... depois de uma viagem de 3 horas com Peter Pan a não dar descanso de tantos pulos (sem contar com duas idas a Lisboa, acho que há seis meses que não me afastava tanto de casa...), matamos saudades e ficamos felizes por senti-la feliz e realizada.
Comemos polvo à lagareiro e ouvimos histórias mirabolantes de quem tem de ver (e aturar) de tudo.
Vemos um filme (eles viram, eu adormeci no primeiro quarto de hora...) e sentimo-nos em casa.
"Passou tudo tão depressa / nunca te falei de mim / o que digo não importa / o que sinto talvez sim."
sexta-feira, 27 de abril de 2012
Resolver a questão
Se Maomé não vai à montanha, vai a montanha a Maomé. Que é como quem diz, se a Paula não me vem ver grávida, eu levo a minha barriga a visitar a Paula.
Sentir (muito)
Esta manhã, enquanto lutava contra a falta de posição confortável, na esperança de conseguir mais meia hora de sono que fosse, a minha barriga parecia o rabo de uma dançarina de salsa, tal era o chocalhar lá dentro. Peter Pan já não se manifesta com movimentos suaves só sentidos se estiver sossegada e atenta. Não, Peter Pan está cada vez maior e mais forte e parece ter ataques de loucura furiosa, principalmente quando me deito na cama, à noite.
Ele diz que "até me arrepiava todo se tivesse alguma coisa a mexer assim dentro de mim. Isso é um bocado creepy, parece o Alien...". Eu respondo que sim, é um bocado estranho, e se não soubesse o que era, me ía parecer coisa demoníaca. Mas sabendo que é um ser humano minúsculo mas completo que mexe dentro de mim, e que isso significa que ele está bem e a crescer, só gostava de poder vê-lo. A sério, adorava ter uma nanocâmara de vídeo dentro da barriga que me permitisse ver que toques e puxões e esticões são estes, que movimentos ele está a fazer e se afinal estou a levar murros ou pontapés (esta manhã tenho a certeza que era tudo ao mesmo tempo).
Ele diz que "até me arrepiava todo se tivesse alguma coisa a mexer assim dentro de mim. Isso é um bocado creepy, parece o Alien...". Eu respondo que sim, é um bocado estranho, e se não soubesse o que era, me ía parecer coisa demoníaca. Mas sabendo que é um ser humano minúsculo mas completo que mexe dentro de mim, e que isso significa que ele está bem e a crescer, só gostava de poder vê-lo. A sério, adorava ter uma nanocâmara de vídeo dentro da barriga que me permitisse ver que toques e puxões e esticões são estes, que movimentos ele está a fazer e se afinal estou a levar murros ou pontapés (esta manhã tenho a certeza que era tudo ao mesmo tempo).
quinta-feira, 26 de abril de 2012
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Dizer adeus
Isto já vinha a ser falado, assim muito por alto, como uma hipótese longínqua a considerar mais tarde.
Fui eu que toquei no assunto primeiro, com muito cuidado, porque sabia que era tema delicado. Nós não somos assim. Nós não desistimos à primeira adversidade (nem à segunda, nem à décima...). Nós não largamos da mão aqueles que precisam de nós.
Mas ontem ele tomou a decisão que não podia mais ser adiada. Porque, por muito que nos liguemos a um ser, se esse ser nos faz mal, mesmo que involuntariamente, não podemos continuar a viver com ele. A nossa saúde está primeiro, por mais que nos custe a separação.
Ele passava o dia todo bem, onde quer que estivesse, mas assim que entrava em casa começava a espirrar, e a bomba de asma já era a sua companhia preferida. A alergia dele vinha a piorar a olhos vistos, principalmente desde que eu deixei de poder tomar conta delas (com o perigo da toxoplasmose não brinco).
Hoje demos as nossas porcas-da-India. Tivémos a sorte de uma empregada da clínica veterinária onde levávamos os nossos bichos ter aceite de imediato ficar com as duas, sem as separar. Ficámos mais descansados porque temos confiança que vão ser bem tratadas. Vão ter muito colinho. Mais do que aquele que tiveram nos últimos meses. Porque eu não lhes podia tocar desde que engravidei. E ele espirrava descontroladamente quando se aproximava delas, e passava um mau bocado sempre que mudava a gaiola.
