Não estou triste, não estou deprimida, nem sequer excessivamente preocupada ou ansiosa. Sei que o meu pai vai ficar bem, como soube que ele ía conseguir voltar a estudar, e como soube que nem sequer tinha de me preocupar quando ele se despediu, porque ía correr tudo bem.
Não sei que nome lhe dar, é uma sensação de calma que não me permite pensamentos negativos, mas não é um estado de negação; ele chama-lhe fé, mas não "fé" no sentido de rezar para pedir ajuda quando estamos em apuros (também o faço). É algo que se sente à partida, uma espécie de paz interior, algo que diz "não stresses, não é preciso". E que até agora não me deixou ficar mal.
Mas continuo zangada com ele.
Jewel
"Foolish Games"
"Passou tudo tão depressa / nunca te falei de mim / o que digo não importa / o que sinto talvez sim."
terça-feira, 30 de setembro de 2008
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Revolta
Mais uma vez tenho o meu pai no hospital.
No sábado soube que tinha uma ferida infectada numa perna "mas já andava a fazer o curativo". Quase gritei com ele ao telefone:
- Tu sabes que isso é perigoso, tu és diabético, sabes o que eu quero dizer, não sabes?
- Claro que sei, não sou burro.
- Não, tu não és burro, só teimoso!!
Prometeu-me que segunda feira (hoje) ía ao médico, e esta manhã, quando telefonei para confirmar, quando lhe perguntei se estava tudo bem, ouço a voz chorosa do outro lado:
- Não sei...
- Como não sabes? O que se passa?
- A médica disse que vai já mandar-me para Santa Maria, para ser internado.
Acalmei-o, disse que era o melhor para ele, se algo não estava bem ía ser tratado, e depois seguiram-se os telefonemas para os irmãos, pôr a rede familiar a funcionar.
E a notícia que eu já esperava chegou há pouco: fica mesmo internado, a ferida infectou porque já tem dois meses, foi o "pormenor" que o meu pai se esqueceu de dizer, como parece que se esquece que tem uma família que se preocupa com ele, os filhos estão criados mas ainda precisam de um pai, e querem um pai ao pé deles, e eu espanto-me e revolto-me com o pouco valor que o vejo a dar à própria vida, e só me apetece chamar-lhe nomes, porque não aprende ou não quer aprender, porque não cuida de si próprio e também não deixa que cuidem dele.
No sábado soube que tinha uma ferida infectada numa perna "mas já andava a fazer o curativo". Quase gritei com ele ao telefone:
- Tu sabes que isso é perigoso, tu és diabético, sabes o que eu quero dizer, não sabes?
- Claro que sei, não sou burro.
- Não, tu não és burro, só teimoso!!
Prometeu-me que segunda feira (hoje) ía ao médico, e esta manhã, quando telefonei para confirmar, quando lhe perguntei se estava tudo bem, ouço a voz chorosa do outro lado:
- Não sei...
- Como não sabes? O que se passa?
- A médica disse que vai já mandar-me para Santa Maria, para ser internado.
Acalmei-o, disse que era o melhor para ele, se algo não estava bem ía ser tratado, e depois seguiram-se os telefonemas para os irmãos, pôr a rede familiar a funcionar.
E a notícia que eu já esperava chegou há pouco: fica mesmo internado, a ferida infectou porque já tem dois meses, foi o "pormenor" que o meu pai se esqueceu de dizer, como parece que se esquece que tem uma família que se preocupa com ele, os filhos estão criados mas ainda precisam de um pai, e querem um pai ao pé deles, e eu espanto-me e revolto-me com o pouco valor que o vejo a dar à própria vida, e só me apetece chamar-lhe nomes, porque não aprende ou não quer aprender, porque não cuida de si próprio e também não deixa que cuidem dele.
domingo, 28 de setembro de 2008
Há 15 anos...
... num banco de madeira corrido, na mesa do canto do café em frente à escola (que já não existe, agora é uma sucursal de um banco qualquer), eu sentada com as costas contra a parede, pés em cima do banco, abraçada às pernas, queixo quase a tocar os joelhos; e ele sentado à minha frente, uma perna de cada lado do banco, com os braços cruzados apoiados nos meus joelhos.
Finalmente a pergunta que eu aguardava há alguns dias (não era bem esta, mas serviu):
- Afinal o que é que tu queres de mim?
- Quero namorar contigo. Mas não quero que namores comigo só porque a R. anda a fazer de cupido. Quero que sintas o mesmo que eu.
Ele não me respondeu. Como tantas outras vezes, substituiu as palavras por gestos, e beijou-me. Um beijo seguro mas doce, como os milhares que se seguiram em 15 anos de vida em comum.
E hoje, como tantas outras vezes, agradeço a benção de acordar todos os dias ao lado da pessoa que amo, meu amigo e meu amante, sócio de gestão imobiliária e companheiro incansável desta viagem que é a nossa vida.
Tim e Mariza
"Fado do Encontro"
Finalmente a pergunta que eu aguardava há alguns dias (não era bem esta, mas serviu):
- Afinal o que é que tu queres de mim?
- Quero namorar contigo. Mas não quero que namores comigo só porque a R. anda a fazer de cupido. Quero que sintas o mesmo que eu.
Ele não me respondeu. Como tantas outras vezes, substituiu as palavras por gestos, e beijou-me. Um beijo seguro mas doce, como os milhares que se seguiram em 15 anos de vida em comum.
E hoje, como tantas outras vezes, agradeço a benção de acordar todos os dias ao lado da pessoa que amo, meu amigo e meu amante, sócio de gestão imobiliária e companheiro incansável desta viagem que é a nossa vida.
