quinta-feira, 9 de outubro de 2008

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Alívio

- Diz lá se não tinhas saudades de ter a mãe a refilar contigo o dia todo?
- Tinha sim, filha! - a voz dele tão diferente, tão alegre, a jantar com a mulher e os putos.
E eu acendi uma vela, e vieram-me lágrimas aos olhos, as primeiras (e últimas, se tudo correr bem) desde que isto começou.
O meu pai já está em casa.

Rodrigo Leão
"Ave Mundi Luminar"

terça-feira, 7 de outubro de 2008

É que é já

Vou-me enfiar na cama, enrolada no cobertor fofo, a ler até adormecer (15 minutos, no máximo).

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Equilíbrio

"Para encontrares o equilíbrio que pretendes (...) Deves manter os pés agarrados à terra como se tivesses quatro pernas em vez de duas. Dessa forma, podes ficar no mundo, mas tens de parar de olhar para ele através da tua cabeça. Em vez disso, deves olhá-lo através do teu coração."

In: Comer, Orar, Amar

(A Catarina de Aragão está em stand by)

domingo, 5 de outubro de 2008

Matar saudades

Não me apetece pensar na imagem do meu pai, magro, muito magro, apesar de bem disposto e com a perna a sarar e a doer (dizem que neste caso doer é bom sinal). Não gostei de o ver, naquela cama articulada com controlo por botões, naquele hospital pintado de fresco, paredes azul-bébé, que já não cheira a éter mas não deixa de ser um hospital.
Este fim de semana matei saudades, de andar de carro com o meu irmão a ouvir System of a Down e Korn (lembro-me sempre dele quando ouço o "Chop Suey"); das palhaçadas à hora do jantar que deixam a minha mãe perplexa e a pensar que os filhos ainda têm 5 anos.
Do meu afilhado, que fez 6 anos e que eu não via desde o Natal (bela madrinha eu saí!) e que está tão grande e tão louro e fala pelos cotovelos e tem um irmão de 2 meses que é igual a ele, literalmente.
De passear num jardim, com calma, devagar, sentir a relva debaixo dos sapatos, ficar sentada num banco enquanto a I. corria atrás dos patos e enfiava as mãos na água e na terra e depois as usava para afastar os cabelos da cara.

E de beber um café com as amigas de sempre, num dos meus sítios preferidos, pela decoração e pela música.

São estes os momentos que eu quero guardar, e estar grata por acontecerem, porque a minha felicidade é isto.

Justiça divina

- Sabes o que é justiça divina? - pergunta-me ele na 6ª feira à tarde, último dia de trabalho naquela empresa a desmoronar-se - É acabar de fazer o último cliente, e quando vou a estacionar, a carrinha deixa de trabalhar e começa a sair fumo do capot, o circuito eléctrico berrou! E depois entrar no escritório e o boss (que andou até à última a arranjar esquemas e falsas esperanças para não o deixar sair) entregar-me um cheque com o valor em falta.
E sim, eu continuo a acreditar que tudo acontece por uma razão.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Ossos do ofício (II)

Chegar ao escritório ao meio-dia e meia, sair às 3 para uma degustação de produtos gastronómicos da Andaluzia no palácio dos Condes d'Óbidos, com demonstração de receitas pelo chef Chakall (aquele homem tem uns olhos tão azuis que até dói!). Andar com a R. de mesa em mesa a provar presuntos, queijos, vinhos secos, glacés de vinagre com Moscatel e raspas de sal com baunilha. Sair quando aquilo começou a ficar uma seca, sentar num banco de jardim virado para o rio, antes de mergulhar no trânsito infernal de Lisboa às 6 da tarde, única saída para voltar para casa. Para terminar em beleza, parar no shopping o tempo estritamente necessário para comprar uma mala que se estava a rir para mim. "Há grandes vidas!" diz ele.


Falta a parte do acordar em sobressalto às 7 da manhã (devia ter posto o despertador para as 6, até agora não sei o que correu mal), vestir a correr e arrancar para Coimbra para mais uma recolha de sangue, e esperar até às 11 (em jejum, numa cave sem janelas, onde estavam mais de 100 pessoas todas a respirar o mesmo ar, metade delas com aquelas máscaras a tapar o nariz e a boca - deprimente!) para me tirarem 8 tubos de sangue (!).