Na segunda feira, quando disse à mãe que já estava com um dedo de dilatação, a única resposta que tive foi num tom entre a mágoa e a apreensão " se calhar nasce no dia do avô...". Percebes porquê, não percebes? Esta manhã falei com o N. e com o L., e os dois me disseram o mesmo "eh pá, aguenta mais um dia...". Percebes porquê, não percebes? Nenhum de nós gostaría que o Pedro (ou o D., pelos vistos pregou mais um susto no fim de semana, o puto quer nascer à força...) nascesse hoje. Hoje é o dia do teu aniversário. Nunca (mais) será um dia completamente feliz. Terá sempre a sombra da tua falta. Por isso estou à espera que a meia noite não demore muito a chegar. Para este dia acabar depressa. É um pouco egoísta da minha parte, não é? Mas acho que este sentimento de falta que sinto é mesmo isso. Egoísmo. Queria-te ter aqui não (tanto) por ti, mas sim por mim. Para mim. Para me sentir a menina acarinhada que sempre fui aos teus olhos. Sei que por esta altura já andarías a franzir o sobrolho pelo facto de eu ainda estar a trabalhar, preocupado com o meu descanso (sei que a mãe pensa o mesmo, mas não diz nada, como sempre respeita as opções dos filhos sem se meter, mas isto deve roer-lhe as entranhas de uma maneira...). Terías de te conter para não ligar todos os dias a perguntar se estava tudo bem. E não largarías o telemóvel à espera DA chamada. Em vez disso, gosto de acreditar que conheces o teu neto melhor do que nós. Que já lhe viste as feições e sabes com quem é mais parecido. Que olhas divertido os movimentos que fazem dançar a minha barriga, e que eu só posso imaginar (é uma perna... agora encostou aqui o rabo...) e sentir (cada vez com mais força). Tenho a certeza que estás a protegê-lo desde o primeiro minuto de vida. Não é possível esta gravidez ter corrido tão bem sem uma ajudinha "externa". Uma cunha das grandes. Estás a olhar por nós, não estás?
(Muitos parabéns, pai.)
"Passou tudo tão depressa / nunca te falei de mim / o que digo não importa / o que sinto talvez sim."
quarta-feira, 4 de julho de 2012
terça-feira, 3 de julho de 2012
Conversas noutros lados...
(É por isto que o Twitter não me serve...)
Ice Berg disse...
É engraçado... Eu quando estava grávida andava mesmo em estado de graça. Achava tudo fabuloso e fantástico (Na tua fase não. Na tua fase já estava exausta. Mas felicissima. :)).
Hoje, olhando para trás, pergunto-me como raio é que eu andava tão feliz. Para teres uma ideia, eu tive azia 24h por dia durante 39 semanas! Eu descobri que estava grávida porque achava que tinha uma úlcera tal era o nível de azia! Eu cheguei a dormir sentada por causa da azia! Eu só conseguia comer peixe grelhado com legumes cozidos... Como é que alguém pode viver tão feliz nesse estado???? Eu era. Estava! E achava tudo normalissimo. :D
(quanto tempo falta?)
(e, sim, faria tudo, outra vez.:P)
Rosa Negra disse...
Eu já ando a dizer que vou ter imensas saudades da minha barriga. Olho para o espelho e acho-me lindíssima. Há 6 meses que tenho azia (o puto vai nascer com cabelo até aos joelhos...) e há 2 meses que durmo no sofá (mesmo) porque não tenho posição na cama. E mesmo assim ainda não estou farta de estar grávida, nem exausta (aliás, continuo a trabalhar a 100%, e a ir às aulas de preparação para o parto, e a correr de um lado para o outro como antes). É uma das fases mais felizes da minha vida, talvez por ter sido tão desejada. Mesmo que estivesse a correr mal ou com complicações, eu não me iría atrever a reclamar fosse do que fosse. Mas não é o caso, e tenho mesmo de agradecer a quem está lá em cima a olhar por mim e pelo meu filho :)
(Está previsto para 22 de Julho, mas já estou com 1 dedo de dilatação, por isso não chego lá...)
(Desculpa o testamento...)
Ice Berg disse...
É engraçado... Eu quando estava grávida andava mesmo em estado de graça. Achava tudo fabuloso e fantástico (Na tua fase não. Na tua fase já estava exausta. Mas felicissima. :)).
