Peter Pan já dorme sozinho no quarto dele.
(Não tarda nada vai para a universidade...)
"Passou tudo tão depressa / nunca te falei de mim / o que digo não importa / o que sinto talvez sim."
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Admitir (III)
Peter Pan mexe-se imenso enquanto dorme, e farta-se de fazer sons (será que sonha? com o quê?). E quando acordava, em vez de deixá-lo estar um pouco a refilar no berço, para que aprendesse a voltar a adormecer sozinho, levantava-o logo para não acordar o L. Que já está a trabalhar. E desperta com todos os barulhinhos do filho, como eu. Um de nós tem de dormir bem. Por isso decidi mudar-me com Peter Pan para o quarto dele, que ainda tem a cama de casal de quarto de hóspedes que era anteriormente (acho que o L. não ficou muito convencido com esta mudança, e vai sentir a nossa falta, e eu também preferia dormir no calor dos braços dele - bem me bastou mais de dois meses de sofá - mas é uma situação provisória, para o bem estar dele).
Esta noite, a primeira que passámos a dois, Peter Pan acordou às sete e tal da manhã, no intervalo entre mamadas, e queria conversa. Para tentar ganhar mais uma ou duas horas de sono, deitei-o na cama ao meu lado. E foi assim que o L. nos encontrou de manhã, antes de sair para o trabalho.
"Admite lá, estavas deserta para dormir com ele na cama, não estavas?"
(E sentir o calor do corpo dele, e cheirar-lhe as bochechas, e ver-lhe a boquinha a chuchar em seco...)
Esta noite, a primeira que passámos a dois, Peter Pan acordou às sete e tal da manhã, no intervalo entre mamadas, e queria conversa. Para tentar ganhar mais uma ou duas horas de sono, deitei-o na cama ao meu lado. E foi assim que o L. nos encontrou de manhã, antes de sair para o trabalho.
"Admite lá, estavas deserta para dormir com ele na cama, não estavas?"
(E sentir o calor do corpo dele, e cheirar-lhe as bochechas, e ver-lhe a boquinha a chuchar em seco...)
segunda-feira, 10 de setembro de 2012
Faltar(-nos) o ar
Primeiro ouvi o som. Um gemido aflitivo. Corri da sala para o quarto onde o L. adormecia Peter Pan. Ele já vinha para a luz da cozinha, com o nosso filho virado para baixo, vermelho do esforço de tentar respirar, engasgado com a própria saliva. "Chora, filho, chora para entrar ar". Sustive a respiração naqueles segundos intermináveis de susto, como se o ar que me faltava pudesse ser necessário para ele.
Quando finalmente chorou e se acalmou, adormeci-o no meu colo, e não queria deitá-lo no berço. Lembrei-me de uma conversa que tínhamos tido há quase um mês, quando me caiu a ficha e disse ao L. "Tenho plena consciência que vou passar o resto da minha vida preocupada". E sei que vou mesmo, por mais que ele me diga (e sei que tem toda a razão, e tento fazê-lo, mesmo nos dias em que estou rabujenta com sono) "curte o puto ao máximo, ele não vai ser sempre assim deste tamanho".
Este foi o primeiro susto de muitos, eu sei. Também sei que sou capaz de reagir sem entrar em pânico paralisante. Mas a simples ideia de algum mal ou sofrimento acontecer a este pedaço de gente que enche os meus dias de significado provoca-me um medo angustiante.
Quando finalmente chorou e se acalmou, adormeci-o no meu colo, e não queria deitá-lo no berço. Lembrei-me de uma conversa que tínhamos tido há quase um mês, quando me caiu a ficha e disse ao L. "Tenho plena consciência que vou passar o resto da minha vida preocupada". E sei que vou mesmo, por mais que ele me diga (e sei que tem toda a razão, e tento fazê-lo, mesmo nos dias em que estou rabujenta com sono) "curte o puto ao máximo, ele não vai ser sempre assim deste tamanho".
