A maioria das pessoas acha isto tão banal que nem vale a pena ser mencionado. São capazes de ter razão, é só mais uma tarefa a desempenhar antes de a vida como a conheci deixar de existir para sempre (já me estou a habituar, o corpo humano é uma máquina fabulosa que já me está a preparar para acordar de 2 em 2 horas, e para não conseguir estar deitada a partir das 7 ou 8 da manhã, mesmo ao fim de semana... já me convenci que só volto a dormir até ao meio dia quando o puto fôr para a faculdade...). Mas enquanto pendurava, perfeitamente alinhados nos arames, as fraldas de pano, as toalhas e mantas, os lençóis cosidos pela avó, os babygrows minúsculos e as meias microscópicas, comovi-me a pensar no quanto tinha esperado e ansiado por este momento tão banal.
Pela primeira vez, há roupa de bebé pendurada no nosso estendal.
"Passou tudo tão depressa / nunca te falei de mim / o que digo não importa / o que sinto talvez sim."
quarta-feira, 23 de maio de 2012
domingo, 20 de maio de 2012
Crescer
7 meses e 1 semana. Crescemos de dia para dia com a mesma cadência frenética com que vejo diminuir o tempo que falta para o ter nos meus braços.
domingo, 13 de maio de 2012
Momentos (tantos, todos...)
Muita família, muitos amigos, pouco descanso, tudo ao molho, tantos momentos dignos de memória.
Começou na 6ª feira, com um lanche de bifanas e caracóis na melhor tasca da zona e na melhor companhia, que se prolongou até à meia-noite com moelas e pica-pau. Foi preciso a Paula vir lá do Alentejo para nos juntarmos outra vez, a P. e o N com as pequenas princesas, as conversas non-sense, a vida do dia a dia contada com todos os seus pormenores anedóticos, afinal é isso que fica, o que nos faz rir. Ter ali à mão os amigos que nos acompanham há quase dez anos, retomar os assuntos como se os tivessemos interrompido ontem, mesmo que já não nos víssemos há meses, dá-me uma sensação de conforto e segurança sem descrição possível. Naquele momento (como em muitos outros já vividos com eles), a frase "Os amigos são a família que escolhemos" fez todo o sentido.
O almoço de sábado organizado pela mãe (agora habituou-se a convidar meio mundo para casa dela, e não quer outra coisa). Conhecer o meu primo (em segundo grau, isto agora começa a ser uma confusão de parentescos...) R.F. de quatro meses, redondo, maciço, simpático e bonacheirão, que correu os colos todos na maior alegria até chegar ao meu, onde começou a chorar. Disseram-me que foi por ter um menino na barriga (a competição começa cedo...). Rever o meu padrinho, que não via desde o funeral do pai (como é que já passaram dois anos?). Está muito mais magro, mas se há algum problema, ele não quis dizer, e também não insisti num dia cheio de sorrisos. O que devia ter sido um almoço rápido prolongou-se até às sete da tarde, com muita conversa (quase tudo sobre as "maravilhas" da maternidade, as descobertas diárias e a vivência com um novo ser humano, que está agora a aprender a comer papa - coisa linda de ver, ele a tentar chuchar na colher, a cuspir metade, e a ficar furioso porque aquilo lhe estava a dar muito trabalho) e a mente a registar cada gesto, cada reacção, e a imaginar que dentro de pouco tempo (como é que só faltam dois meses?) serei eu a dar-lhe beijos, será ele a fazer-lhe cócegas na barriga, será o nosso filho ao nosso colo, o centro das atenções, o foco de todos os mimos.
Passar um serão a conversar com a R. sem adormecer a meio (só isto já é um feito admirável). Ter pena dos gatos meiguinhos que só querem saltar para o nosso colo e pedir atenção, porque de cada vez que lá vou eles são obrigados a sair do seu canto (eu já lhes prometi que assim que puder, os encho de festas para compensar...).
O almoço de domingo em casa do B. e da A., casa cheia de cor e num estado de agitação permanente, ou não fosse habitada por três crianças, a mais nova com um mês e meio. Mais conversa, muitas dicas de quem já passou por isto tudo (três vezes), e nos vai ensinando tanto, alertando para as manhas e contando episódios caricatos. Brincar com a M. e o Z. Videos da Heidi e balões pelo ar. Falar sobre o dia previsto para o nascimento do Peter Pan e de como achamos que não vai chegar às 40 semanas. O B. abre um calendário e "escolhemos" uma data. Sexta-feira 13. Sempre gostei das sextas-feiras 13. Para mim são dias de sorte. Mas o pacote de açucar de pouco mais de um kilo, que se mexe descontroladamente dentro da minha barriga como se estivesse a apanhar choques eléctricos (mas só quando ninguém está a prestar atenção, porque assim que fixo o olhar na barriga, ele pára - parece mentira, mas não é...) é que vai decidir quando quer nascer (só peço que esperes até às 38 semanas, filho, deixa-te estar sossegadinho aí dentro...). Arrancar a A. de casa para uma hora de compras, roupas de bebé, pois claro, mas uma lufada de ar fresco para uma recém-mãe que também precisa de (e merece) um pouco de distracção.
