segunda-feira, 16 de abril de 2012

Dizer adeus

Isto já vinha a ser falado, assim muito por alto, como uma hipótese longínqua a considerar mais tarde.
Fui eu que toquei no assunto primeiro, com muito cuidado, porque sabia que era tema delicado. Nós não somos assim. Nós não desistimos à primeira adversidade (nem à segunda, nem à décima...). Nós não largamos da mão aqueles que precisam de nós.
Mas ontem ele tomou a decisão que não podia mais ser adiada. Porque, por muito que nos liguemos a um ser, se esse ser nos faz mal, mesmo que involuntariamente, não podemos continuar a viver com ele. A nossa saúde está primeiro, por mais que nos custe a separação.
Ele passava o dia todo bem, onde quer que estivesse, mas assim que entrava em casa começava a espirrar, e a bomba de asma já era a sua companhia preferida. A alergia dele vinha a piorar a olhos vistos, principalmente desde que eu deixei de poder tomar conta delas (com o perigo da toxoplasmose não brinco).
Hoje demos as nossas porcas-da-India. Tivémos a sorte de uma empregada da clínica veterinária onde levávamos os nossos bichos ter aceite de imediato ficar com as duas, sem as separar. Ficámos mais descansados porque temos confiança que vão ser bem tratadas. Vão ter muito colinho. Mais do que aquele que tiveram nos últimos meses. Porque eu não lhes podia tocar desde que engravidei. E ele espirrava descontroladamente quando se aproximava delas, e passava um mau bocado sempre que mudava a gaiola.
Sabemos que fizémos o que tinha de ser feito, pelo nosso bem mas também pelas bichezas, que merecem quem possa dar-lhes tudo a que têm direito, e que não se resume a comida e água. Merecem festas, colo, muita atenção.
Agora a casa está mais vazia, e já não se ouvem huin-huins de cada vez que abrimos a porta do frigorífico. Mas também não se vão ouvir tantos espirros, e se tudo correr bem, a bomba da asma vai ficar encostada a um canto brevemente.

Para compensar...*

... o facto de as minhas análises estarem perfeitamente normais, sem risco aparente de diabetes (e só ter engordado 300 grs no último mês)...



* Ou a melhor invenção dos últimos anos...

domingo, 15 de abril de 2012

Como explicar?

Como se explicam seis meses de emoções em crescendo? Desde o medo quase descrente de um sonho demasiado bom para ser verdade, a esta certeza que se consolida a cada pontapé (ou cabeçada), a cada movimento cada vez mais forte e amplo que só eu sinto (porque Peter Pan gosta do calor das mãos do pai, e acalma sempre que ele tenta senti-lo a mexer, por maior que estiver a ser a sessão de full contact com o cordão umbilical). Como explicar que, quando estou a trabalhar e só preciso de utilizar o rato do portátil, a outra mão está constantemente em cima da barriga, como se inconscientemente quisesse protegê-lo do mundo? E a quantidade insana de festas que lhe faço, ou as conversas que tenho só com ele porque sei que já ouve a minha voz? Como explicar este orgulho deslumbrado de cada vez que vejo a minha barriga reflectida num espelho, e a convicção profunda de que nunca me sentíria completa se não tivesse tido a benção desta gravidez e a possibilidade de ser mãe? Ou a vaidade quase infantil de usar roupas justas para mostrar este estado de graça? Como explicar este amor que se vai cimentando a cada dia, ainda imaterial mas já tão à flor da pele, tão presente como a consciência do coração minúsculo que bate dentro de mim, do pequeno ser humano que será para sempre nosso, o nosso filho, a ligação mais visceral e o amor mais puro?
Como explicar que já sou dele, que o meu coração já lhe pertence?




(Agora sim, podem chamar-me bola com pernas...)

O genro pródigo

"Manda um sms à tua mãe, diz-lhe que estar a dar um concerto do Tony Carreira no canal 1!"

domingo, 8 de abril de 2012

Breve apontamento de normalidade

O Darkest Hour não vale a ponta de um corno. Ao contrário do Machine Gun Preacher, uma história bem contada, que mistura de uma forma sábia tiros e sentimentos. Muito bom mesmo, e a última frase, já depois dos créditos finais, dá que pensar...

(Isto só para dizer que já consigo ver um filme até ao fim, sem adormecer. Mas só se tiver feito uma sesta de duas horas antes, no mínimo. E que o Peter Pan se assusta com o som de gritos e tiros. Que ontem tive a minha família toda reunida em casa da mãe. Que a minha sobrinha é um doce e não me canso de a comtemplar, de ver os gestos, as expressões faciais e as caretas, de ouvir as primeiras palavras, de perceber o que a alegra e o que a irrita. Que ainda não comi nem uma amêndoa de chocolate e vou ter muito cuidado enquanto a médica não olhar para os resultados das minhas ultimas análises, porque um dos valores da curva da glicose saiu marado, e não quero arriscar nada - tudo o resto está impecável, tinha de haver um f&%$& da p&$% de um resultado fora do normal... E que vou agora para o almoço anual da família dele, cumprimentar todas as tias e primos até à quinta geração).

terça-feira, 27 de março de 2012

Render-me às evidências

A partir de agora, só assim...




(É isto e vestidos com meias de ligas, ao melhor estilo sexy mamma...)

domingo, 25 de março de 2012

Aconchegar

Porque hoje o homem da minha vida faz 38 anos. Porque dele já disse tudo o que sentia. E continuo a não mudar uma vírgula. Dentro de pouco tempo (faltam só 3 meses e meio, como é que passou tão rápido, tão sereno, tão algodão doce?) terei outro homem na minha vida. O amor não se divide. Multiplica-se. E sem este amor que celebro hoje com a calma e descontração que ele gosta, sem mais festas ou comemorações que um jantar com o meu sogro, não tería um outro amor a brotar devagar na nossa vida. Não faria sentido sem o ter ao meu lado. Sem sabê-lo presente e poder aconchegar-me nele ao deitar.
Porque hoje podia ter sido um domingo perfeitamente normal, mas não foi. Ele completou mais um ano de vida. Com saúde. Com a sorte de trabalhar no que adora. E a palmilhar comigo este caminho a que chamam vida a dois. E eu sou imensamente grata por tudo isto.

(E numa altura em que andamos - em modo "patologia alucinogéneo-delirante" ou "vou-começar-a-jogar-no-euromilhões-todas-as-semanas" - a visitar casas e a pensar em permutas, li esta frase que diz  tão bem o que sinto: "What i love most about my home is who i share it with").

Eddie Vedder
"Rise"