Este foi o primeiro susto de muitos, eu sei. Também sei que sou capaz de reagir sem entrar em pânico paralisante. Mas a simples ideia de algum mal ou sofrimento acontecer a este pedaço de gente que enche os meus dias de significado provoca-me um medo angustiante.
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Mini Me
sábado, 8 de setembro de 2012
Passear
Peter Pan foi pela primeira vez à praia. À nossa praia. A primeira que o pai dele conheceu. A primeira onde passámos férias juntos. Fez uma cara estranha mas não chorou quando sentiu a areia molhada nos pés. Esteve mais desperto do que o normal, numa ânsia de absorver tudo, o som das ondas do mar, os cheiros e a luz, novidades a cada instante deste mês e meio de vida.
(E o meu deslumbramento continua...)
(E o meu deslumbramento continua...)
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
terça-feira, 28 de agosto de 2012
Prioridades
Dar de mamar de três em três horas, ir às aulas de ginástica pós-parto, passear sempre que possível, ir lendo algumas linhas do "África Minha" de vez em quando e dormir quando Peter Pan dorme (o melhor conselho que me deram, e que tento seguir religiosamente) não é compatível com o portátil e a net. As minhas prioridades agora são outras. E ainda me falta acabar o quadro para o quarto dele.
Mas a prioridade maior é vê-lo. É absorver cada bocadinho dele. Tirar muitas fotografias e gravar muitos videos. Para lhe mostrar um dia. Para recordar sempre. Porque ele está a crescer e a mudar de dia para dia. Já não é o minorca que trouxemos para casa há pouco mais de um mês. As feições já são diferentes. Os olhos já clarearam. As pernas já estão mais rechonchudas. Já tem mais cabelo.
Quero gravar os movimentos descoordenados dos braços e das pernas, e os sons que ele emite enquanto olha para as próprias mãos, num ensaio do que em breve será um palrar incessante, e o olhar atento com que tenta focar a minha cara enquanto falo com ele, todas as manhãs, entre as 8 e as 9 horas, quando está desperto e bem disposto e só quer conversa. E o som adorável que faz a chuchar, e que só me faz lembrar a Maggie dos Simpsons. Quero fotografar vezes sem fim a expressão de satisfação beatífica que ele faz quando acaba de mamar, braços para cima e bochechas cheias que cubro de beijos para lhe sentir a pele quente. Quero guardar na memória o cheiro doce da pele dele, que um dia (tão assustadoramente próximo) vai desaparecer. Porque ele nunca mais vai ser assim tão pequenino.
(E eu vou ter tantas saudades...)
Mas a prioridade maior é vê-lo. É absorver cada bocadinho dele. Tirar muitas fotografias e gravar muitos videos. Para lhe mostrar um dia. Para recordar sempre. Porque ele está a crescer e a mudar de dia para dia. Já não é o minorca que trouxemos para casa há pouco mais de um mês. As feições já são diferentes. Os olhos já clarearam. As pernas já estão mais rechonchudas. Já tem mais cabelo.
Quero gravar os movimentos descoordenados dos braços e das pernas, e os sons que ele emite enquanto olha para as próprias mãos, num ensaio do que em breve será um palrar incessante, e o olhar atento com que tenta focar a minha cara enquanto falo com ele, todas as manhãs, entre as 8 e as 9 horas, quando está desperto e bem disposto e só quer conversa. E o som adorável que faz a chuchar, e que só me faz lembrar a Maggie dos Simpsons. Quero fotografar vezes sem fim a expressão de satisfação beatífica que ele faz quando acaba de mamar, braços para cima e bochechas cheias que cubro de beijos para lhe sentir a pele quente. Quero guardar na memória o cheiro doce da pele dele, que um dia (tão assustadoramente próximo) vai desaparecer. Porque ele nunca mais vai ser assim tão pequenino.
(E eu vou ter tantas saudades...)
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