30 semanas. 7 meses completos. "Festejados" de forma simples e calorosa. Rodeada (rodeados) de pessoas que gostam de nós.
Começou na 6ª feira, com um lanche de bifanas e caracóis na melhor tasca da zona e na melhor companhia, que se prolongou até à meia-noite com moelas e pica-pau. Foi preciso a Paula vir lá do Alentejo para nos juntarmos outra vez, a P. e o N com as pequenas princesas, as conversas non-sense, a vida do dia a dia contada com todos os seus pormenores anedóticos, afinal é isso que fica, o que nos faz rir. Ter ali à mão os amigos que nos acompanham há quase dez anos, retomar os assuntos como se os tivessemos interrompido ontem, mesmo que já não nos víssemos há meses, dá-me uma sensação de conforto e segurança sem descrição possível. Naquele momento (como em muitos outros já vividos com eles), a frase "Os amigos são a família que escolhemos" fez todo o sentido.
O almoço de sábado organizado pela mãe (agora habituou-se a convidar meio mundo para casa dela, e não quer outra coisa). Conhecer o meu primo (em segundo grau, isto agora começa a ser uma confusão de parentescos...) R.F. de quatro meses, redondo, maciço, simpático e bonacheirão, que correu os colos todos na maior alegria até chegar ao meu, onde começou a chorar. Disseram-me que foi por ter um menino na barriga (a competição começa cedo...). Rever o meu padrinho, que não via desde o funeral do pai (como é que já passaram dois anos?). Está muito mais magro, mas se há algum problema, ele não quis dizer, e também não insisti num dia cheio de sorrisos. O que devia ter sido um almoço rápido prolongou-se até às sete da tarde, com muita conversa (quase tudo sobre as "maravilhas" da maternidade, as descobertas diárias e a vivência com um novo ser humano, que está agora a aprender a comer papa - coisa linda de ver, ele a tentar chuchar na colher, a cuspir metade, e a ficar furioso porque aquilo lhe estava a dar muito trabalho) e a mente a registar cada gesto, cada reacção, e a imaginar que dentro de pouco tempo (como é que só faltam dois meses?) serei eu a dar-lhe beijos, será ele a fazer-lhe cócegas na barriga, será o nosso filho ao nosso colo, o centro das atenções, o foco de todos os mimos.
Passar um serão a conversar com a R. sem adormecer a meio (só isto já é um feito admirável). Ter pena dos gatos meiguinhos que só querem saltar para o nosso colo e pedir atenção, porque de cada vez que lá vou eles são obrigados a sair do seu canto (eu já lhes prometi que assim que puder, os encho de festas para compensar...).
O almoço de domingo em casa do B. e da A., casa cheia de cor e num estado de agitação permanente, ou não fosse habitada por três crianças, a mais nova com um mês e meio. Mais conversa, muitas dicas de quem já passou por isto tudo (três vezes), e nos vai ensinando tanto, alertando para as manhas e contando episódios caricatos. Brincar com a M. e o Z. Videos da Heidi e balões pelo ar. Falar sobre o dia previsto para o nascimento do Peter Pan e de como achamos que não vai chegar às 40 semanas. O B. abre um calendário e "escolhemos" uma data. Sexta-feira 13. Sempre gostei das sextas-feiras 13. Para mim são dias de sorte. Mas o pacote de açucar de pouco mais de um kilo, que se mexe descontroladamente dentro da minha barriga como se estivesse a apanhar choques eléctricos (mas só quando ninguém está a prestar atenção, porque assim que fixo o olhar na barriga, ele pára - parece mentira, mas não é...) é que vai decidir quando quer nascer (só peço que esperes até às 38 semanas, filho, deixa-te estar sossegadinho aí dentro...). Arrancar a A. de casa para uma hora de compras, roupas de bebé, pois claro, mas uma lufada de ar fresco para uma recém-mãe que também precisa de (e merece) um pouco de distracção.
30 semanas. 7 meses completos. "Festejados" de forma simples e calorosa. Rodeada (rodeados) de pessoas que gostam de nós.
quarta-feira, 9 de maio de 2012
terça-feira, 8 de maio de 2012
O amor é (muito mais do que) f%$&#&
“Voltámos para casa anteontem [sexta-feira], nesse dia sagrado. Não há no mundo maior delícia do que a normalidade. Cada palavra da Maria João soa-me a música amada. Nos livros avisam que a remoção de tumores cancerosos do cérebro pode provocar alterações de personalidade.