Hoje, olhando para trás, pergunto-me como raio é que eu andava tão feliz. Para teres uma ideia, eu tive azia 24h por dia durante 39 semanas! Eu descobri que estava grávida porque achava que tinha uma úlcera tal era o nível de azia! Eu cheguei a dormir sentada por causa da azia! Eu só conseguia comer peixe grelhado com legumes cozidos... Como é que alguém pode viver tão feliz nesse estado???? Eu era. Estava! E achava tudo normalissimo. :D
(quanto tempo falta?)
(e, sim, faria tudo, outra vez.:P)
Rosa Negra disse...
Eu já ando a dizer que vou ter imensas saudades da minha barriga. Olho para o espelho e acho-me lindíssima. Há 6 meses que tenho azia (o puto vai nascer com cabelo até aos joelhos...) e há 2 meses que durmo no sofá (mesmo) porque não tenho posição na cama. E mesmo assim ainda não estou farta de estar grávida, nem exausta (aliás, continuo a trabalhar a 100%, e a ir às aulas de preparação para o parto, e a correr de um lado para o outro como antes). É uma das fases mais felizes da minha vida, talvez por ter sido tão desejada. Mesmo que estivesse a correr mal ou com complicações, eu não me iría atrever a reclamar fosse do que fosse. Mas não é o caso, e tenho mesmo de agradecer a quem está lá em cima a olhar por mim e pelo meu filho :)
(Está previsto para 22 de Julho, mas já estou com 1 dedo de dilatação, por isso não chego lá...)
(Desculpa o testamento...)
sábado, 30 de junho de 2012
Ter vocação
Quase todos os meninos passam por uma fase em que querem ser bombeiros quando forem grandes. Mas depois passa-lhes. Ninguém escolhe a profissão de bombeiro pelo dinheiro ou prestígio de uma grande carreira. Pode até ser pela adrenalina ou pela possibilidade de conduzir ambulâncias em excesso de velocidade e por sentidos proibidos e sinais vermelhos. Mas ser bombeiro não é isso (ou não é só isso). É carregar com velhotas de mais de cem kilos pelas escadas até um quarto andar. Ver um menino de três anos morrer-lhe nos braços depois de cair de uma varanda. Ou ter de fazer um parto de emergência. E para isso é preciso muito mais do que a vontade que os jovens de dezassete anos têm quando se inscrevem como voluntários.
O meu puto mais novo é bombeiro. De profissão. De vocação. Faz o que adora. Aprende tudo o que pode, numa ânsia constante de ser melhor. Hoje foi a cerimónia em que subiu a bombeiro de 1ª. E recebeu uma medalha por dez anos de serviço. Hoje foi um dia de orgulho imenso para ele e para nós, a família toda reunida para partilhar um momento tão importante para ele (terías sido tu a colocar-lhe as divisas nos ombros. O N. substituiu-te como padrinho. Viste como ele estava feliz por estarmos todos presentes?)
O meu puto mais novo é bombeiro. De profissão. De vocação. Faz o que adora. Aprende tudo o que pode, numa ânsia constante de ser melhor. Hoje foi a cerimónia em que subiu a bombeiro de 1ª. E recebeu uma medalha por dez anos de serviço. Hoje foi um dia de orgulho imenso para ele e para nós, a família toda reunida para partilhar um momento tão importante para ele (terías sido tu a colocar-lhe as divisas nos ombros. O N. substituiu-te como padrinho. Viste como ele estava feliz por estarmos todos presentes?)
Momentos (CLXXXV)
Celebrar o aniversário do N. com um almoço de família e um bolo que era a cara dele,
matar saudades dos meus pequenos, e deliciar-me com a doçura da L., com as (muitas) palavras que já diz, com os mimos que dá ao irmão, com os seus caracóis cada vez mais compridos e os olhos cada vez mais expressivos,
e tirar a primeira fotografia a três...
matar saudades dos meus pequenos, e deliciar-me com a doçura da L., com as (muitas) palavras que já diz, com os mimos que dá ao irmão, com os seus caracóis cada vez mais compridos e os olhos cada vez mais expressivos,
e tirar a primeira fotografia a três...
