos rechonchudas, aquele sorriso que faz esquecer tudo, mas mesmo tudo o resto. Tenho sempre companhia, tenho sempre alguém com quem falar, pelo menos por enquanto, que ele ainda não anda e por isso não pode virar costas e fugir, e não fala e por isso não pode dizer que estou a ser uma chata. Converso imenso com ele, o que vou fazer para o jantar, o que me está a preocupar no momento, o episódio engraçado que aconteceu no escritório. Conto-lhe tudo, chamo-lhe tonto, faço-lhe cócegas. Depois abraço-o e afogo-o em beijos. Pelo menos por enquanto, que ele ainda não chegou à fase em que não quer contacto físico (com os pais, claro...) Nem quero pensar nisso, custou-me tanto deixar de dar de mamar. Senti que tinha perdido algo que era só nosso, a nossa pele, o nosso momento a sós, a nossa comunhão. Talvez por isso ainda não esteja preparada para deixá-lo adormecer sozinho na cama dele, e faça questão de o embalar ao colo todas as noites. O L. diz que ele já não precisa, e eu até sei que tem razão, mas custa-me tanto sentir que estou a perder os mimos do meu pequenino.
Isto não quer dizer que me anulei enquanto mulher ou "esposa" ou profissional. Defendo aquela regra de segurança dos aviões: primeiro colocar a nossa máscara de oxigénio, e só depois colocar a da criança. Porque se não estiver no meu melhor, não posso dar o melhor ao meu filho. Continuo a ter os meus hobbies (excepto os filmes, é raro conseguiu ver um até ao fim sem adormecer, mas lá chegaremos) estou a fazer uma manta nova, continuo a cuidar de mim, a pintar as unhas e a esticar o cabelo, e a maquilhar-me todos os dias. Quero que o Peter Pan tenha uma mãe bonita. Quero que o meu filho saiba que tem uma mãe feliz.
Peter Pan é um bebé muito mimado. Não no sentido de lhe fazermos as vontadinhas todas. Mas no sentido de mimo mesmo. Derrete-se todo com beijos no pescoço. Procura sempre o contacto da nossa pele. Adora colo. Recebe centenas de beijos e abraços por dia. E ouve constantemente o quanto é adorado e acarinhado. Digo-lhe vezes sem conta que estou aqui, que estarei sempre aqui para ele. Quero que tenha essa segurança. Que saiba é amado incondicionalmente. Acho que é um bebé feliz. E a forma como me agarra a cara com as mãozinhas papudas e me enche de baba com beijos lambuzados faz-me acreditar que ele também me ama.


(E hoje vou usar com todo o orgulho piroso e lamechas de mãe, o primeiro presente do meu filho, feito pela ama).

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Isto não é só sorrisos (II)

Primeira birra de Peter Pan. Coisa séria, com tudo a que tem direito. Gritava, esperneava, forçava a tosse. Não queria nada nem ninguém. Só o colo da mãe. Quando pegava nele ria-se todo e até dançava no meu colo. Quando o pousava desatava num berreiro inconsolável. A madrinha deve ter ficado traumatizada. Eu devo ter ganho uma úlcera do esforço de me conter e não ir agarrá-lo e enchê-lo de beijos e guardá-lo só para mim.

Chamar o sol

Tiago Bettencourt
"Canção de Engate"


quarta-feira, 1 de maio de 2013