Tim e Mariza
"Fado do Encontro"
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Momentos (XXV)
Voltar a sentir o cheiro a bebé nas minhas mãos e no meu pescoço. Abraçar a pequena S. e beijar a bochecha de pele macia e cheirar-lhe o cabelo. Vê-la abrir a boquita num sorriso rasgado, e tentar um primeiro parlear para chamar a atenção, os seus olhos escuros muito abertos, a força que faz para levantar a cabeça, mesmo a pedir para ser pegada ao colo e mimada com carinho.
Sentar-me na cama da I., abatida pelos 39º de febre, e ficar a ver a Barbie Rapunzel enquanto lhe faço festas nos pés e ouço as histórias da escola nova e vejo o seu cabelo mais curto (ela tinha uns caracóis de anjo louro, lindíssimos).
Que saudades que eu tinha das minhas princesas!
Sentar-me na cama da I., abatida pelos 39º de febre, e ficar a ver a Barbie Rapunzel enquanto lhe faço festas nos pés e ouço as histórias da escola nova e vejo o seu cabelo mais curto (ela tinha uns caracóis de anjo louro, lindíssimos).
Que saudades que eu tinha das minhas princesas!
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Momentos
sexta-feira, 26 de setembro de 2008
Momentos (XXIV)
Já falámos por telemóvel e trocámos mais sms esta semana do que o mês passado inteiro. Mais uma consequência nova desta mudança, principalmente para quem (ele, claro) uma chamada com mais de 30 segundos já é conversa esticada. Mas as actualizações são muitas, o medo de se esquecer de contar algo importante impele-o a ligar logo (e voltar a ligar de seguida, porque faltou dizer alguma coisa).
E eu sou pior ainda, pela necessidade de coordenar tarefas e lembrar aniversários, ou só pela vontade de ouvir a voz dele durante o dia.
E depois há os sms que vai enviando e que me arrancam sempre com um sorriso:
" "Não herdamos as canções do invasor, herdamos a nossa voz para cantar a pátria. Não herdamos ouro para comprar a liberdade, herdamos ferro para a defender"... na t-shirt de um puto no Mac, não sei ao que era alusivo."
"Se és trabalhador-estudante... Respect... só és praxado se quiseres :)"
"E agora, senhoras e senhores... 3 horas de álgebra :)"
E eu sou pior ainda, pela necessidade de coordenar tarefas e lembrar aniversários, ou só pela vontade de ouvir a voz dele durante o dia.
E depois há os sms que vai enviando e que me arrancam sempre com um sorriso:
" "Não herdamos as canções do invasor, herdamos a nossa voz para cantar a pátria. Não herdamos ouro para comprar a liberdade, herdamos ferro para a defender"... na t-shirt de um puto no Mac, não sei ao que era alusivo."
"Se és trabalhador-estudante... Respect... só és praxado se quiseres :)"
"E agora, senhoras e senhores... 3 horas de álgebra :)"
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Momentos
terça-feira, 23 de setembro de 2008
Pura alegria!!
Foi o que senti durante o filme todo, foi o espírito com que saí do cinema, eu e todas as pessoas que enchiam a sala, e que íam cantarolando as canções ao mesmo tempo que Meryl Streep (poderosa, magnífica na interpretação de "The winner takes it all"), Amanda Seyfried (uma voz tão doce e cristalina) e Pierce Brosnan (ok, o senhor não canta bem, mas eu já desconfiava que ele tinha de ter algum defeito, ninguém é assim tão... perfeito).
E aquele cenário, aquela água tão azul, aquela sensação de uma vida a correr ao sabor das ondas e das paredes brancas e das flores nas ruelas estreitas. E a alegria de viver e de mostrar as emoções (nem que seja aos gritos e a dar espectáculo no cais).
Mamma Mia
"Dancing Queen"
E aquele cenário, aquela água tão azul, aquela sensação de uma vida a correr ao sabor das ondas e das paredes brancas e das flores nas ruelas estreitas. E a alegria de viver e de mostrar as emoções (nem que seja aos gritos e a dar espectáculo no cais).
Mamma Mia
"Dancing Queen"
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Frames
Ocupar o silêncio
Ontem pus a máquina de lavar a trabalhar mais cedo, tomei um banho demorado, passei creme no corpo, estiquei o cabelo, pintei as unhas (das mãos e dos pés), liguei o rádio e acendi uma vela.
Hoje vou ver os últimos episódios do Grey's e depois vou ao cinema ver (finalmente) o Mamma Mia.
Tenho 21 filmes para ver, mais o Sexo e a Cidade (a série, completa) e o livro da Catarina de Aragão para terminar. Tudo para ocupar o silêncio.
Para preencher a presença dele, que me faz falta. Senti-lo em casa, mesmo sem o ver, sabendo que ele está na sala ao lado, a jogar um jogo qualquer no computador. Sentir o abraço dele enquanto vemos juntos o CSI ou o wrestling.
Tenho de me habituar a não esperar por ele para jantar (e a jantar sem ele, o que vai ser mais complicado).
Tenho de me habituar ao silêncio.
Hoje vou ver os últimos episódios do Grey's e depois vou ao cinema ver (finalmente) o Mamma Mia.
Tenho 21 filmes para ver, mais o Sexo e a Cidade (a série, completa) e o livro da Catarina de Aragão para terminar. Tudo para ocupar o silêncio.
Para preencher a presença dele, que me faz falta. Senti-lo em casa, mesmo sem o ver, sabendo que ele está na sala ao lado, a jogar um jogo qualquer no computador. Sentir o abraço dele enquanto vemos juntos o CSI ou o wrestling.
Tenho de me habituar a não esperar por ele para jantar (e a jantar sem ele, o que vai ser mais complicado).
Tenho de me habituar ao silêncio.
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