domingo, 7 de junho de 2009

(Pelo menos é sincero...)

- O que eu queria era um GR...
- Tens bom remédio, vendes este e compras o GR.
- Tu não sabes o que estás a dizer! Se este já é uma mulher a que tenho de dar atenção, o outro então era uma cabra...
(que te ía sugar até ao tutano...)

Momento (LXVII)

Não sei a que horas me deitei ontem, mas acordei cedo, ainda tentei ficar mais um pouco, mas o mar chamava-me, estava ali tão perto, via-o da minha janela, por isso vesti-me e saí de mansinho para não acordar ninguém.
Percorri a marginal quase vazia, olhos postos na areia deserta e no mar calmo, pele arrepiada da maresia da manhã, ouvidos cheios do som das ondas.

Sentei-me numa esplanada em frente ao pontão, bebi café e li o jornal numa calma rara em mim, uma serenidade proporcionada por esta visão que será sempre um balão de oxigénio que me purifica.

Respondo ao sms dele "Onde estás?". Também não conseguiu ficar na cama "tu sem mim não dormes", saiu e ainda andou à minha procura nas sapatarias. Tomamos o pequeno-almoço numa esplanada escondida num largo, descemos até à praia, tiro os chinelos para sentir a areia áspera, mas não ficamos muito tempo, ele não se quer sentar ali, não naquela praia, a única onde o mar o incomoda porque um dia tentou engoli-lo.

Passeamos pelo centro sem destino, rindo das montras cheias de objectos inúteis, apontando para as ruelas estreitas, do tempo em que o termo planeamento urbanístico devia ser estrangeiro...

... e sentindo o cheirinho a marisco e peixe grelhado que começava a convidar para o almoço.

sábado, 6 de junho de 2009

Fazer mato (V)

O C. prometeu e cumpriu, faltava a areia no meu currículo de pendura, e para colmatar esta falha grave juntámo-nos a novo passeio, desta vez do Carta.xo à Naz.aré, organizado pelo mesmo pessoal (e continuam a fazer um trabalho impecável). Nós, o C. e a C., o V. e a C. (isto escrito fica uma confusão!), o B. e dois amigos.
A rotina já começa a ser minha velha conhecida: acordar mais cedo do que em qualquer dia da semana em que tenho de ir trabalhar, apanhar seca de pelo menos hora e meia no local das inscrições, arrancar todos em filinha ordenada até começar cada um a ir para seu lado, de acordo com a leitura que fazem do road-book.
Para a diversão ser maior, paramos na berma do caminho assim que saímos do asfalto. Deixá-los ir. Dar-lhes espaço. Para poder seguir com "a faca nos dentes".

Vamos seguindo as indicações sem falhas graças ao C. (ou à C.), até que ele se lembra de entrar pelo portão de uma pedreira (?). Como o grupo começa e acaba junto (para o bem e para o mal), fomos todos atrás dele, claro, por entre pedregulhos e terreno barrento. E ao voltar para trás, numa ligeira curva, ele vira o volante mas o carro não obedece e continua a deslizar. Ouço um baque seco quando encostamos a uma pedra (já foste!!). A primeira preocupação (depois de lhe dar um puxão com a cinta) é confirmar os estragos, nada de tão grave que nos impeça de continuar normalmente. E a minha fúria desaparece quase tão rápido como surgiu, não vou deixar que isto estrague a boa disposição do dia e o espírito do passeio.

Depois do almoço estilo picnic, sandochas e minis de geleira e cerejas do Fundão que o B. lembrou-se de mim, deixamos a lama e temos paragem obrigatória para esvaziar um pouco os pneus. Já me tinham dito que areia era puxado, mas só depois de começar a sentir o corpo aos saltos e a ser sacudido de um lado para o outro é que lhes dei razão: o terreno faz ondas contínuas, é impossível ir a direito, parece uma montanha russa!!! Rio enquanto tento manter-me agarrada ao banco, há alturas em que o cinto de segurança magoa-me o ombro, mas sem ele andava a bater com a cabeça no tecto.

Passados poucos kilómetros voltamos à estrada, paramos para acabar de arrancar a protecção do fundo, que já vinha a arrojar pelo chão, e seguimos para o centro da Naza.ré, passamos devagar em frente ao mar, jantamos no parque de campismo (fui enganada na sobremesa!) e depois de um copo rápido numa esplanada, acabamos a noite na casa de escadas estreitas, alugada para a ocasião, eles de portáteis em cima da mesa da cozinha, a jogar em rede (é uma comédia ouvi-los "vai pela direita, agora, mata esse, pega na bomba, cuidado!!!!"), nós à conversa no sofá até se acabarem as cerejas.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Momento (LXVI)

Chegarmos ambos a casa a horas "normais".
Jantarmos juntos num dia de semana, no sítio do costume.
O que para muitos é normal e rotineiro, para mim foi um bálsamo redentor.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Boa noite...

... para ti também...

Andrea Bocceli sings Elmo to sleep

Momentos (LXV)

Arrancar a Paula do marasmo, só para ela vir para minha casa continuar a fazer o mesmo que em todo o dia (ou seja, ponta de corno).
"Estou cansada de não fazer nada" (tão cabra...).
Jantamos 1 kilo de cerejas, cada uma em seu sofá, cada uma com o seu portátil no colo. Fumamos cigarros e conversamos sobre tudo e nada. Comemos bombons de mousse de chocolate "mas eu estou de dieta", e perdemos a noção das horas entre blogs e o messager. Passo roupa a ferro enquanto ela vê trailers de filmes, e os momentos de silêncio não nos incomodam, porque temos o à-vontade que se vai consolidando com os anos, numa amizade reconfortante que não exige palavras.