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domingo, 27 de dezembro de 2009

Momento (XCI)

Ler o No teu Deserto todo de rajada, deitada no sofá em frente à lareira acesa, alheada da tarde fria, cinzenta e silenciosa que passa lá fora.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Nunca esquecer

"Até que um dia (...) entendeu finalmente. Não foi um grande acontecimento que trouxe a luz que lhe iluminou a consciência. Tratou-se antes de um pequeno incidente, uma verdadeira minudência, coisa tão ridiculamente trivial que jamais a guardaria na memória não fosse a poderosa cadeia de raciocínios que tal insignificancia desencadeou, como um minúsculo calhau cuja simples deslocação acidental inicia a devastadora avalancha que tudo muda."

In: A vida num sopro


(A 9 de Novembro de 1989, após várias semanas de distúrbios civis, o governo da Alemanha Oriental anunciou que todos os cidadãos da RDA poderiam visitar a Alemanha Ocidental. Multidões de alemães subiram e atravessaram o Muro, juntando-se aos compatriotas do outro lado, numa atmosfera de celebração e euforia. Começava assim, com um mal-entendido, a Queda do Muro de Berlim, após 28 anos).

domingo, 30 de agosto de 2009

Luz (II)

O comboio atravessa a ponte ao entardecer, e por um breve minuto fico hipnotizada com a magia da luz que se dilui no Tejo, com a beleza daquele cenário que encanta poetas, pintores e sonhadores. Esta é a Lisboa das histórias, a Lisboa inundada de ouro velho e cobre, um quadro que fica gravado na memória.

"Encontramos felicidade assim com tanta frequência que podemos expulsá-la da boleia quando acontece que está lá sentada?"
In: Um quarto com vista

(Não, não encontramos).

Olhar

"Uma pensão realmente confortável em Constantinopla!" (...) mas no seu íntimo querem uma pensão com janelas mágicas que dêem para a espuma de mares perigosos em países encantados e perdidos!"

In: Um quarto com vista

segunda-feira, 6 de julho de 2009

"- Tens uns olhos lindos!
- Você também...
- Tens uma boca extraordinária...
- Você também...
- Tens um sorriso...
- Tu também!
- Ainda nem tinha acabado...!
- Pois, mas...
- E uma cama, tens?"

In: 13 gotas ao deitar

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Momento (LXIX)

Passo uma hora no meio de livros como uma criança passa uma hora numa loja de brinquedos: olho para todo o lado, mexo em cada um , folheio, vejo as cores da capa, sinto o cheiro do papel...
Quando não vou à procura de algo específico, quando não sei bem o que quero, escolho-os pelo título e pela capa, gosto de livros com capas bonitas e coloridas, eu sei que isso às vezes não quer dizer nada, que pode ser a maior desilusão, mas os meus dedos passam pela capa e sentem os relevos, os meus olhos fixam-se nas cores vibrantes ou num desenho singular, e eu levo-os só porque sim, porque são belos mesmo sem saber se serão bons.
E hoje trouxe três assim.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Rir

A última hora foi passada no comboio a tentar controlar o riso para não fazer figuras tristes.
E a culpa é do Rafeiro!

terça-feira, 5 de maio de 2009

Colorir...

... os dias...



"Há tanta coisa no meu destino que eu não posso controlar, mas há outras que estão sob a minha alçada. (…) Posso escolher a forma como vou reagir às circunstâncias menos felizes da minha vida (...) (e nas ocasiões em que não consigo adoptar o ponto de vista mais optimista, porque sinto demasiada pena de mim mesma, posso optar por mudar a minha aparência). ”

In: Comer, Orar, Amar

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Deixar correr

"Senta-te calmamente por agora e pára de participar. Observa o que acontece. Afinal, os pássaros não caem a meio do voo, as árvores não secam e morrem, os rios não ficam vermelhos de sangue. A vida continua. (…) por que razão tens tanta certeza que a tua microgestão de todos os momentos é assim tão essencial para o mundo inteiro? Porque não deixas apenas correr as coisas?”

In: Comer, Orar, Amar

domingo, 12 de abril de 2009

A simplicidade da beleza


"Eu creio num regresso à Natureza. (...) Hoje acho que temos que descobrir a Natureza. depois de muitas conquistas, atingiremos a simplicidade. É a nossa herança."

In: Um quarto com vista

quinta-feira, 9 de abril de 2009

O futuro

"(...) é impossível predizer o futuro com qualquer grau de precisão, (...) é impossível ensaiar a vida. Uma falta no cenário, um rosto na audiência (...) e todos os nossos gestos cuidadosamente planeados nada significam ou significam muito."

In: Um quarto com vista


(mas eu queria tanto acreditar no tarot...)

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

E todos estes anos...

"(...) a vida continuou a florescer e a fenecer, entre esperanças e sonhos sempre temperados por uma realidade que raramente cumpria tudo o que desejava."

In: O Império dos Pardais

terça-feira, 25 de novembro de 2008

E eu?