Eu tinha medo que ela deixasse de ser a Maria João que eu amo. Mais medo ainda tinha que ela deixasse de me amar. A primeira vez que a vi, poucas horas depois da cirurgia, no remanso dos cuidados intensivos, perguntei-lhe se ela me reconhecia. E ela recuou a cabeça ligada, fez uns olhos de surpresa repugnante e perguntou, com convencimento: “Mas quem é o senhor?”
Nem sequer foi o sentido de humor a primeira coisa a regressar. Nunca se foi embora. A Maria João não recuperou: manteve-se. O milagre não lhe era exterior. O milagre é ela. Ela e todas as pessoas de quem ela gosta, que gostam dela.
Eu bem que tento guardá-la como um segredo. Mas só estou bem, quando tenho a sorte de ouvi-la e a vê-la e a vivê-la. Escrever sobre ela é a coisa mais fácil que faço: é uma preguiça e um prazer, como se conseguisse enganar quem me lê. É virar as costas ao mundo, que vai tão mal. Mas que é um mundo que ainda contém a Maria João, a pessoa que eu amo, que ainda aceita o amor que lhe tenho. Que cresce, ao contrário do cabrão do cancro, previsivelmente, certamente, sem fazer mal; fazendo bem.
Meu grande amor: seja de que maneira for, continua. Mesmo deixando de gostar de mim. Mas continua. Vive!”
Por: Miguel Esteves Cardoso
Eu tinha medo que ela deixasse de ser a Maria João que eu amo. Mais medo ainda tinha que ela deixasse de me amar. A primeira vez que a vi, poucas horas depois da cirurgia, no remanso dos cuidados intensivos, perguntei-lhe se ela me reconhecia. E ela recuou a cabeça ligada, fez uns olhos de surpresa repugnante e perguntou, com convencimento: “Mas quem é o senhor?”
Nem sequer foi o sentido de humor a primeira coisa a regressar. Nunca se foi embora. A Maria João não recuperou: manteve-se. O milagre não lhe era exterior. O milagre é ela. Ela e todas as pessoas de quem ela gosta, que gostam dela.
Eu bem que tento guardá-la como um segredo. Mas só estou bem, quando tenho a sorte de ouvi-la e a vê-la e a vivê-la. Escrever sobre ela é a coisa mais fácil que faço: é uma preguiça e um prazer, como se conseguisse enganar quem me lê. É virar as costas ao mundo, que vai tão mal. Mas que é um mundo que ainda contém a Maria João, a pessoa que eu amo, que ainda aceita o amor que lhe tenho. Que cresce, ao contrário do cabrão do cancro, previsivelmente, certamente, sem fazer mal; fazendo bem.
Meu grande amor: seja de que maneira for, continua. Mesmo deixando de gostar de mim. Mas continua. Vive!”
Por: Miguel Esteves Cardoso
domingo, 6 de maio de 2012
Ser mãe
"E este ano este dia é ainda mais especial por tua causa. Já és uma mãe maravilhosa. Uma mãe coragem, uma mãe guerreira. Feliz dia."
Tenho um anjo de caracóis morenos que me vê pelos olhos de uma ternura imensa, que me torna mais do que sou, do que me sinto. Não sei se algum dia chegarei a ser uma mãe maravilhosa. Não sei se lhe chame coragem ou teimosia. Serei guerreira sim, para defender o meu filho de tudo o que lhe possa tirar o sorriso da cara. De resto, só espero, um dia, ouvi-lo dizer "Sou feliz". Nesse dia saberei que estou no bom caminho.
"Acho que és mais mãe agora do que alguma vez serás. Ele agora é só teu."
Tenho um marido que está a crescer de dia para dia, a preparar-se para dar um salto no desconhecido, que tem tanto de aterrador como de fascinante, mas sem nunca perder o humor que lhe é tãaaao próprio...
(Tenho imensa curiosidade de ver que tipo de pai se vai tornar...)
Tenho um anjo de caracóis morenos que me vê pelos olhos de uma ternura imensa, que me torna mais do que sou, do que me sinto. Não sei se algum dia chegarei a ser uma mãe maravilhosa. Não sei se lhe chame coragem ou teimosia. Serei guerreira sim, para defender o meu filho de tudo o que lhe possa tirar o sorriso da cara. De resto, só espero, um dia, ouvi-lo dizer "Sou feliz". Nesse dia saberei que estou no bom caminho.
"Acho que és mais mãe agora do que alguma vez serás. Ele agora é só teu."
Tenho um marido que está a crescer de dia para dia, a preparar-se para dar um salto no desconhecido, que tem tanto de aterrador como de fascinante, mas sem nunca perder o humor que lhe é tãaaao próprio...
(Tenho imensa curiosidade de ver que tipo de pai se vai tornar...)
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