Sabemos que fizémos o que tinha de ser feito, pelo nosso bem mas também pelas bichezas, que merecem quem possa dar-lhes tudo a que têm direito, e que não se resume a comida e água. Merecem festas, colo, muita atenção.
Agora a casa está mais vazia, e já não se ouvem huin-huins de cada vez que abrimos a porta do frigorífico. Mas também não se vão ouvir tantos espirros, e se tudo correr bem, a bomba da asma vai ficar encostada a um canto brevemente.
Fui eu que toquei no assunto primeiro, com muito cuidado, porque sabia que era tema delicado. Nós não somos assim. Nós não desistimos à primeira adversidade (nem à segunda, nem à décima...). Nós não largamos da mão aqueles que precisam de nós.
Mas ontem ele tomou a decisão que não podia mais ser adiada. Porque, por muito que nos liguemos a um ser, se esse ser nos faz mal, mesmo que involuntariamente, não podemos continuar a viver com ele. A nossa saúde está primeiro, por mais que nos custe a separação.
Ele passava o dia todo bem, onde quer que estivesse, mas assim que entrava em casa começava a espirrar, e a bomba de asma já era a sua companhia preferida. A alergia dele vinha a piorar a olhos vistos, principalmente desde que eu deixei de poder tomar conta delas (com o perigo da toxoplasmose não brinco).
Hoje demos as nossas porcas-da-India. Tivémos a sorte de uma empregada da clínica veterinária onde levávamos os nossos bichos ter aceite de imediato ficar com as duas, sem as separar. Ficámos mais descansados porque temos confiança que vão ser bem tratadas. Vão ter muito colinho. Mais do que aquele que tiveram nos últimos meses. Porque eu não lhes podia tocar desde que engravidei. E ele espirrava descontroladamente quando se aproximava delas, e passava um mau bocado sempre que mudava a gaiola.
Sabemos que fizémos o que tinha de ser feito, pelo nosso bem mas também pelas bichezas, que merecem quem possa dar-lhes tudo a que têm direito, e que não se resume a comida e água. Merecem festas, colo, muita atenção.
Agora a casa está mais vazia, e já não se ouvem huin-huins de cada vez que abrimos a porta do frigorífico. Mas também não se vão ouvir tantos espirros, e se tudo correr bem, a bomba da asma vai ficar encostada a um canto brevemente.
Para compensar...*
... o facto de as minhas análises estarem perfeitamente normais, sem risco aparente de diabetes (e só ter engordado 300 grs no último mês)...
* Ou a melhor invenção dos últimos anos...
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Momentos
domingo, 15 de abril de 2012
Como explicar?
Como se explicam seis meses de emoções em crescendo? Desde o medo quase descrente de um sonho demasiado bom para ser verdade, a esta certeza que se consolida a cada pontapé (ou cabeçada), a cada movimento cada vez mais forte e amplo que só eu sinto (porque Peter Pan gosta do calor das mãos do pai, e acalma sempre que ele tenta senti-lo a mexer, por maior que estiver a ser a sessão de full contact com o cordão umbilical). Como explicar que, quando estou a trabalhar e só preciso de utilizar o rato do portátil, a outra mão está constantemente em cima da barriga, como se inconscientemente quisesse protegê-lo do mundo? E a quantidade insana de festas que lhe faço, ou as conversas que tenho só com ele porque sei que já ouve a minha voz? Como explicar este orgulho deslumbrado de cada vez que vejo a minha barriga reflectida num espelho, e a convicção profunda de que nunca me sentíria completa se não tivesse tido a benção desta gravidez e a possibilidade de ser mãe? Ou a vaidade quase infantil de usar roupas justas para mostrar este estado de graça? Como explicar este amor que se vai cimentando a cada dia, ainda imaterial mas já tão à flor da pele, tão presente como a consciência do coração minúsculo que bate dentro de mim, do pequeno ser humano que será para sempre nosso, o nosso filho, a ligação mais visceral e o amor mais puro?
Como explicar que já sou dele, que o meu coração já lhe pertence?
(Agora sim, podem chamar-me bola com pernas...)
Como explicar que já sou dele, que o meu coração já lhe pertence?
(Agora sim, podem chamar-me bola com pernas...)
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