Desiludida, desapoiada, triste, desamparada, sozinha, invisível. É como me sinto: invisível.
Ligo à minha mãe e no final ouço-a dizer, como sempre "se precisares de alguma coisa diz, filha". O que é que eu vou dizer? "Olha, mete-te num comboio e vem cá, preciso de um abraço, preciso que alguém me dê carinho e me afague os cabelos".
Ele olha para mim mas não me vê, não sabe como me sinto, é capaz de notar que alguma coisa não está bem, mas não pergunta o que é , é mais confortável não saber, menos uma chatice na vida tão complicada que ele tem, estudar e trabalhar.
E eu vou-me diluindo neste desalento, nesta sensação de viver só para manter o bem-estar de uma casa, para evitar preocupações aos meus pais, para que ele não tenha de se chatear com nada a não ser levantar-se e ir trabalhar e ir estudar (basicamente, as duas únicas coisas que faz na vida agora). Vou-me tornando transparente nesta necessidade de alguém que olhe para mim e me veja em todas as minhas fraquezas, alguém que me dê atenção. Tomo conta de tudo, levo o carro à oficina, vou às compras e carrego os sacos sozinha, sempre sozinha. E eu? Quem é que toma conta de mim?

"Eu sou a princesa adormecida da história, uma princesa de neve, abandonada num país frio e que já se esqueceu do que é sentir o sol."

Catarina de Aragão, in: A Princesa Determinada

sábado, 18 de outubro de 2008

Obrigação

"E quando se pressente a mais remota hipótese de felicidade (...) devemos agarrá-la pelos tornozelos e não a largar (...) - isto não é egoísmo, mas obrigação. Se nos foi dado o dom da vida, é nosso dever (e também nosso direito como seres humanos) encontrar algo de belo nessa vida, por mais insignificante que seja."

In: Comer, Orar, Amar

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Equilíbrio

"Para encontrares o equilíbrio que pretendes (...) Deves manter os pés agarrados à terra como se tivesses quatro pernas em vez de duas. Dessa forma, podes ficar no mundo, mas tens de parar de olhar para ele através da tua cabeça. Em vez disso, deves olhá-lo através do teu coração."

In: Comer, Orar, Amar

(A Catarina de Aragão está em stand by)

domingo, 7 de setembro de 2008

Liberdades

"Hei-de ter um gato, sem ter medo que me chamem bruxa, vou poder dançar sem receio de que me chamem prostituta. Posso passear com o meu cavalo e hei-de ir para onde me aprouver. Hei-de andar por aí a pairar como um gerifalte. Vou viver a minha vida e fazer as coisas de que gosto. Serei uma mulher livre."

Ana de Cléves in Herança Bolena


(e hoje começo a ler "A Princesa Determinada", sobre Catarina de Aragão).

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Quero

"Quero ver o seu rosto iluminar-se quando eu entro numa sala, não apenas durante estes dias escassos, mas todos os dias. (...) Quero ensinar-lhe as suas orações, o abecedário e a ter boas maneiras. Quero que seja meu. (...) porque eu não tenho filhos e quero alguém para amar."

Ana de Cléves, in Herança Bolena

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Avós

O Continente fez um folheto com artigos para oferecer no Dia dos Avós. Entre eles, dois livros: "Avô, conta outra vez" e "Para uma Avó muito especial".
Fiquei a pensar em comprá-los e guardá-los.
Fiquei a imaginar-me a oferecê-los aos meus pais, bem embrulhados, e a expressão nos seus olhos ao perceberem, e os sorrisos e os abraços, e poder dizer-lhes "vão ser avós".

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Livros

"A partir do momento em que aprendi a ler, nunca mais me senti sozinha."
A frase não é minha (foi dita pela primeira dama Maria Cavaco Silva, em entrevista a Alice Vieira para a última edição da Activa) mas podia muito bem ser.
Leio de tudo, de sonetos de Florbela Espanca a Gabriel Garcia Marquez, de Eça de Queirós (adorei "Os Maias", anos depois de ter sido obrigada a lê-lo na escola) a Paulo Coelho, de José Eduardo Agualusa a Gao Xingjian (se bem que ainda não acabei "A Montanha da Alma", não ando com espírito).
Gosto de livros que me levem para outras realidades, que me mostrem um mundo que não é o meu, mesmo que não seja o mundo de ninguém. Também gosto de livros com sentimento, histórias de amor (não confundir com romances de cordel, para esses não há pachorra), não necessariamente de romance e com final feliz.
O livros fazem-me companhia, não só o que ando a ler, mas todos os outros que estão adormecidos nas estantes, alguns já lidos, outros à espera da sua vez de serem tocados, abertos e explorados. Depois há os preferidos, guardados religiosamente num armário com portas de vidro, para estarem mais protegidos, porque a qualquer momento são resgatados, vezes sem conta, não para voltar a lê-los do início, mas para lembrar as passagens que ficaram marcadas, porque me marcaram.
É uma sensação fantástica, pegar num livro novo, passar os dedos pela capa, abri-lo, sentir o cheiro do papel, ler o primeiro parágrafo. Logo aí percebo se vou gostar dele ou não. Se ele me conseguiu cativar imediatamente ou se vai ter de se esforçar um pouco para me manter interessada. E depois não pára quieto: do quarto para a sala, da sala para a casa de banho, do quarto para dentro da minha mala.
Quantas vezes saímos para beber café ou lanchar numa esplanada ao pé do rio, e cada um leva o seu livro. Não que não nos interesse a companhia do outro, ou que não tenhamos assunto para falar. É uma paixão que partilhamos, que vamos compartilhando à medida que avança a história. Frases trocadas que ficam na memória, que fazem pensar, que arrancam um sorriso dos lábios.