domingo, 8 de março de 2009

Conversas ao Jantar (XIX)

- Eu tenho mesmo necessidade de vir jantar fora pelo menos uma vez por semana.
- Porquê?
- Porque é das únicas alturas em que posso falar contigo com calma.

E saborear um bom vinho, e fazer planos para os nossos filhos, e perguntar o que vai fazer com tanto tempo livre, e brincar com os seus dedos pousados na mesa, e ouvir as dúvidas existenciais e responder com as certezas do coração.
Ele tem razão, à mesa não se envelhece...

sexta-feira, 6 de março de 2009

Conversas ao jantar (XVIII)

- Já contaste à tua mãe?
- Não, não contei a ninguém. Agora só vou falar quando estiver concretizado.
- Mas já está.
- Já está decidido, mas só vou dizer quando saíres de um lado e entrares no outro. Voltei às minhas crenças antigas.

Vais-me ouvir!

Então ela fez anos e não me disse nada? Porra, eu sou péssima a decorar datas, têm de me lembrar!
Queria ter-lhe enviado um abraço apertado, mesmo pelo telefone, queria ter ouvido a voz alegre e bem-disposta, e dizer-lhe que mais um ano não lhe faz diferença nenhuma, porque ninguém lhe dá a idade que tem, vai continuar sempre baixinha e eléctrica, vai ter muitos desafios pela frente, mas vai saber sempre escolher o melhor caminho, vai continuar a ficar lixada com o sistema e burrice e pasmaceira que a circunda sem lhe chegar, mas vai aprender a não dar tanta importância, e acima de tudo vai aprender a amar-se e a dar valor à pessoa maravilhosa que é.

Parabéns, MCG (atrasados mas sentidos).

quarta-feira, 4 de março de 2009

Ver o futuro

Depois de 4 horas de reunião sem pausa para café, o telefonema redentor "Hoje não vou às aulas, vou jogar à bola e depois vamos jantar ao Pedrógão".
No grupo habitual de colegas já amigos, um casal novo, bem dispostos e despachados como se quer. Gostei imediatamente da S., conversa fácil, o à-vontade dela a quebrar a minha timidez enquanto fumamos um cigarro.
E foi entre o caril de frango e o bolo de noz com gelado que percebi a razão daquele espírito lutador que detectei desde o início. Depois de ela me contar que teve um aborto espontâneo e só após dois anos conseguiu engravidar novamente, é que percebi o porquê de tanto carinho e doçura que eles punham nas palavras que falavam da filha de 16 meses. Principalmente ele, embevecido e de olhos brilhantes, capaz de qualquer coisa pelo ser mais precioso da vida deles.
E eu vi o meu futuro.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Olhar em frente

"The force was unleashed".
Obrigado. Ele merece.

domingo, 1 de março de 2009

Ouvir e sentir (XLVII)

Era disto que eu estava a precisar: paixões de adolescentes e Santorini.

Alana Grace
"Black Roses Red" (nem a propósito)
Sisterhood of the Traveling Pants 1 e 2 OST

Momentos (LIV)

Ver o meu pai a sorrir ao almoço.
Trocar um filme por uma hora entre aromas de perfumes e cremes e cores gulosas de frascos e pufs e bolinhas para o banho, e outra hora sentada no chão da Fnac a sonhar com as fotografias do African Interiors da Taschen.
Vaguear por entre os plamas e LCD's e escolher o próximo, aquele que vamos comprar quando tivermos 7.000€ a fazer-nos comichão na carteira.
Comer bolo sem remorsos.

Jantar de aniversário que também foi o meu, com amigos que também são os meus.
Ver o puto mais velho nas nuvens, apaixonado e feliz.
Ouvir chamarem-me cunhadinha e saber que a alegria é contagiante, que um riso atrai outros (e que a sangria branca com muita hortelã também ajuda).
Acabar a noite a dançar no meio do restaurante.