sexta-feira, 29 de junho de 2012
Um coração gigante
Pedro. O nosso filho vai chamar-se Pedro. Por causa do dia de hoje. Dia de São Pedro. Dia em que nasceu o meu irmão. O "padrinho", mesmo que cheguemos à conclusão que não queremos baptizá-lo. Sempre soube que o N. sería o padrinho do meu primeiro filho, sem hipótese de considerar sequer outra pessoa. A adoração que lhe tenho é de sempre, a admiração tem crescido ao longo dos anos em que o vi crescer e transformar-se no homem que é hoje. Mas nenhuma transformação foi tão rápida ou drástica como vê-lo tornar-se pai. O meu irmão não pegava num bebé ao colo. Ou então ficava teso e nem se mexia de tão desconfortável. Agora passa noites a tomar conta da filha quando a C. faz turnos. Diz-me pelo telefone, cheio de ternura, depois de um dia de trabalho "vou para casa dar a papa à minha Shreka e deitá-la". Acompanha os TPC's do meu sobrinho, incute-lhe regras, educa-o, e também rebola com ele no chão em sessões de wrestling.
Há coisa de duas ou três semanas, telefonou-me num sábado à tarde a perguntar se eu estava em casa "então já aí passamos". Pensei que viesse com a família toda, mas entrou-me pela porta seguido só do meu puto mais novo. Eu sabia que o L. estava a passar uma má fase conjugal, a gravidez da S. não estava a ser nada fácil, com uma série de complicações, incluindo ameaça de aborto, e tudo junto estava a afectá-los psicologicamente e enquanto casal. E o meu irmão, com o seu coração gigante, só disse ao mais novo "estás a precisar de ir falar com o pai". E assim foi buscá-lo aos Bombeiros depois de um turno nocturno, levou-o à Serra e deixou-o sozinho na campa (desta vez não teve de saltar o muro do cemitério), para que ele pudesse desabafar tudo e encontrar ali um alívio que mais ninguém lhe podia dar. Ao vê-los ali à minha frente, o L. com os olhos inchados e vermelhos da directa que tinha em cima e do choro que o acalmou, e o N. cansado das várias horas a conduzir, mas com um sentimento de dever cumprido, senti um imenso orgulho. Porque fazer o que o N. fez naquele dia requer generosidade. Sensibilidade. Empatia. Preocupação com o próximo. Coração.
O meu irmão é assim. Hoje faz 33 anos. E acho que não sabe nem sonha o quanto o adoro, o admiro, me orgulho dele.
Há coisa de duas ou três semanas, telefonou-me num sábado à tarde a perguntar se eu estava em casa "então já aí passamos". Pensei que viesse com a família toda, mas entrou-me pela porta seguido só do meu puto mais novo. Eu sabia que o L. estava a passar uma má fase conjugal, a gravidez da S. não estava a ser nada fácil, com uma série de complicações, incluindo ameaça de aborto, e tudo junto estava a afectá-los psicologicamente e enquanto casal. E o meu irmão, com o seu coração gigante, só disse ao mais novo "estás a precisar de ir falar com o pai". E assim foi buscá-lo aos Bombeiros depois de um turno nocturno, levou-o à Serra e deixou-o sozinho na campa (desta vez não teve de saltar o muro do cemitério), para que ele pudesse desabafar tudo e encontrar ali um alívio que mais ninguém lhe podia dar. Ao vê-los ali à minha frente, o L. com os olhos inchados e vermelhos da directa que tinha em cima e do choro que o acalmou, e o N. cansado das várias horas a conduzir, mas com um sentimento de dever cumprido, senti um imenso orgulho. Porque fazer o que o N. fez naquele dia requer generosidade. Sensibilidade. Empatia. Preocupação com o próximo. Coração.
O meu irmão é assim. Hoje faz 33 anos. E acho que não sabe nem sonha o quanto o adoro, o admiro, me orgulho dele.
(Fiquei muito mais descansada...) II
- Acho que tenho a barriga mais descaída. Não achas?
(Depois de olhar para mim com ar de "mais vale dizer-te que sim de qualquer forma..." e ainda lançar uma explicação mais do que lógica sobre o puto poder estar mais enrolado só porque lhe apetece e também tem direito...)
- Mas não te preocupes que ele não cai...
(Depois de olhar para mim com ar de "mais vale dizer-te que sim de qualquer forma..." e ainda lançar uma explicação mais do que lógica sobre o puto poder estar mais enrolado só porque lhe apetece e também tem direito...)
- Mas não te preocupes que ele não cai...
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